quinta-feira, abril 12, 2007

A seguir

"As nuvens negras já não estão apenas no horizonte. Em matéria de liberdade de expressão, já chove em Portugal."
Mário Bettencourt Resendes, "Um cenário de preocupação" in Diário de Notícias

uma entrevista

Para mim o primeiro-ministro deu ontem explicações absolutamente razoáveis relativamente ao seu percurso académico. Eu já aqui defendi o interesse público e a legitimidade de uma investigação jornalística como a que foi conduzida pelo jornal Público, e fi-lo, tal como julgo, em tempo útil. Daí que ache, no seguimento da ideia, absolutamente necessária esta explicação de José Sócrates ao país. Porém, um acontecimento não tem que confundir o outro. Então, numa certa vertigem que me levou a querer misturar a parte com o todo, fiz um juízo de valor acerca da personalidade de Sócrates que, fazendo fé nas suas palavras de hoje, e eu não tenho por que duvidar, nem provas há que nos fundamentem essa dúvida, fui precipitada e injusta. Errei. Ele não deixa de ser um testemunho do que poderemos encontrar de incongruente, incerto e laxista no sistema de ensino em geral, e, muito em especial, no ensino superior, mas imputar-lhe a ele pessoalmente uma falta que é generalizada a tantos outros, e sendo que ele nem responsabilidades tinha nessa área, também me parece um exagero.
Obviamente, e desde que é chefe de governo, que o estado da educação em Portugal passa a ser um reflexo das propostas e das escolhas que sob o seu governo forem determinantes. E é sobre este percurso que ele responderá a seu tempo. Nada há que nos garanta ter havido algo mais senão um certo pactuar, por inércia ou por indiferença, com o permissivo estado de validação académica e social em Portugal do aluno José Sócrates.
Se relativamente ao seu percurso académico as suas respostas me satisfizeram, já quanto à explicação da sua atitude para com os jornalistas (Telefonou? Não telefonou? Telefonou em que tom e porquê) não me convenceu nada. Tendo sobretudo em linha de conta os projectos governamentais nesta matéria e os argumentos aduzidos. Mas do facto de ele não me ter convencido da razoabilidade das suas acções não vem propriamente muito mal ao meu mundo, desde que haja jornalistas que não se deixem afectar por vozes de comando, nem leis que lhes cerceiem a liberdade.

quarta-feira, abril 11, 2007

Que pensamentos e que livros nos levam a que tipo de acções?

"Mas porque é que a oposição clara ao Estado Novo me parece a mim ser toda feita à esquerda, e, sobretudo, à extrema-esquerda?" - perguntei ontem a um lúcido, crítico e inteligente colega de economia, com quem aprecio conversar, e que me contava que pertencera e actuara em tempos como activista do MRPP.

- "Porque a dita esquerda democrática" - respondeu-me - " só aparecia quando havia eleições. Depois desse período, já na clandestinidade, só os membros com mais coragem física, mais empenhamento ideológico, é que ousavam enfrentar a polícia e a autoridade reinante. E esses membros mais corajosos da sociedade que se oponha ao regime e proponham uma mudança pela revolução, ou eram comunistas ou pertenciam a grupos de extrema-esquerda. Grupos marxistas-leninistas ou anti-marxistas."

"Qual era era a fonte doutrinária? - Perguntei.
Reproduzo de memória a resposta: "Os intelectuais franceses para os socialistas e também, sobretudo, para os de extrema-esquerda. Da União Soviética para os comunistas, mediados pelo pensamento francês. Era de lá que nos chegava a literatura, os modelos de acção, as propostas ideológicas. Nota que toda a imprensa de divulgação ideológica em Portugal como o "Jornal do Fundão", "Seara Nova", "Vértice", "Comércio do Funchal" e o "Tempo e o Modo" é uma imprensa feita à imagem e semelhança do "Tel Quel"."

"E do pensamento anglo-saxónico? E dos intelectuais portugueses?" - inquiri ainda. Ao que me foi respondido: - "Dos primeiros chegavam-nos sobretudo livros técnicos.
O pensamento ideológico de vertente liberal saxónica era residual e estava representado pela dita Ala Liberal na Assembleia Nacional de Sá Carneiro e outros que procuravam tranformar o regime de forma gradual e sem revolução." Quanto aos intelectuais portugueses, em termos políticos, pensavam o que os intelectuais franceses pensavam."
Um pequeno passo mais num caminho longo que há a percorrer. A saber: onde assentam as crenças ideológicas dos portugueses?

A educação de um revolucionário: Lenine 2

Segundo o biógrafo Robert Service
Quando Lenine tinha dezasseis anos o seu irmão mais velho, Alexandre Ulianov, em consequência do seu envolvimento num plano para assassinar o czar Alexandre III, foi detido, julgado como conspirador e condenado à morte. A família, estupefacta, não acreditou num primeiro momento que Alexandre "o querido solzinho ofuscante no céu" (p. 92) pudesse estar envolvido na preparação de semelhante acto de violência e morte. O brilhante aluno da Universidade de Matemática e Física de São Petersburgo deixara de acreditar ser possível haver uma mudança pacífica e continuada no regime russo, como criam os seus pais, e aderiu a um dos muitos movimentos revolucionários antimonárquicos que existiam então na Rússia que tinham como objectivo primeiro praticar o regicídio.
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Os ideais "Verdade, ciência, liberdade e justiça" eram comuns a todos os movimentos revolucionários russos, que defendiam em 1887 que as mudanças políticas só poderiam ocorrer por força de uma revolução, mas os pressupostos para a acção revolucionária tinham bases diferentes. Por um lado havia os revolucionários que defendiam o socialismo-agrário como forma de transformar a vida política russa, mas também havia outros que defendiam que só as teses marxistas, que evoluiam à volta do papel determinante da classe operária como catalizadora da revolução, poderia fazer sentido numa sociedade que estava a industrializar-se rapidamente.
"Praticamente todos estes socialistas, embora vendo virtudes nas ideias e práticas do povo, estavam muito longe de repudiar a necessidade de industrialização da Rússia. Descobriram também, através da amarga experiência, que os operários reagiam mais às invocações revolucionárias do que os camponeses. Qunado uma vaga de estudantes partiu para fazer propaganda revolucionária nas zonas rurais em 1874, muitos deles foram entregues ao Ministério do Interior por camponenses espantados". p. 90.
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Entre os defensores das ideias marxistas, como Plekhanov e os seus seguidores, sendo que ele abandonara as suas crenças numa força revolucionária assente no campesinato, e os que continuavam a defender uma revolução a partir das tradições do campesinato russo, estabeleceu-se um diferendo. O irmão de Lenine terá entrado então para um grupo que teoricamente procurava fazer a ponte essas duas formas de conceber o socialismo, enquanto na prática operava de forma decida a alterar o regime político por força da sua própria acção imediata. Alexandre Ulianov conhecia bem as teses marxistas, pois ele próprio tinha traduzido trabalhos de Karl Marx do alemão para o russo, por isso soube redigir uma declaração de objectivos para o seu grupo que sublinhava a importância das leis científicas acerca da história e da sociedade tal como defendia Marx, sem deixar de afirmar que todas as classes oprimidas da Rússia (sem citar directa ou especificamente os camponeses) tinham um igual interesse em alterar o regime político.
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Os marxistas russos, segundo Service, terão tentado dar a entender que Lenine desde cedo optara pelas ideias marxistas, não seguindo a via ideológica do irmão, mas na realidade, Lenine terá entrado para grupos que defendiam então ideias revolucionárias relacionadas com o socialismo-agrário. Mas, como nos diz o autor, tendo então só dezasseis anos "Não existe realmente razão para pensar que Vladimir [Lenine] tivesse ideias formadas acerca de alguma coisa. Mais provavelmente começava apenas a conhecer o mundo das ideias revolucionárias." p. 95.

terça-feira, abril 10, 2007

A educação das crianças

No blogue O Diplomata é feito um link a um interessante artigo escrito no passado dia 6 de Abril por Polly Toynbee, publicado no Guardian Abroad, no qual ela reflecte sobre o papel da mulher na sociedade inglesa em particular, e no mundo em geral. O ponto de partida foram as reacções políticas à detenção da marinheira Faye Turney, mãe de uma criança pequena, quer no Irão quer na Inglaterra. Estas reacções, sobretudo as de comentadores ocidentais, levaram Toynbee a escrever sobre a luta pela emancipação das mulheres que está longe de poder ser declarada como terminada, já que ciclicamente voltam as questões sobre a perda de valores familiares relacionada com a saída das mães para o mercado de trabalho, que se julga ter como efeito levar à desagregação social. Argumento ao qual ela contrapõe: "Sweden and other Nordic countries, who have had good universal childcare for decades, don't do it on the cheap. The UK spends less than half what they spend: half their childcare staff have degrees. No research suggests the Nordics have been turning out generations of sociopaths: their children score at the top of wellbeing charts where the UK is at the bottom. Who would doubt that long hours in cheap nurseries are bad for children?
But watch how this research is used by the "send-mothers-home brigade" and the Tories who want to cut back costs on under-fives. It is a reminder of how precarious still is women's progress, always obliged to defend small gains, from abortion laws to the right to work: it's painfully easy to terrify mothers about their children. Meanwhile the CBI resists longer maternity leave, the right to flexible working hours for all parents or raising the minimum wage, which mostly helps women. The 17% gap in women's pay keeps mothers poor, their traditional but vital caring jobs valued less than men's work just because traditionally low-paid women do it. And how has it come about that unbearably destructive pressures on girls to be beautiful are worse, not better, than 20 years ago?
Leading Seaman Turney is no doubt typical of the 10% of women who make up the armed forces, and she probably thought old battles about gender discrimination long won. But she will get a shocking reminder to the contrary when she reads what has been said about her. It will be a reminder that the women's revolution is still less than half-won."

Os educadores e a sua tutela

"A violência contra professores e profissionais de saúde vai ser crime de investigação prioritária na próxima versão da proposta de lei da política criminal para o biénio 2007/2009."
E quem o terá proposto, os ministros da tutela? Vá, pelo menos alguém do Ministério da Educação, já que são os profissionais da educação aqueles que mais têm sofrido agressões, e que gostariam que alguém tomasse francamente a defesa da integridade e dignidade das suas pessoas no exercício da suas funções? Não. Os professores não devem a ninguém do se Ministério este interesse ou proposta mas sim à "(...) actual procuradora-geral distrital de Lisboa que no CSMP chamou a atenção para a omissão daquele crime no rol das prioridades da futura lei de política criminal. "Os dados recentemente tornados públicos em matéria de violência dirigida a membros de comunidades escolares e a profissionais de saúde em exercício de funções ou por causa destas, tornam difícil a compreensão do não enquadramento dessas situações nas prioridades definidas no âmbito de uma política criminal de conjuntura, que elege os actos de violência contra as pessoas como meio de cometimento de crime a reprimir particularmente", defendeu Francisca Van Dunem, sendo a posição subscrita por oito conselheiros daquele órgão." no Jornal de Notícias.
É uma situação irrelevante esta de saber quem é a autora da proposta?

segunda-feira, abril 09, 2007

A educação dos governantes

Depois de ouvir o senhor Ministro Mariano Gago, ainda faz mais sentido citar o artigo de Francisco José Viegas, porque todas as respostas ficaram por dar sobre o sentido de universidade na sociedade portuguesa, mesmo se uma instituição universitária de cariz privada, sendo que o mesmo não quer dizer "de carácter arbitrário":
"Evidentemente que é bom, para a democracia, saber em que condições e sob que condições foram emitidos os títulos de licenciatura do primeiro-ministro.
O problema é, também aqui, outro e inteiramente diferente - tem a ver com a interessantíssima ligação entre os dirigentes políticos, os partidos, e as universidades privadas que nasceram como cogumelos nos anos oitenta e noventa. Quem não se recorda dos nomes de políticos a quem nenhum ponto do currículo recomenda especialmente e que foram nomeados para postos e cargos académicos de responsabilidade? Paulo Portas e Santana Lopes, por exemplo, passaram pela Moderna como directores de um centro de sondagens. O que os fez merecer o cargo? Professores de jornalismo e de sociologia, de "relações internacionais" e de "comunicação" multiplicaram-se pelo país fora, sobretudo nessas universidades que foram abençoadas por dirigentes políticos, até aí inacreditavelmente incultos ou, mesmo, semi-analfabetos. Era difícil, nesses quadros académicos, não encontrar um dirigente partidário, uma boa representação de deputados ou um grupo de "especialistas em ideias gerais". O que tinham eles feito pelo ensino, pela carreira académica, pela investigação, pela ciência, pelo conhecimento? Nada. Ao contrário de outros países, onde há políticos saídos da universidade e com um currículo aceitável e recomendável, em Portugal fez-se o caminho ao contrário como havia poucos dirigentes políticos com um passado académico que os valorizasse, criavam-se universidades onde eles teriam assento. Estaria resolvido o problema do título académico e garantida a influência da universidade. Façam a lista dos deputados, futuros ministros, secretários de estado, líderes de partido ou de tendência, que receberam esses títulos ou que "ajudaram" a criar universidades. É numerosa. E dá conta de um saudável regime de colaboração multipartidária, registe-se.
E, pergunto, de novo o que fizeram esses cavalheiros e madamas pelo prestígio da universidade? Pouco, que se saiba. Em Portugal, os dirigentes políticos não lêem, não escrevem, não estudam, não investigam. Mas criam universidades e "fazem política". Uns com os outros.
PS - A fim de defender o primeiro-ministro, vários comentadores têm insistido num ponto particularmente sensível à mentalidade democrática actual a de que não é preciso um curso universitário para se ser um bom primeiro-ministro. O exagero compreende-se mas não se aceita e temo pelas consequências: como se pode explicar às "novas gerações" que não há necessidade de estudar? Um título académico não é uma página da "Caras"."
Francisco José Viegas "A boa e a mávida académica" no Jornal de Notícias

A educação de um teórico e revolucionário: Lenine 1

Sobre o que eu queria escrever não consigo escrever. Assim vou dissertar sobre o livro que comecei a ler. A biografia de Lenine de Robert Service publicada pela Europa-América em 2004.

O que mais relevo nesta biografia é a preocupação do autor pela educação de Lenine, sobretudo com os livros que Lenine leu e que possam de certa forma explicar as opções ideológicas e as atitudes do revolucionário que procurou criar e justificar a existência de um estado de um só partido.

“Todavia, é notável que o livro mais apreciado por Vladimir {Lenine] descrevesse não a Rússia mas os EUA. Isso ia de encontro ao desejo dos seus pais de se manterem, e aos seus filhos, afastados de discussões perigosas sobre a vida pública russa. Se assim era, eram um pouco ingénuos. A Cabana do Pai Tomás continha ideias de significado universal; o seu estilo sentimental comunica ideias de dignidade humana universal. Quando tentamos pesquisar as origens da visão política de Vladimir, deparamos frequentemente com as suas leituras no final da adolescência e no início da idade adulta. Concentramo-nos em Tchernichevski, Marx, Plekhanov e Kautsky. Mas devemos lembrar-nos que, antes desses autores russos e alemães marcarem a sua consciência, uma mulher americana – Harriet Beecher Stowe – tinha já influenciado a sua jovem mente.” p. 74


Ao longo da biografia iremos ver que Service tem a preocupação de contextualizar as decisões de Lenine no quadro de influências teóricas das leituras que escolheu, ou para si foram escolhidas, e formaram as suas ideias. Esta é a pergunta que devia ser feita a qualquer estadista ou a qualquer aspirante ao cargo: Quais foram os livros que leu? Os que verdadeiramente leu, e não aqueles que os seus assessores de imagem gostaria de dizer que você leu?
Senão sob a forma de uma pergunta, então sob a forma de uma pesquisa jornalística. Quais foram os autores/livros que condicionam o comportamento dos candidatos?
Pensar-se-á talvez que a indicação de uma licenciatura obtida determinará por si o tipo de formação que cada um terá recebido. Mas não é uma informação suficiente. A leitura não releva, nem revela, só o percurso público estatuído num programa liceal ou universitário, mas também dá conta do circulo do privado com que cada um vai formando as suas explicações sobre os fenómenso ou descobrindo as palavras que melhor descrevem a sua realidade. Dai a importância deste biografia de Robert Service ao sublinhar o papel das leituras na formação da pessoa Lenine.
Há quem se sinta muito satisfeito por não se proceder à exumação dos restos mortais de D. Afonso Henriques para efeitos de uma investigação académica. Não percebo em que é que o imobilismo institucional e o “não se deixa mexer em nada” contribuem para aumentar o respeito pelo nosso primeiro estadista. O que é perturbante será sempre a ignorância e o desconhecimento que contribuem para o obscurantismo acerca da figura. A investigação científica rigorosamente orientada só poderia contribuir com mais informação, logo, mais reconhecimento pela admirada figura secular que tutela a nossa identidade nacional. São estes trejeitos de clausura da informação que asfixiam a existência.

quinta-feira, abril 05, 2007

A arte de fazer a paz

Irão
"A diplomacia funcionou. Inaceitável! Inconcebível! Inadmissível!
(...) E, acima de tudo, os belicistas de um lado têm os belicistas do outro, que tudo farão para que desilusões destas não se voltem a repetir.
Para os restantes, contudo, foi um bom dia neste planeta. (...)"

Rui Tavares, "Inconcebível! Inaceitável" no Público

Iraque
"Estávamos em 2003, o país inteiro era a favor da guerra, os media eram a favor da guerra. Lembro-me de chegar a Bagdad e haver, finalmente,combates a sério. Eles [os americanos] mataram civis e havia muita gente morta, fotografei tudo isso. Três dias depois, a estátua [de Saddam] veio abaixo. Eu mandei umas 70 fotografias para a Times, o que é bastante, os editores disseram-me: "não vamos usar as tuas fotografias esta semana". Queriam fotografias de crianças com flores à volta dos soldados. "Tens alguma coisa assim?" E eu respondi: "Nem sequer vi nada assim!"
Christopher Morris, fotojornlista de Guerra em entrevista ao Público.

quarta-feira, abril 04, 2007

ríctus de poder 3

"(...) Researchers led by the psychologist Dacher Keltner took groups of three ordinary volunteers and randomly put one of them in charge. Each trio had a half-hour to work through a boring social survey. Then a researcher came in and left a plateful of precisely five cookies. Care to guess which volunteer typically grabbed an extra cookie? The volunteer who had randomly been assigned the power role was also more likely to eat it with his mouth open, spew crumbs on partners and get cookie detritus on his face and on the table. (...)"

Por Richard Conniff, autor do The Natural History of the Rich. New Iork Times


Pois, a experiência também já nos tinha feito perceber este impulso, mas... é necessariamente assim? Indubitavelmente? Triste imagem. Será sempre verdadeira?

economia a crescer e democracia anestesiada

Li no La Tribune.fr que Angola, Mauritânia e Moçambique representaram em 2006 os três países com o maior crescimento económico do continente africano. O estudo é da ONU. Regozijei-me com o facto.
Também sublinho o interesse da iniciativa, democrática, espera-se, que reuniu em seminário um conjunto alargado de pensadores que discutiram sobre os objectivos gerais para a sociedade angolana: Agenda do Consenso. Mas não consigo deixar de pensar nos outros números de Angola (a taxa de mortalidade infantil, o número de crianças órfãs ou abandonadas nas ruas, os estropiados pelas minas, o de refugiados sem tecto ou terra, a separação abissal entre os mais ricos e os mais pobres, a corrupção, o abuso de poder, o autoritarismo representado por um estado personalizadamente forte e socialmente fraco).

Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiências

O Jornal de Notícias publicou na segunda-feira a notícia da assinatura da convenção internacional sobre os direitos das pessoas deficientes por um número de oitenta e um países e da União Europeia. Não sei como me esqueci de que queria dar destaque aqui a esta informação. Preocupada com o púcaro esqueço o cântaro.

terça-feira, abril 03, 2007

localização de países europeus - jogo

Um colega enviou-me um jogo muito giro sobre os países europeus (dão-nos um país e temos que o "arrastar" para a posição correcta no mapa). Como queria pôr o link aqui e não era possível fazê-lo a partir do e-mail, fui ver se encontrava a ligação na internet e aí descobri esta página com jogos (Aprender a Europa) também interessantes mas não tanto quanto este outro que tem vários níveis. Eu, no nível três, que era o que me foi enviado por defeito, acertei 35 em 46 vezes, num tempo de 513 ss. Uma lástima. Mas uma lástima divertida. Jogos de geografia mundial num site verdadeiramente fantástico.

Artº 2 nº 4 da Carta ou o tempo das decisões sábias para a Inglaterra. E difíceis para o mundo.

"(...) For all the hard words coming out of Jerusalem, it seems as difficult for Israel as for the United States to find credible military means of stopping the Iranians. A veteran British strategist, by no means a soft touch, said to me with a sigh this week, “It looks as though we must accept that however painful are the consequences of living with a nuclear-armed Iran, this is preferable to the consequences of trying to stop such an outcome by force, and failing.”
In the eyes of many Americans, such words represent characteristic European pusillanimity, indeed appeasement. But some of us suggested when the 2003 Iraq invasion was launched that it could result in a drastic diminution of the West’s ability to address graver threats from Iran and North Korea. So it has proved.
We must keep talking to the Iranians, offering carrots even when these are contemptuously tossed into the gutter, because there is no credible alternative. Even threats of economic sanctions must be considered cautiously. Their most likely consequence would be to feed Iranian paranoia, to strengthen the hand of Tehran’s extremists. A state of declared Western encirclement could suit President Ahmadinejad very well indeed.
No sensible Westerner, committed to the pursuit of international harmony, could welcome any of this. Iran represents a menace to the security of us all, not to mention what it must be like to live under that reprehensible regime. But, in the wake of the Iraq catastrophe, never has the overwhelming military power of the United States seemed less relevant to confronting a large, relatively rich nation that enjoys considerable grassroots support in the Islamic world for its defiance of the West.
No matter how it ends, the seizure of the British sailors is likely to be viewed by most of the world as an Iranian victory. Thus it is unlikely to be Iran’s last affront to us. It is not the American way, but only patience, statesmanship and a refusal to respond in kind to outrageous behavior offer a chance of eventually persuading this dangerous nation to join a rational universe."
Max Hastings, "Iran, The vicious victim" no "The New Iork Times".
is the author, most recently, of Warriors: Portraits From the Battlefield.

sensibilidade democrática 3

As atitudes e os pensamentos herdam-se ou é possível criar tudo de novo?

segunda-feira, abril 02, 2007

sensibilidade democrática 2

Onde assenta a autoridade de quem critica os actos dos governantes? Em pressupostos teóricos-políticos da cultura anglo-saxónica? Nas formação educacional familiar? Nos valores tradicionais portugueses? Quais? Para além do código legal, que delimita a esfera dos comportamentos legais, que outra esfera regula os comportamentos, ajudando a formar governantes/funcionários atentos e comprometidos profissionalmente com a causa pública?

Para além do comportamento individual que se manifesta no discurso público, onde nasce a autoridade daquilo que é dito ou feito? 1. Na legitimidade conferida pelo reconhecimento dos pares? 2. No elevado(?)número dos que lêem, ouvem, divulgam ou citam o crítico? 3. Em pressupostos éticos abstractos? Em modelos de educação e de comportamento reconhecidos tradicionalmente como garantias de equilíbrio e de boa formação para o serviço público (em que escolas, com que programas)?

cinismo/realismo

Li hoje uma frase que me deixou em suspenso, num contexto onde se explica que a legitimidade da acção política (seja a que nasce da adequação a um princípio abstracto, seja a que nasce do consentimento público) é como uma forma eficiente, e cínica, de explicar o monopólio da força e da violência por parte de um Estado:”The person over whom power is exercited is not usually as important as other power-olders.”
Foi Arthur Stinchcombe quem a escreveu, retirada do seu livro Constructing Social Theories, p. 150.