sábado, dezembro 22, 2007
"o regresso da barbárie" 3
sexta-feira, dezembro 21, 2007
"o regresso da barbárie" 2
quinta-feira, dezembro 20, 2007
O tempo e a quantidade nos media
terça-feira, dezembro 18, 2007
A Guerra a partir da paz
Ouço e procuro equacionar o puzzle de razões que levaram à luta armada em Moçambique. E no entanto a sua necessidade, a sua inevitabilidade, esteve a um passo de ser negada, pois na imensa contradição dos meios a utilizar poder-se-ia ter avançado para as negociações e para a independência como um direito inquestionável dos povos colonizados.
É muito boa a ideia de legendar pela cartografia os discursos dos entrevistados sobre locais a que se referem e que hoje nós já quase não conhecemos de todo e que circunscrevem o espaço dessa intercessão da história de África com a de Portugal.
segunda-feira, dezembro 17, 2007
O nome da Birmânia e as coisas
A nossa tradução terá seguido critérios técnicos, e, ousemo-lo pensar, também critérios políticos. Na realidade pertencemos a um país que fazendo parte da União Europeia reconheceu a nova denominação política imposta pelo governo da Birmânia. Eu fico siderada com o “servicinho” feito à junta militar que governa em ditadura um país e que o controla até no nome que desejou outro e que a União Europeia, e até as Nações Unidas, Deus meu!, sancionaram. Não que os nomes tenham que permanecer imutáveis no tempo que por si tudo permite ou exige que se mude, mas ao menos que haja a regra de não aceitar as mudanças impostas por governos sem legitimidade política juntos dos povos que governam.
Há que ter pejo em não confundir os males do colonialismo com as arbitrariedades de um governo, só por estes serem de nacionais. E o mal de um nome imposto pela cultura ocupante não tem que necessariamente ser de uma natureza diversa do mal imposto por um governo usurpador do poder político. Pode até, historicamente, justificar-se e compreender-se melhor o primeiro dos males.
E esta questão dos nomes não é só uma “chinesice”, que também o é por mor da protecção da grande China ao governo despótico que controla a ordem social e política na Birmânia, pois como todos sabemos os nomes dizem mais da realidade do que ela própria o consegue fazer quando nos aparece bestial por inominável poder permanecer.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
E agora, senhores e senhoras, meninos e meninas, o tratado de Lisboa e os seus leões.
“A Isabel é uma panfletista” criticou-me o professor da cadeira de filosofia política há mais de uma década atrás. Pelo menos não me acusou de desonestidade intelectual. O que seria da maior gravidade. Criticou-me então o que ele entendia ser acentuado no meu trabalho de um carácter revelador de concessão à filosofia POP. Mesmo assim não gostei do remoque. Mas se este não se me tivesse colado de uma certa forma ou de outra, também já o teria esquecido. E eu não o esqueci.
Eu gosto de festas, faço esta declaração de princípio. Partilho daqueles clichés todos sobre os vestidos, os cheiros, a elegância, os risos, a música, a comida e a excitação do grupo. Gosto das luzes e das conversas, gosto de borboletear. Podem ser festas populares, onde o cheiro da sardinha assada nos deixa enjoados durante semanas e o excesso de sal nos ressaca o fígado, a música nos confrange até a espinal medula e somos empurrados de um lado para o outro, gosto das festas de crianças que guincham e se movem em cardume com as mãos cheias de coisas peganhosas de encontro a nós, gosto ainda das festas dadas por amigos discretos cheios de carinho e de bom gosto. Não gosto mesmo nada é de festas misturadas com rituais do poder político. E porquê? Primeiro porque me apetece logo perguntar quem é que paga aquilo tudo, é um vício de pequena burguesa que gosta de saber onde se aplicam os cêntimos, segundo porque quando os políticos em exercício de funções governativas se põem ao serviço do espectáculo cinematográfico ou televisivo, deixam de laborar naquilo que é próprio da política, o discurso, e passam a figurantes no negócio do entretenimento. Na política, e no exercício do poder político, o ritual a consagrar é o da oferta da palavra. É esta que tem ser ouvida, aceite ou recusada, homenageada ou apupada. Não são as cores, a música, as imagens iconográficas, porque este é o discurso de outra arte que não a da política..
Detestei a “festa” no Mosteiro dos Jerónimos sobre a assinatura do tratado de Lisboa. Claro que embasbaquei com o espectáculo de luz e som, mais por incredulidade, pois não gostei mesmo nada do que ali foi montado. Desviou-se a atenção da palavra, pois as populações europeias mal sabem o que ali foi assinado, e centrou-se no frenesim luz/som, à Hollywood.
Depois a emoção do nosso primeiro-ministro, toda epidérmica, porque a parecer não estar focalizada sobre o raciocínio manifesto sobre a importância do conteúdo do tratado na vida dos povos europeus, mas no facto de ter conseguido realizar mais este acto da assinatura (é certo sem as sinecuras do primeiro-ministro inglês, que tem poder na Europa para ser malcriado quanto quiser, o que também é muito benéfico para o famigerado "espírito" europeu).
O ritual da assinatura do Tratado de Lisboa não devia, com rigor e circunspecção, ter sido feito durante uma sessão do parlamento europeu à frente dos representantes do povo europeu?
Se este tipo de análise política se generalizasse o que não aconteceria ao discurso empolado dos nossos governantes e ao desleixo da oposição?
December 13, 2007
Richardson stands out for exaggerated and inaccurate claims.
Summary
In the final Democratic debate in Iowa, we found:
- Richardson claimed “enormous progress” in New Mexico education, when in fact the state's eighth-grade reading scores have slipped and remain among the worst in the U.S.
-Richardson exaggerated the extent to which his state's teacher salaries increased.
-Richardson said one-third of U.S. health care spending goes to “administration and bureaucracy,” but Medicare officials put the figure at 7.4 percent.
-Dodd said University of Iowa costs have gone up 141 percent in six or seven years; we find they rose 81 percent.
-Dodd criticized “the Chinese government” for slave labor, when in fact it just sentenced a slaver to death.
-Obama claimed Medicare would save “a trillion dollars” if fewer Americans were obese. We find little support for that figure.
Republicans Debate in Iowa
December 12, 2007
More exaggerations and misstatements in the final GOP debate before the Iowa caucuses.
Summary
In the Dec. 12 Republican presidential debate in Des Moines:
Arizona Sen. John McCain promised to make the U.S. “oil independent” within five years, a goal experts say can’t be achieved.
Former Massachusetts Gov. Mitt Romney claimed American students score in the bottom quarter among industrial nations, but they score about average in the most recent tests.
Romney also claimed that federal programs to prevent teen pregnancy are “obviously not working,” while in fact births are dramatically below what they were in 1991 despite a relatively small increase last year.
Former New York Mayor Rudy Giuliani said a big federal tax cut would produce “a major boost in revenues for the government,” a notion that nearly all economists say is a fantasy.
Former Gov. Mike Huckabee claimed he had the most impressive record on education of any GOP candidate, even though Arkansas children scored below the national average while those in Romney’s Massachusetts were No. 1.
Rep. Duncan Hunter claimed the cost of administering and complying with the federal income tax is $250 billion a year, far higher than the figure given by a recent presidential advisory commission.
Analysis
The 90-minute debate was sponsored by the Des Moines Register and televised nationally on CNN, Fox News Channel, MSNBC and C-SPAN3. It was the final debate among GOP candidates before the first-in-the-nation Iowa presidential nomination caucuses, which are scheduled for Jan. 3.We noted the following factual bloopers:
Move Over, Al GoreSen. John McCain of Arizona announced a lofty, and, according to experts on the subject, improbable goal of ending foreign oil imports in five years.
McCain: We have got to achieve energy independence, oil independence in this nation. I will make it a Manhattan Project, and we will in five years become oil independent.We can’t predict the future, so perhaps McCain can make this happen. But experts have serious doubts. “There’s just no way,” says Frank Verrastro, director of the Energy and National Security Program at the Center for Strategic and International Studies. “You can’t institute technological change that quickly,” he tells FactCheck.org, adding that the U.S. couldn’t ramp up alternative fuels that quickly. “It takes 15 years now to turn over the car fleet,” he says. Verrastro's organization and the National Petroleum Council issued a report this summer, commissioned by the secretary of energy, that found the U.S. could reduce its reliance on oil imports by a third by 2030 if it instituted various measures, such as increasing fuel efficiency, domestic sources of oil and non-petroleum fuels. Another study, partly funded by the Pentagon and published in 2004 by the Rocky Mountain Institute, a nonprofit that focuses on energy policy, said it would take until 2040 for the nation to be free of all oil imports, by primarily using new technologies and competition. The nonprofit Americans for Energy Independence vows to “use grass roots support to achieve our independence by the year 2025.” About 66 percent of the oil used in the U.S. in 2006 came from foreign imports, which amounted to 13.7 million barrels a day. Says Verrastro: “Getting rid of that in five years is a huge task.”
How Low Can You Go?Former Massachusetts Gov. Mitt Romney exaggerated the extent to which the U.S. lags behind other industrial nations in education. He said, "Our kids score in the bottom 10 or 25 percent in exams around the world among major industrial nations." That's not so. Actually, the U.S. ranked closer to the 50th percentile than the bottom quarter, according to the most recent rankings by the Programme for International Student Assessment (PISA), an internationally standardized study administered to15-year-old schoolchildren in 57 countries.Students in several nations were tested in 2006. In science, the U.S. ranked 29th out of 57, or at the 49th percentile. And in math, the U.S. ranked 35th out of 57, or at the 39th percentile. The U.S. was not ranked in reading for 2006 because of a testing misprint, but in the previous round of testing in 2003 U.S. students again landed near the middle, scoring 15th out of 29, or at the 48th percentile.A Romney campaign aide said the candidate was referring to a much earlier study in which the United States finished 19th out of 21 nations in math and 16th out of 21 nations in science. But that study, the Third International Math and Science Study (TIMSS) is from 1998.
Teen PregnancyRomney also said federal programs to combat teen pregnancy are "obviously not working real well." Actually, the teenage birth rate declined consistently from 1991 to 2005, dropping 45 percent for 15- to 17-year-olds, 26 percent for 18- to 19-year-olds and 34 percent for 15- to 19-year-olds. It's true that the most recent report shows the birth rates for these age groups increased in 2006, but the change was small: a 3 percent increase for 15- to 17-year-olds and for 15- to 19-year-olds, and a 4 percent increase for 18- to 19-year-olds. There was a 14 percent decrease for 10- to 14-year-olds. (Ler mais aqui)"
Voz familiar adverte-me: "Não te esqueças que nos Estados Unidos o serviço do FactCheck é lido por uma minoria." Pois será, mas existe o serviço, e os políticos sabem-no. É mais uma forma de aprenderem a respeitar a verdade.
terça-feira, dezembro 11, 2007
"Autenticidade de propósitos e de compromissos". Sim, pois é.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Direitos Humanos ou a responsabilidade de proteger

domingo, dezembro 09, 2007
A indiferença
Hoje resolvi ir analisar as primeiras capas dos principais jornais mundiais. E quantos são os que fazem uma grande chamada à primeira página da Cimeira EU-África? Nenhum dos que eu vi. E há apenas dois ou três com notícias relacionadas com a cimeira, como a que faz referência sobre a intervenção da senhora Merkel em defesa dos direitos humanos no Zimbabué, mas em pequena caixa. De resto, são as notícias sobre assuntos internos os que mais motivam os editores, ou as notícias internacionais mas que envolvam interesses directos das nações onde os jornais são publicados. De provincianismo estamos conversados, a não ser que o provincianismo português seja de qualidade diferente só porque não é falado em inglês ou francês.
E depois digam que só os nossos meios de informação são paroquiais.
Mas que o nosso primeiro-ministro fala da paróquia e para paroquianos como se estivesse a falar para o mundo, lá isso. Quem o ouvirá?
sábado, dezembro 08, 2007
O esquecimento
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Cimeira UE/África: Lisboa é quase, quase uma festa
É uma alegria ouvir falar não só dos problemas de África, mas de África política e económica e dos seus valores morais e culturais, das suas pessoas, das suas propostas e dos seus êxitos. De repente vejo e ouço analistas políticos que nunca tinha ouvido, jornalistas africanos que raramente têm espaço na nossa rede mediática. Discursos inteligentes sobre África. Gosto que me falem do êxito do Mali, do modelo político de Cabo Verde, da adaptação aos modelos culturais europeus e das ricas tradições orais africanas e a sua relação com o poder político, numa redescoberta de normas assentes na honra e na palavra. Gosto que procurem explicações novas para os seus problemas, ao invés da incontornável, mas já estafada, porque daí já nada se pode fazer a não ser reconhecer os erros graves do passado, desculpa com o colonialismo.
Aspectos negativos: todas as ONG os estão a realçar muito bem. Lisboa é por estes dias não só um desfile de vaidades de líderes corruptos, autoritários e antidemocráticos, mas também um espaço de encontro de boas vontades e de consciências. Lisboa seria uma festa não fora os muitos milhões que não podem sentar-se a uma mesa para festejarem connosco.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
quarta-feira, dezembro 05, 2007
"Padrões mínimos de vida, trabalho e tempos livres"
Bom, entre as obrigações familiares, o sono intermitente, e nas horas em que o sino electrónico lá do campanário da aldeia, que tanto atazanou os meus dias de descanso e que se mudara agora para dentro de mim, me deixava o cérebro em silêncio, lá consegui avançar mais umas páginas na biografia de Churchill. Espanto. Eu que ignorava quase tudo da vida do biografado, que não tinha tido até ao momento nenhuma afeição especial pela pessoa, e que historicamente não me era, como nenhuma outra figura política o é também, muito querida, entro no capítulo “O campo social”. Entro e espanto-me. O que até aí me parecia uma personalidade oportunista, excessivamente centrada no seu voluntarismo, ainda que inegavelmente trabalhadora, intuitiva e corajosa, revela-se uma personalidade determinada por uma ideia de justiça social completa e inovadora, numa tentativa de equilíbrio na procura de uma política entre a prática capitalista e a prática socialista.
Churchill revelou-se um político original. Não que não leia os académicos, e se prepare no sistema de ideias novo, até porque é-nos dito como ele se encontrou com o prof. William Beveridge que dedicava a sua vida ao estudo de reformas sociais (p.158), mas é original no sentido em que aproveita realmente os cargos políticos que ocupa para fazer mudar a realidade a partir de ideias de reforma social até então nunca testadas ou aplicadas. Leia-se: “O seu funcionário mais velho, Sir Edward Troup, recordou mais tarde:”Uma vez por semana, por vezes mais de uma vez por semana, o Sr. Churchill chegava ao Ministério trazendo com ele um projecto venturoso ou impossível; mas depois de meia hora de discussão tinha-se desenvolvido qualquer coisa que continuava a ser aventurosa, mas já não impossível.” (p.178)
E estou a fazer batota, porque ainda não respondi a uma questão que ficou em aberto num outro post lá para trás, sobre quem tinham sido os autores de influência ideológica do Churchill, e como é que a experiência da guerra o forma numa perspectiva nova sobre a sociedade. E também porque já tendo terminado a leitura do livro de Delpech, era deste livro que devia estar aqui a escrever. Está a marinar, digo eu como eufemismo para o acto de preguiça.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
E no entanto...eles movem-se.
A carta, assinada por escritores como Vaclav Havel, Wole Soyinka, Nadine Gordimer, John M. Coetzee e Günter Grass, critica os políticos dos dois continentes por não enfrentarem "duas das piores crises mundiais" na cúpula de chefes de Estado e de Governo que será realizada nos próximos dias 8 e 9 em Lisboa. (...)" Ler o resto aqui.
Pela democracia
E que a voz não lhe doa!
quinta-feira, novembro 29, 2007
Ainda sobre os líderes europeus...e a sua cobardia política.
O mundo dentro de uma carta
Ainda que os esclarecimentos não abundem e seja o Chade, que é contra o processo de adopção como processo de filiação, a ter levantado a hipótese, cada vez mais plausível, de rapto de crianças, a verdade é que a notícia como a que a ONG francesa protoganizou, a Arche de Zoé, deixa-nos num estado de torpor. Porque de uma boa intenção se consegue criar o caminho para o inferno: raptar crianças é acto de maldade. Daí que não sublinhemos as vezes que são necessárias a importância de programas como o da reidratação oral ou os da distribuição de Plumpy'nut às crianças famintas de África.
E façamos por confiar nos produtores e distribuidores desses produtos, evitando pensar: a quem é que este consumo elevado de produtos financiados pela UNICEF interessará além dos mais importantes e óbvios interessados que são as crianças? Não quero enveredar por aqui. Quero assinalar a importância dos programas em causa.
Também não quero enveredar pela questão de estarmos em 28 ou 29 na lista apresentada pelo relatório do Desenvolvimento Humano de 2007 (que li através do endereço disponibilizado online pelo jornal Público). Uma discussão bizantina se comparada com a discussão que a Europa, que vai realizar uma cimeira com África, deverá preparar para conseguir exigir resultados políticos e técnicos a si própria e aos seus interlocutores, no quadro da análise do relatório PNUD que aponta África como o continente onde o índice de desenvolvimento humano é baixíssimo. Não se pode ignorar o desgoverno de muitas lideranças africanas, nem a semi-indiferença de uma Europa boazinha mas com comportamentos pouco consistentes no que a uma política externa exigente com África diz respeito. Se têm má consciência colonizadora resolvam a questão, mas não ignorem as arbitrariedades de líderes corrompidos, e estejam sobretudo acima de si próprios.
Mas com o tipo de líderes europeus que se vergam aos interesses comerciais ou nacionais antes dos interesses da paz internacional e da salvaguarda dos direitos humanos (exceptuando aqui e ali a senhora Merkel, mas nem sempre), estamos mesmo a ver cada Estado desta nação Europa à procura com uma lupa do seu lugarzinho na lista, e o resto são hieróglifos ou discursos para consumo de pasta de papel em jornal.
quarta-feira, novembro 28, 2007
Quem é que os dirigentes europeus andam a ler? Quem são os seus conselheiros?
terça-feira, novembro 27, 2007
Uma aula para governantes para que compreendam o que está em causa quando se aceita ou recusa fazer um referendo europeu
domingo, novembro 25, 2007
Bill Kristol | The Daily Show | Comedy Central
Em quem devemos confiar, nós os que somos considerados maraquinhas?
Vi isto hoje à noite, enquanto tentava acompanhar os gatos na RTP1. Humores ou intelecto?
25 de Novembro
sábado, novembro 24, 2007
Um par de horas com as bárbaras acções do mundo
Turquia: percepção/realidade pelas palavras do presidente.
sexta-feira, novembro 23, 2007
quarta-feira, novembro 21, 2007
Impotência
indiferença/impotência
O silêncio sobre o que se passa em sociedade, na política, em Portugal como no mundo pode ser representativo da estupefacção e o da impotência. O silêncio não tem que ser sinal de indiferença.
Habermas, não consigo agora precisar em que texto, fala precisamente sobre este estado de estupefacção que paralisa o agente quando compreende que a mediação entre a sua vontade ou desejo de participar, com o espaço e o momento para o fazer efectivamente, e o resultado prático desse desejo ou dessa participação, é de uma tortuosidade para a qual a teoria democrática não o prepara. O que leva à frustração e ao abandono da vontade de participar, prostrando o indivíduo.
Na prática, as sociedades democráticas protegem-se da formação da personalidade cívica multidireccional e concorrente, fazendo enquadrar essa constituição através dos processos académicos ou partidários, propondo uma ordem. Será nas escolas, com programas restritos, e nos partidos, com programas restritos, que os indivíduos aprendem a pensar a política. Muito diferente seria assumir uma actividade extra curricular e extra partidária que preparasse os indivíduos para a vida pública. Nas sociedades contemporâneas para além do grupo familiar ou de amigos de cada um, só a existência de uma imprensa livre permite esta estrutura de formação política paralela. Mas a imprensa é também um produto que tem que se vender. Entre essa dupla existência (é um objecto comercializável e é um objecto de formação, através da divulgação de informação imparcial e idónea) ela produz efeitos na criação da personalidade pública de cada um de nós. Mas na antiguidade clássica, por exemplo, os filósofos, com um método de investigação mais dialéctico e mais orientado para a procura da verdade, e os sofistas, mais atinentes aos efeitos práticos do seu ensino, preparavam cada cidadão par desempenhar os seus cargos na vida pública. O círculo de participação era mais restrito, eu sei. A mediação política dos gregos era a da dimensão da sua voz na praça pública, certo. Mas existia essa ideia de necessidade de formação de cada cidadão nos assuntos públicos e da sua chamada a fazer escolhas, muito para além do momento cíclico eleitoral.
Na adolescência, lembro-me que não havia hipótese nenhuma da política real apaziguar qualquer dor. Era uma realidade paralela à nossa existência, quando não muito aquém dela. Da minha existência ou a do meu grupo de amigas, já que passávamos a vida a idealizar vidas privadas ou a de comunidades políticas públicas. Inventávamos cidades, estados e regras universais nossas, como inconsequentes pequenas deusas. Havia paixões e havia ideias, o objecto real dessas paixões ou da consequência dessas ideias era uma coisa não pensável ou sequer tomado em consideração. Ditadura da imaginação no poder. Liberdade de quem não tem que ganhar um salário para viver, nem tem que pagar impostos. O menosprezo pelo Estado e a exaltação da afectividade pelo país. Só quando percebemos, ou quando eu percebi que tinha percebido, que a política real não era uma distracção no que aos meus direitos e deveres como pessoa dizia respeito, mas sim garantia ou obstáculo para os mesmos, é que houve a concessão de um olhar mais atento.
Mas a política quando é um jogo do arrisca agora e paralisa o adversário antes que ele te paralise, um jogo de estratégia de sobrevivência de um indivíduo ou de um partido no poder, acaba por levar à paralisação do cidadão. E esta impotência não revela necessariamente uma concessão ao valor do governante, ou do decisor, pode revelar uma dor pública imensa, sem palavras para falar sobre o seu desgosto.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Guerra e Paz
De Coimbra, do Centro de Estudos Sociais, chega a informação de seminário organizado pelo núcluo de estudos para a paz: "As relações Político-comerciais Brasil-África em perspectiva (1985-2006)".
Pensar a acção como Mario Vargas Llosa o fez em "La salida de Juan Carlos I, tras las interrupciones e insultos de Hugo Chávez, tuvo la virtud de rasgar el velo de hipocresía que rodea las Cumbres Iberoamericanas"
"(...)
sexta-feira, novembro 16, 2007
Churchill:o rigor de uma preparação intelectual 1
quinta-feira, novembro 15, 2007
Phimopo: grupo de discussão em língua francesa sobre filosofia moral e política
Para nos inscrevermos: phimopo-subscribe@yahoogroupes.fr
quarta-feira, novembro 14, 2007
Tudo isto é triste e nem sequer é fado
Ontem foi também o dia em que com pompa e circunstância se atribuíram prémios a meia dúzia de professores, com um Ministério da Educação a receber recados do presidente do Júri Daniel Sampaio sobre a existência de mal estar entre os professores e a sua tutela, e a fingir que não os ouvia ou que nós, estúpidos, é que não estávamos a compreender a mensagem que afinal não dizia respeito a nenhum problema interno do país e não passava de um exercício de estilo.
Querem fazer-nos tão parvos como o presidente da Câmara de Lisboa quis fazer à florista da praça do Rossio que aproveitou a oportunidade para lhe dizer: -"Veja lá, senhor presidente, se esta limpeza da praça é para manter, olhe que aqui há muito "inglês a ver", todos os dias". Ao que ele lhe ofereceu como resposta as anafadas costas.
Mesmo este tipo de acções é que é de democracia em acção: vamos lá arranjar um grupo de cinco ou seis autarcas para irem ver dois operários da limpeza camarária fazerem um trabalho que devia ser normal, contínuo e eficaz em qualquer cidade, mas que aqui é preciso destacar, avisando os meios de comunicação.
E além disso só temos que fingir que ouvimos o povo quando em campanhas eleitorais, de resto ponham-se lá no lugar deles.
Mesmo se há uma câmara de televisão a gravar.
Mensagem política:estudo
terça-feira, novembro 13, 2007

E não é só na Venezuela que os povos podem pedir aos seus líderes que se calem quando insistem na enunciação de banalidades, mentiras ou provocações. Outras regiões do mundo devem seguir o exemplo.
ver análise de reacções em:
http://www.noticierodigital.com/forum/viewtopic.php?t=286333
e
http://www.noticierodigital.com/forum/viewtopic.php?t=286099
A imagem e os endereços são uma cortesia da minha amiga venezuelena.
segunda-feira, novembro 12, 2007
biografia
domingo, novembro 11, 2007
" ¡¿Por qué no te callas?!"
Noto, sem ironia, como uma republicana como tu está tão deliciada com a intervenção do rei de Espanha.
Eu também penso como tu, que são estas interpelações que dignificam as reuniões políticas. Obviamente, não por um rei poder sugerir a quem quer que seja que se cale quando este está no uso legítimo da sua palavra pública, mas por se dar ao trabalho de ensinar que quando alguém interpela outrem, como estava a acontecer com Zapatero, é bom que o interlocutor ouça, reflicta e contra-argumente no seu tempo. Ao presidente Chavéz já se lhe varreu a noção do tempo. Ele acha que pode usar o público mundial como usa o povo venezuelano, como um grande e passivo auricular. Não pode.
A Espanha deve estar gratificada com o momento daqueles seus governantes.
Os venezuelanos é que ficam com um presidente ressentido, e todos sabemos que esse sentimento não augura nada de bom no que a serenidade e bom senso de decisões futuras internacionais diz respeito. Esperemos para ver como irá reagir tão ensimesmada criatura política.
Boa sorte para o teu povo.
