quarta-feira, junho 13, 2007
Sistema de ensino 2
terça-feira, junho 12, 2007
As cigarras e as formigas 2

A aprendizagem do capitalismo por parte dos meus pais, capitalismo expresso num nível de pequenos burgueses saídos há pouco dos campos, capitalismo que lhes custou no pós 25 de Abril a ruptura na amizade com o meu muito marxista padrinho, fez-se em nome do lema que exemplifica as suas existências, "A necessidade aguda o engenho" ou tem outra origem cultural?
Entre a ideia de Pascal, de que qualquer actividade na terra não passa de vaidade e astúcia, a sua fundadora, a ideia de São Paulo que considerava que todo o ganho material que ultrapassasse as necessidades próprias e que para mais se fundamentasse na exploração de outrem devia ser considerado um sinal de ausência da graça divina, logo algo a rejeitar, e a ideia de origem calvinista, na linha do ascetismo secular protestante, de que o trabalho incessante e continuado era a forma de melhor louvar e dar exemplo vivo da sua crença em Deus, dá-se uma ruptura ética assinalável no que ao entendimento da sua acção profissional diz respeito.
Weber considera que é no ascetismo protestante que se encontra ao mesmo tempo a ideia de libertação do desejo de lucro, este deixa de ser algo negativo como objectivo, e a ideia de necessidade de limitar o consumo. Ora o capital passa a acumular-se através do espírito da poupança, e este capital pode, posteriormente, via a aplicar-se em investimentos (p.134).
"O poder da concepção da vida puritana favoreceu sempre, nas zonas onde chegou - e isto é bem mais importante que o simples incremento da acumulação de capital - a tendência para a conduta económica racional da burguesia. Foi o seu único suporte consequente e o principal, foi a ama-seca do Homo economicus moderno." (pp.134-135)
Mas estes traços não eliminam a contradição entre as formas de vida que assentam na força do trabalho e as que procuram viver de modo senhorial a partir da força do trabalho dos outros. Nem o respectivo ressentimento mútuo pelo inconformismo dessa, assim considerada, uma desordem social.
Sistema de ensino
Confesso que descuro frequentemente os programas do ensino básico, mesmo sendo mãe de um rapazinho que entrará para o próximo ano lectivo para o 1º ano do ensino oficial, mas apesar de tudo houve o cuidado em saber qual era o método de aprendizagem de leitura praticado e defendido no Externato do meu filho. Fiquei, descansadamente, a saber que a professora utilizava o método sintético ou método fonético como José Carrancudo o apresenta e defende, ele também. Sem conhecer muito dos sistemas, já tinha lido o suficiente para saber que este método (o mesmo que a minha geração seguira) era o que apresentava um saber prático mais consolidado na técnica da leitura.
Estes assuntos programáticos com exigências de novos métodos e novas propostas de educação são aquilo eu julgo serem assuntos do foro da prática de uma Ministra da Educação e de um governo que apoia a excelência no ensino e na aprendizagem. Mas como esta é uma ministra e um governo que submeteram a política às finanças, as ideias ao dinheiro e as práticas educativas às práticas laborais, então bem podemos reclamar. Ou, de forma pouco cívica, assegurar que na escola do nosso filho se escolhem as boas práticas, como se este não fosse um assunto nacional. O dinheiro continua a comprar a excelência, até no básico.
A seguir, e a anotar os argumentos sobre esta questão, aqui.
Alguns Ministros são gente "Chique, chique a valer"
Deixa, que estes, como os outros, hão-de ir-se embora.”
Mas eu digo-lhe que não. Que eles nunca se vão realmente embora, que estão sempre a amassar-nos com as suas faltas de ideias, com os seus discursos atravessados de nulidades, com a sua falta de perspectivas ideológicas, com o seu carácter mesquinho no trato com os subordinados, século após século.
Compreendo quando Mário Soares nos diz que preferia ter escrito Os Maias a ter sido Presidente da República. Isso deu uma discussão gira ontem no fim de uma reunião na Escola. Eu dizia que realmente entre ser um génio literário e um político de relativa excelência também não teria dúvidas. O Victor respondia-me: “Ele di-lo depois de ter experimentado, voltado a experimentar e querer experimentar uma vez mais ser Presidente. Assim até eu o dizia.” O José achou que era por causa do sentido cáustico com que Eça analisou a sociedade portuguesa e que Soares ele próprio não teve o engenho de desenvolver. Depois elencou as personagens inesquecíveis pelo sentido crítico, pelo desatado idealismo, pelo oportunismo político, e pela sebentice verborreica, nomeadamente o José da Ega, Tomás Alencar, o deputado Carvalhosa e o jornalista Melchior (entre outros, sendo que os dois primeiros pertencem ao universo ficcional do livro Os Maias e os segundos aos do A Capital). A Helena congeminava uma saída de Portugal em breve enquanto recordava, rindo-se, os feitos da educação portuguesa que continua a produzir Euzebiosinhos e Dâmasos Salcede a torto e a direito. Com a crítica às políticas educativas dos governos demos por terminada a reunião após a reunião, da qual lavrei a presente acta.
domingo, junho 10, 2007
As cigarras e as formigas
A Ana falou-me de D. João II e da substituição de elites. Os mesmos tons e modos para pessoas pensadas para serem diferentes. Uma aristocracia fascinada com a pose e com o traje.
Falou-me da burguesia dos Países Baixos para quem o dinheiro servia para investir antes de se pensar em comprar a ostentação de si e dos seus.
Elegância versus contenção, gasto versus poupança, aparência versus sustentabilidade financeira.
E no entanto... parece tanto uma luta entre a grandeza e a mesquinhez. De um lado e do outro das personagens desta história. Uma luta de formas de vida. Mesmo se uma pequena luta. E sobretudo pelo dinheiro, ou falta dele, que sustenta, ou devia sustentar, essas formas de vida. O ridículo é a moral da história. É uma moral real, mas nem por isso deixa de ser ridícula. Alarvidade, que constrange, quando se pode dizer-se: "Eu não te avisei..." Mas todas as formigas o podem dizer às cigarras. Terão sempre essa oportunidade. Claro que uma cigarra, se o for verdadeiramente, nem ouve. Os outros vivem para servi-la ou para a incomodar. Luta de irritações. Quem me dera que fosse de declínios ou ascensão de formas de vida, claramente, e não este, este, ressentimento mútuo.
sexta-feira, junho 08, 2007
Política e terror: Estaline 1
terça-feira, junho 05, 2007
The Nexus of Politics and Terror
A importância de manter os media e os cidadãos focalizados em sucessivos alertas sobre ataques terroristas, para fazer aprovar certas acções ou leis que normalmente não seriam aceites. A iminência de ataques que nunca se concretizaram ou dos quais não existem provas que sustentem a teoria de conspiração. A manutenção de um discurso que destacava as ameaças de grupos terroristas contra os USA sempre que era preciso desviar a atenção de outros acontecimentos/pessoas que afectavam o domínio discursivo da administração Bush. Foram factos/medidas que resultaram de meras coincidências?
Como nos diz o pivot há que respeitar as leis da lógica e evitar cair num pensamento que alimente a falácia lógica, pois só porque o acontecimento "a" ocorre e então o acontecimento "b" ocorre, isto não implica necessariamente que o acontecimento "a" foi a causa do acontecimento "b". É verdade. Mas há relevância na observação destas ocorrências. Eis a proposta deste trabalho.
segunda-feira, junho 04, 2007
Paz celestial
Mas a deliberação de querer esquecer o passado não equivale ao facto de esse passado não ter existido. Nem mesmo para o regime chinês.
domingo, junho 03, 2007
Dia 3 de Junho
Eu sorrio e levo pela mão essa criança poderosa,
(...)"
Herberto Helder, Poesia Toda, Assírio e Alvim, p.40
P.S. Pode ler-se o poema na íntegra aqui
"(...)
Essa criança que aperta as veias que iluminam
a minha garganta. Ela dorme. Escuta:
a sua vida estala como uma brasa, a sua vida
deslumbrante estala e aumenta.
Se um dia os archotes incendiarem essa boca, e as faúlhas cercarem
o silêncio tremendo dessa pequena boca, escuta:
a minha boca, lá em baixo, está coberta de fogo."
Herberto Helder, p.85
P.S. O poema pode ler-se na íntegra aqui.
Se houver eterno retorno eu quero retornar eternamente ao dia daquele e deste dia.
sexta-feira, junho 01, 2007
Como fomos amados em criança? Ou como pensamos que o fomos? 1
Assim, os Republicanos tomam para si a defesa do conceito de família segundo valores assentes numa moralidade estrita, segundo uma ordem moral assente na disciplina e no auto controlo orientado para assumir que a autoridade equivale ao poder, à legitimidade de governar, centralizada na figura dominadora do pai de família. Os Democratas tenderiam a adoptar a metáfora familiar como a de um parentesco protector, no qual o pai e a mãe interviriam em igualdade de importância como agentes para cuidar e ensinar os descendentes a confiarem, a cooperarem e a contribuírem para o progresso social da sua comunidade.
Ora, Lakoff sabe que todos nós somos enquadrados desde que nascemos por estes dois sistemas de valores, que cada um de nós identifica estas duas formas de moralidade sendo que estas muitas vezes coexistem no mesmo indivíduo. O que faz com que, segundo o autor, estes valores sejam imediatamente reconhecidos por todos os votantes, que permitem uma adesão emocional a pessoas cujas teses, ideologias ou posições nunca seriam aceites, se não fossem enquadradas por esses valores. Dá-nos como exemplo Ronald Reagan. Sabendo-se que a maior parte dos americanos era contra a suas posições políticas, não concordado com elas, mesmo assim continuava a votar no indivíduo que se apresentava como o defensor dos valores de família nos quais quase todos os americanos se reconheciam, ou gostavam de se reconhecer. E será nesta moldura valorativa que se condicionam os comportamentos. Rapidamente os Conservadores o aprenderam e aperceberam-se da necessidade de divulgar essas ideias (só Think Tank conservadores há 48, diz o autor), numa alargada e profunda operação intelectual a favor da ideia de governo assente na iniciativa privada por oposição à ideia de governar procurando o bem-comum, a promoção da ideia de que as empresas privadas são melhores a fazerem o mesmo trabalho do que qualquer sector do Estado.
Se as pessoas compreenderem a realidade segundo uma ou outra das perspectivas morais, segundo as duas mesmo, frequente e paradoxalmente, é certo que para Lakoff teremos uma maior compreensão do que elas estão honestamente dispostas a escolher e a decidir.
Alguns acórdãos sobre direito familiar em Portugal, o tom e o modo de cesarzito de província usado por alguns governantes, a desresponsabilização perante o nosso papel de fiscalizadores do processo democrático, a lassidão no que à exigência e ao rigor no serviço ao público que os elegeu diz respeito, tudo isto corresponde a que tipo de valores familiares que enquadra a nossa acção?
Como entendemos nós que fomos amados em crianças e como entendemos nós que devemos amar as nossas crianças? Tendemos para o modelo do pai severo ou da família cooperativa?
quinta-feira, maio 31, 2007
As instituições e o doce poder da compaixão
quarta-feira, maio 30, 2007
Aliados da América precisam-se. Objectivo: Darfur
"Dear President Bush,
Though it was long delayed, your May 29th announcement of implementing Plan B sanctions was an encouraging step for the people of Darfur. As you recognized, however, this package of unilateral U.S. sanctions will not be enough to change Khartoum's behavior if it is not matched by a robust package of equally tough multilateral sanctions.
I therefore urge you to make the adoption of matching international sanctions a top priority, beginning with strong U.S. leadership at the UN Security Council.
With Secretary Rice, your administration should redouble diplomatic efforts to take full advantage of any room for progress that these sanctions may create. In addition, the administration should engage U.S. allies to ensure the passage of a UN Security Council resolution that includes:
- Tough sanctions against a full list of individuals complicit in the genocide; - An expansion of the Darfur arms embargo to include the Sudanese regime in Khartoum; - The authorization of a no-fly zone over Darfur, with specific enforcement mechanisms; and - International economic sanctions mirroring those just announced by the United States. Thank you for your continued concern for this genocide and your commitment to act to end it."
terça-feira, maio 29, 2007
Ditadura versus revolução
"-Olha o que eu ando a ler" - deu-me para as mãos um livro de Paul Mercier, Nachtzug nach Lissabon (O comboio da noite para Lisboa)
Não conhecia Paul Mercier. Não conheço o livro.
la despedida rctv
Buenas Noches, Venezuela.
Hasta siempre Democracia.
Gracias A.
Um abraço de Portugal.
segunda-feira, maio 28, 2007
ensarilhada
Um dia fiz de cicerone a um filósofo americano que estudava e se interessava pelo conceito de acrasia. Bom, não sei se exausto pelas entradas e saídas de museus, de monumentos, ruas e vistas, ou se exausto pelas milhentas perguntas com que o bombardeei sobre o seu trabalho, ao fim do dia comecei a senti-lo inquieto. Pensei: “O homem já não deve poder mais com uma pergunta sequer e ainda fica com uma depressão qualquer, o melhor é ir deixá-lo ao hotel.” Alvitrei isso mesmo. “Que não – respondeu-me - Que estava bem, que…” Compreendi. Rumei ao casino do Estoril e expliquei-lhe tudo o que sabia sobre transportes para Lisboa e sobre as regras do “jogo”. Era para aí que tendia a sua vontade.
Na altura não deixei que nenhum sinal de ironia assomasse ao meu olhar. Nem hoje
sexta-feira, maio 25, 2007
“Tolerância Zero” para a problemática do tráfico de seres humanos. Só peca por não ter vindo mais cedo.
"Em Novembro de 2000, a Convenção contra a Criminalidade Organizada Transnacional e o
Protocolo Adicional Relativo à Prevenção, à Repressão e à Punição do Tráfico de Pessoas, em
especial de Mulheres e Crianças, das Nações Unidas, (aprovada por Portugal pela Resolução
nº32/2004 da Assembleia da República e ratificada pelo Decreto do Presidente da República
nº19/2004, de 2 de Abril) surge como o primeiro documento internacional com uma definição
clara de tráfico para fins de exploração. Desde então diversas organizações internacionais têm
trilhado novos horizontes no que diz respeito a uma abordagem mais integrada e eficaz no
combate a esta problemática.
Mais recentemente, o Plano de Acção da União Europeia sobre boas práticas, normas e
procedimentos para combate e prevenção do tráfico de seres humanos, adoptado em Dezembro
de 2005, (JO C 311 de 9.12.2005), apresenta uma tabela de áreas/acções a serem regularmente
revistas e actualizadas.
No contexto nacional, é importante referenciar as Grandes Opções do Plano – 2005-2009 - Principais
linhas de acção e áreas em 2005-2006 – em que é contemplado, na vertente específica do tráfico de
mulheres para fins de exploração sexual, para além de uma maior conhecimento sobre o
fenómeno do tráfico, a implementação de áreas de protecção e apoio às vítimas, bem como a
penalização dos/as prevaricadores.
4 – INVESTIGAR CRIMINALMENTE E REPRIMIR
Medidas
Investigar Criminalmente
1. Criação e implementação de um guia de registo uniformizado a ser aplicado pelas forças e serviços de segurança para as situações do tráfico de seres humanos MJ / MAI / PCM (ACIDI)
serviços domésticos e implementar mecanismos de cooperação entre a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica e as forças e os serviços de segurança MJ / MAI / MEI(ASAE) /MTSS
26
formação para as forças de segurança e profissionais da lei"
quinta-feira, maio 24, 2007
Djibouti ... e eu aqui tão ...
Fiquei a saber dos atentados no Líbano e, mais uma vez, no Iraque. Fiquei a saber dos bombardeamentos em território palestiniano, mas do Djibouti não sabia nada de nada.
quarta-feira, maio 23, 2007
sublimada democracia
Geralmente sento-me a ver televisão e não escolho nada.
A falta de confiança
Espiral de desconfiança que afecta cada um de nós e não convoca melhores práticas futuras.
A desconfiança não me parece capaz de promover por si uma melhor fiscalização sobre o trabalho e uma melhor reportagem de factos, promove um maior encerramento sobre si e uma maior agressivadade comunicacional dos envolvidos.
Ainda se fosse possível vislumbrar melhoria nos procedimentos. Ainda que não caíssemos numa eterna repetição do mesmo erro. Ainda que as instituições se reformulassem.
terça-feira, maio 22, 2007
Os macacos de imitação ou o registo da história
A filosofia e a religião, enfim, a história destes saberes e destas experiências de interpretação das realidades humanas, procuram encontrar uma resposta. Parecem slides de uma apresentação em data show. Há uma ligação entre os slides, claro, deve haver para que a apresentação tenha sentido, e ao mesmo tempo não há nem pode haver, porque são slides distintos que se sucedem num certo tempo a uma dada velocidade. As teorias, as respostas, seguem-se, acumulam-se em camadas geológicas, e às vezes confundem-se. O que há de mim, e dos outros no ser dos outros, é de uma natureza igual ou diferente? O que veio de fora e me suporta a mim agora é mais, menos ou igual ao que eu tenho de mim como sendo o mais perto de mim? Conheço-me melhor através do método de análise racional ou através do meu registo de memórias, ou através da sensação que descrevo? Mas eu só tenho uma linguagem para o dizer, faça eu o que fizer. O que siginifica que essa linguagem pode reinventar uma memória, sobre ou infra valorizar uma sensação, confundir-me enfim.
Esta busca por um critério de verdade que não me mostre só a mim mas que mostre a possibilidade de algo em mim ser comum a todos os outros é fundamental na acção pública ou é acessório? Se responder que somos diferentes, radicalmente distintos, e o que há que fazer para nos pôr em comum é procurar chegar a um acordo, que nunca é definitivo, que a todo o momento pode ser questionado e quebrado, o que nos espera senão uma existência consciente de que tudo não passam de perspectivas, e que tudo está em mudança, e que a todo o momento só se alcançam verdades provisórias? Há nesta fragilidade da verdade uma imensa liberdade, até para a liberdade de defender o mal. É uma democracia.
Se afirmar que somos radicalmente iguais, que as experiências limites, como as da morte, da dor, do êxtase ou a vontade de comunicar, nos universalizam, adormeço embalada pela ideia de uma comunhão que poderá provocar, pelo conforto de pertença a uma comunidade, a inacção ou a adesão acrítica a certos valores que podendo ser culturais se apresentem como válidos e não sujeitos a correcção, o que me submete a tudo para o legitimar, até a suportar o mal. É o primado de uma autoridade.
Certas pessoas passaram pela minha vida e a muitas esqueci-lhes o nome, até a existência, sem querer ou deixar de querer, acho eu, outras parecem-me existir como existentes na vida de alguém que me falou delas, como se de uma experiência em segunda pessoa se tratasse, outras, estão a meu lado, mesmo se fisicamente ausentes para sempre, e há ainda outras que vou descobrindo terem existido para mim mas aparecendo agora como se através dos livros que leram, pois falavam como se fossem personagens desses livros. Não era que citassem os autores, ou as personagens, não, diziam e assumiam aquelas ideias e palavras como se fossem elas próprias. Ou pelo menos eu assim o interpretei. Vá.
Por exemplo, uma das pessoas mais importantes na minha adolescência, uma amiga da minha idade, mas muito mais sábia que eu, costumava dizer-me: “Conheces as pessoas pela biblioteca que elas têm.” Eu brincava dizendo: “No meu caso então têm que ir ver a tua biblioteca primeiro”. Eu admirava-lhe a verve, a inteligência, a argúcia e o conhecimento. Um dia destes, estando a ler a biografia de Estaline de Simon S. Montefiore deparei-me com essa expressão que o autor atribui como sendo utilizada por Estaline.
Não é pela importância que eu devia saber que o marxismo estalinismo tinha na vida dessa amiga e que de todo não tinha na minha, o que de certa forma sempre me tornou uma espécie de excrescência intelectual na sua vida, uma anormalidade explicada pela amizade, talvez, mas sim por eu não saber como é que o saber se construía então, e como, por omissão, podemos não mentir mas também não dizer a verdade sobre nós. Como se de forma consciente, ou inconsciente, borboleteassemos à volta de ideias, sentimentos, gestos e palavras que de todo não nos pertencem mas que são mais nós que qualquer outro nós dito por nós. Tenho a certeza que também a frase não deve pertencer a Estaline, e que se encontrará na história outro percursor ilustre ou nem por isso que a deixou registada. Mas então onde ficará a originalidade na existência de cada um de nós, os que não somos génios, nem criadores exímios? O que eu digo, escrevo, prefiro, toco e vivo é meu porque me diz, porque o adoptei como meu, ou é de tanta gente que eu não passo de uma macaca imitadora? E se o for, tenho a obrigação de o saber e de o dizer (passaria a vida a abrir aspas) ou devo esquecer-me da história e apropriar-me em mim do que é dos outros fazendo-os eu?
segunda-feira, maio 21, 2007
Dever/prazer
domingo, maio 20, 2007
Percepções
Dizer mal de alguém ainda dá mais trabalho. O esforço que é necessário para não gostar de alguém extenua-me. Na vertigem da maledicência, que aprendi como quem aprende a fazer croché para passar um tempo e arranjar mais um quadrado para uma mortalha, rebenta-se de fel a minha alma. E tudo isto com a etiqueta de que é preciso não gostar muito para saber como gostar muito. Pois sim. Mas também, o gosto de quem gosta com indiferença é o quê? O gosto pela indiferença ou pela diferença indiferentemente? Nem quero saber.
quarta-feira, maio 16, 2007
Mulheres em política
Acção política
terça-feira, maio 15, 2007
A ONU e o Zimbabwe
Dua Khali. E onde estavas tu, Cristo, que não ali entre aquela multidão? Bastou só aquela vez com Maria Madalena?
A fotografia, pouco clara, mostra Dua deitada de lado, com o comprido cabelo espalhado pelo chão, os braços encolhidos junto do tronco. Está já, nessa fase do seu assassínio, com a roupa interior à mostra. Mas o que importa a falta de respeito pelo seu pudor quando Dua Khali está ali a ser assassinada pelos homens a quem pertencem aqueles pés junto dos quais ela se encontra já caída. São homens que lhe atiram pedras, uma a seguir à outra, as que que acharem precisas até ela expirar. A violação da sua existência vai-se repetir pela eternidade do tempo fotográfico, de um registo fotográfico, mas ao menos a sua fotografia fala em nome das muitas mulheres e meninas que morrem no mundo sem sequer terem direito ao registo e ao nome impresso, sem sequer poderem ser pranteadas por desconhecidas.
Dua Khali era uma menina de dezassete anos que namorou com o homem errado segundo os padrões da sua família. Sei que há outras mulheres a serem mortas no mundo por aquilo que os antropólogos gostam de chamar “formas de vida culturalmente alternativas”. Sei que me esqueço vezes demais disso mesmo, sentada que estou no meio deste meu pequeno círculo pequeno de existência. Esqueço-me tanto das mulheres por tão fascinada que estou com o conceito de pessoa. Por isso só posso afirmar que a minha convicção em valores universais não esmorece, e que é por isso que eu estudo ideias.
segunda-feira, maio 14, 2007
"O ministro TV Guia (II)" ou a história da Entidade para a Regulação Social
domingo, maio 13, 2007
"Quebrar a espinha", a prática do déspota.
O orgulho no trabalho de um quase, quase, licenciado
sábado, maio 12, 2007
Discursos assassinos
sexta-feira, maio 11, 2007
Preconceito e combate entre instituições que deviam orientar-se na mesma direcção: ajudar crianças em perigo
Já aqui escrevi sobre o facto dos protocolos de investigação criminal relativo a casos de crianças desaparecidas poderem e deverem ser questionados. Que muito se ganha com a colaboração de especialistas internacionais da matéria, que há no sistema legal alterações a fazer, e muitas, no que a casos relacionados com crianças diz respeito, mas emitir este tipo de suspeitas sobre os operacionais portugueses? Esta insinuação que atinge rasteira o sistema judicial português, quem ganha com isto? As crianças?
We can read that on Times:
Homayra Sellier said after Madeleine's disappearance last week that Portugal is a country in which “the corruption has gone so high that there's nothing we can do”.
“The fact that the girl (Madeleine) was kidnapped from her bed shows how bad things are.”
What?!! Where are the facts of what has been said? How can someone with responsibility declare something like that?
quinta-feira, maio 10, 2007
Por um Tibete livre e independente
Sim
Sim
...
O discurso, a acção e os cidadãos
quarta-feira, maio 09, 2007
Sete falácias ou incompreensões sobre a democracia por David Beetham
Democracy means majority rule
One size fits all democracies
Democracy equals a market economy
Democracy in one country
Democracy versus the courts
‘Demos’ versus ‘cosmos’
Democracy is whatever ‘democracies’ do
International IDEA Handbook on Democracy Assessment.
• To realise these principles in a modern society requires three main conditions: a framework of guaranteed citizen rights, a system of representative and accountable political institutions subject to electoral authorisation, and an active civil society (paras. 9-19).
• Since majority rule is not always or necessarily democratic, special institutional provision
may have to be made for protecting the basic rights of minorities, and ensuring them a due
share in political and public office (paras. 22-27).
• Although democracy has historically been associated with a market economy, the free market
has significant negative consequences for human rights and democracy, which government
action is needed to mitigate (paras. 28-31).
• Since such action can be readily frustrated by the policies of international bodies and
transnational corporations, the former need to be made more representative and accountable,
and consideration be given to making the latter subject to human rights and environmental
standards and regulation (paras. 32-35).
• Independent enforcement of human rights by the courts against a democratically elected
government is not undemocratic, especially where these rights have been endorsed by
popular referendum as well as by the legislature (paras. 36-39).
• Dealing with threats to democracy without compromising human rights or democratic processes is one of the most difficult challenges facing democracies today (paras. 40-41).
• Although democracy requires an agreed ‘demos’ or people enjoying exclusive rights of citizenship, the standards against which its rights and institutions are to be judged have become increasingly internationalised (paras. 42-47).
• Democracy is not an all-or-nothing affair, but a matter of degree, and any country’s
institutions and practices can be assessed to discover the extent to which democratic
principles are realised within them (paras. 48-49).
• Because democracies in practice involve a compromise between popular forces and existing powers, the process of democratisation is never complete (paras. 50-51)."
segunda-feira, maio 07, 2007
A educação de um revolucionário: Lenine 6

2. Outro ponto negativo, nesta excelente biografia, é a tese da indiferença de Lenine para com o destino da família real russa (assassinada sob o seu governo), mas também para com algumas classes consideradas burguesas (industriais, bancários, agricultores ricos, religiosos, mas também médicos, professores, intelectuais, etc.), como sendo um pressuposto não só teórico e preconizado na literatura marxista (que defendia a luta de classes como um momento necessário na conquista da sociedade comunista), o que está certo do ponto de vista da análise, mas também como resultado de uma certa vingança pessoal contra a família do Czar (que condenara à morte o seu irmão) e contra as classes dos indivíduos que na sociedade de Simbisk ostracizaram a sua família após esse trágico acontecimento. Parece-me difícil comprovar esta tese sem que Lenine o tenha reconhecido ou disso deixado provas.
...
Julgo que o facto de haver uma teoria, que se tornou uma crença para Lenine, que defendia a possibilidade de se realizar na terra uma sociedade perfeita de convívio social e económico entre os homens, mesmo que isso implicasse a destruição da ordem presente por um mundo novo após uma luta de classes e sem se deter em questões de moralismos políticos, foi a pedra de toque de todas as suas acções, coadjuvadas com as circunstâncias históricas. Ele era um teórico, aplicou a sua teoria à realidade, mas também se adaptou a ela quando precisou de criar a sua polícia secreta, a Tcheka, para perseguir dissidentes, ou quando inverteu as resoluções teóricas do marxismo económico com a criação do seu plano de uma "Nova Política Económica" quando percebeu que não só os camponeses mas toda a sociedade estava a ponto de se rebelar, pondo em causa o próprio processo revolucionário.
domingo, maio 06, 2007
Teoria e prática

Não sei quantas vezes é preciso os erros acumularem-se para alguém mudar as práticas e os protocolos. Quanto mais tempo? Bom, parece que com o desaparecimento da pequena Madeleine, por pressão da comunicação social, ou por lúcido entendimento das chefias policiais, a absurda regra das 48 horas foi quebrada. Por bem, espero que crie um precedente na prática criminal e se torne uma teoria que equilibre tudo o que é excessivamente forjado num sentido de planeamento alheado da realidade, com uma pronta resposta institucional que contudo não pode ser a do tempo emocional. Como encontrar o equilíbrio? No trabalho quotidianos de profissionais, responsabilizados.
Reprodução de um poster de Escher "Other World".
sexta-feira, maio 04, 2007
ASTRÓNOMOS DESCOBREM O PRIMEIRO PLANETA HABITÁVEL

Quem serão os primeiros a deixar o planeta?
quinta-feira, maio 03, 2007
O jogo democrático é um combate de ideias: os franceses no seu meio.
Le jeu démocratique est un combat d’idées. Le débat d’hier soir était à la hauteur d’une démocratie. Aux Français désormais de choisir."
• Anna Karla •
Exorcismos contra periódicos versus Liberdade de Imprensa

"3 MAIO – Dia Mundial da Liberdade de Imprensa Exorcismos contra Periódicos e outros Malefícios, assim se intitulava o libelo que o Padre José Agostinho de Macedo escreveu em 1821 visando os jornais que proliferavam pelo país. Criados como os cogumelos depois da Revolução de 1820, os jornais eram vistos pelo autor como uma praga, cujo dano era comparável ao que “o Pulgão causa ás vinhas do alto, e do baixo Douro, e de toda a parte”. Para assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a 3 de Maio, a Hemeroteca Digital coloca em linha esta raridade bibliográfica, criando uma nova secção, com o mesmo título, destinada à difusão de obras pouco conhecidas, de difícil acesso, mesmo nas bibliotecas, e há muito caídas em domínio público. O paradoxo da edição desta obra na Internet no dia em que se assinala a liberdade de imprensa é aparente pois o que estes Exorcismos traduzem mais não é do que a importância que os jornais sempre tiveram na formação de uma opinião pública crítica e informada e no debate de ideias. Uma leitura incontornável. "

