Se relativamente ao seu percurso académico as suas respostas me satisfizeram, já quanto à explicação da sua atitude para com os jornalistas (Telefonou? Não telefonou? Telefonou em que tom e porquê) não me convenceu nada. Tendo sobretudo em linha de conta os projectos governamentais nesta matéria e os argumentos aduzidos. Mas do facto de ele não me ter convencido da razoabilidade das suas acções não vem propriamente muito mal ao meu mundo, desde que haja jornalistas que não se deixem afectar por vozes de comando, nem leis que lhes cerceiem a liberdade.
quinta-feira, abril 12, 2007
uma entrevista
Se relativamente ao seu percurso académico as suas respostas me satisfizeram, já quanto à explicação da sua atitude para com os jornalistas (Telefonou? Não telefonou? Telefonou em que tom e porquê) não me convenceu nada. Tendo sobretudo em linha de conta os projectos governamentais nesta matéria e os argumentos aduzidos. Mas do facto de ele não me ter convencido da razoabilidade das suas acções não vem propriamente muito mal ao meu mundo, desde que haja jornalistas que não se deixem afectar por vozes de comando, nem leis que lhes cerceiem a liberdade.
quarta-feira, abril 11, 2007
Que pensamentos e que livros nos levam a que tipo de acções?
- "Porque a dita esquerda democrática" - respondeu-me - " só aparecia quando havia eleições. Depois desse período, já na clandestinidade, só os membros com mais coragem física, mais empenhamento ideológico, é que ousavam enfrentar a polícia e a autoridade reinante. E esses membros mais corajosos da sociedade que se oponha ao regime e proponham uma mudança pela revolução, ou eram comunistas ou pertenciam a grupos de extrema-esquerda. Grupos marxistas-leninistas ou anti-marxistas."
"Qual era era a fonte doutrinária? - Perguntei.
Reproduzo de memória a resposta: "Os intelectuais franceses para os socialistas e também, sobretudo, para os de extrema-esquerda. Da União Soviética para os comunistas, mediados pelo pensamento francês. Era de lá que nos chegava a literatura, os modelos de acção, as propostas ideológicas. Nota que toda a imprensa de divulgação ideológica em Portugal como o "Jornal do Fundão", "Seara Nova", "Vértice", "Comércio do Funchal" e o "Tempo e o Modo" é uma imprensa feita à imagem e semelhança do "Tel Quel"."
A educação de um revolucionário: Lenine 2
terça-feira, abril 10, 2007
A educação das crianças
But watch how this research is used by the "send-mothers-home brigade" and the Tories who want to cut back costs on under-fives. It is a reminder of how precarious still is women's progress, always obliged to defend small gains, from abortion laws to the right to work: it's painfully easy to terrify mothers about their children. Meanwhile the CBI resists longer maternity leave, the right to flexible working hours for all parents or raising the minimum wage, which mostly helps women. The 17% gap in women's pay keeps mothers poor, their traditional but vital caring jobs valued less than men's work just because traditionally low-paid women do it. And how has it come about that unbearably destructive pressures on girls to be beautiful are worse, not better, than 20 years ago?
Leading Seaman Turney is no doubt typical of the 10% of women who make up the armed forces, and she probably thought old battles about gender discrimination long won. But she will get a shocking reminder to the contrary when she reads what has been said about her. It will be a reminder that the women's revolution is still less than half-won."
Os educadores e a sua tutela
segunda-feira, abril 09, 2007
A educação dos governantes
A educação de um teórico e revolucionário: Lenine 1
O que mais relevo nesta biografia é a preocupação do autor pela educação de Lenine, sobretudo com os livros que Lenine leu e que possam de certa forma explicar as opções ideológicas e as atitudes do revolucionário que procurou criar e justificar a existência de um estado de um só partido.
“Todavia, é notável que o livro mais apreciado por Vladimir {Lenine] descrevesse não a Rússia mas os EUA. Isso ia de encontro ao desejo dos seus pais de se manterem, e aos seus filhos, afastados de discussões perigosas sobre a vida pública russa. Se assim era, eram um pouco ingénuos. A Cabana do Pai Tomás continha ideias de significado universal; o seu estilo sentimental comunica ideias de dignidade humana universal. Quando tentamos pesquisar as origens da visão política de Vladimir, deparamos frequentemente com as suas leituras no final da adolescência e no início da idade adulta. Concentramo-nos em Tchernichevski, Marx, Plekhanov e Kautsky. Mas devemos lembrar-nos que, antes desses autores russos e alemães marcarem a sua consciência, uma mulher americana – Harriet Beecher Stowe – tinha já influenciado a sua jovem mente.” p. 74
Ao longo da biografia iremos ver que Service tem a preocupação de contextualizar as decisões de Lenine no quadro de influências teóricas das leituras que escolheu, ou para si foram escolhidas, e formaram as suas ideias. Esta é a pergunta que devia ser feita a qualquer estadista ou a qualquer aspirante ao cargo: Quais foram os livros que leu? Os que verdadeiramente leu, e não aqueles que os seus assessores de imagem gostaria de dizer que você leu?
sábado, abril 07, 2007
quinta-feira, abril 05, 2007
A arte de fazer a paz
"A diplomacia funcionou. Inaceitável! Inconcebível! Inadmissível!
(...) E, acima de tudo, os belicistas de um lado têm os belicistas do outro, que tudo farão para que desilusões destas não se voltem a repetir.
Para os restantes, contudo, foi um bom dia neste planeta. (...)"
Rui Tavares, "Inconcebível! Inaceitável" no Público
Iraque
"Estávamos em 2003, o país inteiro era a favor da guerra, os media eram a favor da guerra. Lembro-me de chegar a Bagdad e haver, finalmente,combates a sério. Eles [os americanos] mataram civis e havia muita gente morta, fotografei tudo isso. Três dias depois, a estátua [de Saddam] veio abaixo. Eu mandei umas 70 fotografias para a Times, o que é bastante, os editores disseram-me: "não vamos usar as tuas fotografias esta semana". Queriam fotografias de crianças com flores à volta dos soldados. "Tens alguma coisa assim?" E eu respondi: "Nem sequer vi nada assim!"
Christopher Morris, fotojornlista de Guerra em entrevista ao Público.
quarta-feira, abril 04, 2007
ríctus de poder 3
Por Richard Conniff, autor do The Natural History of the Rich. New Iork Times
Pois, a experiência também já nos tinha feito perceber este impulso, mas... é necessariamente assim? Indubitavelmente? Triste imagem. Será sempre verdadeira?
economia a crescer e democracia anestesiada
Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiências
terça-feira, abril 03, 2007
localização de países europeus - jogo
Artº 2 nº 4 da Carta ou o tempo das decisões sábias para a Inglaterra. E difíceis para o mundo.
In the eyes of many Americans, such words represent characteristic European pusillanimity, indeed appeasement. But some of us suggested when the 2003 Iraq invasion was launched that it could result in a drastic diminution of the West’s ability to address graver threats from Iran and North Korea. So it has proved.
We must keep talking to the Iranians, offering carrots even when these are contemptuously tossed into the gutter, because there is no credible alternative. Even threats of economic sanctions must be considered cautiously. Their most likely consequence would be to feed Iranian paranoia, to strengthen the hand of Tehran’s extremists. A state of declared Western encirclement could suit President Ahmadinejad very well indeed.
No sensible Westerner, committed to the pursuit of international harmony, could welcome any of this. Iran represents a menace to the security of us all, not to mention what it must be like to live under that reprehensible regime. But, in the wake of the Iraq catastrophe, never has the overwhelming military power of the United States seemed less relevant to confronting a large, relatively rich nation that enjoys considerable grassroots support in the Islamic world for its defiance of the West.
Max Hastings, "Iran, The vicious victim" no "The New Iork Times".
sensibilidade democrática 3
segunda-feira, abril 02, 2007
sensibilidade democrática 2
Para além do comportamento individual que se manifesta no discurso público, onde nasce a autoridade daquilo que é dito ou feito? 1. Na legitimidade conferida pelo reconhecimento dos pares? 2. No elevado(?)número dos que lêem, ouvem, divulgam ou citam o crítico? 3. Em pressupostos éticos abstractos? Em modelos de educação e de comportamento reconhecidos tradicionalmente como garantias de equilíbrio e de boa formação para o serviço público (em que escolas, com que programas)?
cinismo/realismo
domingo, abril 01, 2007
sensibilidade democrática
Tomarei por base o artigo escrito de Vasco Pulido valente no "Público" de hoje e a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa na RTP1, também de hoje.
Quando não pelo riso e pelo evidenciar do caricato do tema ou da acção, técnicas utilizadas pelos humoristas, o que fica à disposição dos críticos das acções dos políticos são as figuras da ironia, do sarcasmo, da repreensão ou do elogio presentes numa exortação, do apontar algo ou alguém como exemplo, de alvitrar ou recusar um modelo de acção, de sugerir alternativas, de estimar propostas ou pessoas defendendo-as num quadro que se pretende defensável argumentativamente.
Vasco Pulido Valente utilizou o sarcasmo para falar na dita sensibilidade democrática dos nossos parlamentares que só acordam para as questões dos direitos públicos quando estão em causa os seus direitos privados, servindo, para o caso, o exemplo da proibição de fumar no parlamento que terá feito despertar os nossos representantes para a defesa da sua (que devia ser nossa) liberdade de usufruir de um direito que era o do Estado não interferir com legislações draconianas sobre assuntos que a ele não lhe devem dizer respeito.
Sarcasmo e ironia são, aliás, as figuras que estruturam na generalidade as críticas de Pulido Valente. É uma forma pedagógica que tem valor não só por si, o evidenciar do ridículo ao superlativar um pormenor ou ao enfatizar um comportamento que passaria inobservado como coisa inócua, mas também pela autoridade de quem o usa, que lhe dá um uma garantia de auditório que outro qualquer, utilizando essa figura de estilo por utilizar, não teria. O sarcasmo é geralmente percepcionado como um insulto, e é talvez das figuras que mais gera confusão pela incompreensão do próprio sentido. É a atitude de quem utiliza o seu discurso para aproximando-se do semelhante dele se diferenciar, radicalmente.
Marcelo Rebelo de Sousa, o professor, usa o discurso crítico como forma de evidenciar pessoas, ideias ou acções que avalia e apresenta como exemplos a seguir ou como modelos a evitar. É o pedagogo que julga e destaca, que utiliza a sua autoridade para avaliar. Exactamente como Pulido Valente, também Marcelo Rebelo de Sousa é escutado não pelo uso que faz do discurso nas figuras que escolhe utilizar, mas pelo que acrescenta à realidade nas descrições que faz dela. O que fez ele hoje quando se falou sobre o Presidente do Tribunal de Contas, e numa semana em que esta instituição foi responsável por um conjunto polémico de informação sobre o estado das contas públicas dos nossos digníssimos governantes? Reconheceu-lhe o mérito e a competência isenta, atitudes que ainda há pouco tempo eram postas em dúvida pelo coro da oposição. O que quer isto dizer? Que este é o critério através do qual as pessoas públicas se devem reger, caso contrário cá estará ele atento para arguir.
Fica por responder o seguinte: 1.Como é que estas pessoas ganham autoridade? Onde se fundamenta? No seu saber, na sua personalidade, na sua intuição e capacidade de predizer, em todas juntas? 2.Serão estas as formas comuns glosadas por todos os outros intérpretes da realidade portuguesa nos seus diferentes níveis e graus ou haverá outro espaço/forma de propor formas de vida? 3. Onde estão os pensadores portugueses com textos fundamentais sobre a democracia, sobre o estado de direito, sobre as atitudes cívicas, sobre os direitos fundamentais? 4. Quem legitima o que se diz em Portugal e a a partir do quê? 5. Quem diz, e porquê, o que é ou não possível fazer? 5. Quem define o que é sensibilidade democrática universal?
Tenho que continuar nisto amanhã...
