segunda-feira, outubro 16, 2006
Coisas que eu ouvi 4 - prof. Alvarez
Coisas que eu ouvi 3- Prof. Alvarez
Coisas que eu ouvi 2 - José Timóteo Alvarez
Será na tríade política, dinheiro e media que teremos então que buscar indícios da nova forma de poder travestida no mundo, sendo que todo o poder que se converta a uma só ideologia (no caso à dos poderes económicos) se transforma numa tirania.
domingo, outubro 15, 2006
Coisas que eu ouvi 1 - Lakoff e um “think tank” para a esquerda
Georges Lakoff no lançamento de um dos seus últimos livros terá discursado sobre a necessidade dos liberais americanos concentrarem os seus recursos económicos na criação de grupos que se dediquem à análise e produção de ideias novas em política (“think tanks”) à semelhança do que é já tradição para os conservadores. Para Lakafoff a esquerda estaria a perder no campo da interpretação da realidade política (incapaz de produzir novas metáforas representativas), tanto quanto na capacidade de criar argumentos para propor novas visões políticas do mundo.
Não sabia que Lakoff era um liberal. Nem sabia que ele se preocupava com a produção de novas ideias liberais para analisar a realidade. Também não tinha a percepção tão aguda de que fossem os conservadores a potenciarem com as suas contribuições financeiras os maiores, melhores e mais efectivos grupos de estudo na área da política. Sempre julguei que isso era indiferente e que, de um ponto de vista da investigação, seria mesmo necessário ultrapassar a necessidade pessoal de identificação ideológica por parte dos que se dedicavam ao trabalho de análise política nacional e internacional.
Perguntei ao meu interlocutor se acaso Lakoff não teria interpretado a ausência de um discurso de esquerda no facto de essa esquerda ter tido Marx como o grande dínamo ideológico, sob a energia do qual dezenas de governos pareceram pôr-se em movimento, deixando exauridos todos os outros ideólogos de esquerda que não cabiam no sistema do comunista astro rei, e que não tinham tido a hipótese de se manifestar, pelo efeito do argumento de autoridade que, neste campo, lhes retirava a palavra e submetia a vontade. Mas, segundo julgo ter compreendido, a interpretação de Lakoff prendia-se mais com o tipo de opção financeira, distinta entre si, dos conservadores e liberais, sendo que os primeiros tendem a concentrar esforços na criação desses centros de investigação, e a dispersar menos o dinheiro em miríades de outras causas causas sociais.
Quem me contava este e outros episódios era o professor Tito Cardoso e Cunha. Fora meu professor no curso de mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade Nova e agora, no jantar que reuniu a maioria dos oradores das III Jornadas de Comunicação e Política, organizadas pelo prof. João carlos Correia da Universidade da Beira Interior, eu tinha a sorte de o ter sentado à minha frente. O tom pausado, baixo e comedido do professor fá-lo um orador mais atractivo numa conversa com um grupo pequeno de interlocutores, que se calam reflectidamente para o ouvir.
Covilhã
quarta-feira, outubro 11, 2006
MIT
liberdade de expressão também é assassinada no Iraque
terça-feira, outubro 10, 2006
Tentativa de resposta
Os pupilos do Sr. Estaline
segunda-feira, outubro 09, 2006
Falar de dinheiro
nos meus programas de televisão - ontem
o discurso do Procurador
A Coreia do Norte ou o pupilo Chinês
sábado, outubro 07, 2006
Prémio Nobel
“Há universidades que estão a receber centenas de alunos sem o 12º ano, ou mesmo sem o 9º ano. A possibilidade foi aberta pela autonomia dada pelo Governo, em nome da igualdade de oportunidades na educação.” Isto pode-se ler no semanário "Sol" de hoje.
Portugal um país de oportunidades: na cabeça de alguns
sexta-feira, outubro 06, 2006
Porque não falam as portuguesas?
Ontem ouvi o discurso do nosso Presidente da República na Antena 1. Vinha no carro, o sol a bater no vidro, meio amodorrada. O discurso era bonito, correcto. Não empolgava, mas a normalidade, nos discursos como na História, não costumam empolgar. E a data, excepto para os defensores da República para Olivença já, para os monárquicos, para os filósofos que discutem a passagem da ética republicana à ética deliberativa em democracia, ou para os realizadores de eventos que discutem a importância de uma varanda relativamente a uma praça e vice-versa, é de normalidade. Os defensores da causa Olivença têm razão, a diplomacia portuguesa à época andou mal ao não reivindicar o território. Mas não sei se em termos de direito internacional o caso não terá já prescrito, não havendo qualquer hipótese de reclamação. Quem deve ficar feliz é o director do semanário “Sol” que de quando em vez lá descobre meia dúzia de portugueses que gostariam, tanto quanto ele, de ter por dieta principal uns carapaus com molho à espanhola, e que tem ali em Olivença uma antecâmara de acesso ao imaginado paraíso. Como eu e as minhas amigas dizíamos na adolescência, sem pensarmos muito no dramatismo da expressão, “isso só sobre o meu cadáver”.
Estava tudo a correr muito bem. Não havia muito povo, mas o povo também tem que passear, limpar as casas, dormir até mais tarde. Enfim, as coisas que o povo faz quando não anda preocupado com revoluções (sorte a do Eng.º Sócrates). Havia música e, presumo, porque só ouvi, não vi, devia haver flores. Mas de repente a jornalista da Antena 1, terminado o discurso presidencial, resolveu saber a opinião dos que estavam à volta. Falou um senhor, depois a jornalista queria que uma senhora falasse e…está bem está…a jornalista explicava-nos: “Geralmente as senhoras recusam-se sempre a falar”. Eu encolhia-me conforme a repórter nos ía indicando as senhoras que se recusavam a falar, e eram muitas. E ela lá se virou para mais um senhor que, esses, parecem que têm sempre qualquer coisa para dizer.
Razão tem a professora João Silveirinha que investiga o modo como os géneros se manifestam de forma distinta na esfera pública em geral e na política em particular. E eu, que até sou muito reticente, não posso deixar de pensar que a recusa em falar por parte das mulheres portuguesas precisa de ser explicado.
quinta-feira, outubro 05, 2006
os bisnetos da República
quarta-feira, outubro 04, 2006
E depois da pausa...as eleições brasileiras como os investigadores as vêem
Veja-se por exemplo a análise de um anúncio televisivo da campanha de Lula de 2002, quando foi eleito presidente pela primeira vez, conduzida por Sérgio Roberto Trein, arquivado e apresentado pelo Laboratório de comunicação on-line.
Em Portugal só se pensa sobre Comunicação Política (ou em Comunicação e Política, o que é diferente, mesmo assim), há muito pouco tempo, sendo esse campo ocupado pelas agências de comunicação que desenvolvem a sua prática de assessoria aos candidatos ou aos governantes na área da comunicação política. A monitorização da quantidade e qualidade das notícias políticas, o estudo das imagens e dos discursos, a reflexão sobre a influência das agendas políticas sobre as mediáticas, assim bem como a inversa, ainda está numa fase incipiente, sendo normalmente encarada pela nossa academia clássica como uma excrescência da Ciência política e/ou das Ciências da Comunicação. Falta andar esse caminho.
terça-feira, outubro 03, 2006
Ideologia
O capítulo seguinte ao que me levou a consultar o livro intitula-se “Ideology and meaning”, li-o pensando em como esta questão das ideologias que nas décadas de sessenta e setenta interessou tantos investigadores, para depois, de certa forma se diluir noutros problemas, ressurge agora como objecto a ser reavaliado no que a um uso operacional da análise da acção política diz respeito, tal como Onésimo Teotónio Almeida defendeu no seu artigo “Ideologia, revisitação de um conceito”, publicado na revista Comunicação e Política nº21-22. Escreveu ele: “(…) um conceito tão usado e debatido como é este de ideologia está longe de ser unívoco, é geralmente vago e frequentemente confuso e contraditório e, na expressão de Michael Oakeshott, continua a ser usado numa “anarquia de diferenças linguísticas”, a ponto de o considerar worthless, isto é, sem qualquer valor. No entanto (...), e porque o seu uso é imparável, gostaria de sugerir (...) um uso operacional consistente e coerentemente articulado com outros termos, como os de mundividência, valor e ética.” (p. 74).
Mas se consultarmos o Dicionário de Política de Bobbio, Matteuci e Pasquino, escrito em 1983, podemos ler como Mário Stoppino, seguindo a linha de N. Bobbio propõe uma excelente definição de ideologia, quer quanto ao seu significado fraco “um conjunto de ideias e de valores respeitantes à ordem pública e tendo como função orientar os comportamentos políticos colectivos”, quer quanto ao seu significado forte que “tem origem no conceito de Ideologia de Marx, entendido como falsa consciência das relações de domínio entre as classes (…) é um conceito negativo que denota precisamente o carácter mistificante de falsa consciência de uma crença política.” (2004, p.564).
Normalmente usamos ideologia no seu significado fraco. Ideologia como representando o conjunto de ideias ou valores defendidos por determinada pessoa ou institucionalização, a fim de justificar a sua acção.
A concepção de ideologia no seu significado forte está associada às análises marxistas da sociedade e à sua convicção de que todo o sistema de crenças ilusórias mantido pela classe dominante (económica, social e política) é usado para dominar a classe trabalhadora. Esta concepção está na base de uma determinada explicação da história e da política, que, em termos práticos, se materializou em governos de orientação marxista, com fortes pulsões totalitárias, e levou muitos teóricos a afastarem-se deste discurso. Mas não deixa de ser um campo de análise em aberto e a discussão.
Fiske, em 1982, e na esteira do trabalho de Raymond Williams, apresentou e desenvolveu o uso que se fez das três definições de ideologia ao longo dos séculos. A ideologia como: 1. Um sistema de crenças que caracteriza um grupo ou classe particular; 2. Um sistema de crenças ilusórias – falsas ideias ou falsa consciência – passível de ser contrastado com o conhecimento verdadeiro ou científico; 3. Processo geral de produção de significado e de ideias.
Fiske estava interessado em esclarecer de que forma a ideologia se insinuava através das imagens, dos signos. Não se deteve a discutir a natureza filosófica das definições, nem comentou a terminação marxista para o conceito ideologia.
A leitura que lhe interessou fazer de ideologia é a que deriva da definição nº 3.
Seguindo a intuição de Roland Barthes sobre o tema, Fiske acabará por afirmar em todos os actos de comunicação se manifesta um processo ideológico de significação. A ideologia decorre normalmente do uso, escolha, de determinados signos por comparação com outros. Isto é, atribuir significado a algo ou alguém, é um processo relacionado com o tipo de valores e mitos da comunidade em que se é socializado, e isso é sempre da ordem da ideologia. Toda a relação entre os signos (e as suas conotações culturais) e os falantes que os usam é uma relação ideológica.
Porém, sendo que todas as pessoas de uma mesma cultura são determinadas no seu comportamento pela mesma ideologia dominante no seu tempo, isso não implica uniformidade no comportamento. Na realidade há reacções constantes, individuais ou de grupo, à ideologia dominante. Há oposição. O que representa uma abertura para que outras ideologias venham a desenvolver-se no futuro. Ex. Ideologia dominante do interesse no progresso científico e técnico, por oposição aos que defendem valores culturais não científicos ou até mesmo anti- científicos.
Os estudos nesta área poderão tornar visíveis os processos de doutrinação presentes no processo de comunicação. Em todos os processos de comunicação. (Fiske, pp. 144-155).
segunda-feira, outubro 02, 2006
Poder ideológico

Norberto Bobbio identifica o poder numa acepção tripartida quanto à sua origem e natureza: o poder político, o poder económico e o poder ideológico
domingo, outubro 01, 2006
World Press Photo
Hoje na exposição do CCB voltei a sentir essa sensação que uma onda de sangue provoca quando invade a nossa cabeça, faz zunir os ouvidos, seca a nossa boca e nos atordoa. O tempo todo como que pegados pelos ombros e pendurados na parede. E ficamos a saber que sabemos, e que vimos.
Pedro Correia, foi o grande vencedor português de 2005 com uma fotografia tirada no funeral do agente da PSP Paulo Alves.
sábado, setembro 30, 2006
Durão Barroso no Sudão por Darfur
Não me vejo num comício a gritar por nenhum indivíduo, mas isso não é propriamente uma atitude cínica. E uma reserva. Essa reserva, porém, não me impede de aplaudir as acções que julgo dignas de o serem. Aplaudo, de pé, a decisão de Durão Barroso de ir ao Sudão. Não quero saber se podia ser mais cedo, não quero saber que a sua acção tem a aprovação tácita das Nações Unidas como a instigá-lo. Não quero saber de intrigas institucionais. Quero só aplaudir de pé e acreditar na boa-fé do Presidente da Europa. Pelos habitantes de Darfur, sobretudo, mas também por nós europeus.
quinta-feira, setembro 28, 2006
O império português



O império derrotado?! Estranhei. Fui ver a tradução que em Portugal se adoptara e verifiquei que o tradutor da Presença escolhera para título da mesma obra: A Construção da Democracia em Portugal. Na realidade mais próximo de uma tradução à letra, já que Maxweel dera como título ao seu livro The Making of Portuguese Democracy.
O tradutor brasileiro ainda acha que destacar a ideia da derrota do império português faz mais sentido do que destacar a criação da democracia. Será porque a ideia de derrotar o o império, ou o discurso imperial, continua a ter algum significado no discurso político no Brasil? Haverá ainda essa inquietação no Brasil relativamente à matriz de construção da identidade nacional?
A não ser que o tradutor se esforce por representar em título o espírito da obra, e considere que em democracia não pode haver impérios, porque esta os derrota sempre. É uma ideia poética, para além de ser objecto de estudo da Ciência Política e da Teoria Política. Faz sentido. No sentido clássico de império, claro. Em que por império se entende uma unidade política formada por um conjunto de territórios, nações ou populações sob o governo de uma só autoridade.
quarta-feira, setembro 27, 2006
Entre o que eu quero escrever, o que posso, o que não posso deixar de escrever, onde está a verdade?
Como equilibrar a minha tendência panfletária, que me faz pender às vezes para o lado mais populista das questões, e a minha profunda vontade de objectivar e de conhecer fundadamente a realidade em apreço? Como evitar dizer que o Primeiro-ministro teve o tom e o conteúdo certo no parlamento, dificultando, às vezes caricaturalmente, as intervenções da oposição, sem que isso me impeça de criticar as políticas que os seus ministros da Saúde e da Educação, sob seu consentimento, têm conduzido em alguns aspectos pontuais? Como ignorar que por mais projectos de investigação que veja ser financiados me sinto tão confundida como no primeiro ano em que entrei para a universidade? Como esquecer a fome e a violência sobre os que não conheço, e a doença e a morte dos que caminham a meu lado, sem saber o que lhes hei-de fazer?
terça-feira, setembro 26, 2006
Sim, mas há excepções. Como é que elas acontecem?
Políticos e blogosfera - artigo de Rachman 2
Passo a explicar, optei por fazer uma "colagem" integral do artigo de Rachman porque o achei integralmente interessante, e porque ele tem as ligações a blogues de figuras como H. Clinton, Jospin ou M. AhmadiNejad, entre outras.
Os políticos e a blogosfera - artigo de Rachman
By Gideon Rachman
Published: September 25 2006 19:31, FT. com (Financial Times)
A few weeks ago I mentioned to a friend, who works in the “new media”, that I was to start a blog for FT.com. He was not impressed. “Blogging is over,” he informed me coldly.
I shrugged off the rebuke. After all blogs – personal online journals – are proliferating. According to Technorati, a firm that monitors such things, more than 50m blogs had been created by last month – and the number is doubling every six months.
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My doubts returned, however, when I saw an ominous message on the website of Britain’s main opposition party: “Conservative Party enters the blogosphere”. It announced that David Cameron, Tory leader, had started a blog. When the world’s least fashionable political party discovers a social trend, it is surely a sign that it is peaking.
Mr Cameron is far from alone. Over the summer a strange array of politicians started blogging. They included Hillary Clinton, who hopes to be the next president of America; Lionel Jospin, who hopes to be the next president of France; and Mahmoud Ahmadi-Nejad, who is already president of Iran.
Political advisers around the world are clearly giving the same advice to their bosses. Blogging is meant to let politicians communicate directly with voters in a folksy style. In practice it makes aspiring statesmen sound like Mr Pooter, the character from Victorian fiction whose Diary of a Nobody was famous for its banality.
Mr Cameron’s entries from his recent visit to India have cheery little headlines, such as: “Going green in a Delhi tuk-tuk”. The Tory leader is shown around by a tour guide who is “a real character”; he sees the Delhi metro and pronounces it “amazing”. This kind of deadly dull stuff crosses the political divide. David Miliband, Britain’s clean-cut environment minister, got blogging earlier this year – claiming that this might help bridge “the growing and potentially dangerous gap between politicians and the public”. One of his most recent entries has the scintillating headline: “Three cheers for Brighton library”.
Mrs Clinton and Mr Jospin are saved from Pooterisms by their inability even to attempt chatty informality. By contrast, Mr Ahmadi-Nejad’s first blog was full of strange personal details. He notes, for example, that he did very well in his university entrance exams, in spite of suffering from a nosebleed. But after a promising debut in August, he has fallen silent – perhaps distracted by other tasks, such as governing the country and building a nuclear bomb.
Ferenc Gyurcsany , prime minister of Hungary, is more conscientious. He posts new comments on his blog most days – sometimes twice a day. He also has a dangerous frankness, making him a natural for the blogosphere. In a recent speech – now posted on his blog – he confessed to lying constantly to get elected; a revelation that prompted riots in Budapest.
Mr Gyurcsany’s blog is apparently a good read – if you have mastered Hungarian. But it is not clear that it has worked to his political advantage. In fact – for all the interest that consultants are showing in blogging – there is only one politician’s blog that has clearly had a real impact.
In France, Segolene Royal, who is likely to win the French Socialist party nomination to stand for the presidency next year, has been running a website and blog that has generated lots of interest and new support. Ms Royal puts essays on topics such as unemployment or immigration on her site and invites readers to post responses. She claims that she will then incorporate the best ideas into her platform for the presidency. It may be a gimmick, but it has helped her appear modern and in touch with the people – qualities in short supply in French politics.
The Royal experiment will certainly be watched with great interest by other politicians. But so far it seems to be a one-off.
That will hardly surprise the apostles of the blogosphere, however. They have always argued that blogging is politically significant, precisely because it is not a tool of the elite. Bloggers are, as a book on the phenomenon, An Army of Davids by Glenn Reynolds, puts it, holding the Goliaths of the media and the political world to account.
In the US, bloggers are claimed to have played a key role in forcing the resignation of Trent Lott as Senate majority leader in 2002, after he made comments that seemed to express nostalgia for the South in the days of segregation. It is argued that blogs kept the issue alive when the mainstream media was prepared to let it drop. The blogosphere is also said to have been crucial in mobilising support for Ned Lamont, an anti-war candidate, who defeated Senator Joe Lieberman in Connecticut’s Democratic primary in August.
In reality, it is hard to measure the precise impact of bloggers on such events. But the idea of an insurgent grass-roots movement, energised by folk tapping away at their computers, appeals to the romantic, anti-elitist strain in US politics. Many politicians in America and elsewhere clearly feel the need to pay their respects to the blogosphere – if only as a precaution.
It is not self-evident, however, that the blogosphere’s influence on politics is all for the good. A political consultant once complained that his bosses’ reliance on focus groups handed power to people who were prepared to sit around for hours talking about politics with strangers, in return for a free sandwich. Similarly if politics is increasingly shaped by the blogosphere, it will mean more power and influence for a sub-section of the population willing to waste hours trawling through dross on the internet.
Blogging as a medium has virtues: speed, spontaneity, interactivity and the vast array of information and expertise that millions of bloggers can bring together. But it also has its vices. The archetypal political blog favours instant response over reflection; commentary over original research; and stream-of-consciousness over structure.
Was that last judgment fair? Does it really follow logically from the rest of the argument? I am not sure and I have no time to think about it further. I have to get back to my blog."
segunda-feira, setembro 25, 2006
Giordano Bruno

Campo de Fiori, Roma. Há dois anos, vi que aos pés da estátua imensa de Giordano Bruno havia muitos e variados ramos de flores frescas, lindas.
Não sei porque estou a escrever sobre isso hoje.
"...it`s funny, how things go."
domingo, setembro 24, 2006
grupos de reflexão e influência
Um livro prático que apresenta uma lista dos “Think-tank” franceses, com os contactos e identificação, ao mesmo tempo que delineia em traços breves a sua história. Com este guia ficamos a saber a quantidade e as características destes “clubes de reflexão”, nomeadamente o tipo de financiamento que os mantém, os temas sobre os quais reflectem, as suas publicações, a organização que escolhem para se estruturarem e as condições em que aceitam os seus membros.
O autor aceita a definição de “Think-tank”, expressão original de uma realidade americana, como sendo a que descreve a existência de um “centro de pesquisa independente que produz um tipo de trabalho de investigação com o intuito de modificar a política”. Centros que se querem financeiramente independentes quer da universidade quer dos governos, com estruturas não lucrativas, que tomam por objecto de investigação o estudo de políticas públicas, tendo como membros pessoas independentes em relação aos poderes públicos e com formações multidisciplinares.
Nos Estados Unidos há grupos que funcionam com um orçamento suficiente para lhes permitir contratar pesquisadores que trabalham exclusivamente em investigação, em França há apenas um pequeno grupo de instituições que consegue ter um corpo próprio de investigadores de forma permanente.
Estes grupos de reflexão e influência manifestam-se com estruturas e formas bem diferentes entre si, sendo no entanto que todos visam influenciar os decisores políticos. O impacto desta influência é dificilmente mensurável, porém é registado como um sinal de sucesso da capacidade de influir, o facto da imprensa fazer eco do seu comunicado, notificando e premiando assim a difusão pretendida. Ainda que haja outros grupos franceses que tenham dito que “preferem que um relatório de duas páginas chegue a um ministro a que um artigo vir a ser publicado num determinado jornal”.
Às questões de Moog terão que se acrescentar as de Helena Garrido que, no seu artigo de sexta--feira passada, se interogava por que razão os indivíduos presentes na organização e constituição do grupo “Compromisso Portugal”, por exemplo, não começam por alterar as práticas que apontam como necessárias a serem modificadas pelo governo, no seu próprio círculo de influência e competência profissional. A ler.
sábado, setembro 23, 2006
Visconti
Take 1.
ou era isto ou era um poema ou era uma fotografia
Museu Militar
Uma instituição com tantos recursos humanos deixa assim, sem imaginação nem glória, passar os dias sobre a memória?
sexta-feira, setembro 22, 2006
comunicação política
Vou deixar aqui algumas ligações à "Rede" sobre os nomes de autores por ele referidos.
Robert Hariman
Murray Edelman
http://www.amazon.com/exec/obidos/search-handle-url/index=books&field-author-exact=Murray%20Edelman&rank=-relevance,+availability,-daterank/002-3506302-5470457
Não identifiquei nenhum E. Lakoff. Mas nesta área temos dois autores com apelido Lakoff, sendo o primeiro mundialmente reconhecido:
Chilton
Georg LaKoff (link ao seu blogue)
e
Robin Lakoff
Derian
http://www.watsoninstitute.org/contacts_detail.cfm?id=24
Shapiro
Lasswell
Bentham
John Rupert Firth
Apter
Dorsey
Roig ( será uma referência a Artur Andrés Roig, o filósofo argentino?)
Não consegui saber quem era e o que escrevia M. Golg Bliss.
quinta-feira, setembro 21, 2006
O que eu ouvi na rádio ou na televisão que me fez ficar a pensar:
Televisão, RTP 1, programa “prós e contras” da passada segunda-feira. Falava-se sobre o estado da educação. Dizia uma senhora professora, Presidente do Conselho Executivo de uma escola: “As creches já não aceitam uma criança logo que ela tem uma pontinha de febre, por isso as mães (professoras da dita escola) têm que faltar muito”.
Nem sinto vontade de comentar. Isto e outras coisas que por lá se disse. Mas vou esforçar-me: Na cabeça desta senhora Presidente, uma criança com uma pontinha de febre (isto não existe, ou se tem febre ou não, logo ou se está doente ou não) não tem nada que ficar no aconchego do lar com a sua mamã ou papá, preferencialmente, a cuidar dela. Não, é ir para a escola que é assim que se faz em Estados em que os indivíduos estão submetidos aos interesses da administração central.
TSF, ontem ao fim da tarde. Falava o Vice-presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis a comentar o anunciado encerramento para o dia seguinte (hoje) de escolas por parte de pais que protestam dessa forma contra a falta de auxiliares nas escolas dos filhos. Que sim senhora, que era verdade que havia falta de auxiliares, mas que os pais têm que compreender que o país não está em condições económicas de dar resposta a estas questões. Realmente há que saber que muitas das escolas públicas só conseguem dinheiro para que se compre material escolar e outro, como o papel higiénico, por exemplo, porque os pais dão um dinheiro extra por mês para satisfazer essas necessidades. As pessoas dão o que podem. Os amigos que me contaram isto contribuiam todos os meses com 20 Euros para a escola que a sua filha frequentava. Logo, o ensino público não é inteiramente gratuito e o ensino público está mal financiado e/ou mal gerido. As câmaras que vejam bem onde andam a gastar o dinheiro e quais as prioridades. O Ministério que não ande doido à procira de contenção de despesas que passe a ficar como o cão que persegue a própria cauda.
Antena 1, hoje de manhã: Nicolau Santos comentava a proposta do documento proposto pelo Think Tank “Compromisso Portugal” sobre o tema da Segurança Social, criticando a defesa que António Carrapatoso fazia da ideia de passar a haver uma conta individual, gerida por entidades privadas ou públicas, onde cada trabalhador poria o seu dinheiro a capitalizar para a sua reforma. Aquele seria só o seu dinheiro. Como Nicolau Santos referiu e muito bem, isso iria destruir uma ideia social base para a coesão de um grupo alargado que é o da solidariedade inter-geracional, sendo que a longo prazo os mais pobres iriam ficar ainda mais pobres (os seus descontos iriam ser proporcionalmente muito inferiores o que lhes daria a perspectiva de acabarem na velhice com muito pouco). Ora é na contenção de um tecto a aplicar às reformas, a partir de uma determinada quantia não se pagaria reformas exorbitantes, que pode passar a solução, sendo que estas pessoas, pelo seu próprio percurso económico/profissional, teriam sempre a hipótese de aplicar as suas poupanças em fundos de investimento para a reforma, algo que os trabalhadores com salários mais baixos obviamente não conseguem ao longo de uma vida de descontos.
Sendo eu o mais possível a favor da responsabilização dos indivíduos, não concordo de maneira nenhuma que se deixe fora da esfera dos deveres do Estado as suas responsabilidades sociais com os mais desfavorecidos, e que isso seja feito sem o sentido de solidariedade social que tem formado as sociedades europeias nas últimas décadas. Não são só questões económicas, são questões que se prendem com o tipo de socialização que queremos promover. Se o sistema falir em termos económicos terá que se proceder a um reajustamento das contas, a uma nova ordem de destribuição, mas não a uma fuga das responsabilidades colectivas.
O homem anda a fazer de propósito...só pode.
Há Presidentes que se atraem na asneira, e Chávez anda a provocá-las.
quarta-feira, setembro 20, 2006
Os rapazinhos e a escola

Hoje apetece-me escrever sobre as histórias fabulosas do “Menino Nicolau" de Goscinny e com ilustrações de Sempé, para aproveitar e falar sobre os que falam de educação? Ou falar do livro de Fukuyama sobre a construção de Estados, para falar sobre o nosso Estado? Hum… e o vencedor é: “O menino Nicolau”!
Ainda não estou completamente convencida de que não devia falar da importância social de proferirmos ideias "proibidas". Eu posso dizer o quê? Quando? E Porquê? Respondo primeiro perante quem? Perante a minha consciência ou perante os meus parceiros sociais, mesmo os que eu amo, mesmo a quem eu devo obediência? Perante a intuição ou perante a convenção? Digo alguma coisa de novo ou repito o que já li, escutei ou vi? E em quantas vezes me enganei, me confundi e disse asneiras sem balbuciar? Quais são as minhas certezas? E as minhas dúvidas? Quando falo não abro caminho para que outrem fale também, me responda pelo menos? E isso não é já uma provocação ao diálogo? Adiante.
O tempo da infância não pode tudo, é o tempo precisamente da aprendizagem de que não se pode tudo, mas, para os mais sonhadores, aqueles para quem a disciplina chega de forma tangencial porque não a provocam, logo não a enfrentam inequivocamente, há todo um espaço, de auto-sugestão, de uma liberdade infinita. Julgo que para estes chega a ser surpreendente descobrirem um dia que cresceram e que são pais, e que agora há na sua esfera de gravidade um outro ser a procurar tudo de novo, tudo para si, tudo da primeira vez. E o sonhador ou se torna um moralista desgraçado que prega o que não fez, por desistência da vontade de resistir e de ser difícil ou porque não estava ali, ou se torna espectador dessa natureza e observa-a a seguir o seu curso, planando sobre a existência, escutando.
Porque é que as pessoas que nunca foram professores do secundário ou do ensino básico, que nunca tiveram que andar seis anos a estudar, com vários concursos públicos pelo meio, só para iniciar a carreira, só, falam dos professores como se tudo soubessem destes? Porquê encher a boca com os mestrados que os professores no estrangeiro têm (onde é que isto fica?), como se não soubéssemos que esses graus não se comparam ainda em termos de exigência com os nossos trabalhos? Porque é que quem sempre leccionou no superior e levou anos e mais anos a fazer em doce remanso um doutoramento, debita sobre o que falta aos outros professores em Portugal? Algum professor, sem ser os do ensino não universitário, deixou de cumprir escrupulosamente os critérios de admissão pública ao ensino, providenciados pelo Estado? Conhecem algum professor, fora das universidades, que estivesse a dar aulas porque, com toda a legitimidade, mas uma legitimidade mais que subjectiva, alguém o convidou? Porque é que de repente o estado se vira contra os seus professores na voz de alguns ex-ministros, ministros e afins? O estado do ensino deve-se exclusivamente à política da educação e social escolhida para Portugal e nunca aos seus agentes. Quem é que tem dúvidas?
Não falei ainda do livro “o menino Nicolau”. As histórias, só ligeiramente datadas, porque na realidade algumas coisas mudaram nas estruturas familiares e na escola, contam-nos a vida do menino Nicolau com a sua família e amigos. Era um tempo em que não existiam pedagogos e pediatras, nem a ansiedade de pais a ouvirem pedagogos e pediatras sobre tudo e mais alguma coisa, era o tempo de brincar na rua com os amigos e de ir para a escola sozinho. O tempo em que os pais, ou o estado, não tinham que obrigatoriamente preencher as horas de brincar dos miúdos com actividades pedagógicas, para que os papás possam produzir muitos produtos para o país ser rico. Ou o que quer que seja que se quer rico. Como são histórias pequenas cabem bem na hora de ir deitar. Esses rapazes são os nossos rapazes, sempre a resolverem com os punhos o que não conseguem através do discurso. O humor é superior. Compreendo o desespero do Clotário quando diz aos seus amigos, que "pintaram a manta" na festa dos seus anos: “Ele explicou-nos que queria conduzir uma locomotiva quando fosse grande, mas depois da festa de ontem ele não iria crescer mais porque o papá dele lhe tinha dito que não ia haver mais aniversários”. (p. 84).
um pirata português em Washington
terça-feira, setembro 19, 2006
Uma mudança não uma cruzada
"carta sobre a tolerância"

Muitas pessoas estão a confundir a intervenção do papa Bento XVI na Universidade de Ratisbona com se de um tocar de sinos a rebate para reunir a congregação cristã se tratasse. Eu continuo a julgar que antes de mais o papa está a fazer uso da sua capacidade de raciocinar e de usar argumentos para falar para a humanidade, em nome da capacidade de cada um poder utilizar a sua razão, desenvolver o seu espírito crítico e manifestar-se livremente. Isto não é uma prerrogativa do ocidente, são faculdades comuns a todos os seres humanos que devem poder discutir em público as suas ideias e crenças.
Mais do que uma defesa dos valores ocidentais, o papa está a defender os valores universais da pessoa humana. Temos tendência a esquecer que os radicais islâmicos não nos fazem mal a nós ocidentais em primeiro lugar, fazem-no ao seu próprio povo que está constrangido a moldar o seu comportamento de acordo com os ditames de suas excelentíssimas individualidades supremas. Quantas pessoas moderadas se sentem forçadas ao silêncio, porque senão serão perseguidas, presas ou mortas? Quantas pessoas que não crêem o podem afirmar sem incorrer em penas de morte? Quanta liberdade existe para o povo muçulmano pensar e agir para além da que os seus líderes religiosos/políticos lhes ditam? Isto é viver sob ditadura, e, a esquerda que não se engane, não é passível de ser contextualizada na esfera do respeito pela diferença cultural de cada povo. Isso é entregá-los a forças violentas que não os atendem ou prezam em nome de uma vontade de poder abusivo.
Não se trata de um discurso que contraponha o mérito dos cristãos (até porque a história ensinou-nos bem, onde e como tão mal se empregou esse mérito) ao desmérito dos muçulmanos, a direita que não se engane. É um discurso que anuncia a possibilidade de cada um interpretar as crenças num quadro alargado de reflexão e uso da vontade autónoma. O mundo muçulmano está a guardar por um John Locke que escreva a sua “Carta sobre a tolerância”, e nós não devemos ignorá-lo em nome de uma ideia de que não nos devemos imiscuir nos seus assuntos internos. Claro que não devemos, mas daí a calarmo-nos cobardemente com medo dos urros da populaça há uma diferença enorme para o animal que pensa. O papa não temeu nem se acobardou. Falou pelos intelectuais do mundo inteiro, sobretudo pelos que não podem exprimir o que pensam.
Eu penso nas muitas crianças e nas mulheres muçulmanas que continuadamente são reféns da violência, penso sobretudo nas crianças afegãs que ontem foram vítimas de uma maliciosa criatura que não suportou vê-las felizes a receber pequenas lembranças. O ódio pelo ocidente é grande, mas o sentimento do ocidente por eles não deve ser o de uma indiferença maior, em nome dos que lutam pela liberdade.
segunda-feira, setembro 18, 2006
O papa com os intelectuais árabes. Eu com o papa: pela liberdade de pensar e de interrogar.
Esta é igualmente a razão pela qual o estatuto de intelectual árabe é um dos mais frágeis, não tendo teoricamente um intelectual nenhuma razão de existir num meio no qual o Corão tudo explicou e no qual os únicos comentários que ainda resta fazer são do âmbito das autoridades religiosas”.
Quem dizia que a ONU tinha morrido? Quem?
By Joseph Curl
Entre a apanha das uvas e o lavar dos cestos
Fazer vinho é um hino de louvor à ideia de imortalidade do meu pai que envelheceu em seis meses o que a vida não conseguira fazer envelhecer em 75 anos.
Deixámos de discutir as nossas diferenças ideológicas no dia em que começamos a discutir a necessidade de aplicação de químicos nos pomares e a poda das árvores. Eu chamava para minha defesa os autores que eram contra as podas, e evocava o grau de dividendos que no futuro a agricultura biológica daria, dando exemplos práticos. O meu pai chamava os velhotes da aldeia que me ouviam entre um sorriso distraído e outro condescendente para concluírem: “Ò filha, isso são tudo lérias de quem nunca plantou coisa nenhuma. Não é possível haver agricultura biológica tal como nos querem fazer crer. A bicharada dá cabo de tudo.”
Entre a experiência dos antigos e o meu saber livresco o meu pai não tem hesitado. Eu por mim continuo a ler Gonçalo Ribeiro Teles e a deixar aberto o capítulo sobre “como se deve podar” do livro que este escreveu há muitos anos com Francisco Caldeira Cabral A Árvore em Portugal, reeditado pela Assírio & Alvim em 1999.
Tal como já ouvi dizer ao especialista João Canavilhas sobre blogues: “O que me preocupa não é que apareçam muitos, porque nunca são de mais, o que deve ser investigada é a razão porque eles desaparecem.”, eu digo o mesmo para os jornais. Saúdo o seu aparecimento e lamento quando algum desaparece.
quinta-feira, setembro 14, 2006
pensamento e acção política: acerca da biografia de Mao
Tal como não aceito o estafado aforismo atribuído a um general romano sobre os portugueses, qualquer coisa que tem a ver com o facto de que os “portugueses não se sabem governar, nem se deixam governar”, como se, na realidade, nos interessasse muito aquilo que um ocupante da nossa terra tem para dizer acerca dos povos que quer dominar…também passo a não aceitar o aforismo de Mao de que “Se vires um homem com fome não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar.” Como se interessasse muito o que diz um homem que deixou morrer de fome milhares dos seus compatriotas e que nem a pescar os ensinou.
O mais que fica é o comum na história das relações que se tecem no poder, para manter o poder. Da incompetência dos líderes ou dos seus conselheiros, sejam eles de ditaduras ou governem em democracia. Pese embora os erros de uns e outros não terem o mesmo preço a nível pessoal em ditadura ou em Democracia. Nixon que o diga.
Tudo o mais é avassalador. A ideologia de uma engenharia social que trata o indivíduo, a família, o grupo, os valores culturais e religiosos tradicionais, como meros elementos ao serviço de uma ideia de estado absolutamente adversa à liberdade, à responsabilização, à crítica e ao respeito pela vontade da pessoa e centrada no culto de personalidade de um líder.
A figura é odiosa, mas julgo que os autores poderiam distanciar-se dessa aversão e justificarem pelas palavras de outrem a caracterização da figura, com testemunhos ou registos, ao invés de consecutivamente utilizarem um discurso próprio valorativo que, a mim, me incomoda. Eu advogava um maior distanciamento.
Mas, fora a questão emocional relativamente à figura, há umas questões que o livro não resolve: explica porque é que Mao não recuperou à Inglaterra o território de Hong-Kong, mas não explica qual o interesse em não ter recuperado Macau tirando-o do governo de Portugal. Ambos os territórios eram governados por potências coloniais, inclusive Portugal perdeu os seus territórios na Índia em 1961, então porque deixar Macau em mãos portuguesas? Os autores não avançam com explicações para este caso.
A inteligência na Rede
É claro que os critérios de selecção pertencem à fundação que edita o “site”, mas não deixam de ser muito interessantes, ainda que nos possamos perguntar porquê estes e não outros? Como em quase tudo na vida.




