terça-feira, maio 13, 2008

A natureza do mal natural

Ontem preparava uma aula e reflectia sobre o denominado paradoxo de Epicuro e sobre a natureza do mal:"Ou Deus quer impedir o mal e não pode, ou pode mas não quer. Se quer mas não pode, é impotente. Se pode, mas não quer, é malévolo. Mas se quer e pode, de onde vem então o mal?"
A propósito do mal natural sob a forma de catástrofes que afectam milhares de pessoas no mundo, parece-nos que só nos resta reflectir sob a ordem humana da capacidade de prever, resolver ou solucionar os efeitos destes fenómenos, minorando o sofrimento das povos. Como se as reflexões sobre a natureza do mal estivessem datadas, como se as inquietações metafísicas se apaziguassem no mundo com uma linguagem jurídica ou criminal. Mesmo na questão da discussão da natureza do mal moral avança-se logo com uma panaceia penal.
Não quero ser confusa. É claro que os sistemas jurídicos internacionais e nacionais têm que dar uma resposta social e prática à questão do mal, mas essa forma de pensá-lo, se exclusiva, torna-o um acontecimento pensado, de certa forma até esperado, integrado numa determinada ordem.
É como aceitar sem sobressalto (algo que eu não consigo fazer) que quando estamos a sair de casa para iniciar uma viagem longa haja alguém que na rádio nos fale de estatística e de previsão de um número determinado de acidentes, com mortos e feridos, por exemplo. Então já está naturalmente previsto e contabilizada a morte ou o ferimento na estrada de um agente que agora acorda quentinho, que inspira com gosto o cheiro do pão e do café, que se ri, se entristece, se zanga ou se regozija, que prepara a mala e se apressa para ir morrer no asfalto?
Por outro lado, as previsões sobre o que pode acontecer em situações de catástrofe iminente também se ligam com as obrigações dos nossos governantes saberem assegurar a nossa protecção. Liga-se à política. Mas eu recordo como houve um tempo em que os filósofos europeus reflectiam sobre a natureza do mal a partir, por exemplo, do terramoto de Lisboa em 1755. Como se forçassem o pensamento a debruçar-se sobre o abismo do que é dificilmente consciencializado, como se obrigassem a acção humana a olhar de frente o horror, numa preparação inevitável, embora perversa, para a luta contra forças do mal que se iriam juntar em concertos de horror durante o século XX.
Teóricos há que responderam ao dilema de Epicuro advogando que só assim se compreende a faculdade do livre-arbítrio, sendo o mal uma consequência, apesar de tudo menor, dessa liberdade de escolha humana, de autonomia e responsabilidade. Se não houvesse que escolher o que fazer em cada segundo para quê a liberdade da pessoa? Eu não sei se é preciso que morram milhares de pessoas, se é preciso escravizar uma pessoa, para que eu possa saber o que fazer em cada momento, que atitudes devo escolher. As experiências pensadas não seriam suficientes para ajudarem a compreender, é preciso sermos confrontados com a morte e o sofrimento de outrem para sabermos quem somos nós de verdade?
As explicações fundamentalistas também são uma infelicidade. Dizer-se que as catástrofes ou o horror de uma pessoa são uma espécie de castigo divino, é algo que quem tem uma cultura cristã impregnada na ideia de existência, ou de uma ideia de uma ideia de existência, de um Deus benévolo, não lembra de todo. Mas no mundo "existem" deuses malévolos. Existem religiões que não consideram como fundamental ter um deus com traços amorosos, preferindo-lhe o traço de agente punitivo.
Mas isto remeterá para a idiossincrasia antropológica, quanto muito psicológica e social dos povos, se pensarmos que a teoria das representações sociais de Moscovici tem legitimidade como explicação das origens das crenças. Mas não explica a existência do mal.
E explicar as causas dos fenómenos naturais ou dos psicológicos que estão na origem do mal, explicam o mal?
Pelo menos que as ajudas cheguem a tempo.

O Prof.. A. Moreira está a escrever sobre o Iraque, eu estou a pensar na antiga Birmânia.

"(...) Foi em 1988 que a Assembleia Geral da ONU consagrou o dever de "assistência humanitária às vítimas de catástrofes naturais e de situações de urgência da mesma ordem".
Nesse princípio se filiaram, com assentimento do Conselho de Segurança, a intervenção de 1991 a favor dos curdos destroçados pela violência do Governo iraquiano, e também a pouco feliz acção na Somália em 1993, com o nome de Restore Hope. Rapidamente a intervenção foi alargada no sentido de acudir aos Estados falidos (collapsed state), iniciando uma deriva que viria a dispensar a intervenção da ONU, designadamente com a intervenção da NATO no Kosovo em 1999.
A responsabilidade de proteger encontrou doutrinação jurídica de validação para esses casos, desenvolvendo a vertente - coalitions of the whilling - para suprir designadamente a decisão ou incapacidade de um Estado proteger os seus cidadãos contra as catástrofes ou políticas ou naturais.
Que o alargamento do conceito, aliado ao unilateralismo das soberanias mais poderosas, fez tornar frequentemente equívoca a distinção entre intervenção ética e ingerência ilícita, tornou-se evidente, uma evidência que fortaleceu as argumentações contra o unilateralismo americano no Iraque, ou contra os limitados êxitos da intervenção da NATO no Afeganistão.
À medida que as debilidades das intervenções baseadas apenas no poder vão inspirando nos EUA discretas manifestações de políticas de retirada, a secretária de Estado Condoleeza Rice começa a ver recordado o conceito, que em 2006 anunciou na Universidade de Georgetown, de uma nova doutrina chamada diplomacia transformacional. Esta política, não necessariamente apoiada em intervenção militar, procurando até dispensá-la, consistiria em acções multilaterais destinadas ou a construir a democracia ou a mantê-la em casos de risco, para que o bom governo seja uma garantia da boa participação na ordem internacional.
(...)
Talvez uma das debilidades da doutrina esteja na versão missionária do discurso presidencial americano, na como que sacralização da nação indispensável, referências ideológicas que apoiam a lembrança de doutrinas coloniais, e por vezes inspiram decisões, como a reinvenção do protectorado para o Kosovo, que dificilmente escapam a essa caracterização.
A circunstância de a população iraquiana não ter explodido na esperada gratidão por ter sido libertada de um regime tirânico traduz-se numa indicação de pesados custos no sentido de que, antes de tocar na vida interior do Estado, é conveniente ter informação das convicções patrióticas e identitárias.
(...)
Uma coisa é a ingerência legitimada pela comunidade internacional, oposta à indiferença para com as calamidades que atingem os outros povos e Estados: outra bem diferente são as derivas de face missionária e interesse próprio.
Porque estas derivas esquecem que a primeira exigência aos Estados é a do respeito pelo ordenamento internacional: intervir porque a ordem interna não corresponda aos princípios exige respeito pela definição ética e jurídica do direito-dever de intervenção, que não consente nenhuma deriva unilateralista. (...)" Adriano Moreira in DN
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Como o Prof. argumenta, "uma coisa é a ingerência legitimada pela comunidade internacional (...) outra bem diferente são as derivas de face missionária e interesse próprio", daí que eu não compreenda porque Alberto Gonçalves no jornal DN de Domingo atacou a posição de Ana Gomes que defende uma intervenção na Birmânia segundo o estatuto "obrigação de proteger", como resposta às circunstâncias de deficiente prestação de ajuda do estado de Myanmar ao seu povo. É querer comparar o que não tem comparação, nem consegue ter por mais voltas que queiramos dar ao assunto. O que se passa na antiga Birmânia não é o que se passava no Iraque, ainda que com toda a mediocridade do sistema plítico lá montado.
As necessidades de intervenção que se reclamaram para o Iraque e que se reclamam agora para Myanmar não são de todo da mesma natureza. Ana Gomes tem toda a razão.

segunda-feira, maio 12, 2008

O que estamos dispostos a fazer por aquilo em que acreditamos?

E qual o valor universal daquilo daquilo em que acreditamos?
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Ontem no programa de Mário Crespo sobre Maio de 1968 na SIC Notícias, ouvi Barata-Feyo dizer como eram, o que defendiam e como se comportavam os maoístas portugueses que estavam em Paris em 1968, afirmando que nenhum deles, dos que agora se disseminaram na vida partidária da direita à esquerda, lhe merece, pelo que testemunhou, confiança. E pensando-se, entre outros, no presidente da comissão europeia... bom.
Não se pode dizer o que ele disse de ânimo leve.
A mim o que mais me interessa seria saber as respostas às seguintes perguntas: O que terá mudado numa mente formada pela moldura e pela violência de uma política como a maoísta? Ou será que no essencial as pulsões totalitárias, sob outra linguagem, continuam as mesmas? Ou não? Há aspectos de maturação e crítica que prmitem superar essas ancoragens iniciais? Como se opta, se em consciência e na posse de todas as informações, por ideologias discriminadoras, exclusivas e repressivas?

domingo, maio 11, 2008

A luta há-de continuar com as senhoras que se seguem

A mensagem no exterior, quem a controla?

Uma amiga fez-me chegar este artigo sobre o relacionamento entre os diplomatas venezuelanos e o seu governo. As designações dos diplomatas passaram a ter como critério... serem apoiantes da política governamental, "mandando-se às malvas" o exercício da diplomacia por profissionais de carreira.
Nada como criar a classe dos "amigos do executivo". Tentações de poder ou tentações de poder à polvo. Resultado? Será um bom golpe publicitário para o governo que garante fidelidade ideológica? Não, claro. Leio: "El politólogo Aníbal Romero advirtió que los diplomáticos son muy estrictos en sus normas y castigan las vacilaciones y el desconocimiento: "Hay un acuerdo de interpretación y protección mutua. Cuando un embajador no domina los códigos y protocolos, el país es el que pierde credibilidad en el extranjero"."
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Pois, há um saber que se aprende, uma aprendizagem com tempo de linguagens e códigos que não se coadunam com o executar de funções em nome da amizade ideológica..
A qualidade no exercício de um cargo público não é transmissível aquando da entrega do cartão de um partido. Nunca.

Quem ouve os senhores deputados? "Quem me leva os meus fantasmas?"

Na quarta-feira levei um pequeno grupo de alunos meus a assistir à intervenção dos senhores Ministros da Justiça e da Segurança Interna. Não foi premeditado, porque a visita estava marcada há tempos, mas no dia, sabendo qual era a agenda de trabalho, instruí-os sobre o que o tema em debate e chamei-lhes a atenção para o que estava em questão. Quando entrámos as galerias estavam cheias de adolescentes multicolores e ferventes que seguiam com um interesse distraído o que se passava no plenário. E o que se passava?
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Um deputado do Bloco de Esquerda, provavelmente no exercício dos seus dez minutos de intervenção anual por iniciativa própria, discursava sobre a notícia do dia que dava conta do baixo número de portugueses que afirmavam usar o preservativo de forma recorrente. O plenário zumbia. A desatenção era o mote. Esforçado, a lembrar alguns professores, ele lia o seu discurso fingindo que alguém o estava a ouvir, fingindo que não se importava que quase ninguém o estivesse. Eis que termina e cumpre, eis que é aplaudido exclusivamente pelos deputados da sua bancada. Responde a deputada socialista mais familiarizada com o assunto e debita números, enfim, é aplaudida por alguns deputados da sua bancada menos distraídos.

Os meus alunos são adultos. Tínhamos falado sobre o papel do parlamento numa democracia, sabiam que a maior parte do trabalho parlamentar é feito nos bastidores, nas comissões, mas o seu espanto inicial e depois as críticas aos deputados foi emocionalmente consentânea com o que se escutava aos adolescentes que nos rodeavam: - "Então nós não podemos levar o telemóvel para as aulas e eles podem ter o deles a tocar e podem atender enquanto os colegas discursam?"; "-Ninguém presta atenção ao que estão a dizer os colegas deputados?"; "- Olha o que eles conversam!"; - "Só batem palmas ao deputado que é da sua própria bancada!".
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A primeira impressão de um debate parlamentar destrói toda a teoria que um professor lhes queira passar sobre a importância e necessidade do debate público como método de resolução de conflitos e orientação de políticas. Há mais de vinte anos (na altura era o jornal aberto sobre a bancada mais do que o portátil l ou o telemóvel ligados) como hoje, a imagem que fica é de uma grande falta de disciplina de trabalho e de respeito mútuo. E a imagem, no caso em apreço, cola-se como sendo a única verdade, por ser também verdade, de uma realidade legislativa que excede aquele espaço e aquele tempo, mas que não sendo do âmbito da esfera pública, logo não é percepcionada como forma de trabalho parlamentar. O que se vê é aquilo. Lamentável comportamento.
Eu, que não permito que aluno algum se entretenha em amena converseira com o vizinho enquanto eu lecciono, se fosse deputada, e estivesse a falar literalmente para o boneco, acho que fazia uma loucura qualquer.
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A dado momento levanta-se um deputado da CDU, com voz bem colocada, com autoridade e projecção de tom, conseguiu com que o plenário baixasse o vozear uns decibéis. O assunto era dos mais graves: o aumento do preço dos cereais. Pensei que era a altura para a assembleia se fixar no assunto e de as pessoas evocarem as suas competências colectivas para aplicarem o seu saber na resolução/proposta, num assunto que ultrapassa já em muito a esfera exclusiva da comissão parlamentar para os assuntos económicos. Pelo menos os que não tinham estado reunidos com o dito deputado e gostassem de o ouvir agora, ou de discutir ideias, o tema que fosse. Ilusão.
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A voz bem articulada, com uma ideologia clara de interpretação anti-capitalista da questão, mas apesar de tudo, um modelo a seguir ou a desmontar, mas sempre de ouvir, não mereceu mais que uma resposta estereotipada da bancada socialista. Como se o assunto não fosse suficientemente sério para congregar vontades e arrimar lutas ideológicas que apontassem caminho. Como se qualquer acto de presença suficiente baste, como se tudo estivesse cansado de ali estar, como se a realidade fosse passível de ser compartimentada em bancadas. E ao mesmo tempo, como se nem soubessem encenar bem o seu relacionamento num espaço de discussão dos assuntos públicos, como se não estivessem num teatro, a ser vistos, apreendidos e a servirem de exemplo.
Pelo menos que houvesse aprumo na hora de estar ali sentado a ouvir. Que se escutasse mesmo os outros com interesse e não com esse ar de quem pensa: daquele já sei o que vai sair. Chato! "Cassete"! Senão que imagem fica colada ao seu trabalho em plenário?
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Lamento sempre a desilusão nos olhos dos meus alunos de cada vez que lá vou. Às vezes penso que devia ser mais realista e aplicar-me em descrever o que se passa na política com os exercícios pessoais do poder, mas prefiro sempre falar-lhes de instituições, de atitudes e valores. E estes conseguem sempre ser mais perfeitos na sua natureza, mesmo quando não cremos neles, ou naqueles, mas temos o dever de os explicar ou compreender.
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O ministro da Segurança Interna teve um bom discurso. Aplicou-se em defender, de forma suave, sem crispação, a sua Proposta de Lei. Ouvindo-o, podíamos a ficar a pensar em como éramos malévolas criaturas a pensar o pior de tão funcional proposta da criação de uma figura coordenadora de todas as forças de segurança, um secretário-geral com equiparação a secretário de estado, sujeita a fiscalização do Conselho Superior de Segurança. Que não temêssemos pois pelas liberdades, direitos e garantias, que estes estavam acautelados.
Suavemente pergunto-me: Mas o primeiro-ministro precisa de tutelar esta figura porquê? Porque razão há que passar a depender directamente do primeiro-ministro? E o que podem ser consideradas situações excepcionais de segurança por parte de um primeiro-ministro? Porque se concentra tanto poder quando aprendemos na história que é melhor para uma democracia dispersar o poder e delinear depois articulações funcionais, e logo um poder personalizado numa figura que passa a ser pessoa dependente do primeiro-ministro?! E porquê politizar uma carreira profissional como a da investigação e acção contra o crime?

sexta-feira, maio 09, 2008

Churchill: uma leitura 5

Ars retórica - parte 2

Só conheço um discurso na íntegra de Churchill. Aquele que Leopoldino Serrão seleccionou para o livro Grandes Discursos Políticos, vol. 1, publicados pela editora Ausência. De resto falo da sua competência discursiva por ouvir dizer, mais do que por meu saber. Por ouvir dizer quem o admira e o comenta, e por ler o que os seus pares pensavam então das suas intervenções e sobre as reacções registadas da população aos seus discursos.

Um discurso pode transcender o momento histórico em que é escrito e para o que é escrito, sobretudo o poético, muitas vezes também o filosófico, mas não é uma tarefa acessível a todos os autores, nem a todos os géneros literários. Os textos têm uma data, falam uma linguagem que tem lastro cultural e social, falam entrincheirados na formação do seu autor, nos seus conhecimentos, no seu registo de memória, na sua capacidade de intuir ou de imaginar, de representar a sua experiência no mundo.
O discurso político mais do que qualquer outro perece nas mãos do tempo, sobretudo se dito por quem não se deixa dominar senão por modas discursivas, por modas ideológicas, e sem traço de reflexão crítica, de saber sobre a história ou capacidade de analisar as consequências das acções no futuro.

Textos poéticos, textos analíticos ou conceptuais, textos de aforismos, mais facilmente podem interceptar os tempos e convocar os leitores do futuro.

O discurso de Churchill que eu conheço intitula-se A frente de Guerra contra os “Filhos do Sol Nascente” e foi pronunciado perante os membros do Congresso dos Estados Unidos em 1943. Não é um texto que convoque o futuro. Não no meu entendimento. É um bom texto histórico e biográfico. Não é um discurso imortal.

É um discurso de reconhecimento e de regozijo pela associação entre as duas nações em guerra, mas também claramente um texto em que se dá a entender firmemente quais são as ideias estratégicas a que a Grã-Bretanha quereria dar continuidade no mundo. Reparei como Churchill teve que reforçar várias vezes a ideia de que o esforço de guerra estava a ser suportado igualmente com grandes custos para a Grã-Bretanha e seus aliados, tanto quanto pelos Estados Unidos, listando o número de mortos e feridos em combate, tanto quanto os meios de luta e os meios logísticos envolvidos. Não devia ser essa a percepção da opinião pública americana e Churchill veio relembrar que o esforço de guerra do império inglês começara antes e continuava inexorável a par dos Estados Unidos. Este com a maioria das suas forças concentradas então, em 1943, na frente do Pacífico, aquela com responsabilidades de conduzir a guerra no Atlântico e no Mediterrâneo.

Numa linguagem aqui e ali alavancada em frases emotivas a apelarem ao sentimento de heroicidade, a “voz do sangue”, que permitiam dizer-se e sentir-se com convicção que “Travaremos esta guerra com gosto enquanto os nossos corpos respirarem, enquanto correr sangue nas nossas veias”, p. 174.
Discurso de exortação, aliás, que qualquer líder em qualquer batalha que trave convictamente contra um inimigo, igualmente convicto das razões do seu uso da força, utiliza. O que era próprio deste discurso? A compreensão do seu lugar (e a do seu país) na história presente. A sua consciência de que tinha necessidade da cooperação americana, que tinha que manter a via de negociação sempre aberta mas de forma a manter-se como decisor e não como mero executor das directivas (estratégias) americanas, sendo que ao mesmo tempo tinha que ter um discurso de reconhecimento pelo esforço de guerra americano.

Com uma mão a agradecer e com a outra a instigar a América a seguir um rumo no qual os interesses nacionais da Grã-Bretanha não ficassem diluídos na grandeza do envolvimento americano na guerra, sendo que isso teria que ser feito com interlocutores convencidos da fidelidade aos princípios comuns que os reunira na luta e convencidos da necessidade de combinarem execuções, fazendo-se apelo à urgência de realização de reuniões constantes entre os Estados Maiores e os chefes de executivos das duas nações.
Sabemos que Churchill iria ter razões, ao longo da guerra, para evocar quebras neste compromisso. A grande nação americana seguia muitas vezes, sem disso dar conhecimento, a sua própria estratégia, ainda que outras tantas vezes tivesse acorrido às solicitações britânicas e ajudado a minorar as baixas ou a coadjuvar as suas forças procurando a vitória conjunta em batalhas decisivas no Norte de África.
Reparo também como Churchill cuida de elucidar a importância do papel das forças russas em terra no desenrolar da guerra. E noto igualmente como os princípios que levavam uns e outros a combater eram tão distintos entre si, mas permitia-lhes uma união contra o inimigo comum: Hitler. Engraçado que na Europa o inimigo tenha um nome, e na Ásia seja todo um país identificado como inimigo. A proximidade entre os povos europeus a ditar a reserva emocional de tomar o todo alemão pela sua parte, algo que a distância, e provavelmente o respeito pelo sentimento dos americanos em face do que sentiram como grave agressão japonesa aos interesses americanos, deve ter elidido no tratamento do caso japonês.

O “dever para com o futuro do Mundo e o destino do Homem”. Mas quem defina esse futuro? Nas Nações Unidas, organização recém-criada? Qual seria a voz a delinear esse futuro? A América, a Grã-Bretanha, a Rússia, a China? Quais eram os princípios universais e sob que fundamento se poderia erigir como normativos para a humanidade? Churchill falava a partir da sua história, da sua tradição, e como convencer os outros povos a viverem sob ditaduras do valor desses valores?

O tom, a que infelizmente o registo escrito não nos deixa aceder, terá todo o seu efeito de persuasor. Porque pode ser dita a seguinte frase de múltiplas formas (da forma mais convencional, mais protocolar, mais conformista, mais enganosa, mais aduladora ou mais convincente): “penso que não teríeis podido escolher outro homem melhor do que o general Eisenhower, para manter o bom entendimento entre as suas três grandes forças heterogéneas (…)” p.185. Qual seria o sentimento a pontuar esta frase?

Aceito a originalidade e a grandiloquência do sentimento que instruiu algumas das frases que são incitadoras à emoção. Este sim um elemento comunicacional transversal aos discursos políticos de apelo e de crença nos efeitos do discurso sobre o estado de ânimo, se ditos por quem seja de autoridade reconhecida.
E como é que ela se reconhece? Em política, a forma mais imediata de reconhecimento é dado pelo voto. Mas nós sabemos que aquilo que se pensa e aqueles que pensam, não se põem constantemente à prova por sufrágio, e muitos nem sequer à prova do contraditório entre pares. Então quem reconhece o que acha que está acima da necessidade de justificar o seu reconhecimento?

quarta-feira, maio 07, 2008

Churchill: uma leitura 4

Ars oratoria - parte 1

A democracia como forma de governo obriga a uma aprendizagem do discurso e da elocução. Os gregos, que criaram essa forma de governo, sabiam-no muito bem, e o combate ideológico pela conquista do espírito do discurso entre sofistas e filósofos está aí para provar a importância da arte de discursar em público. A posse do método mais útil ou mais verdadeiro, a luta pela imposição de uma determinada forma de entender a realidade e de actuar sobre ela, a procura de influenciar e de tomar sob sua orientação as jovens personalidades que interiorizassem técnicas e matérias úteis ao seu desempenho como sujeitos capazes de dirigir os assuntos públicos.

A universidade portuguesa, a das humanidades e das ciências sociais, demitiu-se desta querela, e na prática não contribui para a divulgação, execução e reconhecimento do papel fundamental desse exercício de aprendizagem discursiva, dessa demanda pela boa prática quanto à forma e quanto ao conteúdo de um discurso.

Aliás, essa mesma a universidade que de forma sistematizada e universal nunca tomou sequer a defesa ou a reposição da verdade sobre a qualidade dos docentes que formou, avaliou e propôs ao sistema público de educação nas últimas décadas, muitos deles com formações contínuas de seis anos, e por isso encontra-se amodorrada sobre as cinzas do borralho, sujeita ao esvaziamento de competências por fuga de alunos dos seus cursos, ainda convencida que o seu estatuto de superior a algo, ao que será?, a há-de proteger de um ataque virulento como o que este Ministério da Educação lançou sobre o estatuto e o saber dos seus professores, e mais grave, sobre o estatuto e o lugar do saber em Portugal. Adiante.
Na realidade este tolhimento não será o equivalente à perda de uma vida. Não é um tsunami sobre a população da antiga Birmânia. Mas é indicador de uma linha civilizacional que se parece demasiado com um rito de desdém no que ao cuidado a ter em sopesar a força de qualquer ideia quanto aos seus efeitos sociais.
As agências de comunicação substituíram, ou ocuparam em exclusivo, um lugar que os clubes de debate, as aulas práticas de retórica, de exercício público de comunicação, enfim, que as universidades deviam ter desenvolvido. Não para copiarmos o sistema de ensino anglo-saxónico, mas para copiarmos a iniciativa dos gregos clássicos que sobre o assunto disseram aquilo que todos os cidadãos de um país democrático têm que saber: só poderá haver democracia participativa se todos os cidadãos tiverem competência cognitiva e discursiva que lhes permita essa participação, sendo que muitas das áreas de intervenção começam por lhes estar vedadas desde o início pela necessidade de uma formação intensiva no tipo de linguagem utilizada que não é passível de ser utilizada a não ser por especialistas na matéria.
Mas esta exclusividade profissional/técnica não pode ser utilizada como argumento para se impor como modelo de participação social e política. As esferas dos especialistas não podem invadir na totalidade a esfera da vida política, há um discurso e uma prática que terá que ser aprendido por todos os cidadãos que queiram participar na acção pública, e é destes que devem sair maioritariamente os políticos e não dos grupos de "especialistas". Esta declaração de intenções só resultará se houver consciência do público que não tem só o direito de escolher o seu representante, mas tem o dever de se preparar para representante. Isso faz-se numa sociedade que utilize sempre o discurso da participação democrática não como propaganda esvaziada de realidade, mas como princípio de formação social dos indivíduos na família e na escola.
Churchill , como qualquer líder carismático, e com real influência na história do seu tempo, sabia da importância de discursar bem em política. Tinha uma boa formação académica. Tinha aprendido a desenvolver e a dominar uma técnica do que nele se veio a tornar uma arte: a retórica, ou arte de utilizar o discurso para convencer /persuadir outrem da legitimidade das suas considerações.

terça-feira, maio 06, 2008

Churchill: uma leitura 3

As mulheres.

A biografia de Churchill segundo G. Martin não é um livro de valoração ou de qualificação da personalidade escolhida. É um livro essencialmente descritivo e o autor procura manter-se fiel aos factos não intervindo numa via mais psicológica de interpretação do carácter. Ele espelha as valorações que dessa personalidade foram sendo feitas ao longo do tempo, compilando sequencialmente diferentes ou múltiplas perspectivas sobre o sujeito, mas não faz investimentos numa literatura de justificação ou explicação das acções ou da psicologia da pessoa retratada. Em obras biográficas que haja necessidade de justificação pela escolha que o autor faz de uma personalidade mais controversa (Hitler, Mao, Estaline ou mesmo Lenine), nota-se uma maior necessidade de compreender, e de ajuizar sobre essa compreensão, o objecto de trabalho, e isso explorando a sua formação pessoal, os seus contactos, a sua personalidade, investigando o que teria levado a uma ou outra decisão. Na biografia de Churchill segundo Martin não há explicação de causas, há um constatar de episódios que são deixados ao leitor ajuizar do seu interesse ou na sua influência sobre a construção de uma pessoa.
Por um lado é um acto de discernimento e respeito para com os leitores, por outro um distanciamento acordado com um homem que tanto escrevera sobre a sua época e sobre o seu lugar nessa história. É um álbum de acontecimentos e de testemunhos.
Não é um livro fascinado, positiva ou negativamente, com o seu biografado. É um livro sóbrio e que sistematiza com rigor uma vida.

Churchilll tem essa profunda ligação a uma mãe que não possui de todo a concepção de amor filial de uma mulher burguesa agarrada à sua prole. A mãe paira sobre a sua existência infantil e juvenil, mas não condescende muito com as necessidades afectivas do jovem, preferindo escolher centrar a sua atenção na formação cívica e académica do rapaz. Mais reprimendas do que abraços lânguidos, mais orientação na sua formação escolar do que protecção materna. Mais ausência física do que gratificação sentimental. Uma mãe de nacionalidade americana, independente, com elevado sentido da sua existência, com desdém por preocupações ligadas à sobrevivência económica ou de moral social burguesa, com um lugar aparentemente central na sua própria concepção de mundo.
As amizades femininas ao longo da vida Churchill são ouvidas e são um recurso social no momento de estabelecer ou reatar ligações sociais que lhe foram muitos úteis no seu percurso político, mas não temos propriamente companheiras/camaradas políticas, excepto... com a sua mulher. É espantoso que Churchill acate com tanta acuidade as impressões políticas , as decisões mesmo, da sua jovem esposa. É interessante saber que ela participou em comícios em nome de Churchill proferindo discursos escritos por ela própria, é curioso que esteja constantemente a fazer observações ou a dar indicações sempre lúcidas sobre comportamentos que Churchill devia refrear (a sua pontual agressividade em momentos de tensão com os seus subordinados) ou os contactos que devia estabelecer, advogando junto de quem necessário fosse sobre os propósitos de Churchill. De maneira muito discreta G. Martin dá-nos a entender que essa parceria e essa dependência terá sofrido alterações numa das últimas décadas de vida de Churchill, quando as discussões começaram a ser frequentes, e os conselhos de Clementine a não serem seguidos, pese embora, já fora da política activa, a cumplicidade e a amizade se tenham novamente sobreposto às divergências.

As secretárias de Churchill (chegou a ter temporadas em que se fazia acompanhar de sete secretárias, mais de um ou dois assistentes literários!) descrevem momentos de grande gratificação profissional, pelo labor intelectual de Churchill, pela sua capacidade de trabalho, pela intensidade da sua inteligência.

As filhas acompanham-no em muitas das suas viagens e encontros políticos, escrevem-lhe a dar a sua opinião, mas nenhuma parece ganhar estatuto de interlocutora. Verdade seja dita que isso também não acontece com o seu filho rapaz, apesar de este ter durante um período da sua vida ter conseguido ser eleito como deputado.

segunda-feira, maio 05, 2008

Churchill: uma leitura 2

1940
Clementine queria que o marido declinasse o convinte para ser líder do partido. Argumentava, recordou a sua filha Mary, que "ele era a voz de toda a nação, independente dos partidos", e que ao aceitar a "nomeação, ofenderia grande parte da opinião pública". p.495
Clementine, que tinha interpretado sempre correctamente o carácter de Churchill e fez sempre uma leitura muito clara das condições históricas dos sucessivos períodos políticos que partilhou com o seu marido, sabia porque razão Churchill poderia perder as eleições no pós-guerra.
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"Mountbatten, que tinha acabado de estar na Índia com as tropas britânicas que já tinham votado nas eleições, escreveria mais tarde:"Era uma sensação estranha e melancólica estar ali a falar de planos com um homem que parecia tão confiante de que eles se realizariam, enquanto eu tinha a certeza de que ele teria perdido o seu lugar dentro de 24 horas." p. 620
Mas porque é que Mountbatten tinha tanta certeza? Pela leitura do resultado das eleições junto das tropas britânicas? Mas se Churchill tinha feito uma boa condução do destino da Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra, porque veio a perder? Ou seria a ideologia conservadora a perder, e o seu líder por arrasto, como previra Clementine? Mas então porque isso acontecera? Churchill governara "quase como um ditador" (p.499) uma administração em Coligação, com ministros provenientes de várias facções. Era aclamado como herói pela nação e o seu registo de popularidade era muito alto, mas perde as eleições. Porquê?
As explicações que são avançadas pelo autor da biografia são poucas. O seu combate ideológico centrado na ideia de perigo do totalitarismo e num registo discursivo apocalíptico em nome do socialismo terá sido excessivo no que às criticas aos líderes trabalhistas disse respeito, e não terá sido compreendido pelos eleitores trabalhistas que não entendiam como se podia comparar a situação social do socialismo inglês com a prática na Rússia. Para mais, como a sua filha Sarah lhe disse, aquele socialismo em tempos de guerra contribuíra decisivamente para o sentido de coesão e partilha social dos recursos de forma supra ideológica e supra divisão social ou por riqueza. Acrescente-se ainda a sua tardia tomada de decisão em defesa da criação de um Serviço Nacional de Saúde, da construção de casas sociais e da criação de um Sistema Nacional de Seguros, no pós-guerra, tudo isto bandeiras ideológicas tradicionais dos trabalhistas, e talvez compreendamos os motivos de uma derrota.
Mas o que importa para a democracia mundial a derrota nas primeiras eleições pós Segunda Grande Guerra? Estas palavras, ditas por um derrotado em agonia: "Eles têm todo o direito de votar como lhes apeteça. Isto é democracia. É por isto que temos estado a combater."
Por mim, será por estas palavras, ditas e reditas, sentidas e conscientes, que vale a pena citar Churchill milhares de vezes, quando se quiser falar de cidadania e intervenção democrática genuína.

domingo, maio 04, 2008

Um dia quando a democracia deixar de ser um lamento e passar a ser uma tradição de cada um...

"(...) Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo "pôr a ideia democrática em prática" através, por exemplo, de estudos. A Demos divulgou no final de Janeiro um "top" de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado "Everyday democracy index" (EDI, cuja tradução possível será "index da democracia quotidiana"). Trata-se de uma avaliação sofisticada que envolve mais itens do que o normal em avaliações deste género. O escrutínio não se fica pelos aspectos formais da democracia (eleições regulares, por exemplo). Vai mais longe, avaliando o empenho popular na solução democrática dos seus problemas e, por exemplo, a qualidade da democracia dentro das relações familiares. Os resultados quanto a Portugal contrastam, por exemplo, com o último Democracy Índex mundial divulgado pela revista britânica The Economist, e relativo a 2007. Nessa tabela (ver DN de 5 de Abril), Portugal aparece classificado em 19º lugar (no mundo), posição que sobe para 12º quando vista apenas entre os 27 países da UE.

No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top" (ver gráfico).

O que se passa então com Portugal? Olhando para o gráfico, percebe-se a resposta: de um ponto de um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itália. O que puxa a democracia portuguesa para baixo são os outros critérios. Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem."
notícia lida no DN
E no entanto foi um povo que quis criar uma tradição, nova, e forte, da defesa da democracia. Perdeu-se com certeza pelo meio das ideologias que partidarizaram as vontades, e aquilo que não tem partido e deve ser matriz de toda a educação cívica: a defesa radical da liberdade num sistema que propicie igualdade de oportunidades, seja por quem for.

quarta-feira, abril 30, 2008

Churchill: uma leitura 1

Terminado o exercício de leitura da sua biografia por Martin Gilbert a primeira coisa que me ocorre dizer é que ele é um homem para e da Grã-Bretanha, um defensor do império britânico. A grande sorte do mundo foi que o discurso e a acção de defesa desse império cruzou com a defesa de ideias e de formas de vida que estavam do lado da virtude de uma política parlamentar, no seguimento de uma tradição social e política assente na defesa dos valores democráticos, e disso o resto do mundo veio a beneficiar, mas porque aquilo que a Grã-Bretanha tinha a perder com o avanço dos totalitarismos era incomportável antes demais para si própria. Houve ali um momento histórico em que o interesse de uma nação se transfigurou no interesse de todas as nações livres do futuro. As ideias eram as certas, entraram em luta e sairam vitoriosas. Não foi por terem saído vitoriosas que elas se trasformaram em certas, mas foi uma grande ajuda.
Na realidade, a preocupação e a estratégia de Churchill foi sempre, e antes de mais, a preocupação com o seu império, a defesa dos seus territórios e das suas políticas internas, mas por mérito das estruturas históricas que herdou e por mérito da sua própria formação filosófica e política, os interesses internos e externos podiam aqui e ali coincidir no seu todo e refulgir como uma luz de farol a indicar a linha de costa para humanidade. De repente, em nome de ideias como eleições livres, liberdade de expressão, governo dos povos pelos povos, tanto a defesa armada como os conluios diplomáticos para a segurança interna conseguiram fazer eco para valores e defesa de interesses internacionais. É obra.


Penso em Salazar e na sua atrofiante filosofia política e penso-o no lugar errado, com o discurso errado para a história, e lamento que alguém que igualmente defendia o seu país e o seu império, não conseguisse nunca fazer coincidir essa defesa com as ideias que verdadeiramente interessavam à comunidade do futuro e que iriam afirmar-se como as únicas admissíveis, ainda que por aprofundar, na longa história do governo das sociedades no mundo: a democracia, a independência dos povos colonizados, a liberdade com princípio regulador da ordem pública.


Que pena esse raio de influência não ter produzido um outro pensamento e uma outra acção para o governo de Portugal. Que pena continuarmos sem saber conciliar e equilibrar o orgulho interno e a vontade de pertencer de facto a uma comunidade internacional. Que raio de perda de nós.

Saudável paródia à italiana

Enviou-me a minha amiga Teresa Marques este link a um divertido filme que opõe a ideia de um espaço e de um cidadão europeus por contraposição ao país Itália e seus respectivos nativos. Admito que pensei: "Ena tanta gente que vai ao teatro na Itália!"
E no fim ri-me com a ideia da Itália como condimento à suspeita sensaborona Europa.
Qual seria por exemplo a conclusão portuguesa para um filme que podia aqui e ali assemelhar-se aquele? Teríamos noção da nossa diferença como essencial para criar diversidade e harmonia final no espaço europeu, ou ficaríamos a bater com a mão no peito e a enrolar o tapete do chão da sala da Europa com o sapatito?

terça-feira, abril 29, 2008

Leio no Almocreve das Petas, com o título "Uma entrevista lamentável":

"(...)Cuida o sr. ARF (António Ribeiro Ferreira ), e cuidam todos os comentadores que tricotam admiráveis prosas sobre o ensino, que os professores são meros funcionários administrativos - seres desprezáveis e de vida fácil – sem labor profissional, cultural ou intelectual. Cuida o sr. ARF, e cuidam todos os comentadores de testada altiva, que os cursos e diplomas que os professores (orgulhosamente) exibem e nos diversos ramos do saber, não lhes servem para nada. E que qualquer ARF ou ministra da educação podem soluçar, jubilosamente, autorizadas apreciações sobre a docência, o ensino e a educação pública, sem nenhum contraditório. Cuida o sr. ARF, e cuidam todos os comentadores investidos de idiotas toleimas, que os professores são meros papagaios transmissores/reprodutores do conhecimento cientifico, sem discurso, exercício e acção pedagógica visível e que, na sua natureza educacional, só debitam aquilo que (presumidamente) na folclorização das faculdades aprenderam. E que qualquer ARF ou ministra da educação podem, em piramidal discursata e em aleluias de ruído gratuito, passar atestados de imbecilidade a docentes, que ao longo da sua profissão têm feito inúmeros (e, por vezes, inenarráveis) investimentos culturais, formativos e pedagógicos, conforme a tutela e a administração escolar muda de humores. Cuida o sr. ARF, e cuidam todos os ofegantes comentadores afectados pela "inteligência" ministerial, que o debate e o conflito que reina e persiste no ensino público e na educação não vai deixar sequelas insanáveis entre docentes (ofendidos e injuriados que estão a ser) e os seus grosseiros detractores. Cuidam – caso curioso -, mas enganam-se!
Da lamentável entrevista ficam aqui, apenas, duas singelas questões, que persistem no enrodilhar da argumentação ministerial. Dado o alvoroço revelado na entrevista e pela montra das adulterações feitas no que se disse, não tínhamos, nem espaço nem paciência para mais. Sobre a funcionalização da função docente e a verticalização da sua carreira, mecanicamente e abusivamente tomada de experiências teóricas de outras profissões e a que a professora MLR denomina, com imensa graça sociológica, de novo "paradigma", falaremos um dia.
A primeira questão é simples: a senhora ministra da educação, na sua cegueira teórica, considera que via o desditoso antigo ECD, a progressão da carreira fornecia professores "mais experientes, mais graduados e melhor remunerados mas [que] isso não correspondia a nenhuma responsabilidade", mas ao mesmo tempo no seu novo e santificado ECD coloca, justamente, tais docentes como professores-titulares, ao abrigo do que prosaicamente denomina "meritocracia", num concurso duvidoso e insano. Estamos conversados!
A segunda questão é tão simples como curiosa: a senhora ministra da educação entende (não por experiência própria, como se sabe) que as "nossas escolas tinham um défice dessa responsabilização individual, dessa exigência de trabalho de equipa" e assegura que com a nova organização da administração escolar, com a nova avaliação dos docentes, tal facto é superado. Ora está provado que o que existia, de facto, nas escolas era um trabalho colectivo e em equipa. Do processo ensino-aprendizagem, com as planificações feitas em grupo curricular e validadas em sede de Conselho Pedagógico, até ao trabalho na chamada Escola Cultural e/ou informal, era visível o esforço em equipa dos docentes. Evidentemente que a professora MLR desconhece o que é um projecto educativo, a dimensão organizativa da escola e a construção de uma escola democrática. Não era do seu tempo tais modernices. E que agora pense, com o processo avaliativo (e competitivo) que defende e face ao maior caos curricular que aprontou nas Escolas, que o trabalho pedagógico em equipa sairá reforçado, só revela desconhecimento e falta de consideração pelos professores. De facto, é preciso ter atrevimento. Muito atrevimento!"

quinta-feira, abril 24, 2008

O novo código do trabalho e aquilo que nem a direita nem a esquerda sabem pensar: frustração de expectativas ou má criação de expectativas

"Sem tentativas não pode haver fracassos e sem fracassos não existiria a humilhação. Por isso, a nossa auto-estima depende inteiramente do que nós conseguirmos ser e fazer. É determinada pelo racio das nossas condições reais com as nossas presumíveis potencialidades. Assim:

Auto-estima= sucesso
_______
Pretensões

A equação de James (William James) como qualquer subida nos nossos níveis de expectativa gera uma subida no perigo de humilhação. O que nós entendemos ser normal é crítico na determinação das nossas hipóteses de sermos felizes. (...)

O preço que pagamos por esperarmos ser tantas coisas mais do que os nossos antepassados é a eterna angústia de estarmos sempre muito aquém de tudo o que podámos ser." , Status- Ansiedade, p. 62 e 69


Ontem um colega meu, professor de matemática e pai de duas filhas ainda pequenas, disse-me que ponderava sair do país com a família. Durante um segundo paralisei. Depois relatei-lhe parte do assunto do artigo de Gonçalo M. Tavares publicado na Visão, p.20: "Quantas pessoas saem por dia do país? Pensemos na saída de quatrocentas mil pessoas em 2007 (há quem diga que os números são bem maiores, outros dirão que são menores, infelizmente não há números exactos). Um ano tem 365 dias. Isto significa que saíram do país (supondo o tal número) mais de 100 pessoas por dia."

E perguntei-lhe: - Porquê tu? Um professor do quadro, com carreira estável, excelente professor?

Contou-me que pensava muito na história que ouviu sobre uma experiência feita com ratos: se submetidos a choque eléctricos constantes e aleatórios, os bichos, na ausência de padrão ou de uma resposta que respeite os seus comportamentos e reoriente os estímulos , preferem deixar-se morrer. Associou as políticas deste governo a essa experiência de estímulos múltiplos, aleatórios e indiferenciados aos comportamentos. A confusão que está a criar em todas as áreas de intervenção, tem tendência para levar à paralisia por saturação do indivíduo ou do grupo na compreensão e capacidade de dar resposta. A ida para fora do país, ou do sistema activo, pelos que podem, é assunto grave, tanto quanto o do défice, tanto quanto o conformismo que se quer induzir nas reacções.

Não há um princípio para esta sociedade, um pensamento que reúna todos sobre a ideia de vida contemporânea, de reflexão sobre os modos de existir, há um sentir do apertar do cerco às expectativas que legitima ou ilegitimamente foram sendo criadas pelo próprio modelo de económico-social escolhido para ser o nosso.

Também me parece que esta questão da ansiedade individual não poderá ser curada com métodos políticos, é uma questão da pessoa, mas a ansiedade geral das sociedades, essa sim, só pode ser suprimida pela boa política.

E o facto de sentirmos que nem na Presidência da República temos assegurado um padrão de comportamento exemplar e coerente em todas as situações e contra os discursos ou as acções atentárias da ideia de Portugal como um Estado de Direito e secularmente civilizado, não ajuda em nada ao sentimento de arbitrariedade do sentido existencial que estamos a sentir.

quarta-feira, abril 23, 2008

E porque hoje é dia do livro

O meu amigo Fernando Mouro pediu-me para fazer ligação a este link, da Bertrand, que tem capítulos on line para se ler:
O Recruta - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D491635__q20__q30__q41__q5.htm

Para além dos Bosques Profundos – Crónicas do Abismo - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D491632__q20__q30__q41__q5.htm

Filha da Minha Melhor Amiga (A) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D484103__q20__q30__q41__q5.htm

D. Sebastião e o Vidente - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483879__q20__q30__q41__q5.htm
Conspiração Sistina, (A) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483421__q20__q30__q41__q5.htm
Último Negreiro, (O) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483416__q20__q30__q41__q5.htm


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Também em matéria de livros, Daya Thussu fez-me chegar a informação de que publicou o livro News as Entertainment, que eu ainda não li, mas que entendo aqui referir.

Ando a ler sem ser por motivos académicos: a Biografia de Churchill, e estou quase, quase, a terminar. Já faltou muiiito mais. Estou com muita vontade de escrever sobre a obra e sobre a personagem. E ainda estou a ler o Status e Ansiedade, de Alain de Botton, que escreve assim de forma suficientemente ligeira para atrair, e suficientemente pensada para não ser um livro tipo pastilha elástica.

De resto, releio o capítulo sobre os Sofistas e a educação grega, da portentosa obra Paideia, e aprofundo leituras sobre teoria das influências/decisões. Um gosto de leituras.

As (des) ilusões

Há quem no PSD já comece a ver em Manuel Ferreira Leite a futura primeira-ministra de Portugal, a timoneira do PSD e a guarda do país. Já estou a vislumbrar os "antónio Vitorinos" do PSD, que também os tem, a afilarem um sorriso e a treinarem um "Habituem-se" para o espelho, para depois o fazerem ouvir para a ala dos meninos traquinas, primeiro internamente, e depois para o país ; e não para o mundo porque esse tem mais gente para ouvir.
Há qualquer coisa de assustador nesta ânsia disciplinar, nesta procura de mestres-escola, por muitos dos nossos políticos com responsabilidades de escolha de individualidades.
"Habituem-se". Mas a quê? À arrogância, à pose autoritária, à ideia de que o chefe tudo sabe, tudo pode e tudo manda? Eu já vi os rituais de poder de Manuela Ferreira Leite e não me recordo de ela manifestar assim um valor acrescentado tão diferente da actuação de Sócrates. É a repetição desse modelo de acção no poder que almejamos?
Há um gostinho na pose de chefe que em tudo me apoquenta neste Portugal de "Presidentes da Junta" a porem o dedinho e a gritarem "Eu. Eu. Eu." enquanto se acotovelam em cargos públicos. De líderes que confundem rigor e capacidade de trabalho, com insolência e maus juízos de valor sobre as competências e os méritos dos seus cidadãos.
Para quando governantes que tenham um discurso enquadrado com o sentido de responsabilidade, de brio e de vontade de melhorar dos portugueses, e que seja coerente desde o primeiro dia de campanha até ao último dia de exercício de poder? Para quando um "Vou habituar-me a estar à altura do povo que me elegeu? Ainda que com um sentido de ideologia de princípios universais mas que não se mostrem imunes à crítica e ao significado da realidade a emparceirar com a ideia? Para quando pessoas que aceitem a crítica sem se agastarem, nem se enfadarem com os limites e as fraquezas de um povo dado à distração?
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Mas nesse texto de antologia que o DN publica hoje de Baptista-Bastos, que li com admiração profunda, ainda há uma proposta, a da solidariedade para com uma ideia de país que se vislumbra na consciência de muitos dos seus cidadãos, ainda que todos os pressupostos teóricos e políticos que subentendem o texto não me provoquem adesão emocional ou intelectual.
Não sou uma téorica marxista, mas reconheço a força de uma ideia como a que está presente nos estudos sobre o "Estado como aparelho ideológico" e julgo que há ainda muito trabalho de investigação em ciências sociais e humanas a percorrer nessa área. Um trabalho distanciado, mas não preconceituoso, para com as categoria evocadas.
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escritor e jornalista
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"Trinta e quatro anos depois, continuo a viver no refúgio das minhas esperanças. É muito difícil separar-me dessa ideia de comunidade que foi a moral da resistência, e do conceito de que a História caminha no sentido da libertação do homem. Mas também aprendi a não me acomodar a essa espécie de vocação para o desencanto, reduto onde se lastimam homens e mulheres da minha geração e da seguinte. A festa acabou. Vivemos um instante em que protagonizámos um apólogo presumidamente dialogal, porque, na realidade, havia, e sempre houve, dois países, com compromissos inconciliáveis e linguagens opostas. A existência de classes não é uma falácia, embora queiram inculcar a sua ausência a fim de impedir que as julguemos.
A festa acabou. Não terminou, porém, a definição daquilo que possui a faculdade de reavivar o que pretendem fazer-nos esquecer: os sonhos, a teimosia da vontade, a obstinação da esperança. Chamam-lhe utopia, e condenam-na como fautor de destruição do outro e, portanto, de si próprio, em benefício de uma verdade suspeita. A cada um a sua idiossincrasia, as suas possibilidades, a sua área de agir. Pessoalmente, sou incapaz de viver sem palavras, sem livros, sem o ajustamento desses livros e dessas palavras a uma ética que respeite o leitor, para nunca me extraviar do princípio das convicções mútuas.
Apesar de tudo, creio que não há motivos para extensas decepções. Uma releitura do que éramos e do que somos permite verificar as diferenças reais mas, também, as artificiais, registadas na sociedade portuguesa. Desejávamos mais. Esquecêramo-nos, porém, da pesada tutela exercida por uma Igreja extremamente conservadora, que exaltava a "tradição" e execrava a simples ideia de a questionar; e por uma classe dirigente, composta de cem famílias, que reivindicava privilégios inatacáveis.
O panorama foi muito bem exposto na melhor telenovela portuguesa de sempre: Chuva na Areia, de Luís de Sttau Monteiro, realizada pelo excelente Nuno Teixeira. Seria óptimo que a RTP a reexibisse.
É exacta a afirmação segundo a qual Abril ambicionava fazer da "revolução" uma máquina social, política e cultural influente. As fragilidades começaram na falta de análise das superestruturas, e no dogmatismo (natural no bulício da época) que contrariou a possibilidade de a "revolução" se compreender a si mesma.
Há um fenómeno que não esgota a claridade emocional eclodida há 34 anos: a renovação de uma bela utopia, revelada no número, cada vez mais elevado, de gente nova, atraída pelos prestígios de uma data feliz.
Venha o que vier, nada justifica o niilismo contido no "desencanto". Há uma História que nos pertence, um património moral inesquecível - e um outro país que reaviva o eterno projecto de um outro futuro."

terça-feira, abril 22, 2008

Autoridade sem ismo

Ontem à noite vinha a ouvir parte da intervenção de Manuela Ferreira Leite no rádio enquanto circulava a caminho de casa. A dada altura perguntam-lhe qual a razão que encontra para a súbita tomada de decisão de renúncia de Filipe Menezes, a que a candidata a líder do PSD responde pensar ter sido pelo concerto das vozes críticas e muito extensivas que surgiram na imprensa e que tiveram eco generalizado sobre o caso da jornalista contratada pela RTP.
Eu penso que os media portugueses fizeram muito bem em insistir e dar eco às vozes negativas que denunciaram a estratégia de Rui Gomes da Silva, mas não deixo de me perguntar até que ponto o mesmo caso, com outra figura, noutra profissão, teria exactamente a mesma unanimidade opinativa apesar de toda a razão civilizacional e profissional que lhe assistisse. Isto é, até que ponto estes casos com jornalistas não se tratam de toques a rebate corporativos como esses mesmos jornalistas gostam de adjectivar todas as outras classes sociais quando estas se reúnem para defender os seus membros de ataques infundados, mal explicados e ainda menos justificados numa sociedade democrática. Foi um pensamento que me ocorreu.

Manuela Ferreira Leite mostrou-se, ali, com um discurso distendido sobre a importância da crítica em democracia e sobre a inevitabilidade de ela ocorrer sistematicamente na análise que se faz de qualquer líder. Pergunto-me quando é que passará a mostrar sinais de inapaciência e de saturação para com os críticos que não tardarão a fazer ouvir a sua voz, e quando começará a pensar que discussão e apresentação de provas e de factos perante o público é sinónimo de ingovernabilidade.

É o problema da maior parte dos políticos portugueses e de quem os defende, sejam de que partido for, a saber, a sua deficiente preparação para o exercício, muitas vezes psicologicamente frustrante no que toca a recompensas imediatas ou pondo em causa uma ideia cheia de si, da democracia. O que me parece é que gostam de vestir a roupa de políticos rigorosos a esconder os reais trejeitos de autoritarismo que os fascina no exercício do poder. Como se não houvesse autoridade sem esses rituais exarcerbados do indivíduo sobranceiro.

Não compreendo que em democracia se defenda a atitude política de ministros tais como Maria de Lurdes Rodrigues e de Correia de Campos, ou mesmo de José Sócrates. Não entendo a defesa que fazem das suas políticas como se estivessem em guerra com um inimigo.
Há quem defenda que são eles os políticos rigorosos, os que não têm medo das reacções de classe, os que são reformadores por excelência, e eu vejo ministros que pactuaram com discursos de fragmentação da identidade das classes profissionais e da opinião pública a que se dirigiam, que manipularam dados e informações, que retocaram a política ao gosto da sua ideia mal explicada e que levanta dúvidas quanto à sua legitimidade, de engenharia social, sem atenderem nas razões dos que se lhes opõem, sem desfazerem o rito de desdém que se lhes cozeu à cara, sem descerem do seu lugar de programadores e se tornarem governantes numa República de direito. Se políticos como eles vierem a ter medo de assumirem cargos por causa de se incomodarem com a reacção pública, então mais vale que fiquem no aconchego dos seus gabinetes privados, não acho que o país democrático fique a precisar deles para nada.


Nota: Por que razão não se insiste mais na notícia de que os jovens portugueses no período dos 25-35 anos são dos mais bem qualificados da Europa? O que aliás faz pensar como é dúbia a relação Formação=qualificação=emprego =economia vitalizada.
Porque razão a senhora Ministra da Educação nos diz que este governo não navega à procura do facilitismo, quando entrega os certificados aos cursos EFA? Quererá enganar a quem? Com o devido respeito por todos os adultos que procuram desse meio certificar os conhecimentos profissionais (e não académicos) que adquiriram ao longo da vida.

Porque razão nos diz a mesma governante que temos dos melhores alunos da Europa no sétimo ano de escolaridade, juntamente com a maior taxa de reprovações? Será que é um defeito dos professores que os reprovam de acordo com critérios claros e estabelecidos pelos Ministério, ou é um defeito de um sistema de educação unificado? E quanto às reprovações no segundo ano do ensino básico por os alunos não terem adquirido as competências básicas de leitura... saberá a senhora ministra que essas competências continuam a não estar adquiridas mesmo que eles passem e comecem a encher os cursos CEF como acontece agora, quando querem alcançar certificados do 9 e 12 ano? Já nem falo sobre o que disse da avaliação dos professores no passado.