domingo, abril 22, 2007
Esperança/Desprendimento
quarta-feira, abril 18, 2007
Discussão política fora da paróquia: ou como se faz análise em campanha e em França
Por Jean-Etienne de Linarès, Jean-Marie Fardeau e Sharon Courtoux
LIBERATION.FR : 9 de abril de 2007.
A procura de sentido dos vivos e o sentido das opiniões fáceis sobre tudo e mais alguma coisa
terça-feira, abril 17, 2007
três notícias três
A educação de um revolucionário: Lenine 4
“(…) a tentativa de conquistar o poder tal como foi preparada pela exortação de Tkachëv e realizada por meios de um terror “terrífico”, verdadeiramente terrífico, foi magnifica.”
N. Lenine, O que fazer?, 1901. (p 191).
Não parece haver algo de comum entre este pensamento do fim do século XIX e algumas teorias/acções do terrorismo islâmico?
Mas será a via do terrorismo tal como inicialmente o propuseram os socialistas-agrários russos, a via de acesso ao terrorismo dos extremistas hoje? Para Lenine era essa a tradição reconhecida como o meio mais efectivo de criar um estado revolucionário marxista. E para os líderes radicais religiosos? Não pode ser esta a porta de entrada para a fundamentação da sua acção. Demasiado conotada com um pensamento ateu, como era o marxista, para servir de exemplo. Qual será então o fundamento teórico?
Bom, Lenine depois de ler muito sobre ordens políticas passíveis de transformarem a sociedade através de uma revolução, de ler muitos livros de economia, muitos de direito e bastantes de filosofia, preocupou-se com o que havia finalmente a fazer. E publica um texto cujo título retirou de um romance de Tchernichevski, no qual avança com os postulados que deveriam conduzir à criação de um partido político marxista.
“E assim foi Que fazer? Que colocou Vladimir Ulianov perante atenção dos marxistas do Império Russo. Assinara o opúsculo como N. Lenine e foi como Lenine que quase toda a gente passou a conhecê-lo desde então.” p. 189
Solidão - apontamentos
Odete Santos saiu do parlamento ao fim de 26 anos como deputada do Partido Comunista. É normal. Talvez não o seja simbolicamente. Mas isso… O que mais me tocou foi vê-la, pouco tempo antes de fazer o seu discurso na Assembleia, a percorrer o parlamento acompanhada por uma equipa de reportagem da Sic Notícias. Tão absolutamente só. Não sei o que esperava. Na realidade, as pessoas que com ela se cruzavam eram simpáticas quanto baste, mas com aquele ar de simpatia que as pessoas dão ao demonstrarem estar muito ocupadas em pensar ou fazer outras coisas mais importantes. Todos sabemos como é. Uma simpatia do tipo: Eu estou aqui mas devia estar ali, e na realidade a minha cabeça até já lá está. “Olá, olá. Adeus, adeus.” Um beijinho, uma palmadinha nas costas, um relance para a câmara, um sorriso amarelo e toca a andar. Vinte e seis de anos de vida parlamentar intensa.
Levou consigo as palavras de uma cartilha que não reconheço como razoável enquanto proposta de uma ordem política. Mas também levou uma vida sem contemplações dissimuladas e avarentas em nome do seu interesse económico próprio. Não a vemos sair para um grande escritório de advogados, ou para administradora de uma empresa privada ou particular. Saiu sozinha. Para a poesia, talvez para o teatro, confessou em entrevista a Maria Flor Pedroso na Antena 1.
“Mas é difícil viver nestas cidades portuguesas” – disse-nos António Barreto. Sobretudo se as tivermos a comparar com as sociedades mais imaginadas que reais que visitamos quando em trabalho ou em férias. Mas há uma verdade insofismável naquele tom cansado do sociólogo quando falava do urbanismo português nas últimas décadas. A de cidades em eterna construção e que no entanto têm sempre prédios decrépitos, feios, em bairros e ruas mal organizadas, de construção barata que iremos todos pagar bem caro, como nos avisou o arquitecto convidado neste terceiro programa, na hora em que chegarem as obras de recuperação dos edifícios, e também quando chegarem os programas de recuperação de algumas das vidas de adultos que cresceram em bairros sem espírito, beleza ou utilidade.
segunda-feira, abril 16, 2007
A educação de um revolucionário: Lenine 3
Também não é fácil. Há que decidir: Publique-se, mesmo que sejam palavras de ódio e de incentivo ao extermínio, que sofrerão da reprovação ou aceitação do soberano público, ou, não, não se publique a não ser o que sirva para educar um povo para a excelência da cidadania. Mas o que é isto? E quem o pode avaliar?
Gosto de livrarias que têm lado a lado autores que se opõem.
A polícia secreta do Czar Alexandre III, a Okhrana, vigiava os estudiosos marxistas. Deixava-os estabelecer os seus grupos de discussão de ideias sem interferir. Eram intelectuais que o Ministério do Interior não temia verdadeiramente. É verdade que não tinham facilidades de publicação em meios de grande circulação, mas podiam editar e fazer circular os seus textos. Tudo mais ou menos conforme, até ao dia em que se iniciaram as movimentações para realizar essas ideias discutidas durante meses, horas seguidas, analisadas e admiradas até à minúcia. Lenine era um intelectual de primeira água. Um estudioso rigoroso e profundo da teoria marxista. Preparou-se para agir. E pôs-se em movimento levando às costas as teorias de Plekhanov, Marx e Engels, Tkachëv e Nechaev. Fundamentou-se com uma teoria muito forte para fazer avançar uma ditadura. pp. 113-176. Ditadura que estava para breve.
Pensar nas pessoas de Darfur, no Sudão.
Support Divestment!
Ask your Senators to protect the rights of states to divest from companies that support the genocide in Darfur.
Click here to send your message now.
Have you heard of divestment? It's one of the key tactics that was successfully used to end apartheid in South Africa.
It refers to the act of withdrawing investments from companies that support the genocide in Darfur by doing business with the government of Sudan and offers a powerful way to put economic pressure on the Sudanese government to cooperate with international efforts to end the genocide.
The good news is that divestment is already taking place in the United States. Eight courageous states (California, Connecticut, Illinois, Iowa, Maine, New Jersey, Oregon, Vermont) have enacted divestment resolutions that will withdraw the states' pension funds from any companies doing business with Sudan.
The bad news is that the National Foreign Trade Council (NFTC) is trying to stop them! The NFTC recently successfully challenged Illinois's state divestment law in court, arguing that the state of Illinois was violating the Constitution by trying to conduct its own foreign policy in opposition to federal foreign policy.
Please help secure the rights of states to fight the genocide in Darfur by urging your Senators to support a new bill that would stop the NFTC's attacks. Click here to send a message to your Senators now.
This new bill, the Sudan Divestment Authorization Act, would make clear that state divestment is perfectly in line with U.S. foreign policy, thereby rendering the NFTC's argument moot, and protecting Illinois and other states from similar lawsuits. No state should be obligated to invest its citizens' retirement funds in genocide.
Please help make sure that your state has the right to fight the genocide in Darfur. Click here now to contact your Senators to urge them to support this new bill.
Once you've sent your message, please help us spread the word by forwarding this message to your friends, family and co-workers and ask them to join you.
Thank you again for your dedication to ending the violence in Darfur.
Best regards,
David Rubenstein
domingo, abril 15, 2007
Bagdade, Lisboa, Moscovo
Antes
sábado, abril 14, 2007
as imagens e a democracia por David Levi Strauss
sexta-feira, abril 13, 2007
Comunicação política
Uma das académicas que eu mais admiro na área da comunicação política, Kathleen H. Jamieson, publicou, em colaboração com Brooks Jackson, o livro un-Spun, finding facts in a world od disinformation}. Dizem os autores: "UnSpun is about how to recognize and avoid deception, not just in politics but in commercial advertising and life in general. In it, we tell you how to debunk the malarkey for yourself, and get down to facts. We think everybody should be a FactChecker.
-- Brooks Jackson & Kathleen Hall Jamieson" in FactChek.org
Não li o livro ainda, daí que não possa comentar a ambição, desmedida?, dos autores. Mas lá que me parece um tema fundamental na formação da identidade de cada um e de um povo democrático, parece-me.
"Iraque: porque falharam os media"?
Topics: Iraq media propaganda
Source: Salon.com, April 10, 2007
Pode ler-se em: Center for Media and Democracy
quinta-feira, abril 12, 2007
A seguir
uma entrevista
Se relativamente ao seu percurso académico as suas respostas me satisfizeram, já quanto à explicação da sua atitude para com os jornalistas (Telefonou? Não telefonou? Telefonou em que tom e porquê) não me convenceu nada. Tendo sobretudo em linha de conta os projectos governamentais nesta matéria e os argumentos aduzidos. Mas do facto de ele não me ter convencido da razoabilidade das suas acções não vem propriamente muito mal ao meu mundo, desde que haja jornalistas que não se deixem afectar por vozes de comando, nem leis que lhes cerceiem a liberdade.
quarta-feira, abril 11, 2007
Que pensamentos e que livros nos levam a que tipo de acções?
- "Porque a dita esquerda democrática" - respondeu-me - " só aparecia quando havia eleições. Depois desse período, já na clandestinidade, só os membros com mais coragem física, mais empenhamento ideológico, é que ousavam enfrentar a polícia e a autoridade reinante. E esses membros mais corajosos da sociedade que se oponha ao regime e proponham uma mudança pela revolução, ou eram comunistas ou pertenciam a grupos de extrema-esquerda. Grupos marxistas-leninistas ou anti-marxistas."
"Qual era era a fonte doutrinária? - Perguntei.
Reproduzo de memória a resposta: "Os intelectuais franceses para os socialistas e também, sobretudo, para os de extrema-esquerda. Da União Soviética para os comunistas, mediados pelo pensamento francês. Era de lá que nos chegava a literatura, os modelos de acção, as propostas ideológicas. Nota que toda a imprensa de divulgação ideológica em Portugal como o "Jornal do Fundão", "Seara Nova", "Vértice", "Comércio do Funchal" e o "Tempo e o Modo" é uma imprensa feita à imagem e semelhança do "Tel Quel"."
A educação de um revolucionário: Lenine 2
terça-feira, abril 10, 2007
A educação das crianças
But watch how this research is used by the "send-mothers-home brigade" and the Tories who want to cut back costs on under-fives. It is a reminder of how precarious still is women's progress, always obliged to defend small gains, from abortion laws to the right to work: it's painfully easy to terrify mothers about their children. Meanwhile the CBI resists longer maternity leave, the right to flexible working hours for all parents or raising the minimum wage, which mostly helps women. The 17% gap in women's pay keeps mothers poor, their traditional but vital caring jobs valued less than men's work just because traditionally low-paid women do it. And how has it come about that unbearably destructive pressures on girls to be beautiful are worse, not better, than 20 years ago?
Leading Seaman Turney is no doubt typical of the 10% of women who make up the armed forces, and she probably thought old battles about gender discrimination long won. But she will get a shocking reminder to the contrary when she reads what has been said about her. It will be a reminder that the women's revolution is still less than half-won."
Os educadores e a sua tutela
segunda-feira, abril 09, 2007
A educação dos governantes
A educação de um teórico e revolucionário: Lenine 1
O que mais relevo nesta biografia é a preocupação do autor pela educação de Lenine, sobretudo com os livros que Lenine leu e que possam de certa forma explicar as opções ideológicas e as atitudes do revolucionário que procurou criar e justificar a existência de um estado de um só partido.
“Todavia, é notável que o livro mais apreciado por Vladimir {Lenine] descrevesse não a Rússia mas os EUA. Isso ia de encontro ao desejo dos seus pais de se manterem, e aos seus filhos, afastados de discussões perigosas sobre a vida pública russa. Se assim era, eram um pouco ingénuos. A Cabana do Pai Tomás continha ideias de significado universal; o seu estilo sentimental comunica ideias de dignidade humana universal. Quando tentamos pesquisar as origens da visão política de Vladimir, deparamos frequentemente com as suas leituras no final da adolescência e no início da idade adulta. Concentramo-nos em Tchernichevski, Marx, Plekhanov e Kautsky. Mas devemos lembrar-nos que, antes desses autores russos e alemães marcarem a sua consciência, uma mulher americana – Harriet Beecher Stowe – tinha já influenciado a sua jovem mente.” p. 74
Ao longo da biografia iremos ver que Service tem a preocupação de contextualizar as decisões de Lenine no quadro de influências teóricas das leituras que escolheu, ou para si foram escolhidas, e formaram as suas ideias. Esta é a pergunta que devia ser feita a qualquer estadista ou a qualquer aspirante ao cargo: Quais foram os livros que leu? Os que verdadeiramente leu, e não aqueles que os seus assessores de imagem gostaria de dizer que você leu?
sábado, abril 07, 2007
quinta-feira, abril 05, 2007
A arte de fazer a paz
"A diplomacia funcionou. Inaceitável! Inconcebível! Inadmissível!
(...) E, acima de tudo, os belicistas de um lado têm os belicistas do outro, que tudo farão para que desilusões destas não se voltem a repetir.
Para os restantes, contudo, foi um bom dia neste planeta. (...)"
Rui Tavares, "Inconcebível! Inaceitável" no Público
Iraque
"Estávamos em 2003, o país inteiro era a favor da guerra, os media eram a favor da guerra. Lembro-me de chegar a Bagdad e haver, finalmente,combates a sério. Eles [os americanos] mataram civis e havia muita gente morta, fotografei tudo isso. Três dias depois, a estátua [de Saddam] veio abaixo. Eu mandei umas 70 fotografias para a Times, o que é bastante, os editores disseram-me: "não vamos usar as tuas fotografias esta semana". Queriam fotografias de crianças com flores à volta dos soldados. "Tens alguma coisa assim?" E eu respondi: "Nem sequer vi nada assim!"
Christopher Morris, fotojornlista de Guerra em entrevista ao Público.
quarta-feira, abril 04, 2007
ríctus de poder 3
Por Richard Conniff, autor do The Natural History of the Rich. New Iork Times
Pois, a experiência também já nos tinha feito perceber este impulso, mas... é necessariamente assim? Indubitavelmente? Triste imagem. Será sempre verdadeira?
economia a crescer e democracia anestesiada
Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiências
terça-feira, abril 03, 2007
localização de países europeus - jogo
Artº 2 nº 4 da Carta ou o tempo das decisões sábias para a Inglaterra. E difíceis para o mundo.
In the eyes of many Americans, such words represent characteristic European pusillanimity, indeed appeasement. But some of us suggested when the 2003 Iraq invasion was launched that it could result in a drastic diminution of the West’s ability to address graver threats from Iran and North Korea. So it has proved.
We must keep talking to the Iranians, offering carrots even when these are contemptuously tossed into the gutter, because there is no credible alternative. Even threats of economic sanctions must be considered cautiously. Their most likely consequence would be to feed Iranian paranoia, to strengthen the hand of Tehran’s extremists. A state of declared Western encirclement could suit President Ahmadinejad very well indeed.
No sensible Westerner, committed to the pursuit of international harmony, could welcome any of this. Iran represents a menace to the security of us all, not to mention what it must be like to live under that reprehensible regime. But, in the wake of the Iraq catastrophe, never has the overwhelming military power of the United States seemed less relevant to confronting a large, relatively rich nation that enjoys considerable grassroots support in the Islamic world for its defiance of the West.
Max Hastings, "Iran, The vicious victim" no "The New Iork Times".
sensibilidade democrática 3
segunda-feira, abril 02, 2007
sensibilidade democrática 2
Para além do comportamento individual que se manifesta no discurso público, onde nasce a autoridade daquilo que é dito ou feito? 1. Na legitimidade conferida pelo reconhecimento dos pares? 2. No elevado(?)número dos que lêem, ouvem, divulgam ou citam o crítico? 3. Em pressupostos éticos abstractos? Em modelos de educação e de comportamento reconhecidos tradicionalmente como garantias de equilíbrio e de boa formação para o serviço público (em que escolas, com que programas)?
cinismo/realismo
domingo, abril 01, 2007
sensibilidade democrática
Tomarei por base o artigo escrito de Vasco Pulido valente no "Público" de hoje e a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa na RTP1, também de hoje.
Quando não pelo riso e pelo evidenciar do caricato do tema ou da acção, técnicas utilizadas pelos humoristas, o que fica à disposição dos críticos das acções dos políticos são as figuras da ironia, do sarcasmo, da repreensão ou do elogio presentes numa exortação, do apontar algo ou alguém como exemplo, de alvitrar ou recusar um modelo de acção, de sugerir alternativas, de estimar propostas ou pessoas defendendo-as num quadro que se pretende defensável argumentativamente.
Vasco Pulido Valente utilizou o sarcasmo para falar na dita sensibilidade democrática dos nossos parlamentares que só acordam para as questões dos direitos públicos quando estão em causa os seus direitos privados, servindo, para o caso, o exemplo da proibição de fumar no parlamento que terá feito despertar os nossos representantes para a defesa da sua (que devia ser nossa) liberdade de usufruir de um direito que era o do Estado não interferir com legislações draconianas sobre assuntos que a ele não lhe devem dizer respeito.
Sarcasmo e ironia são, aliás, as figuras que estruturam na generalidade as críticas de Pulido Valente. É uma forma pedagógica que tem valor não só por si, o evidenciar do ridículo ao superlativar um pormenor ou ao enfatizar um comportamento que passaria inobservado como coisa inócua, mas também pela autoridade de quem o usa, que lhe dá um uma garantia de auditório que outro qualquer, utilizando essa figura de estilo por utilizar, não teria. O sarcasmo é geralmente percepcionado como um insulto, e é talvez das figuras que mais gera confusão pela incompreensão do próprio sentido. É a atitude de quem utiliza o seu discurso para aproximando-se do semelhante dele se diferenciar, radicalmente.
Marcelo Rebelo de Sousa, o professor, usa o discurso crítico como forma de evidenciar pessoas, ideias ou acções que avalia e apresenta como exemplos a seguir ou como modelos a evitar. É o pedagogo que julga e destaca, que utiliza a sua autoridade para avaliar. Exactamente como Pulido Valente, também Marcelo Rebelo de Sousa é escutado não pelo uso que faz do discurso nas figuras que escolhe utilizar, mas pelo que acrescenta à realidade nas descrições que faz dela. O que fez ele hoje quando se falou sobre o Presidente do Tribunal de Contas, e numa semana em que esta instituição foi responsável por um conjunto polémico de informação sobre o estado das contas públicas dos nossos digníssimos governantes? Reconheceu-lhe o mérito e a competência isenta, atitudes que ainda há pouco tempo eram postas em dúvida pelo coro da oposição. O que quer isto dizer? Que este é o critério através do qual as pessoas públicas se devem reger, caso contrário cá estará ele atento para arguir.
Fica por responder o seguinte: 1.Como é que estas pessoas ganham autoridade? Onde se fundamenta? No seu saber, na sua personalidade, na sua intuição e capacidade de predizer, em todas juntas? 2.Serão estas as formas comuns glosadas por todos os outros intérpretes da realidade portuguesa nos seus diferentes níveis e graus ou haverá outro espaço/forma de propor formas de vida? 3. Onde estão os pensadores portugueses com textos fundamentais sobre a democracia, sobre o estado de direito, sobre as atitudes cívicas, sobre os direitos fundamentais? 4. Quem legitima o que se diz em Portugal e a a partir do quê? 5. Quem diz, e porquê, o que é ou não possível fazer? 5. Quem define o que é sensibilidade democrática universal?
Tenho que continuar nisto amanhã...
sábado, março 31, 2007
subscrevo
quinta-feira, março 29, 2007
O jogo do sabichão e a ideologia nacionalista
O meu filho quis brincar com o jogo do "Sabichão" editado pela Majora, o mesmo com que o seu pai brincara quando menino pequeno. Eu lia-lhe as perguntas e depois ficávamos a ver o bonequinho rodopiando a encontrar a resposta certa. Um dos temas com perguntas e respostas para o Sabichão é o de Corografia de Portugal. E como é que se descrevia então Portugal nos fins dos anos sessenta, princípios de setenta? Vou listar as perguntas que então eram feitas:
1. Que província ultramarina temos na China?
2. Que província ultramarina temos na Oceânia?
3. Qual o ponto cardeal da Europa em que fica Portugal?
4. Que ponto cardeal nos fica à esquerda, se nos voltarmos a Sul?
5. O Douro fica ao norte ou ao sul do Tejo?
6. A Beira Alta fica ao norte ou ao sul do Douro?
7. A que província pertence o distrito de Portalegre?
8. A que província pertence o distrito do Porto?
9. Qual é o maior rio que nasce em Portugal?
10. Qual é o rio que desagua próximo de Setúbal?
11. Qual é a serra portuguesa que tem quase 2.000 m de altitude?
12. Qual é a maior serra do Algarve?
13. A que arquipélago pertence a ilha de S. Miguel?
14. A que arquipélago pertence a ilha de S. Nicolau?
15. Qual é maior: Angola ou Moçambique?
16. Qual é a província ultramarina portuguesa que fica na costa oriental da África?
Imagine-se uma criança a quem perguntavam se o Douro ficava a norte ou a sul do Tejo com a mesma naturalidade com que lhe perguntavam qual era a província que tínhamos na China, na Oceânia, ou na Costa oriental de África, e para quem era igual saber que Portugal tinha uma ilha de S. Miguel pertencente ao arquipélago dos Açores tanto quanto tinha uma ilha de São Nicolau a pertencer ao arquipélago de Cabo Verde. Esta naturalidade de se saber a viver no império, mesmo se preso pelo cano de uma arma, mesmo se sob uma prepotência, dá uma imagem do país e da pessoa (mesmo que seja como na história do sapo que incha para se parecer com o boi) absolutamente extraordinária. A interiorização da ideia de senhores de um império, de entender a radicalidade do nosso governante ao contrariar as directivas internacionais que nos pressionavam para descolonizarmos como um feito heróico, de todos compreendermos que nele estava concentrada uma ideia e uma acção para Portugal que mais ninguém protagonizou (e felizmente para Portugal, porque uma democracia caracteriza-se precisamente pela pulverização de projectos e de acções que se devem apresentar a plebiscito, relativizando as marcas do absolutismo), marcou, como era suposto que marcasse profundamente, o imaginário colectivo coevo. Um ditador não o é só pelas circunstâncias sociais e históricas, nem, sobretudo, permanece como ditador por demérito de um povo pouco lutador, é-o pelo mérito de saber impor a sua paixão sobre a dos outros, de fazer da sua paixão a paixão que os outros sentem sua. Quem é que pode, na democracia, cruzar espadas com Salazar? Quem tem para oferecer décadas de orientação ideológica sob a nação, numa travessa de porcelana azul-cobalto chinesa?
A imagem da travessa foi retirada do site do Centro cultural de Macau
quarta-feira, março 28, 2007
Ríctus de poder 2
“(…) Há tantos outros livros que falam da comédia, tantos outros ainda que contêm o elogio do riso. Porque é que este te incutia tanto pavor? p. 345,
- Porque era do Filósofo. Cada um dos livros daquele homem destruiu parte da sapiência que a cristandade tinha acumulado ao longo dos séculos. (…)
Mas se alguém, um dia agitando as palavras do Filósofo, e portanto falando como filósofo, levasse a arte do riso à condição de arma subtil, se à retórica da convicção se substituísse a retórica da irrisão, se à tópica da paciente e salvadora construção das imagens da redenção se substituísse a tópica da impaciente demolição e do desvirtuamento de todas as imagens mais santas e veneráveis…oh, nesse dia também tu e toda a tua sapiência, Guilherme, seríeis arrasados!
- Porquê? Bater-me-ia, a minha argúcia contra a argúcia alheia. Seria um mundo melhor que aquele em que o fogo em brasa de Bernardo Gui humilham o fogo e o ferro em brasa de Dulcino.”, p.347
Frei Guilherme, chamado à abadia para ajudar a deslindar o mistério da morte do monge Adelmo Otranto depressa compreende que este foi assassinado e inicia as suas investigações. Mais mortes se seguem à de Otranto até que Guilherme descobre o autor dos crimes e o móbil para os homicídios: a curiosidade dos monges pelo livro secretamente guardado pelo bibliotecário Jorge e ao qual nenhum ser humano devia ter acesso.
O ricto do homem do poder está na gravidade ou no riso?
É de um romance que se trata.
Mas esta questão de saber como se deve comportar o homem do poder é secular, tem, no ocidente, o tempo da filosofia ocidental, quando esta desvia a atenção da reflexão sobre as causas naturais da realidade física e começa a perguntar-se pelas causas da realidade social e política.
terça-feira, março 27, 2007
teatro
segunda-feira, março 26, 2007
Património português

Acabadinho de chegar aqui a casa o Portugal Património de Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo. Uma maravilha. Bato palmas. Melhor do que olhar o livro e ver as propostas só a imaginar-me com os meus, de carro, à procura delas. Com um livro pesadito a tiracolo. Eu sou a maluquinha cá em casa dos livros de viagens e a amante dos percursos. Então se houver alguém a botar discurso… Ainda hoje suspiro lamentando a minha pouca sorte por certo itinerário que o escritor Mário Cláudio fez no Porto e aonde eu não pude ir. Não há guiazito nenhum que proponha uma deambulação a que eu não dê troco e procure arrastar para aí os meus. Família sofre, maçada, mas às vezes damos connosco imersos na mais profunda beleza e isso, eu sei, porque sinto, perdoa-me.Nem de perto nem de longe tenho a alma de viajante de Gonçalo Cadilhe. Muito menos de perto. Mas ele escreveu há umas semanas sobre a sua viagem a Itália através dos olhos/obras do Imperador Adriano testemunhados por Marguerite Yourcenar e eu fiquei (ía para dizer extasiada, mas esse adjectivo guardo-o para os artigos de Bénard da Costa sobre a Itália) cativada. Para mim a Roma antiga é a Roma do imperador Adriano de Yourcenar. Nem sei onde começa a realidade e acaba a ficção. Para mim é tudo real. E se ele sabia de património. De identidade social também.
Ríctus de poder 1
Já a escolha do nosso Presidente da República em não convidar o ex. Presidente Mário Soares para a cerimónia de celebração dos 50 anos sobre o Tratado de Roma, tal qual ouvi nos noticiários, me pareceu do mais mesquinho ricto que Cavaco Silva teve como presidente. É este tipo de mediocridade nas acções e nas ideias dos nossos políticos que arrasta Portugal para a desonra. Pessoas muito mal-educadas, que se acotovelam para fazer ouvir os argumentos que não têm, que enchem o peito ao pensar na vingançazinha que hão-de fazer sofrer por penas imaginárias ou reais, e se acocoram à voz do dono, é que são uma lástima para Portugal. De um Presidente da República não esperava tal.
Li que o nosso Primeiro-ministro terá partido para “um exercício de humilhação” sobre o deputado socialista Ricardo Gonçalves por este se lhe opor frequentemente. Não conheço pessoalmente nenhum dos envolvidos, não estive presente, não testemunhei. Mas acredito na fonte do jornal Expresso (24-3-2007, p. 10). E este ricto de poder é frequente em todos os que se sentem imbuídos de uma ideia messiânica de si que não permite discussões, ou críticas ou reticências. Todos sabemos que uma democracia é o regime que mais trabalho dá aos seus governantes, porque estes ao mandarem têm que esclarecer, justificar e aguardar pela adesão. Não é fácil, deve ser frustante muitas das vezes, e deve dar uma grande vontade de passar a intitular-se um déspota iluminado, assim não há resistências nem oposições.
domingo, março 25, 2007
Nós na Europa política
Os holandeses registam-se como os mais interessados em política, seguidos da Suécia, Dinamarca, Alemanha e Itália (p.15 do relatório).
Presumo que enquanto houver políticos em Portugal que governam para o seu ego ou para o seu bolso, ou para o ego ou o bolso de alguém a quem devem favores, as pessoas continuarão insensibilizadas para a defesa dos direitos comuns e inconscientes do nível de exigências colectivas. Quem compreende por exemplo a medida do ministro da economia de mudar o nome da região Algarve para “Allgarve”? Os algarvios com quem eu falei estão varados com a notícia. Mas penso: - Se este assunto é deveras desorientador no que à adesão à ideia que as pessoas fazem da sua região, porque não se juntam e não protestam ruidosamente contra este artifício do poder central? Porque não exigem ao ministro uma linha de comboio decente entre Tunes e Lagos, que faria mais pela imagem do turismo na região do que todo o dinheiro gasto nos patéticos cartazes “Allgarvios”? Porque não se interessam mais pela política no sentido de intervir mais, de nela quererem participar?
Sermos portugueses ou espanhóis ou suecos ou italianos, não é tudo a mesma coisa? Vão lá para os hospitais, trabalhos, cidades, escolas e línguas deles. Nós por cá ficamos todos “allém” na Europa.
sexta-feira, março 23, 2007
A tradição da cultura portuguesa
"sangue e terra", a força da ideologia no árabe, uma linguagem sob sequestro, povos dominados
"Because of the political turmoil that has engulfed Lebanon since the assassination of former Prime Minister Rafik Hariri, the Lebanese have paid scant attention to the cultural ramifications of the Syrian withdrawal from their country. No sooner does one find occasion to ponder cultural issues, it seems, than Lebanon is beset by new political crises. Yet allowing politics to dominate all other aspects of life is unfortunate. That's because conditions in Lebanon are propitious for a cultural renaissance, particularly the rejuvenation of the much-abused Arabic language.
Indeed, not since its heyday in the swinging 1960s has Lebanon enjoyed the kind of cultural freedom afforded by the recent demise of Syrian tutelage. Aside from economic prosperity, pre-1975 Lebanon boasted vibrant experiments in Arabic literature. For example, the stylistically bold poetry popularized by Iraqis Badr Shakir al-Sayyab and Nazik al-Malaika exploded into free verse with the trailblazing journal Shi'r, edited by Yusuf al-Khal and Adonis. Given its distinctly non-Islamic themes, indebtedness to Western trends, and complete break with the conventions of classical Arabic poetry, Shi'r could only be published in Lebanon. Lebanon's Civil War ended that golden era, destroying the environment that nurtured an uninhibited and boundless Arabic.
In other Arab countries, however, the curtain had descended much earlier. With the advent of Arab nationalism in the decades following World War I, Arabic entered its "blood and soil" phase. Before long, a civilizational language was provincialized and forced to serve as mouthpiece for the perceived interests of a single ethnic group. Of course, the belief that art, literature, and even language itself should be subordinated to ideology figured prominently in other forms of nationalism in the Middle East. Antoun Saadeh, the founder of the Popular Syrian Party (now the Syrian Social Nationalist Party), insisted that in order for Arabic literature to be meaningful, it had to serve the cause of Syrian nationalism.
Yet it was the Arab nationalists who enjoyed political success. Their takeover of power in Egypt, Iraq, and Syria led to the institutionalization of the new creed. The faithful acolytes of Arab nationalist theorists such as Sati al-Husri, Michel Aflaq, and Zaki al-Arsuzi officially wedded Arabic to ethnic chauvinism, martial values, and the macabre exaltation of death. Generations of Arabs imbibed an Arabic that vilified Jews, not just Zionists; while in countries like Iraq, the word "Persian" became an insult. Crucially, dissenting views were denied publication, and thereby effectively banished from the language.
To complete the transmogrification of Arabic, the entirety of its vocabulary had to be conscripted into the service of ideology. A new bombastic form of Arabic developed, one unwittingly self-parodying, its grandiloquence mocking the expressive richness of the language.
Much of this was in evidence when Lebanon was a Syrian satrapy. How not, with the country governed by the Syrian Baath? In Syria, the Baath extirpated and - in true Arab nationalist fashion - "ethnicized" Arabic. In Lebanon, the corruption of language was more insidious, but left its mark nonetheless. This was apparent in discussions of Arab political causes, and in references to the heroic stoicism of Lebanon's "Syrian brothers" in defending the honor of "Sister Syria" and the entire "Arab nation."
That period has, fortunately, ended. Notwithstanding all its other challenges, Lebanon now faces the thorny issue of how to define its relationship with the Arab world, and indeed with Arabic itself. In the first half of the 20th century, a number of primarily Christian thinkers like Salamah Musa in Egypt and Anis Freiha and Said Akl in Lebanon argued for the standardization and transcription of the local vernacular. In Lebanon, such calls became increasingly political over time. The movement reached its zenith during the Lebanese Civil War, when several prominent Christian intellectuals called for Lebanon to dissociate itself completely and finally from the Arab world. Though such calls ended after Syria imposed its hegemony in 1990, today Lebanon is once again free to make its own decisions regarding its ties to the Arab hinterland.
In certain respects the fate of Arabic hangs in the balance. In the past few years two Israeli authors who chose to write in Arabic have died. The passing of novelist Samir Naqqash and memoirist Ishaq Bar-Moshe, both of Iraqi origin, marked the end of an era. Arabic has ceased to be the literary language of choice among Eastern Jews, its use now entirely confined to academic and intelligence work. With this loss in mind, how another Arabic-speaking community, such as the Lebanese, responds to the Arab world can profoundly affect what happens to the language.
Throughout the centuries, Christians and Jews ensured that Arabic was not simply a Muslim language. Non-religious writers of all faiths kept Arabic from being a purely devotional medium; and non-Arab Muslims secured for Arabic its status as the language of high culture in much of the Islamic world. These multifarious and often conflicting phenomena infused Arabic with a suppleness and vitality seldom found among liturgical or strictly ethnic tongues. After all, language is enriched by ideological diversity and debate; conversely, the monopolization of language by a single ideology inevitably leads to its desiccation. During those periods in which Arabic came to be identified exclusively with Islam or Arabs, the religious, ethnic, or ideological "other" always fared badly, and often cast about for an escape route.
Yet removing oneself from the equation means forfeiting the chance to effect change. Perhaps this was not adequately understood by Lebanon's Christian separatists, or else they considered Arabic - and the Arab world - beyond salvation. Today in Lebanon, there is no influential movement to sever ties with the Arab world. Yet the country appears oblivious to the fact that a golden opportunity has arisen for the rejuvenation of Arabic.
Paradoxically, only once Lebanon is free from coercive attempts to annex or control it will it be able to offer Arabs something of substance. At long last, that moment has arrived. There is a historic opportunity to make heard the voices of those Lebanese who espouse religious, cultural, and literary views that fly in the face of prevailing Arab orthodoxies. It remains to be seen whether the publishing industry and the media will take full advantage of the situation. Multi-sectarian, multi-lingual Lebanon, with its heady and contradictory mix of Western and Eastern influences, has always been perfectly suited to injecting Arabic with original as well as foreign themes, and shaking the language free of a single, overarching ideology. Indeed, this may be Lebanon's true calling.
Rayyan al-Shawaf is a freelance writer and reviewer based in Beirut. He wrote this commentary for THE DAILY STAR.
