quinta-feira, setembro 13, 2007

Dalai Lama e o perecível

Um dia todos os governos hão-de mudar. O governo português há-de mudar. O governo chinês há-de mudar. E um dia há-de mudar até o regime político chinês. O Dalai Lama há-de ficar. O Tibete há-de ficar. As formas perecíveis têm toda a força do presente, mas o presente não é todo o tempo da vida, nem encerra nele a compreensão de todas as razões de um Estado. Daí o sorriso deste Dalai Lama, julgo.

terça-feira, setembro 11, 2007

as datas

Um dia vamos ter que largar a efeméride do 11 de Setembro de 2001. Não porque essa data não seja reconhecível na história da barbárie universal, mas porque ficarmos agarrada a ela nos vai levar de volta a um tempo civilizacional anacrónico, de más decisões políticas, de falsas explicações e de produção de deficiente informação jornalística que enquadrou as atitudes de uma administração, e tudo isso a partir de razões baseadas no desejo de acreditar e de defender uma ideia de pátria entendida como superior e única, quando não passou da defesa de uma parcela da ideia que de pátria se pode ter entre outras.

Um dia vamos ter que largar o dia 11 de Setembro de 2001 porque crescer implica olhar o dia 12 de Setembro. Há que evitar que o dia 11 mantenha como reféns do medo os cidadãos americanos e os do resto do mundo, reféns de uma ideia errada do estado da nação e dessa nação no mundo. O medo do que se passou no dia 11 de Setembro de 2001 já proporcionou muitas e questionáveis vitórias políticas e já determinou muitas e questionáveis decisões políticas. Cidadãos aterrorizados não são cidadãos livres de decidir. É como na vida pessoal. Um dia temos que deixar partir os nossos mortos e celebrar a vida como ela se nos apresenta no presente e pensando no melhor futuro para os que cá estão. E quem confunde esta atitude com o esquecimento é porque não sabe tudo.

E não me venham dizer que quem esquece a história está condenado a repeti-la no futuro, ou algo assim parecido. Estaline era um profundo e amantíssimo conhecedor da história da Rússia, e realmente, no entanto, de certa forma procurou ainda repeti-la. Procurou estar à altura dela quando ela lhe parecu maior, elevando-se em aparatos de violenta grandeza por uma ideia política e social que ombrearia com com outras ideias políticas passadas, à custa do próprio povo a quem essa ideia devia servir. Como no passado se fizera. Há que procurar procedimentos novos para realidades novas.

Madeleine é o seu nome 2

"Of course, the McCanns have many supporters. But some of us scribblers are well aware that there is also a large and punitive section of the public that has never liked the McCanns. They don’t like their looks, their class, their eloquence. And now the air is full of “I thought they were too good to be true”.
It’s all rubbish. There are always anomalies that can be exploited, sometimes for unconscious reasons. But Shakespeare wrote Hamlet, you can never stop misjudgments being made when tackling terrorists, and no one (bar the abductor or killer and perhaps the police) has the slightest notion what happened to Madeleine McCann. "

What links Shakespeare and the McCanns?
David Aaronovitch in Times on line

Comunicar factos e analisar factos é o que podemos pedir a um jornalismo sério e a uma investigação policial séria. O resto pode ser boa, ou muito má, literatura. Mas o jornalismo português fica prisioneiro dessa arcaica forma de comunicar que as estruturas judiciais em Portugal acumulam de um tempo de exacerbado controlo da palavra que só devia ser enunciada pelos executantes maiores do ritual, sem a deixarem cair em praça pública. Sempre foi uma ilusão essa espécie de círculo mágico onde se detém o poder de julgar, mas em tempos de liberdade de imprensa e de tempos onde o acesso e o interesse pela imprensa se generalizou exponencialmente, essa ilusão de controlo torna-se patética. Daí que para alimentar a sede de informação se comece a inventar. É inevitável, porque corresponde a um excesso de procura sem que haja a equilibrada oferta de qualidade. Perdemos todos com os maus processos de comunicação usados pelas instituições.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Universidade do Minho 1

Do Minho vem fresquinho o estouvado vinho verde, a boa comida que finaliza cheia de doces pesados de doce e de sabor, um património arquitectónico inolvidável e uma história de levar em ombros.

os espaços urbanos e as pessoas

Há cidades que merecem os cidadãos que nelas habitam. Há cidades onde eu me imagino estar com aqueles de quem gosto, ali, em casa. Tenho uma mão cheia de cidades dessas. Braga é uma delas.

Madeleine é o seu nome

A nós portugueses deve-nos interessar: 1. O destino de uma criança desaparecida qualquer que ela seja; 2. Os correctos e inquestionáveis procedimentos de investigação de crimes de rapto ou de assassínio nas primeiras horas do acontecimento; 3. A capacidade de uma investigação policial ser conduzida com rigor científico e com a justeza legal mas sem descurar a comunicação com os familiares da vítima e, simultaneamente, com a sociedade.
Se a procura por Madeleine ajudar a polícia portuguesa a melhorar as suas competências comunicacionais e forenses, e se a opinião pública mundial compreender que muita coisa há que mudar ao nível da distribuição e aplicação de meios policiais, científicos e jurídicos que ajudem a combater os crimes contra crianças, então o nome dela não terá sido proferido apenas para ajudar a vender especulação sob a forma de tragédia contemporânea.

quarta-feira, setembro 05, 2007

uma paixão civilizacional e uma opinião a discutir

"The (democratic) media and human rights

As it is, in recent years, the human rights dimension has become more pronounced
as a consideration by the media. The amount of coverage of human rights issues in
the media is likely to continue to rise. For similar reasons, too, there may be higher
expectations about the precision of that coverage, and the quality of that
transmission. Those expectations (e.g., separating systematically editorialising and
news-reporting, dealing with the velocity of coverage) are crucial because although it
is not necessarily more important than other forms of information, information on
human rights has specific characteristics. Similarly, since human rights information is
subject to constant struggles in the public sphere, the media stand at the centre of a
highly political process, which has to be understood in terms of a production cycle influenced by several actors (governments, NGOs, public relations firms, other media). Too, certain places have a more powerful influence on this process than others do. Influence tends to be concentrated in Northern capitals where powerful governments and influential media organisations are located
.

8. In this evolution, two issues stand out. The first concerns the nature and scope of
the media coverage of human rights, and the second its quality. Although journalists
have expanded coverage of human rights into new areas (e.g., coverage of the notion
of universal jurisdiction in the aftermath of the arrest of Augusto Pinochet) — a
positive development that ought to be noted — a large number of stories that are
about human rights remain underplayed by the media (for instance, the effects of the
economic embargo on Iraq continue to be covered most of the time as a political,
diplomatic or military story rather than a human rights one
). Moreover, it is difficult
to estimate whether the increase in coverage of human rights in conflict has been to
the detriment of coverage of human rights issues in less visible, slow or protracted
situations. Human rights are still taken largely to mean political and civil rights, and
1 This evolution seems to be slowing down since the September 11, 2001 attacks on the United States and their aftermath. For a full discussion of this issue, see International Council on Human Rights Policy, Human Rights, after September 11, Geneva: ICHRP, 2002.
6
economic, social and cultural rights remain absent from media coverage or
underreported
.
9. Secondly, how well the media cover, explicate and analyse the human rights
apparatus is less apparent. Data on human rights violations and issues are not
lacking, but the impact of this information on the public is not as great as human
rights activists expect. Consequently, the media miss human rights stories because
they do not pay proper attention to human rights per se and because of inadequate
understanding of the material they are covering. The media also miss the context of
human rights stories
. Hence, the professional value of the reporting is diminished by
these shortcomings."


THE MEDIA IN DEMOCRACIES: ROLE,
RESPONSIBILITIES AND HUMAN RIGHTS
ISSUES
Mohammad-Mahmoud Ould
Mohamedou

Uma paixão rural, chamou-lhe Ray Monk

Um dia Wittgenstein decidiu que queria ir para uma humilde aldeia nas montanhas austríacas dar aulas de instrução primária. Procurava a pureza de carácter e a bondade, dizia ele. Passado pouco tempo rebelava-se contra os seus pequenos, e, às suas mãos de pedagogo intransigente e rigoroso, sacrificados alunos, bem como se agoniava com os obnubilados progenitores, que não compreendiam realmente os elevados objectivos científicos do programa de Wittgenstein, e tanta aplicação e rigor nos métodos de ensino aplicados. Wittgenstein depreendeu que teria que escolher entre a bondade e a inteligência, e que a preferir esta última tinha que sair rapidamente daquela localidade.
Pelo que li sobre a sua vida, a inteligência ganhou o desafio, e Wittgenstein deixou a aldeia e foi para a Universidade de Cambridge. Alguns dos seus alunos, os escolhidos, no entanto, não vieram a ganhar tudo o que podiam com essa escolha do mestre que lhes dificultava a vida pessoal, profissional e académica a um grau difícil de suportar, quando não mesmo deprimente. Mas pelo menos eles tinham ainda um docente inteligente, com planos racionais, ainda que questionáveis, em filosofia ou sobre os palpites respeitantes à vida prática de cada um. Miserável mesmo seria se tivesem perdido ao mesmo tempo um docente inteligente e/ou bondoso.
Quem diz sobre este docente, di-lo de quaisquer outros docentes, e di-lo ainda sobre qualquer outro humano em qualquer outra actividade de relação com o público, como, por exemplo, sobre os governantes da educação. pp. 192 a 233.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Quando se negoceia o mal

O mal. Esconjurado com palavras. Et voilà! Um país que veio ao redil. Melhor para o mundo, claro. Mas apetece rir com a entrada e a saída do mal da linguagem política americana. É uma variante da esconjura feita com armas. Usa-se o dinheiro. O mal tratado com pragmatismo é sempre um mal dominável, pacífico, apesar dele mesmo.
Dir-se-á que a ameaça, a pressão, de utilização das armas está presente como subtítulo e daí o êxito da palavra negociada. Mas isso é esquecer as análises de todos os que sabem que a guerra dos Estados Unidos no Iraque é um castelo de cartas e que desteceu uma administração até à linha, e no entanto, apesar de se temer esse enfraquecimento... conseguiu ainda com a negociação o que as ameaças não tinham conseguido desde 1987.
Os homens velhos já não se sentem ameaçados pelo excesso de rapazes nos Estados Unidos e podem agora negociar a paz na Coreia do Norte? Vi esta alusão num episódio do Ossos numa dessas tardes de Verão e não resisto a replicar a ideia. É uma razão dita antropológica para o fenómeno da declaração de guerra. Não sei se é uma razão verdadeira, ou científica, mas que é curiosa, é. A propósito, não há série americana que não tenha uma ou outra referência à guerra no Iraque. Para os americanos esse conflito não é só uma questão de cenário político num mundo dito global, é sim uma experiência quotidiana de ansiedade pela segurança dos seus soldados e descrença pelas razões que os fazem estar lá. A ficção di-lo, ao facto propriamente dito.

Claro que à mesa a falar não estiveram só “o negociador norte-americano Christopoher Hill e o seu homólogo norte-coreano Kim Gye-kwan”, mas muitos outros cujo nome não aparecerá, ou só se saberá, por exemplo, aquando da biografia do presidente chinês Hu Jintao.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Dizer o que é 2

Já em política a legitimidade das acções e das palavras foi-se ganhando no recurso a possibilidades terrenas e humanamente concretizáveis de vivermos em conjunto, passíveis de serem avaliadas, sufragadas e vigiadas. Nessa esfera de acção humana toda a palavra é pública, toda a acção é de interesse geral. Ao legislador já não se pede que represente um modo de ser por regra de uma graça divina, mas que nos represente da melhor forma que as suas faculdades, e o nosso mandato, lhe possibilitarem.

Diz-nos Arendt: " É evidente que os factos não estão seguros nas mãos do poder. Mas o importante é que aqui o poder, pela sua própria natureza, não pode nunca produzir um substituto para a sólida estabilidade da realidade factual que, por ser passado, cresceu até a uma dimensão fora do nosso alcance. (...) Na sua obstinação, os factos são superiores ao poder; são menos passageiros que as formações do poder, que surgem quando os homens se reúnem com um objectivo, mas desaparecem quando esse objectivo é alcançado ou fracassa." pp.52-53

É pois a natureza transitória do poder político que nos faz sossegar na ideia de que a defesa de ideias ou de acções realizadas em nome do interesse público serão, inevitavelmente, fiscalizadas por um público. Poderá é não vir a ser o mesmo público, aquele que sofreu as consequências dessas políticas, o que deixará em aberto a questão do castigo ou da recompensa terrena, da justiça aplicada. A não ser que consideremos as páginas escritas da história como método de avaliação suficiente. Para os que sofreram às mãos dos maus políticos não pode ser suficiente, mas já deve trazer alguma inteligibilidade à realidade a hipótese de que os factos perduram sob o manto pesado da impunidade e do desvario de quem julga tudo poder sem a ninguém o dever.

quinta-feira, agosto 30, 2007

duração 2

Quando alguém morre, e a fazer-se uma exortação sobre essa personalidade, o discurso de apresentação/aclamação da vida de outrem transforma-se muitas vezes numa exortação da nossa vida passada com o morto, por convivência social ou cultural. É preciso um grande espírito analítico ou um distanciamento académico ou social para que o discurso sobre o morto seja sobre a sua vida ou obra, e não sobre a nossa vida e o modo como sentimos que o morto passou por nós então.
Quando choramos uma morte, e um morto geralmente leva a um choradinho, fazemo-lo também por ele, mas muito por nós na ausência dele, também por uma ideia dele e de nós, por alívio, por saudade, ou o que for. Mas há um choradinho por algo que passou e já não volta: a nossa própria vida passada que a morte dos outros nos faz carpir. E esta experiência não requer conhecimento profundo, analítico, da obra, ressalvado tão-somente que a pessoa viva fale sobre si no modo como o foi quando o morto ainda era vivo e passou por si. Mas não sendo complicado também não é assunto fácil. Daí que a presença excessiva do eu em artigos que foram escritos para serem sobre a morte do outro seja uma forma de homenagem não menos cuidada ainda que pouco lúcida. Há quem se irrite com isso, quem ache tudo uma pirosice de egos que não sabem sentir nem sabem escrever o que sentem, apropriadamente. Eu vejo um bom momento para lamentar, quase o único no universo das lamentações que não nos cobrirá de vacuidade, um momento próprio para fazer um choradinho sobre o tempo que fez, para falar do outro falando também de nós que lhe sobrevivemos e o contamos em voz alta. E não deixa de ser uma forma de homenagem, nem deixa de ser sincera, é o que é, uma viagem mais por aquilo que geralmente nos interessa mais e melhor: nós mesmos.

Eu leio Séneca frequentemente. E tanto ensinamento de desapego também arrelia. Mas não deixa de ser uma forma de nos ensinar a ser mais livres perante essa coisa de se morrer.

Um destes dias fui visitar as casas onde viveram os pastorinhos de Fátima. As origens humildes, em tudo conformes ao modo de vida de toda uma imensa maioria de população no Portugal pobre e rural do início do século XX, não me surpreenderam, ou mereceram reparo sociológico. Eram formas de vida que sei de cor de um tempo que foi também o modo de viver partilhado com os meus antepassados. Vi as casinhas de Francisco e Jacinta, os irmãozitos, e a de Lúcia. Não são as casas como espaços museológicos curiosos que poderão interessar a quem ali vai, ou não isso apenas, mas interessará sobretudo a forma que as manifestações do sagrado pode tomar, e como irrompe em tais espaços. Não o sagrado que é contado ou investido em nós por outrem em rituais de actualização da presença de uma crença em nós, como acontece com todos os cristãos, por exemplo, no acto do seu baptismo, ou no momento da comunhão, mas o sagrado que se manifesta pela primeira vez no contacto directo com a pessoa, em tudo muito novo, mesmo havendo contornos religiosos de uma história conhecida previamente e que contextualiza a aparição.

Sobre a crença dos pastorinhos eu creio profundamente que eles criam, e mais não sei dizer. Não sei mesmo. Aleivosia dos que não crendo julgam que não aconteceu nada que leve os outros à crença. Sobre a aparição da Nossa Senhora de Fátima o que se poderá dizer mais para além das três hipóteses: “creio”, “não creio”, ou “não sei em que crer?”. Dizer que essa aparição é uma invenção fantasiosa daquelas crianças? E como sabe-lo que o foi? Dizer que ela nunca existiu? E quem o pode comprovar?

Sei que há uma história das religiões, e que ser-se cristão, ou budista, ou muçulmano, não é todavia equivalente a ser-se socrático, ou kantiano ou apeliano, mesmo havendo também uma história das ideias. É certo que eu concebo publicamente melhor o que é ser-se, por exemplo, aristotélico, porque sei que tipo de conceitos, de método de análise, de conhecimentos, alguém terá que invocar para se afirmar filosoficamente de tal ou tal corrente do pensamento. Sei que argumentos evocar para defender esta tese. Mas ser-se cristão, vamos lá, não é ser só aquele que segue as palavras de Cristo, ou o que se dedica à exegese da sua vida e obra, porque senão deixaria de haver crença num estado ou numa figura que fala em nome de um tempo e de um espaço que não é o tempo da história e o espaço da geografia humana, e passaria a estudar-se a teologia como mais um ramo da reflexão em filosofia. Não pode ser só isso, ainda que eu ache que isso já é muito, como acho muito que se saiba tudo sobra a obre de um Hegel ou de um Platão, entre outros. Mas, se eu conhecer uma obra, conhecer as palavras de Cristo, vamos lá, não significa por si que eu creia em Cristo. A crença na sua pessoa é uma possibilidade, não somente a crença naquele indivíduo que nasceu em Belém numa determinada época tendo andado a pregar por toda a Galileia, com um discurso ético e social novo, com conceitos extraordinários sobre a forma de vivermos a nossa vida uns com os outros, e tendo morrido nas circunstâncias que toda a cultura ocidental conhece profundamente, mas a crença na absoluta possibilidade ontológica de existir tudo aquilo que ele nos diz sobre a existência de (um) Deus e de um tempo e de uma vida para além desta vida neste mundo.

Que isto interesse a muitos, compreendo, que alguém alardeie a sua descrença, também, que publicamente e de todas as formas possíveis os que acreditam queiram mostrar aos outros a sua crença, igualmente, só não compreendo porque razão a crença não deverá ser do mais íntimo e pessoal que cada um saberá e deixará caber dentro de si. Porque se crermos na imposição de uma crença religiosa, como se de uma ordem social for, estaremos a dizer que a religião não passará de uma manifestação cultural e sociológica entre outras, e que crer, ou não crer, em Deus, dependerá exclusivamente do tipo de socialização que fizemos, do tipo de cultura em que estivemos inseridos aquando do nosso desenvolvimento. Mas então estaríamos a dar razão aos críticos da religião que a vêem como uma forma de dominar outrem em nome de uma ilusão, integrando-o numa espécie de lei, de regime comportamental, aquietando-o numa estrutura já conhecida e aceite pela comunidade. Ora a mim parece-me que a religião é revolucionária neste aspecto: ao reclamar-se herdeira de uma manifestação do divino ocorrido num tempo passado, tem que se dizer automaticamente permeável à presença de novas aparições desse divino no futuro, porque essa é sua razão de ser. Que depois se queira limitar, classificar, autorizar as formas como esse divino possa ocorrer, é que já me parece de uma arrogância ilimitada. E…no entanto, de alguma forma, as religiões presentes terão que se proteger das falsas manifestações, das pseudo aparições para se preservarem como guardiãs da palavra. Porém, nesta forma ingénua de pensar, há algo que não poderemos deixar de dizer: a crer nos que crêem, as aparições não se fazem por ordem ou vontade de ninguém. E isso é da ordem de que tipo de análise? Psicanalítica? Filosófica? Política? Ou pessoal, imensamente pessoal? É pessoal. Como é que eu sei? Não sei. Mas sei que afirmar o contrário é restringir a liberdade individual. A liberdade de acontecer um milagre, ou liberdade de escolher as palavras que melhor dizem a pessoa, incusive as palavras que digam o que viveu como um milagre.

Há um poço, onde os pequenitos afirmaram ter aparecido o anjo, um caminho para o penedo para onde dizem ter aparecido também um anjo, e há uma toca onde as crianças brincaram. Tudo muito estimado e bonito. E se fosse só isto que há a dizer.

sábado, agosto 25, 2007

Duração

Num tempo em que a influência dos meus professores sobre as minhas opções culturais era mínima, havia dois cronistas que me tinham sob influência: Miguel Esteves Cardoso e Prado Coelho.
Lia então as crónicas que Prado Coelho escrevia de Paris e que tão bons livros e tantos outros bons autores me ajudaram a conhecer. Amei a Criada Zerlina porque ele me ensinou a fazê-lo, e vi a Eunice Munhoz no teatro Trindade a proferir as palavras que Prado Coelho me ensinou a ouvir. Gostei tanto de Peter Handke e do seu poema traduzido em francês por Poème à la durée, porque Prado Coelho mo ensinou e muito depois de Prado Coelho gostar dele e “me” mostrar como gostar desse conceito novo, o da duração. E é essa a ideia que eu tenho: a de um homem que fazia os outros gostarem do que ele descobria e gostava.
É assim, uma forma de lamento pela sua ausência numa escrita que permitia aprender.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Dizer o que é 1

Aquela minha grande amiga de adolescência, cuja frequência de amizade por lá ficou, contava-me histórias passadas no Oriente, predizendo a escritora, a viajante e a futura sinóloga. Hoje confundo-as a todas. Há aquela do rapazinho puxador de riquexó que leva uma bofetada de uma bela dama perfumada que transportara, o qual sente verdadeiramente como se um beijo dado na face fora, aquela outra de um monge que derrama o liquido da chávena de um visitante a quem serve o chá e que lhe perguntara como poderia vir a tornar-se num sábio, há ainda aquela história do monge que prende a cabeça sob a água de um tanque de um incauto discípulo que ousara indagar ao mestre sobre o significado da vida, e há aquela sobre uma pedra de âmbar que se obriga a manter fechada na mão do discípulo que procurou querer saber tudo sobre o âmbar.

Sobre o âmbar há também a referência àquele maravilhoso colar que uma certa personagem do Os Thibault usa. Ai, se não for de âmbar onde fica a verdade do facto da minha intensa memória desse momento na narração? A luz do âmbar. É. É a luz do âmbar de certeza. A escrita conversada é como as cerejas. E “as raparigas falam muito” diz o Peter Pan à Wendy. Pateta do Peter Pan que não percebe nada de raparigas para além do minuto em que deixa de estar a vê-las.

Gosto da imagem do chá derramado por um monge imperturbável, vejo-o a vertê-lo do bule para a chávena. Ai queres saber como ser sábio, queres? E essa taça cheia de liquido que nem mais uma gota contempla? Verte em demasia.

Ontem à noite, de passagem pela frente da televisão para outra divisória da sala, ouvi o comentador desportivo Rui Santos. Normalmente, em momentos de excepção (a contradição é assumida), fico deliciada a ouvi-lo falar sobre as táctica dos treinadores ou das equipas ou dos dirigentes e ontem, mais uma vez, ele explicava, como se aquelas palavras fossem completamente novas, para uma situação completamente nova, no seu jeito de quem leva o futebol muito a sério, o empate da nossa seleção frente à Arménia. Enfado, náusea mesmo. Fugi dali rapidamente. E no entanto Portugal nunca antes tinha disputado aquele jogo de futebol, aquele momento merecia tanto quanto antes outros o mereceram, sem reacção de asco da minha parte, atenção e análise. Mas há qualquer coisa de insuportável em ouvir falar sempre com o mesmo interesse sobre algo que desapaixonadamente vemos como uma situação sempre igual e da qual já nada consideramos ser possível dizer. Falei deste caso do futebol, podia ter falado de política.
A chávena está cheia e há a percepção nítida de que nada de muito importante, de revelador, tem espaço para se acomodar. E no entanto esta percepção só pode estar errada. Porque cada caso que acontece tem uma existência única, reclama por atenção, mas a saturação, esse estado de exclusão de si na vida ou nos discursos e acções dos outros, põe-nos à deriva, é certo, mas também nos dá uma certa serenidade, mascarando a indiferença ou o cansaço ou a falta de paciência. E sem esta, dizem-nos as histórias orientais, não há sabedoria que chegue nem bem que sempre dure.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Este povo português

"Os contemporâneos de Torga eram: Aquilino, Tomaz de Figueiredo, Jorge de Sena, Nemésio, Pessoa, Pascoaes, Miguéis, Almada, Raul Brandão, João de Araújo Correia, Ferreira de Castro, Régio, Casais Monteiro, Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca, Domingos Monteiro, José Gomes Ferreira, Armindo Rodrigues, Eugénio de Andrade, Sophia, Redol, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Irene Lisboa, Maria Judite de Carvalho, Abelaira, Mário Dionísio, Namora, José Cardoso Pires. Foram estes que, em diversos momentos, reafirmaram o perfil da pátria medular e cívica."

Baptista-Bastos, "TORGA: ESQUECIDO E PRESENTE" no DN

segunda-feira, julho 30, 2007

o universal e o particular. A teoria e a prática.

"Deves tratar deste modo um amigo, um concidadão, um companheiro." - Porquê? - "Porque é de justiça."
Ora todos estes casos particulares são-me proporcionados pelo estudo do que é a "justiça": através deste verei que a equidade é algo que, em si mesmo, devemos procurar, que não somos coagidos a ela pelo medo nem atraídos por prémios, e que não é justo quem, na prática desta virtude, tem outro objectivo para lá dela mesma. Se eu me tiver apercebido e embebido desta verdade, se eu já souber esta lição, para que me servirão os preceitos? Ministrar preceitos a quem já conhece a teoria é supérfluo, a quem ainda a ignora é insuficiente, porquanto não basta conhecer os preceitos, é necessário saber igualmente a respectiva razão de ser. Pergunto eu: os preceitos são necessários a quem possui uma opinião correcta sobre o bem e o mal, ou a quem não a possui? Quem a não possui nada beneficiará com os teus conselhos, já que tem os ouvidos atentos à opinião do vulgo, a qual é contrária à tua. Quem já possui uma noção correcta do que devemos evitar e procurar, esse sabe muito bem como há-de agir, mesmo que se lhe não diga nada. " (p. 482 do livro Cartas a Lucílio)
Assim argumentava Aríston.

Respondia-lhe Séneca, o filósofo das exortações e dos conselhos, mestre e conselheiro do imperador Nero, essa alma que acabou por escapar aos conselhos/preceitos do seu pedagogo.

"Eu admito que, por si só, os preceitos não sejam eficazes para corrigir as convicções falsas do nosso espírito; são todavia, úteis, desde que aliados a outros métodos. Por um lado avivam a memória; por outro, questões que, vistas na globalidade, podiam parecer confusas são entendidas com maior clareza quando encaradas separadamente. Se assim não fosse teríamos de considerar supérfluas as consolações e as exortações; ora nem umas nem outras são supérflua; logo, os conselhos também o não são." (p. 485)

segunda-feira, julho 23, 2007

A paixão por um líder 2

A adesão a uma ideia, a uma acção, a uma pessoa assenta em que tipo de crença numa necessidade, ou em que tipo de necessidade transformada depois em crença? Lakoff envereda pela explicação mais simbólica/psicológica que se desenvolve à volta da ideia de parentalidade que cada um de nós viveu ou aspira viver: a ideia de pai autoritário mas protector ou a ideia de família organizada para se apoiar entre si de forma solidária. E de certa forma parece que na história da sociedade estes dois modelos, e seus diferentes graus de existência, explicam a identificação a ideias ou pessoas que mudando no acessório (origem, aparência, linguagem) corresponderiam sempre a um determinado arquétipo presente na sociedade sobrevivendo nas diferentes mutações históricas como uma mesma identidade, logo reconhecível por todos mesmo quando se apresenta sob uma forma revolucionária: completamente outra pela transformação operada.
Mas esta explicação da identificação a algo ou alguém a partir do tipo de socialização que se faz deixa ficar onde a capacidade de racionalizar e de deliberar racionalmente sobre uma questão de forma autónoma?

sábado, julho 21, 2007

A paixão por um líder

Há uma certa paz na descrição, nesse acto que suspende o vício da complacência ou o ímpeto enfadonho e frequentemente mesquinho do contínuo ajuizar sobre o comportamento dos outros, mesmo com a explicação de que os outros são figuras públicas a precisarem de ser ajuizadas. Na descrição pode haver um despojamento emotivo que suaviza a personalidade. Descreve-se um último livro que se acabou de ler, ou o último filme visionado. Com o mínimo de adjectivos possíveis. Um bálsamo, uma qualquer discrição de um eu demasiadas vezes demasiado consciente de si, como se essa consciência dissesse a verdade da pessoa.
Terminada, finalmente, a leitura da biografia de Estaline. Na cabeça uma pergunta: Por que é que os potentados não mataram Estaline?
Na realidade, os companheiros/servidores de Estaline podiam tê-lo morto na última década da sua vida, eram assassinos experimentados, tinham oportunidade física, e sabiam que sobre a sua cabeça, e as das suas famílias e amigos, pendia a espada ou a sempre iminente exclusão do poder, porque não o fizeram então? A pergunta também é feita no excelente livro de Simon Sebag Montefiore, mas, único reparo que eu faço à obra, a resposta não me parece suficiente para descrever a pessoa de Estaline.
Escreve Montefiore na p. 620: ”Os quatro últimos homens de pé decidiram (Molotov, Mikoian, Khrushchev e Béria), segundo o filho de Béria, “não permitir que Estaline os atirasse uns contra os outros”. Por vezes, o Vozhd (Estaline) perguntava aos Quatro: “Estão a formar um bloco contra mim?” Num certo sentido estavam, mas nenhum deles, nem sequer Béria, tinha a força de vontade necessária. Mikoian discutiu provavelmente com Molotov, o assassínio de Estaline, mas, como mais tarde disse a Enver Hoxha: “Desistimos da ideia por recearmos que as pessoas do partido não compreendessem.”
Ora porque não iriam compreender as pessoas do partido? Montefiore não explica. Deduzo que este falta de explicação seja intencional nesta rigorosa biografia. Montefiore procura apresentar Estaline, como qualquer outra figura históricoa que cruzou o seu caminho, num plano estritamente descritivo da personalidade e das suas acções, e não quis entrar numa linha de investigação que iria embocar em explicações pouco racionais dos comportamentos que definiam os apoiantes de Estaline, com o intuito, talvez, de não contribuir para a mistificação/divinização da figura. Mas a verdade é que esta personagem histórica, como outras, puseram-se a si próprias num plano superior ao da humanidade (pelo intelecto, pela acção estratégica, mas também por carisma e capacidade psicológica de darem de si uma imagem de excelência e superioridade humana que, aliada a uma grande narrativa ideológica, transforma a pessoa histórica numa figura divinizada). Parece-me que o temor dos correligionários por Estaline era o terror de saberem que apesar das políticas, dos planos económicos centralizadores, das perseguições, do terror e da morte sofridos arbitrariamente por milhões de pessoas, ele era uma figura na qual se acreditava, a qual se seguia, a qual se respeitava. E esta contradição, quando se quer ser objectivo na análise, não é fácil de explicar, senão mesmo difícil de compreender racionalmente, porque remete para o campo das emoções, das adesões a crenças ou a pessoas que, diz a razão pública, serão sempre pouco recomendáveis de um ponto de vista do que se quer para líderes da acção pública. Mas se não houver um esforço para compreender a paixão por Estaline não se conseguirá compreender, por exemplo, a paixão por figuras deste tempo que, também elas, entram em rota de colisão com os valores racionais do processo electivo, cíclico, de gerir a vida pública. Paixões a prazo pelos líderes na vida democrática versus paixões derradeiras e intemporais. Ou a lição da história humana versus a crença numa ilusão de liderança intemporal.

terça-feira, julho 17, 2007

interesse público e desinteresse privado

Alguns analistas já tinham avisado: logo na noite das eleições vão-se contabilizar cabeças, vão-se sentir desafiados nos seus lugares os líderes e os candidatos. E eu esperava que não, que nessa noite ir-se-ia falar dos projectos que tinham, ou não, merecido a atenção e aprovação dos eleitores lisboetas. Que se ia enunciar propósitos, reiterar planos, sublinhar intenções, mudar perspectivas, enfim, discutir as ideias que deviam ter estado, ou sobre as que de alguma forma estiveram, em discussão e que depois se procurariam aplicar pelos ganhadores e fiscalizar pelos adversários com responsabilidades directas porque eleitos vereadores. Ilusão, pensei eu. Ou não, sei eu. Como se não se soubesse já. Como se de repente algo de extraordinário acontecesse. Mas o que havia de extraordinário a acontecer quando sabemos que o que não é expectável não é da ordem da normalidade democrática?

Depois também erro, historicamente, noutra forma de pensar que me caracteriza. E nisso concebo a teoria de Rorty a ajuizar-me. Se passo o tempo a pensar na real possibilidade de se conduzirem os assuntos públicos sob a forma de discussões conduzidas em comunidades racionais, ao limite pensadas como ideais, e que manifestam a existência de valores universais e incontornáveis na regulação da ordem social, esqueço-me do papel dos indivíduos, da diferença no papel desempenhado por diferentes indivíduos para o mesmo assunto. É nesta inquietante situação que nos encontramos como cidadãos. Por um lado quero a esfera dos princípios universais, na lei e em quaisquer outros procedimentos que formalizam as relações sociais em geral e as de poder em particular, por outro lado todas as páginas da história mostram que os mesmos procedimentos e os mesmos princípios podem ser experimentados e dados a experimentar de formas distintas. Não ajuda nada, se quisermos um critério “claro e distinto”. Ajudará muito se quisermos ser, ou soubermos ser, biógrafos, ou sábios experientes e bondosos que aceitam as contradições da existência, assim mesmo.

De certa forma contamos só com a nossa memória, para contextualizar o futuro, e, sobretudo, com os humores, para dar conta do presente. E estes podem ser manipulados, podem ser mistificados, podem ser racionalizados, podem ser orientados e educados, mas não nos permitem que lhes escapemos. O humor que faz ir da ovação à vaia em espaço de poucos meses, da adesão à repulsa, da simpatia à indiferença. Uma coisa idealmente despropositada, uma força descontrolada a gerir a existência. O acaso e a minha ignorância a prevalecer sobre os meus interesses públicos. Como escapar? Como querer escapar? A quem interessa, assim que acaba o acto de depositar o voto na urna? Porque me devia interessar?

sexta-feira, julho 13, 2007

El regreso del idiota

A Ayetsa enviou-me este excerto do texto de Mario Vargas Llosa publicado no jornal argentino La Nacion em 24-2-2007.

"Las mejores páginas de El regreso del idiota están dedicadas a deslindar las fronteras entre lo que los autores del libro llaman la "izquierda vegetariana", con la que casi simpatizan, y la "izquierda carnívora", a la que detestan.
Representan a la primera los socialistas chilenos -Ricardo Lagos y Michelle Bachelet-, el brasileño Lula da Silva, el uruguayo Tabaré Vázquez, el peruano Alan García y hasta parecería -¡quién lo hubiera dicho!- el nicaragüense Ortega, que ahora se abraza con, y comulga con frecuencia de manos de su viejo archienemigo, el cardenal Obando. Esta izquierda ya dejó de ser socialista en la práctica y es, en estos momentos, la más firme defensora del capitalismo -mercados libres y empresa privada- aunque sus líderes, en sus discursos, rindan todavía pleitesía a la vieja retórica y de la boca para afuera homenajeen a Fidel Castro y al comandante Chávez. Esta izquierda parece haber entendido que las viejas recetas del socialismo jurásico -dictadura política y economía estatizada- sólo podían seguir hundiendo a sus países en el atraso y la miseria. Y, felizmente, se han resignado a la democracia y al mercado. La "izquierda carnívora", en cambio, que, hace algunos años, parecía una antigualla en vías de extinción que no sobreviviría al más longevo dictador de la historia de América latina -Fidel Castro-, ha renacido de sus cenizas con el "idiota" estrella de este libro, el comandante Hugo Chávez, a quien, en un capítulo que no tiene desperdicio, los autores radiografían en su entorno privado y público con su desmesura y sus payasadas, su delirio mesiánico y su anacronismo , así como la astuta estrategia totalitaria que gobierna su política. Discípulo e instrumento suyo, el boliviano Evo Morales, representa, dentro de la "izquierda carnívora", la subespecie "indigenista", que, pretendiendo subvertir cinco siglos de racismo "blanco", predica un racismo quechua y aymara, idiotez que, aunque en países como Bolivia, Perú, Ecuador, Guatemala y México carezca por completo de solvencia conceptual, pues en todas esas sociedades el grueso de la población es ya mestiza y tanto los indios como los blancos "puros" son minorías, entre los "idiotas" europeos y norteamericanos, siempre sensibles a cualquier estereotipo relacionado con América latina, ha causado excitado furor. Aunque en la "izquierda carnívora", por ahora, sólo figuran, de manera inequívoca, tres trogloditas -Castro, Chávez y Morales- en El regreso del idiota se analiza con sutileza el caso del flamante presidente Correa, de Ecuador, grandilocuente tecnócrata, quien podría venir a engordar sus huestes. Los personajes inclasificables de esta nomenclatura son el presidente argentino, Kirchner, y su guapa esposa, la senadora Cristina Fernández (y acaso sucesora), maestros del camaleonismo político, pues pueden pasar de "vegetarianos" a "carnívoros" y viceversa en cuestión de días y a veces de horas, embrollando todos los esquemas racionales posibles (como ha hecho el peronismo a lo largo de su historia). Una novedad en El regreso del idiota sobre el libro anterior es que ahora el fenómeno de la idiotez no lo auscultan los autores sólo en América latina; también en Estados Unidos y en Europa, donde, como demuestran estas páginas con ejemplos que producen a veces carcajadas y a veces llanto, la idiotez ideológica tiene también robustas y epónimas encarnaciones."

Os idiotas regressam sempre. Os que acham que os outros são idiotas também. Pareceria que esta compensação equilibraria o mundo político, e, afinal, não.

quinta-feira, julho 12, 2007

Perguntas

Perguntava-me o Amadeu depois de termos ouvido o resultado das sondagens da RTP1 e da Antena 1: "Mas quem são as pessoas que vão votar em Carmona?"

Perguntava-me a minha prima Salomé: "Porque será que ninguém discutiu ainda nesta campanha o testemunho daquele jornalista que escreveu sobre a forte possibilidade de ter havido fraude nas eleições autárquicas de 2001?"

Perguntava eu: "Não devia aparecer os nomes dos candidatos à presidência de uma Câmara antes do nome dos partidos ou dos movimentos que os apoiam?"