sexta-feira, janeiro 26, 2007

Ninguém pode saltar sobre a sua própria sombra

Ninguém pode saltar sobre a sua própria sombra, dizem os alemães. E às vezes ela é ainda maior que nós mesmos. Como o sabe o povo alemão. E sabe-lo tu?
Eu acho que sei. Talvez saiba. Ainda me espanto, claro, com a minha sombra, com a que conheço; tanto quanto com a dos outros.

Sei de alguém que é tão bonito, tão excelente a escrever e a pensar, com uma ortografia e uma sintaxe esplêndidas, um vocabulário mais-que-perfeito que eu admiro como a uma coluna dórica, mas a quem basta a própria respiração para aterrorizar o seu coração.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Historiador Oliveira Marques

Morreu o historiador Oliveira Marques . Ou devia dizer: morreu o pensador Oliveira Marques?

Um doutoramento como um PhD

Depois de duas horas a ouvir discutir sobre a importância das proteínas vegetais na estabilização do vinho por contraposição às habituais proteínas de origem animal usadas pela produção, e respectivas fórmulas químicas implicadas, discussão hermética para não iniciados, como era o meu caso, eis senão quando interveio um elemento do júri de doutoramento daquelas provas a que eu assistia. Júri de nacionalidade inglesa. Admirou-se com a extensão da tese (muito gosta a academia portuguesa de teses ao quilo), elogiou a capacidade de trabalho da candidata e depois perguntou-lhe:”Sabe que em Inglaterra um doutoramento representa aquilo a que se chama obter um grau em Filosofia. É assim que eu o entendo. Pressupõe-se por isso que o trabalho científico apresente uma filosofia nova, uma ideia que contribua para o avanço teórico na área. Diga-me pois, qual é a filosofia deste trabalho?” Silêncio expressivo naquele auditório de uma universidade técnica de Lisboa: “Filo…quê?!”
A minha amiga Helena prestou ontem as suas provas de doutoramento em engenharia agro-industrial. Unanimemente aprovada pelo júri e saudada por todos nós.

terça-feira, janeiro 23, 2007

A lei da adopção

O programa do Prós e Contras de ontem não foi sobre adopção mas sobre o caso de vida de uma menina que está no centro de uma luta de poder. Ela está a ser disputada pelo poder judicial, o poder de pertença paternal convencional, o poder dos que a amam incondicionalmente, o poder da segurança social, o poder de informar e influir dos meios de comunicação e o poder de tomada de posição popular. Com o devido respeito pelo caso da pequenina, mas quem me dera que o programa fosse realmente sobre o rotundo falhanço do nosso sistema de adopção e reflexão sobre o meio de o alterar. Mas como pedir a um programa de televisão o que o parlamento não é capaz de fazer? Ainda assim, ontem parece que toda a gente descobriu afinal os méritos de uma coisa chamada "adopção restrita" e que parecia que estava na lei mas não era aplicada, ou coisa que o valha, e que de certeza alguém vai querer ver a sua aplicação mais complicada para justificar o seu trabalho.

O que me parece que está a perturbar todos os intervenientes deste acontecimento em particular é facto do poder judicial, o paternal convencional e o da segurança social , tradicionalmente escudados na intangibilidade dos seus direitos, estarem a ser questionados pela tomada de posição popular que, dizem os interessados, está ser influenciada pelos meios de comunicação, como, numa expressão infeliz, declarou o juiz do tribunal da relação do Porto ao afirmar que “Não há opinião pública, há opinião publicada”, declarando como sendo autor da frase um outro senhor do Porto, que, obviamente, não o é, pois quem a proferiu foi Winston Churchill, que, aliás, sabia muito bem publicitar a sua opinião. É como se um jornalista dissesse “Não há justiça na aplicação da lei o que há é arrogância administrativa aplicada”. Frases sem qualquer interesse teórico ou prático e que servem para toldar a argumentação, e cuja legitimação está longe de ser justificada. Mas adiante. O que me parecia essencial, para além da resolução do caso a favor da menina, era esclarecer de uma vez para sempre, quanto tempo é admissível que uma resolução judicial destas possa demorar, quando é que se passa a ter exclusivamente juízes formados em direito de família para analisar estes casos, quando é que o processo de adopção acelera e deixa de ter excessos de proteccionismo de um sistema de segurança social que tem vindo a provar à saciedade que é tudo menos seguro (e não me venham dizer que é o tempo necessário de o sistema garantir a protecção de uma criança, porque eu não acredito, e não tem fundamentação psicológica, legal e filosófica), quando é que a justiça deixa de falar sobranceiramente com o povo que, numa democracia, a financia e a legitima no seu poder, quando é que os directores, do Observatório sobre a adopção, e o do Instituto da Segurança Social, por exemplo, se deixam de conversa mole?

Ontem foi dito que Portugal não é o Brasil em termos de adopção. Portugal não é realmente o Brasil, de quem dão uma má imagem em termos de sistema de adopção, mas também não é os Estados Unidos que tantos gostam de exibir em credenciais noutras matérias. Portugal prefere então ser um país onde morrem crianças nas mãos de progenitores cruéis, e é um país com muitas crianças institucionalizadas, com uma lista imensa de pais desejosos de adoptar, com leis disfuncionais, e com muitos juízes a dormir descansados com o bom trabalho que fazem, e é isto que a opinião pública (que existe, como sabe os que estudaram estas coisas) reconhece, e, talvez tomando agora a parte pelo todo, não sei, quer poder evitar. Quer poder intervir, no limite da sua força e no restrito cumprimento da lei, ao invés de se limitar a receber de forma passiva as inúmeras notícias de crianças em risco. Se o faz é porque sente que quem de direito é incompetente para o fazer. E que chegou a hora de o afirmar. Isto é participação cívica. Não gostam? Pois a acção da democracia, como só na teoria se diz que a queremos, incomoda sempre as oligarquias. Sempre assim foi.

Exemplo prático (caso real). Eu conheço, infelizmente, muitos outros casos.

A casou com B. B tem dois filhos de um primeiro casamento já maiores de idade. A e B querem adoptar uma criança e vão a um Centro de Segurança Social, a funcionária comunica-lhes que para iniciarem o processo os filhos de B têm que ser chamados e declarar o seu consentimento. Mas A não quer a interferência dos seus enteados já adultos porque julga que se engravidasse também não lhes ia pedir autorização para ter a criança. Resultado, uma adopção de um casal estável e com imenso carinho e condições materiais para dar a menos, uma criança institucionalizada a mais. O sistema fica feliz porque garantiu a aplicação da lei.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

para pensar o editorial de hoje do JN

Ana & Cravinho

"tu vês avançar para ti a literatura"

Ziguezagueando entre a morte, a lei e o ego.

Num mês da minha vida trabalhei um mês na Biblioteca Nacional. Foi durante umas férias universitárias, num programa de ATL para jovens que então era promovido pelos governos da época. O dinheiro ia inteirinho para ajudar a pagar o meu bilhete de InterRail desse ano, e o lugar de trabalho era o meu preferido.
Estava um dia muito quente de entre o fim de primavera e o princípio de verão. No primeiro dia de trabalho levei um vestido cor-de-rosa. Tal qual. Recordo-me, claro, pois deve ter sido a áurea que aquela cor me dava que convenceu a senhora que ficava responsável pelo meu trabalho, pois quando ela chegou ao pé de mim fez um ar de agrado e disse-me que eu podia ficar no serviço de atendimento ao público. Quem gosta de vestir um vestido cor-de-rosa não se ofende com esta atribuição de prendas.
Qual ganso deslizei como um cisne, e, sentindo-me mimosa, planei até à minha secretária, sita na intimidante sala de consulta geral. Ao tempo só havia meia dúzia de computadores que obrigavam a uma consulta em pé. A informatização da biblioteca estava a começar e as pesquisas faziam-se então com base no arquivo de fichas e por consulta manual, sistema que ainda hoje se mantém apesar da crescente informatização. A mim competia-me aprender a interpretar os códigos das fichas de consulta, ajudar os leitores nas suas buscas e verificar a correcção dos dados nas fichas preenchidas pelas pessoas antes destas ingressarem na sala de leitura. As coisas, simples coisas, devem ter corrido bem porque nunca mais vi a minha chefe, e em poucos dias os meus colegas de secretária já me deixavam sozinha na sala. E aí eu pairava, qual soberana, nesse mundo de informação, de prestação de informação, de troca de informação. Um mundo perfeito.

Dos muitos episódios que aqui poderia contar, destaco um, hoje, em memória de.
Um dia, pela hora do almoço, uma senhora ao passar pelo nosso lugar parou um pouco para conversar com a minha colega. Eu levantei os olhos e vi-a. Nesse tempo lia poesia como quem come. E conhecia a sua obra porque a minha amiga de adolescência, a Cláudia, a minha grande referência para livros e autores, ma indicara como uma poetisa das maiores. Embasbacada fiquei. A senhora trocou comigo um olhar fugaz e sorriu-me levemente. Lembro-me de uma voz e de uma presença muito suaves. Mas nunca mais a voltei a ver.
Perguntei à minha colega, ainda sob o efeito hipnótico da sua presença: “Era a poetisa Hasse Pais Brandão, não era?” Era. Ó sensação de glória.

“Tu vês avançar para ti a literatura,
a resfolegar e a chiar.
Sabes vencer o monstro que te exalta.
Viste como se enrosca o Leviathan.

Mas conheces o hipogrifo, a ave Zizith
e o unicórnio? Este é benigno
e simboliza através do Conhecimento
a Criação. Portanto vê, exegeta,

que ao lado do Autor o chifre
luminoso corta o ar e a Via.
Ambos vêm com os livros e também
todas as figuras e pensamentos

alheios que em trânsito
atravessaram pelo meio de si o Autor.
Exegeta, o que tu viste,
com o teu único olho ciclópico,

é um paralelepípedo onde
a voz ou o silêncio da voz
adquiriram uma figura sólida.”
Fiama Hasse Pais Brandão, Obra Breve

Tell Bush: Darfur MUST Be a Top Priority


"Tell Bush: Darfur MUST Be a Top Priority
Please urge President Bush to make ending the crisis in Darfur a main point in his State of the Union address on Tuesday, January 23rd and one of his top priorities in 2007.There is no time to waste! President Bush must act NOW to prevent infamous Sudanese President Bashir from seizing control of the African Union.Fill out the fields below to add your name to send your urgent message to the President. "


Organização Save Darfur

domingo, janeiro 21, 2007

ziguezagueando1

Ziguezagueando entre a morte, a lei e o ego.



Cabelos pretos, grandes olhos castanhos, numa pele muito clara. Respondi eu à pergunta sobre como era Fiama Hasse Pais Brandão, ontem quando evocávamos a poetisa no dia da sua morte. “Não”, respondeu o professor Campos, “Cabelo preto, pele muito morena.”

ziguezagueando 2

Ziguezagueando entre a morte, a lei e o ego.



A lei nasce na vontade escrita do poder, ou na interpretação e aplicação de uma autoridade na escrita?

Esta discussão terá que ser muito bem respondida, e um modelo de responsabilização admitido, para que o lodaçal legal não se transforme em pântano social. Mas como encontrar espaço para pensar a prática e a teoria nesta exibição de produção de leis em catadupa que impõe uma certa ideia de realidade sem se conhecer a realidade, como tem sido prática histórica?

Já aqui escrevi algumas vezes sobre o continuado mastodôntico processo de adopção. Como se entre a ideia do interesse das crianças e o real interesse das crianças houvesse um muro de indiferença. Como é que os ilustres defensores da campanha pelo "não" à despenalização do aborto não estendem também a sua influência, poder e vontade, na defesa de uma lei de adopção mais célere, mais a pensar numa família que numa instituição?

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Admirável mundo da internet - site da musicovery e o Google answers

O meu amigo Fernando enviou-me este link de uma Webradio interactiva verdadeiramente incrível. Uma forma nova de ouvir música na rádio (por temas, estilos ou temperamento). Estou encantada. E a ouvir o concerto nº 1 para violino de Beethoven enquanto aqui escrevo.

Outro site que descobri no princípio da semana enquanto navegava na internet foi o o da Google answers. Uma ideia de sociedade como eu a entendo e defendo. Vinte e quatro horas de disponibilidade para nos perguntarmos o que quisermos, ou soubermos, com vinte e quatro horas de disponibilidade de vermos alguém responder-nos ou respondermos a alguém sobre um assunto que se domine. Infelizmente hoje soube que o serviço já não está aceitar questões. Fiquei desolada, porque ainda há poucos dias me fascinava a ver a frequência com que eram introduzidas questões pertinentes por pessoas de todo o mundo em cada segundo que passava. Bom, ficamos com os registos divididos por temas e a aguardar que o Google não desista da ideia.


Vou continuar a ouvir mais música. Agora passou à voz de Mahalia Jackson com o "What Then" que nunca eu tinha ouvido. Ena. E, já de seguida, David Bowie com o meu amado "Fill your heart".

quinta-feira, janeiro 18, 2007

os nós dentro de nós ou ressentimento 2


Ressentimento

Muitas das pessoas que eu conheço leram Nietzsche e sabem o que ele diz sobre esse afecto do ressentimento, a moral dos escravos como ele a descreveu no texto Para a genealogia da Moral.

Muitas das pessoas que eu conheço afirmam estar acima do ressentimento, porque nã0 querem ser identificadas com os escravos, seres servis, da filosofia de Nietzsche. Mas essas pessoas se evitam a afirmação do sentimento, não evitam a prática do ressentimento. E também não estão preparadas para assumir a radicalidade das consequências que a definição de um homem anti-ressentimento pressupõe no contexto filosófico apresentado.

Conhecer a teoria do anti-ressentimento, e afirmá-la, não é o mesmo que praticá-la, até poque ela exige pessoas ou muito distraídas de si e dos outros (como eu digo), ou pessoas cruéis (como o diz Nietzsche).
F. Nietzsche exaltou a moral do "Sim", do homem de acção, e contrapô-la ao do homem da reacção, no que subentende ser o ressentimento a "vingança do impotente". Mas o homem de acção não é apenas a incarnação de um tipo, é uma identificação precisa de um certo tipo de homem real que ele quer ver como senhor. O homem histórico,"assustadoramente brutal", que a aristocracia grega deu ao mundo, e que se opõe ao homem do ressentimento, é o exemplo de humanidade preferida. A outra, o povo passivo e sumisso, só produz pessoas temerosas, que defendem, por cobardia de assumirem os seus intintos, formas de diluição das forças de domínio e de subjugação.


Mas até que ponto os que sabem evitar a palavra ressentimento conseguem evitar a sua natureza de ser ressentidos? Seres que, anémicos, debatem assuntos ou pessoas que se lhes opõem, ou que escolheram o seu destino fora da esfera de influência dessas personalidades, como se fossem fantoches manuseados pela maledicência, espreitando, frouxamente, sobre o "ombro" de uma teoria que gostariam que lhes dissesse respeito, que os dissesse o super-homem poderoso de Nietzsche que sente o sabor doce da vingança na boca e o afirma exaltamente.

Eu confesso-me como o menos seduzida possível pela teoria moral de Nietzsche, pese embora reconheça a necessidade de uma investigação contínua sobre esse tipo de previsibilidade da acção moral que julgamos ser a que define a nossa sociedade. E que a investigação de uma genealogia da moral não sirva para defender uma ideologia social, mas nos faça pensar: "Como é que se faz uma memória dentro do homem-animal?", Como se cria uma consciência? Nietzsche diz-nos que só com terror e dor isso se consegue. Explica assim a história da consciência moral como uma "total hipnotização do sistema nervoso intelectual".

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Portugal de...

"PORTUGAL DE...
Documentários - Informação
Nuno Portas

Nº 10 de 12: "Portugal de Nuno Portas"

Um olhar de 12 portugueses sobre Portugal, em conversas reveladoras"

Já houve 10, 10!!, pessoas a falar sobre Portugal e eu só ouvi ontem a primeira?!

Ouvi Nuno Portas pela primeira vez. Não conhecia o urbanista e fiquei fascinada com os seus conhecimentos e com a sua personalidade. Soberbo.

Bela ideia, bem filmada e a deixar solto o entrevistado. Não vi logo desde o início, mas, do muito que vi, só uma vez o entrevistador interrompeu o discurso de Portas para o ajudar a esclarecer melhor uma questão. Excelente.

Faltam dois programas.
Agora vou ver se consigo saber quem foram os restantes autores, e como será possível ouvi-los. Estou expectante.

As palavras, o meio e a difusão da ideologia da violência

Os meios de comunicação e a sua subordinação a meios difusores de ideologias. São demasiado apetecíveis para serem deixados em auto-regulação. Daí que haja, de forma consentida ou não por parte dos jornalistas, no mundo inteiro, uma apropriação do meio para espalhar a "verdade". Desta feita analisa-se a Al Jazeera.




Another Perspective, or Jihad TV?



By JUDEA PEARL
Published: January 17, 2007
Los Angeles


"IN late 2001, three months before my son, the Wall Street Journal reporter Daniel Pearl, was kidnapped, he interviewed the influential Qatari cleric Sheik Yusuf al-Qaradawi, and asked him about suicide bombings against Israeli civilians. The sheik replied with a novel twist of logic. “Israeli society in general is armed,” he said, implying that Israeli civilians — including women and children, doctors and journalists — are legitimate targets.

At the time, it was still surprising to see an authoritative Muslim cleric give religious license to the ideology of terror — granting the faithful permission to elevate their own grievances above the norms of civilized society.

Daniel would fall victim to that same ideology when he was abducted and murdered in Pakistan. After his death, I discovered that Sheik Qaradawi is the host of a weekly program on the Qatar-based TV news network Al Jazeera called “Sharia and Life.” He uses this forum to preach his new morality to millions of Arabic-speaking viewers, including Hamas operatives, Al Qaeda recruits, schoolteachers and impressionable Muslim youths. “We have the ‘children bomb,’ and these human bombs must continue until liberation,” he told his audience in 2002. Consistent with this logic and morality, Sheik Qaradawi later extended his Koranic blessing to suicide bombing against American civilians in Iraq.

A few in the Arab world have taken issue with his calls for violence. Al Ittihad, a newspaper in the United Arab Emirates, editorialized in 2004 that the beheading of two American hostages in Iraq happened “in direct response to Qaradawi’s fatwa and incitement, which permits the killing of American civilians.” Yet few, in the Middle East or the West, seem willing to condemn Al Jazeera’s management for giving the cleric regular airtime.

None of this might seem to matter much to Americans except that for two months now Al Jazeera has been taking its mixture of news coverage and extremist propagandizing to our front door through an English-language station. Called Al Jazeera English, the network can be received via satellite or streamed over the Internet. It has bureaus in London and Washington, and has recruited such high-profile Western journalists as Sir David Frost as correspondents.
In part, this is promising. The Arabic version of Al Jazeera and its various spinoffs on satellite TV and the Internet are usually credited with having a positive influence on Arab society. True, Al Jazeera’s coverage has placed an emphasis on younger leaders, reformers and successful businessmen who may serve as role models for today’s Arab youth. And it has brought — as the press usually does — a degree of inquisitiveness and openness that could become a useful engine of reform in the region.

Westerners have been quick to point out these benefits. A critic for The Times said that “though Al Jazeera English looks at news events through a non-Western prism, it also points to where East and West actually meet.” Time magazine noted, “arguably nothing — including the Bush administration’s panoply of democratization programs — has done more than Al Jazeera to open minds and challenge authority in the Middle East.”

But what should concern Westerners is that the ideology of men like Sheik Qaradawi saturates many of the network’s programs, and is gaining wider acceptance among Muslim youths in the West. In its “straight” news coverage on its Arabic TV broadcasts and Web sites, Al Jazeera’s reports consistently amplify radical Islamist sentiments (although without endorsing violence explicitly).

For example, the phrase “war on terror” is invariably preceded by the contemptuous prefix “so-called.” The words “terror” and “insurgency” are rarely uttered with a straight face, usually replaced with “resistance” or “struggle.” The phrase “war in Iraq” is often replaced by “war on Iraq” or “war against Iraq.” A suicide bombing is called a “commando attack” or, occasionally, a “paradise operation.”
Al Jazeera’s Web site can be less subtle. On Dec. 12, after religious leaders and heads of state all over the world condemned President Mahmoud Ahmadinejad of Iran for staging a Holocaust denial conference in Tehran, the headline on the site read, “Ahmadinejad Praised by Participants of the Holocaust Conference in Tehran, but Condemned by Zionists in Europe.”


terça-feira, janeiro 16, 2007

nocturno português

"Toma lá que te dou eu,
rapariga da fortuna!
uma mão cheia de nada
outra de coisa nenhuma"

popular

O título de um livro de contos infantis de Irene Lisboa é precisamente "Uma mão cheia de nada outra de coisa nenhuma".

Disseram-nos que iam fechar maternidades porque as condições médico-clínicas em que as parturientes eram atendidas não estavam asseguradas. Que não, não era uma questão económica mas que, provava-se por relatórios de médicos profissionalmente irrepreensíveis, eram questões de saúde materno-infantil. Agora vimos a saber, quando sabemos, e quando não as mandamos para Espanha ter os seus bebés, que há um número elevado de mulheres a darem à luz em casa, sem assistência médica, ou em ambulâncias, assistidas por bombeiros de boa-vontade mas que nunca na vida fizeram partos. A média de partos do bombeiro deixa imediatamente de ser relevante, até porque ele pode fazer um parto por ano porque, como não ganha como um médico, a vida da parturiente deixa de estar automaticamente em risco por falta de experiência, ou lá o que era que alegavam os relatórios acerca de médicos com menos de mil partos por ano no currículo. Não, não era só por contenção financeira.

Disseram-nos que iam fechar escolas, reduzir o corpo docente e trazer mais alunos para o ensino, em nome da concentração de esforços e de oferecimento de recursos humanos com maior qualidade e por maior formação. Que não senhores, não era por motivos económicos. As escolas fecharam, o número de docentes diminui, vai instituir-se um estatuto de carreira docente que, quem vê de fora, julga ser a solução para a avaliação dos docentes, e só transformará o secundário numa instituição endogâmica à semelhança dos se passa nas universidades. Mas não, agora é que a avaliação a sério vai começar, dizem, e o ensino melhorará , qual milagre da redução.

Institui-se também a figura do super-sabichão professor no 2º ciclo, sendo que até agora o seu saber era dividido por 10 professores, vejam bem, que horror as crianças terem tantos professores, quando um pode perfeitamente ensinar aquilo que os outros dez ensinavam. E o aluno fica menos traumatizado por ter como docente essa figura que sabe de tudo, e não sabe de nada, licenciado e mestre nessas nossas novas e super eficientes universidades. Assim como assim, todos aqueles saberes juntos valem o quê? Tudo em nome da qualidade, e da protecção dos interesses do aluno, não em nome da contenção de custos. Não.

Dizem que muitos alunos regressaram à escola. É verdade, dizem os números. Mas quantos ficaram nessa escola, findo agora o primeiro período, nessa escola que lhes oferece tudo de forma gratuita, ao ponto de muitos entrarem com a antiga quarta classe directamente para o secundário (e os que têm mais de vinte e três anos entram directamente para a universidade sem passar pelo secundário), e depois perguntam aos professores se não os podem passar (mesmo que não tivessem feito nenhum exercício obrigatório de avaliação, ou mesmo que fossem avaliados negativamente) só porque estiveram presentes em algumas aulas? Porque não, realmente? Assim como assim. Tudo isto em nome da qualidade de ensino, e não, não tem nada a ver com números para “burocrata europeu ver” ou com contenção financeira do sistema. É pela qualidade da formação, garante essa mão que nos dão.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Nocturno Indiano

“O que é que fazia em Calcutá?”.
“Fotografava a objecção”, respondeu Christine.
“Que quer dizer com isso?”.
“A miséria”, disse ela, “a degradação, o horror, chame-lhe como quiser”.
“Porque o fez?”.
“É o meu ofício”, disse ela, “pagam-me para isso”.

Fez um gesto que podia significar resignação à profissão da sua vida, e depois perguntou-me:”Já alguma vez esteve em Calcutá?”.


Abanei a cabeça. “Não vá lá”, disse Christine, “nunca cometa um erro desses”.
“Pensava que uma pessoa como você achasse que na vida é preciso ver o mais possível”.
“Não”, disse ela convicta, “é preciso ver o menos possível”.


Nocturno Indiano de Antonio Tabucchi, ed. Quetzal, p. 102.

Pouco tempo depois de sair o livro, soube de um casal conhecido que tinha ido para a Índia e seguido o itinerário sugerido pela personagem. “Que romântica delícia”, pensei eu na altura. Mas fiquei a saber demais desse casal para continuar a pensar assim. Quanto menos se sabe mais se pode efabular.

Naquele dia, perdido o comboio para Istambul, a Eunice eu ficámos sentadas no chão da estação ferroviária de Belgrado, encostadas às nossas mochilas e literalmente a ver passar os comboios. A Eunice propôs-me um jogo para ajudar a passar aquele longo tempo de espera: observar atentamente cada pessoa que passasse e comentá-la. Ao fim de um tempo eu tive que parar, nauseada e cheia de dores de cabeça. Já nos lavabos procurei reencontrar a minha natureza. Como a Eunice sabia, eu era a que tentava ver o menos possível.

Como é que a miséria humana, e a irrelevância/incongruência democrática de um sistema social de castas, podem passar ao lado de um crescimento de aproximadamente 9% ao ano?
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sexta-feira, janeiro 12, 2007

Imaginário político: Índia


A série "A Jóia da Coroa" (The jewel in the crown), de produção inglesa, dirigido porJim O'Brien e Christopher Morahan a partir de uma adptação do romance de Paul Scott, faz parte do meu imaginário quando penso na Índia. Mas a Índia foi só uma jóia da coroa inglesa? E as nossas jóias, Goa, Damão e Diu? Em que coroa, ou estandarte, brilharam elas?
A minha obsessão com o aspecto simbólico da política leva-me a dizer uma vez mais que Portugal desperdiça, em termos de discurso, uma ideia que reúna os portugueses não sob o abominável princípio da potência colonizadora, da dominação dos povos, mas do admirável princípio de que amámos tanto essas terras estrangeiras como se nossa se tratasse, mesmo se as amámos execravelmente. Há uma história por contar mesmo quando pode ser feia. O silêncio é que apaga a beleza ou a vilania dos acontecimentos, não o discurso. Mas quem conta a história dessa paixão, mesmo que tivesse sido infeliz? Quem não deixa esquecer essa existência partilhada entre portugueses e indianos? Quem narra esse tempo e o oferece ao imaginário de outros povos?
As visitas das comitivas presidenciais são grãos de areia no deserto, pois só o imaginário colectivo é que fixa as pessoas a um local ou a outras pessoas. Vão para lá só preocupados com a economia que modificar-se-á estruturalmente muito com isso em Portugal.
E no entanto... a economia move-se.

Comunicação política: análise ao discurso de Bush

Mais uma vez o serviço FactCheck.org me ensina como se procede com excelência na análise de discursos políticos. Quem me dera saber trabalhar assim. Quem me dera trabalhar assim. Reparo no cuidado com que cada tema é discutido, no que ao elidir ou ao relevar de factos diz respeito. Soberba análise.
(Suspiro.)

Bush's Iraq Speech
The President's facts check out, though he leaves out some inconvenient ones.
January 11, 2007

Summary
President Bush's sobering address to the nation laid out his plan to rescue Iraq by sending in more troops at a time when polls show the American people want just the opposite. Is his approach a significant change of course? Will it work? We leave that to others to chew over. What we can say is that he was right on the facts he cited, although there were some notable omissions. While he highlighted the planned distribution of oil revenues to the Iraqi people and a new commitment of reconstruction funds by the Iraqi government, he didn't say a word about how the U.S. or Iraq would deal with rampant corruption that threatens to undermine both.
Similarly, we found the rebuttal by Sen. Richard Durbin of Illinois, the Senate's second-ranking Democrat, to be factually accurate but also somewhat selective.


Analysis
Bush's speech wasn't long on facts, since he was focused mainly on what the U.S. and Iraq will do in the future. We'll take his factual statements one-by-one and note some things that got left on the cutting-room floor.

Desire to live in peace?
Bush: Most of Iraq's Sunni and Shia want to live together in peace.
A big orange warning flag should go up over the accuracy of any polls of a population caught in the middle of a war. That said, the available polling data supports this claim. Last June, the International Republican Institute asked over 2,000 Iraqis to agree or disagree with the suggestion that the nation be segregated according to religious or ethnic sect. Only 13 percent agreed or strongly agreed, while 66% strongly disagreed. In the same poll, 89 percent of respondents said that establishing a "unity" government was extremely important "to the future peace and stability of Iraq.
In addition, the summary of a 1,000-person poll in Sept. 2006 by the World Public Opinion organization concluded that "Majorities of all groups do not favor a movement toward a looser confederation and believe that five years from now Iraq will still be a single state. A large majority sees the current government as the legitimate representative of the Iraqi people."

Sharing oil revenues
Bush: Iraq will pass legislation to share oil revenues among all Iraqis.
That sounds good, but Bush fails to note that crude oil production hasn't yet recovered to pre-war levels. Before the U.S.-led invasion, it stood at 2.5 million barrels/day. By December 2006, it was 2.15 million – down a bit from the months of June-Oct. of last year. With the price-per-barrel being high, there still could be a lot of money to pass around – except for corruption that is siphoning off a good deal of the money and which we didn't hear about in the President's speech.

Corruption
Bush: To show that it is committed to delivering a better life, the Iraqi government will spend $10 billion of its own money on reconstruction and infrastructure projects that will create new jobs.
The missing word here is "corruption," perhaps the most glaring omission in the President's address. If the $10 billion in reconstruction money is to be effective, the Iraqi government will have to do something about the rampant corruption noted by the Iraq Study Group, the Government Accountability Office and numerous news accounts. Bush didn't use the word "corruption" once in his speech, nor was it mentioned by either of the "senior administration officials" who briefed White House reporters just prior to the speech on the condition that their names not be used. By contrast, "corruption" is mentioned 15 times in the ISG report, which lists it as one of the major reasons for the Iraqi government’s inability to provide basic services like water and electricity on any sort of reliable basis. Other examples:
ISG Report: [C]orruption is rampant. One senior Iraqi official estimated that official corruption costs $5–7 billion per year.
ISG Report: Economic development is hobbled by insecurity, corruption, lack of investment, dilapidated infrastructure and uncertainty.
ISG Report: One senior official told us that corruption is more responsible than insurgents for breakdowns in the oil sector.
In July 2006, the U.S. Special Inspector General for Iraq Reconstruction (SIGIR) reported a poll that found a third of Iraqis said they had paid bribes for goods or services that year. In a September 2006 news report by the United Nations’ Integrated Regional Information Networks, Judge Radhi al-Radhi, head of the Commission for Public Integrity (CPI) in Iraq, estimated that $4 billion “has been pilfered from state coffers and no one is taking responsibility.”

Transparency International, a non-partisan international watchdog group, has listed as the second most corrupt government in the world, with only Haiti edging it out of first place. The GAO reported that the lack of an effective banking system in , ambiguous procurement systems, and inadequate anti-corruption training have hampered attempts to reduce foul play. The GAO also reported that between January 2005 and August 2006, 56 Iraqi officials were found guilty of corruption or had arrest warrants issued against them, but apparently the arrests and prosecutions aren't having much of a deterrent effect.

Sunni outreach
Bush: [T]o allow more Iraqis to re-enter their nation's political life, the government will reform de-Baathification laws.
This measure, which is indeed on Iraqi Prime Minister Nouri al-Maliki's to-do list, was also recommended by the ISG as a key element of national reconciliation. Many professionals who worked in the government in the days of Saddam Hussein were purged because of their Baath Party ties in the weeks and months after Hussein was ousted. But 40 percent of Iraq's professional class has left the country altogether, and Bush doesn't address the problem of luring them back.

al Qaeda
Bush: Al Qaeda has helped make Anbar the most violent area of Iraq outside the capital. A captured al Qaeda document describes the terrorists' plan to infiltrate and seize control of the province.
It is fair to say that al Qaeda is still active in Iraq, even though its leader in the country, Abu Masab al Zarqawi, was killed by U.S. forces in June 2006. The group is believed to include mostly foreign fighters, and it's widely acknowledged that they're most active in Anbar. The Brookings Institution's Iraq Index estimates that there were between 800 and 2,000 foreign fighters in all of Iraq as of November.
The Washington Post reported in November that a secret Marine memo described al-Qaeda in Iraq as the “dominate organization of influence in al-Anbar.” But the official who leaked the memo to the paper said “it overstates the role of al Qaeda in the province.” A Congressional Research Service report characterizes this group as “numerically small, but politically significant.”

al Qaeda, pt. II
Bush: America's men and women in uniform took away al Qaeda's safe haven in Afghanistan, and we will not allow them to re-establish it in Iraq.
Operation Enduring Freedom, the U.S. military response to the Sept. 11 attacks in 2001, pretty much ousted the Taliban and al Qaeda from Afghanistan. But Bush didn't mention that the Taliban have been creeping back, possibly as a consequence of the deployment of so many troops to Iraq, and some key members of al Qaeda – including, according to many reports, Osama bin Laden – have found safe haven just over the border in Pakistan.

Iran
Bush: Iran is providing material support for attacks on American troops.
There's not much disagreement on this front, except from the Iranians. It is widely accepted that , either directly or indirectly, has been involved in aiding militia and insurgent groups fighting U.S. forces. In August 2006 The Washington Post quoted Department of Defense spokesman Major General William B. Caldwell as saying, “We do believe that some Shiite elements have been in Iran, receiving training. But the degree to which this is known and endorsed by the government of is uncertain.” However, by the following month, . military reported that explosive devices with signature labels found in Iraq were proof-positive of Iranian government involvement. And Brig. Gen. Michael Barbero of the Joint Chiefs of Staff has said in an interview that “ is definitely a destabilizing force in …I think it’s irrefutable that is responsible for training, funding and equipping some of these Shiia extremist groups and also providing advanced technology to them, and there’s clear evidence of that.” A Congressional Research Service report from December 2006 also cites reports of Iranian involvement with Sunni insurgents fighting US forces.

The Democratic Rebuttal
In a Democratic rebuttal to the President’s speech, Sen. Dick Durbin of Illinois said a troop increase is not what the voters ordered up in the 2006 House and Senate elections. That’s true as far as it goes, but it’s truer of Democrats than Republicans.
Durbin: Escalation of this war is not the change the American people called for in the last election.
Exit-polling data from last year's congressional elections support this statement. When asked about troop levels in Iraq, only 17 per cent said “send more” and 21 per cent favored no change. But 55 per cent said they favored withdrawing some or all US troops. Democrats were far more likely than Republicans to favor withdrawal, and the few who favored a troop increase were Republican by three to one.
After Durbin spoke, The Associated Press reported a new AP /Ipsos poll showing that 70 per cent of those surveyed oppose sending more troops. The poll was taken in the days just before Bush spoke, and has a margin of error of plus or minus 3 per cent, according to AP. The partisan split continues: 87 per cent of Democrats opposed a troop increase, but only 42 per cent of Republicans.

Ignoring advice of generals?
Durbin: In ordering more troops to Iraq, the president is ignoring the strong advice of most of his own top generals. General John Abizaid -- until recently, the commanding general in Iraq and Afghanistan -- said, and I quote, "More American forces prevent the Iraqis from doing more, from taking more responsibility for their own future," end of quote.
True, Abizaid said that at a Nov. 15, 2006 hearing, and also said that he believed Iraqi forces could defeat the insurgency. But later at the same hearing he also said, “If more troops need to come in, they need to come in to make the Iraqi army stronger.”Bush says that's just what he's doing: using the added US troops to stiffen Iraqi forces. The two senior administration officials who briefed reporters Wednesday said some of the added US troops would be embedded with Iraqi forces, but that Iraqis would take the lead in combat operations.
A minor point, but Abizaid no longer is one of Bush’s “own top generals,” which Durbin himself noted in passing. Bush announced a few days ago he was replacing Abizaid as head of the Central Command, at the same time that he replaced Gen. George Casey as the top commander in Iraq. Casey had also expressed reservations about sending more troops, although at a news conference Thursday Marine Corps General Peter Pace, chairman of the Joint Chiefs of Staff, said that the request for additional troops actually came from Gen. Casey "and his commanders."

Pace: General Casey and his commanders came forward and asked for additional forces.They asked for additional forces for Baghdad, and they asked for additional forces for al-Anbar.
Bush is glossing over some inconvenient facts, and so are his critics.
by the Staff of FactCheck.org


Sources
AmericaVotes, " U.S. House of Representatives / National / Exit Poll ," CNN.com, 8 Nov 2006.
Michael R. Gordon and Thom Shanker, “ Bush to Name a New General to Oversee Iraq ,” New York Times, 5 Jan 2007
CQ Transcripts, “U.S. Senator John Warner (R-Va) Holds A Hearing On Military Operations In Iraq And Afghanistan,” Transcript of Senate Armed Services Committee hearing, 15 Nov 2006.
“The Iraqi Public on the US Presence and the Future of Iraq,” WorldPublicOpinion.org. 27 Sept. 2006.“Survey of Iraqi Public Opinion,” International Republican Institute. 18 July 2006.
Gannon, Kathy. "Taliban Train Suicide Bombers to Attack." The Associated Press Online . 23 Nov. 2006:.
“Secretary of State Condoleezza Rice, Secretary of Defense Robert M. Gates and Chairman of the Joint Chiefs Of Staff General Peter Pace (USMC) Hold a News Conference On Iraq,” transcript of news conference, CQ Transcripts 11 Jan 2007.
Iranian Government Behind Shipping Weapons to . 28 Sep. 2006. American Forces Information Service . 11 Jan. 2007.
Raghavan, Sudarsan. " Said to Support Shiite Militias in ." The Washington Post . 15 Aug. 2006: A09.
Katzman, Kenneth, “Iraq: Post-Saddam Governance and Security,” Congressional Research Service . 14 June 2006.
Linzer, Dafna, and Ricks, Thomas E., “Anbar Picture grows Clearer, and Bleaker,” Washington Post . 28 Nov 2006.
Bush, George, “Press Conference of the President,” White House . 25 Oct 2006.
Bush, George, “President Discusses Global War on Terror,” White House . 5 Sept 2006.
Iraq Index ,” Brookings Institute 8 Jan 2007.
Baker III, James A. et. al. The Iraq Study Group Report. New York: Vintage Books, 2006.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

as províncias do império

Ontem à noite quando cheguei a casa, a SIC Notícias fazia correr em rodapé a anúncio de um discurso de Bush a anunciar o seu novo plano para o Iraque, discurso previsto para as duas da manhã. Não me consegui impedir de pensar nos impérios que se foram criando ao longo da história, e nas formas de comunicação que eles tiveram que estabelecer para fazer anunciar/estabelecer as razões que lhe aprouverem para prosseguir as suas acções. Estremeci, não só pelo interesse universal que o destino do povo iraquiano merece nos órgãos de comunicação dos outros povos, no que, de um ponto de vista teórico se explica e se exige igualmente e relativamente à sorte de qualquer outro povo que saibamos, ou devíamos saber, se em sofrimento, mas por sentir que as decisões de Bush afectam não apenas a sorte do povo iraquiano, fenómeno que já de si me parece extravagante no séc. XXI, mas do mundo, numa cadeia de razões políticas, não naturalmente necessárias nem sufragadas, ou contratuais, universalmente.

Impressionada fiquei pela arbitrariedade da história se continuar a escrever, uma vez mais e sempre, por força das palavras de um homem que dispõe do poder de enviar a espada a partir do seu Estado, no qual foi eleito, para um outro Estado onde nunca sujeitou as suas regras a escrutínio interno, ou obteve consenso externo para a intervenção.

Não me custa compreender o papel da administração americana, no quadro da compreensão que se tem da história no passado e das relações internacionais entendidas como defesa dos interesses do que mais tiver poder no momento histórico. O que me pesa é a inoperacionalidade de conceitos civilizacionais que um número de pessoas cada vez mais crescente reconhece e não consegue impor como regra para o presente. Esta consciência de inoperância ou de lentidão de operância de estratégias internacionais reconhecidas e aceites pelo direito universal causa-me desconforto e desânimo, a mim que vivo descansadamente numa democracia. A 19ª democracia, dizem-me. O que não causará em quem for industriado a não acreditar senão na violência para combater a violência?

Por outro lado, ouvindo os iraquianos, em vozes que nos chegam por reportagem dando conta de uma incredulidade relativas ao que lhes está a acontecer e que, exceptuando grupos rivais de milícias em confronto directo pelo poder nas ruas, nenhum iraquiano deseja, seja curdo, chiita ou sunita, também não se reconhece agora em que é que a saída dos soldados americanos resolveria para já as condições de segurança daquele povo. Daí que eu tema que o presidente Bush ainda venha a declarar mais tarde que por o congresso ter impedido a execução do seu plano de envio de mais tropas é que a guerra ficou totalmente perdida.

Esta será a desculpa no futuro, a de que o congresso impediu a resolução do conflito iraquiano, proporcionado pela intervenção americana, afirmando ser esse um assunto interno e propondo-se a retirada?
Um dia convenceram-se as tropas americanas, os seus líderes, de que se tinha perdido uma guerra no Vietname por causa da má imprensa na cobertura dessa guerra que desmobilizou a opinião pública no que a um apoio ao envio de mais tropas dizia respeito, agora temo que a desculpa seja, para o futuro, de que os democratas impediram a estratégia militar de buscar, finalmente, o êxito quanto aos seus objectivos. A não esquecer, os de impor (!) uma democracia no Iraque. Ficando mais uma vez por discutir, ou por se fazer responsabilizar, os que defenderam a irrelevância nacional da questão da legitimidade inicial da intervenção, assim bem como fica por discutir a competência dos líderes políticos e militares para, pondo em causa a frágil ordem internacional, conseguirem impor os seus intentos. Continuam a sobrar os problemas do império. E ouvimos as palavras de Bush com um sentido com que nem sequer ouvimos as palavras do presidente da nossa nação. Por mim falo.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Insidiosa actuação dos anónimos

Menos saudável do ponto de vista institucional me parecem as pressões que sofrem todos os que são atacados anonimamente por aqueles que procuram conspurcar a honra, confundir a verdade, e intentam rebaixar as acções daqueles que com eles não concordam ou que se lhes opõem em projectos ou ideias. Conhecendo mais ou menos bem os modos de operar em sistemas fechados, como é o sistema de poder nas universidades, mas tendo permanecido sempre na periferia dessa luta, pela minha irrelevância no meio, não posso senão assinalar o meu regozijo por haver quem, tendo responsabilidades e tendo influência, não teme nem deixa de chamar as coisas pelos seus nomes, não deixa de continuar a preferir o que entende ser o melhor para a sua comunidade, sem esperar que sobre isso o tempo passe e tudo apague tornando insistinto e conforme o que não o é, nem deve ser. Destaco a voz inconformada e que procura a liberdade de José Adelino Maltez no seu blogue Sobre o tempo que Passa.