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segunda-feira, maio 12, 2008
O que estamos dispostos a fazer por aquilo em que acreditamos?
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domingo, maio 11, 2008
A mensagem no exterior, quem a controla?
Quem ouve os senhores deputados? "Quem me leva os meus fantasmas?"
sexta-feira, maio 09, 2008
Churchill: uma leitura 5
Só conheço um discurso na íntegra de Churchill. Aquele que Leopoldino Serrão seleccionou para o livro Grandes Discursos Políticos, vol. 1, publicados pela editora Ausência. De resto falo da sua competência discursiva por ouvir dizer, mais do que por meu saber. Por ouvir dizer quem o admira e o comenta, e por ler o que os seus pares pensavam então das suas intervenções e sobre as reacções registadas da população aos seus discursos.
Um discurso pode transcender o momento histórico em que é escrito e para o que é escrito, sobretudo o poético, muitas vezes também o filosófico, mas não é uma tarefa acessível a todos os autores, nem a todos os géneros literários. Os textos têm uma data, falam uma linguagem que tem lastro cultural e social, falam entrincheirados na formação do seu autor, nos seus conhecimentos, no seu registo de memória, na sua capacidade de intuir ou de imaginar, de representar a sua experiência no mundo.
Textos poéticos, textos analíticos ou conceptuais, textos de aforismos, mais facilmente podem interceptar os tempos e convocar os leitores do futuro.
O discurso de Churchill que eu conheço intitula-se A frente de Guerra contra os “Filhos do Sol Nascente” e foi pronunciado perante os membros do Congresso dos Estados Unidos em 1943. Não é um texto que convoque o futuro. Não no meu entendimento. É um bom texto histórico e biográfico. Não é um discurso imortal.
É um discurso de reconhecimento e de regozijo pela associação entre as duas nações em guerra, mas também claramente um texto em que se dá a entender firmemente quais são as ideias estratégicas a que a Grã-Bretanha quereria dar continuidade no mundo. Reparei como Churchill teve que reforçar várias vezes a ideia de que o esforço de guerra estava a ser suportado igualmente com grandes custos para a Grã-Bretanha e seus aliados, tanto quanto pelos Estados Unidos, listando o número de mortos e feridos em combate, tanto quanto os meios de luta e os meios logísticos envolvidos. Não devia ser essa a percepção da opinião pública americana e Churchill veio relembrar que o esforço de guerra do império inglês começara antes e continuava inexorável a par dos Estados Unidos. Este com a maioria das suas forças concentradas então, em 1943, na frente do Pacífico, aquela com responsabilidades de conduzir a guerra no Atlântico e no Mediterrâneo.
Numa linguagem aqui e ali alavancada em frases emotivas a apelarem ao sentimento de heroicidade, a “voz do sangue”, que permitiam dizer-se e sentir-se com convicção que “Travaremos esta guerra com gosto enquanto os nossos corpos respirarem, enquanto correr sangue nas nossas veias”, p. 174.
Com uma mão a agradecer e com a outra a instigar a América a seguir um rumo no qual os interesses nacionais da Grã-Bretanha não ficassem diluídos na grandeza do envolvimento americano na guerra, sendo que isso teria que ser feito com interlocutores convencidos da fidelidade aos princípios comuns que os reunira na luta e convencidos da necessidade de combinarem execuções, fazendo-se apelo à urgência de realização de reuniões constantes entre os Estados Maiores e os chefes de executivos das duas nações.
Reparo também como Churchill cuida de elucidar a importância do papel das forças russas em terra no desenrolar da guerra. E noto igualmente como os princípios que levavam uns e outros a combater eram tão distintos entre si, mas permitia-lhes uma união contra o inimigo comum: Hitler. Engraçado que na Europa o inimigo tenha um nome, e na Ásia seja todo um país identificado como inimigo. A proximidade entre os povos europeus a ditar a reserva emocional de tomar o todo alemão pela sua parte, algo que a distância, e provavelmente o respeito pelo sentimento dos americanos em face do que sentiram como grave agressão japonesa aos interesses americanos, deve ter elidido no tratamento do caso japonês.
O “dever para com o futuro do Mundo e o destino do Homem”. Mas quem defina esse futuro? Nas Nações Unidas, organização recém-criada? Qual seria a voz a delinear esse futuro? A América, a Grã-Bretanha, a Rússia, a China? Quais eram os princípios universais e sob que fundamento se poderia erigir como normativos para a humanidade? Churchill falava a partir da sua história, da sua tradição, e como convencer os outros povos a viverem sob ditaduras do valor desses valores?
O tom, a que infelizmente o registo escrito não nos deixa aceder, terá todo o seu efeito de persuasor. Porque pode ser dita a seguinte frase de múltiplas formas (da forma mais convencional, mais protocolar, mais conformista, mais enganosa, mais aduladora ou mais convincente): “penso que não teríeis podido escolher outro homem melhor do que o general Eisenhower, para manter o bom entendimento entre as suas três grandes forças heterogéneas (…)” p.185. Qual seria o sentimento a pontuar esta frase?
Aceito a originalidade e a grandiloquência do sentimento que instruiu algumas das frases que são incitadoras à emoção. Este sim um elemento comunicacional transversal aos discursos políticos de apelo e de crença nos efeitos do discurso sobre o estado de ânimo, se ditos por quem seja de autoridade reconhecida.
quinta-feira, maio 08, 2008
quarta-feira, maio 07, 2008
Churchill: uma leitura 4
A democracia como forma de governo obriga a uma aprendizagem do discurso e da elocução. Os gregos, que criaram essa forma de governo, sabiam-no muito bem, e o combate ideológico pela conquista do espírito do discurso entre sofistas e filósofos está aí para provar a importância da arte de discursar em público. A posse do método mais útil ou mais verdadeiro, a luta pela imposição de uma determinada forma de entender a realidade e de actuar sobre ela, a procura de influenciar e de tomar sob sua orientação as jovens personalidades que interiorizassem técnicas e matérias úteis ao seu desempenho como sujeitos capazes de dirigir os assuntos públicos.
A universidade portuguesa, a das humanidades e das ciências sociais, demitiu-se desta querela, e na prática não contribui para a divulgação, execução e reconhecimento do papel fundamental desse exercício de aprendizagem discursiva, dessa demanda pela boa prática quanto à forma e quanto ao conteúdo de um discurso.
terça-feira, maio 06, 2008
Churchill: uma leitura 3
A biografia de Churchill segundo G. Martin não é um livro de valoração ou de qualificação da personalidade escolhida. É um livro essencialmente descritivo e o autor procura manter-se fiel aos factos não intervindo numa via mais psicológica de interpretação do carácter. Ele espelha as valorações que dessa personalidade foram sendo feitas ao longo do tempo, compilando sequencialmente diferentes ou múltiplas perspectivas sobre o sujeito, mas não faz investimentos numa literatura de justificação ou explicação das acções ou da psicologia da pessoa retratada. Em obras biográficas que haja necessidade de justificação pela escolha que o autor faz de uma personalidade mais controversa (Hitler, Mao, Estaline ou mesmo Lenine), nota-se uma maior necessidade de compreender, e de ajuizar sobre essa compreensão, o objecto de trabalho, e isso explorando a sua formação pessoal, os seus contactos, a sua personalidade, investigando o que teria levado a uma ou outra decisão. Na biografia de Churchill segundo Martin não há explicação de causas, há um constatar de episódios que são deixados ao leitor ajuizar do seu interesse ou na sua influência sobre a construção de uma pessoa.
Por um lado é um acto de discernimento e respeito para com os leitores, por outro um distanciamento acordado com um homem que tanto escrevera sobre a sua época e sobre o seu lugar nessa história. É um álbum de acontecimentos e de testemunhos.
Não é um livro fascinado, positiva ou negativamente, com o seu biografado. É um livro sóbrio e que sistematiza com rigor uma vida.
As secretárias de Churchill (chegou a ter temporadas em que se fazia acompanhar de sete secretárias, mais de um ou dois assistentes literários!) descrevem momentos de grande gratificação profissional, pelo labor intelectual de Churchill, pela sua capacidade de trabalho, pela intensidade da sua inteligência.
As filhas acompanham-no em muitas das suas viagens e encontros políticos, escrevem-lhe a dar a sua opinião, mas nenhuma parece ganhar estatuto de interlocutora. Verdade seja dita que isso também não acontece com o seu filho rapaz, apesar de este ter durante um período da sua vida ter conseguido ser eleito como deputado.
segunda-feira, maio 05, 2008
Churchill: uma leitura 2
domingo, maio 04, 2008
Um dia quando a democracia deixar de ser um lamento e passar a ser uma tradição de cada um...
No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top" (ver gráfico).
quarta-feira, abril 30, 2008
Churchill: uma leitura 1
Penso em Salazar e na sua atrofiante filosofia política e penso-o no lugar errado, com o discurso errado para a história, e lamento que alguém que igualmente defendia o seu país e o seu império, não conseguisse nunca fazer coincidir essa defesa com as ideias que verdadeiramente interessavam à comunidade do futuro e que iriam afirmar-se como as únicas admissíveis, ainda que por aprofundar, na longa história do governo das sociedades no mundo: a democracia, a independência dos povos colonizados, a liberdade com princípio regulador da ordem pública.
Que pena esse raio de influência não ter produzido um outro pensamento e uma outra acção para o governo de Portugal. Que pena continuarmos sem saber conciliar e equilibrar o orgulho interno e a vontade de pertencer de facto a uma comunidade internacional. Que raio de perda de nós.
Saudável paródia à italiana
E no fim ri-me com a ideia da Itália como condimento à suspeita sensaborona Europa.
Qual seria por exemplo a conclusão portuguesa para um filme que podia aqui e ali assemelhar-se aquele? Teríamos noção da nossa diferença como essencial para criar diversidade e harmonia final no espaço europeu, ou ficaríamos a bater com a mão no peito e a enrolar o tapete do chão da sala da Europa com o sapatito?
terça-feira, abril 29, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
quinta-feira, abril 24, 2008
O novo código do trabalho e aquilo que nem a direita nem a esquerda sabem pensar: frustração de expectativas ou má criação de expectativas
Auto-estima= sucesso
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Pretensões
A equação de James (William James) como qualquer subida nos nossos níveis de expectativa gera uma subida no perigo de humilhação. O que nós entendemos ser normal é crítico na determinação das nossas hipóteses de sermos felizes. (...)
O preço que pagamos por esperarmos ser tantas coisas mais do que os nossos antepassados é a eterna angústia de estarmos sempre muito aquém de tudo o que podámos ser." , Status- Ansiedade, p. 62 e 69
Ontem um colega meu, professor de matemática e pai de duas filhas ainda pequenas, disse-me que ponderava sair do país com a família. Durante um segundo paralisei. Depois relatei-lhe parte do assunto do artigo de Gonçalo M. Tavares publicado na Visão, p.20: "Quantas pessoas saem por dia do país? Pensemos na saída de quatrocentas mil pessoas em 2007 (há quem diga que os números são bem maiores, outros dirão que são menores, infelizmente não há números exactos). Um ano tem 365 dias. Isto significa que saíram do país (supondo o tal número) mais de 100 pessoas por dia."
E perguntei-lhe: - Porquê tu? Um professor do quadro, com carreira estável, excelente professor?
Contou-me que pensava muito na história que ouviu sobre uma experiência feita com ratos: se submetidos a choque eléctricos constantes e aleatórios, os bichos, na ausência de padrão ou de uma resposta que respeite os seus comportamentos e reoriente os estímulos , preferem deixar-se morrer. Associou as políticas deste governo a essa experiência de estímulos múltiplos, aleatórios e indiferenciados aos comportamentos. A confusão que está a criar em todas as áreas de intervenção, tem tendência para levar à paralisia por saturação do indivíduo ou do grupo na compreensão e capacidade de dar resposta. A ida para fora do país, ou do sistema activo, pelos que podem, é assunto grave, tanto quanto o do défice, tanto quanto o conformismo que se quer induzir nas reacções.
Não há um princípio para esta sociedade, um pensamento que reúna todos sobre a ideia de vida contemporânea, de reflexão sobre os modos de existir, há um sentir do apertar do cerco às expectativas que legitima ou ilegitimamente foram sendo criadas pelo próprio modelo de económico-social escolhido para ser o nosso.
Também me parece que esta questão da ansiedade individual não poderá ser curada com métodos políticos, é uma questão da pessoa, mas a ansiedade geral das sociedades, essa sim, só pode ser suprimida pela boa política.
E o facto de sentirmos que nem na Presidência da República temos assegurado um padrão de comportamento exemplar e coerente em todas as situações e contra os discursos ou as acções atentárias da ideia de Portugal como um Estado de Direito e secularmente civilizado, não ajuda em nada ao sentimento de arbitrariedade do sentido existencial que estamos a sentir.
quarta-feira, abril 23, 2008
E porque hoje é dia do livro
O Recruta - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D491635__q20__q30__q41__q5.htm
Para além dos Bosques Profundos – Crónicas do Abismo - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D491632__q20__q30__q41__q5.htm
Filha da Minha Melhor Amiga (A) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D484103__q20__q30__q41__q5.htm
D. Sebastião e o Vidente - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483879__q20__q30__q41__q5.htm
Conspiração Sistina, (A) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483421__q20__q30__q41__q5.htm
Último Negreiro, (O) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483416__q20__q30__q41__q5.htm
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Também em matéria de livros, Daya Thussu fez-me chegar a informação de que publicou o livro News as Entertainment, que eu ainda não li, mas que entendo aqui referir.
De resto, releio o capítulo sobre os Sofistas e a educação grega, da portentosa obra Paideia, e aprofundo leituras sobre teoria das influências/decisões. Um gosto de leituras.
As (des) ilusões
terça-feira, abril 22, 2008
Autoridade sem ismo
Eu penso que os media portugueses fizeram muito bem em insistir e dar eco às vozes negativas que denunciaram a estratégia de Rui Gomes da Silva, mas não deixo de me perguntar até que ponto o mesmo caso, com outra figura, noutra profissão, teria exactamente a mesma unanimidade opinativa apesar de toda a razão civilizacional e profissional que lhe assistisse. Isto é, até que ponto estes casos com jornalistas não se tratam de toques a rebate corporativos como esses mesmos jornalistas gostam de adjectivar todas as outras classes sociais quando estas se reúnem para defender os seus membros de ataques infundados, mal explicados e ainda menos justificados numa sociedade democrática. Foi um pensamento que me ocorreu.
Manuela Ferreira Leite mostrou-se, ali, com um discurso distendido sobre a importância da crítica em democracia e sobre a inevitabilidade de ela ocorrer sistematicamente na análise que se faz de qualquer líder. Pergunto-me quando é que passará a mostrar sinais de inapaciência e de saturação para com os críticos que não tardarão a fazer ouvir a sua voz, e quando começará a pensar que discussão e apresentação de provas e de factos perante o público é sinónimo de ingovernabilidade.
É o problema da maior parte dos políticos portugueses e de quem os defende, sejam de que partido for, a saber, a sua deficiente preparação para o exercício, muitas vezes psicologicamente frustrante no que toca a recompensas imediatas ou pondo em causa uma ideia cheia de si, da democracia. O que me parece é que gostam de vestir a roupa de políticos rigorosos a esconder os reais trejeitos de autoritarismo que os fascina no exercício do poder. Como se não houvesse autoridade sem esses rituais exarcerbados do indivíduo sobranceiro.
Não compreendo que em democracia se defenda a atitude política de ministros tais como Maria de Lurdes Rodrigues e de Correia de Campos, ou mesmo de José Sócrates. Não entendo a defesa que fazem das suas políticas como se estivessem em guerra com um inimigo.
Há quem defenda que são eles os políticos rigorosos, os que não têm medo das reacções de classe, os que são reformadores por excelência, e eu vejo ministros que pactuaram com discursos de fragmentação da identidade das classes profissionais e da opinião pública a que se dirigiam, que manipularam dados e informações, que retocaram a política ao gosto da sua ideia mal explicada e que levanta dúvidas quanto à sua legitimidade, de engenharia social, sem atenderem nas razões dos que se lhes opõem, sem desfazerem o rito de desdém que se lhes cozeu à cara, sem descerem do seu lugar de programadores e se tornarem governantes numa República de direito. Se políticos como eles vierem a ter medo de assumirem cargos por causa de se incomodarem com a reacção pública, então mais vale que fiquem no aconchego dos seus gabinetes privados, não acho que o país democrático fique a precisar deles para nada.
Nota: Por que razão não se insiste mais na notícia de que os jovens portugueses no período dos 25-35 anos são dos mais bem qualificados da Europa? O que aliás faz pensar como é dúbia a relação Formação=qualificação=emprego =economia vitalizada.
Porque razão a senhora Ministra da Educação nos diz que este governo não navega à procura do facilitismo, quando entrega os certificados aos cursos EFA? Quererá enganar a quem? Com o devido respeito por todos os adultos que procuram desse meio certificar os conhecimentos profissionais (e não académicos) que adquiriram ao longo da vida.
Porque razão nos diz a mesma governante que temos dos melhores alunos da Europa no sétimo ano de escolaridade, juntamente com a maior taxa de reprovações? Será que é um defeito dos professores que os reprovam de acordo com critérios claros e estabelecidos pelos Ministério, ou é um defeito de um sistema de educação unificado? E quanto às reprovações no segundo ano do ensino básico por os alunos não terem adquirido as competências básicas de leitura... saberá a senhora ministra que essas competências continuam a não estar adquiridas mesmo que eles passem e comecem a encher os cursos CEF como acontece agora, quando querem alcançar certificados do 9 e 12 ano? Já nem falo sobre o que disse da avaliação dos professores no passado.
segunda-feira, abril 21, 2008
O problema que são os machos boçais numa sociedade
domingo, abril 20, 2008
A necessidade de proteger e a possibilidade de questionar a intervenção
sexta-feira, abril 18, 2008
carácter= informação / voto=filiação?
- A influência nos eleitores é maior
quando estes têm de julgar mais
subtilmente, como no caso das primárias
(as opiniões sobre o carácter
importam porque as diferenças
políticas entre candidatos são pequenas
e não há diferenças dentro
do partido). Já nas eleições gerais,
a filiação partidária é mais determinante
do que os media."
Michael Schudson in Meia-Hora
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"No seu livro O Poder das Notícias diz que Reagan foi retratado pelos media que o seguiram em campanha como “um grande comunicador” e “um tipo porreiro” e que isso teve alguma importância na sua vitória. O mesmo pode acontecer com
Obama?
- Os jornalistas americanos, especialmente dos media nacionais,estão mais à esquerda do que o resto da população, e mesmo assim ficaram impressionados com Reagan e gostaram de cobrir a sua campanha. É um bom exemplo de como a cultura profissional dos jornalistas se sobrepõe às suas ideias políticas. Obama está mais perto das
suas inclinações políticas.
Diz que os críticos olham para o poder dos media como sendo como o do Super-Homem quando nãopassa de Clark Kent? Esse suposto favoritismo dos media não dá mais votos a Obama?
- O favoritismo na cobertura acaba por ser um pequeno factor. Porque é que o governador Rendell diz que os media estão contra Hillary? Porque ela não está a ganhar e estão à procura de alguém para atacar.
Se os media têm um papel moderado, o que é que vai decidir a nomeação de dois candidatos que diz terem pouco que os
distinga em termos de ideias? Muito tem a ver com timings acidentais, o que acontece em que momento. Penso que as lágrimas de Hillary foram um acidente, mas aconteceram no momento certo, assim como o discurso de Obama sobre a raça em resposta aos ataques
ao seu pastor, o reverendo Wright.
Eu, se fosse conselheiro dele, tinha-lhe dito para se distanciar totalmentedo homem e condená-lo. Não foi o que ele fez: transcendeu o momento e aproveitou a oportunidade para reflectir sobre a forma como a raçadivide a América.
Na campanha, o lado emocional pode ser mais importante do que
os argumentos?
-Penso que sim. Onde divirjo dos críticos é que eu não penso que isso seja mau, faz parte de ser líder."
Michael Schudson entrevistado por C. Gomes do Público
quinta-feira, abril 17, 2008
"Se o pobre come galinha um dos dois está doente". Prov. chinês
-O senhor não é aquele escritor que me esqueceu o nome?
Isto dois caramelos na rua.
-Na minha opinião é melhor que o outro que também me esqueceu o nome
e juro que esta conversa é verdade. Apertaram-me a mão, aconselharam
-Continue
e vou continuar para me esquecerem mais ainda, enquanto eles continuaram na rua fora por seu turno, acotevelando-se sempre que uma mulher os cruzava. (..)"
António Lobo Antunes, "o Precário fio dos dias", in Visão, p.18
quarta-feira, abril 16, 2008
Isto é que é rigor jornalístico!!
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"Lisboa, 16 Abr (Lusa) - Quase noventa por cento dos cerca de 50 mil professores que foram consultados terça-feira pelos sindicatos apoiaram o entendimento alcançado com o Ministério da Educação (ME) no âmbito da avaliação de desempenho, revelou hoje a plataforma sindical de docentes. (..)"
A diferença que as palavras "que foram consultados" faz!!! E o "cerca" de quinhentos mil?
Onde fica a direita e a esquerda neste retrato? 2
"(...)Naturalmente, precisamos de uma "outra" esquerda; mas, também, de uma "outra" direita. O recenseamento das abdicações mútuas (da direita e da esquerda) produziu populistas sem escrúpulos e um rol infindável de crimes.
Nem revolta nem revolução. O que se nos propõe como realidade está repleto de logros, embustes e ilusões. Em nome da "democracia liberal" (que mais não é do que "democracia financeira") há a intenção de se instaurar e consolidar uma ordem despótica. Não há alternativa, proclamam. Há. Desde que a regulação dos conflitos admita que as formas de infelicidade social têm origem nas deformações políticas.
(...)
Baptista-Bastos
escritor e jornalista in DN
Um excelente artigo, mais um, de Baptista-Bastos.
Penso na esquerda e nos seus problemas com o ideário da diferença e com a consequente reflexão de a cada um aquilo que ele merece no quadro dos deveres e direitos de um estado de direito e das instituições a que se encontra adstrito por consentimento próprio ou delegado em quem de direito.
Penso na direita e nos seus problemas com o ideário da igualdade e com a consequente reflexão sobre a necessidade de regulação estatal no assegurar desse alargamento universal para as condições institucionais que fomentem a igualdade de oportunidades sociais e políticas.
No meio o ioiô da luta pelos interesses individuais.
O sistema de educação neste momento é o reflexo do pior que a ideologia de esquerda e de direita têm feito no país. Quando as escolas públicas estiverem americanizadas ao nível de todos andarmos de faca na liga sempre que por qualquer motivo lá tivermos que entrar, quando aquele espaço for o abrigo definitivo para oportunistas seres que vivem de parasitar o sistema democrático para imporem a sua lei, que é a da força e a da boçalidade, quando se tornar um refúgio para a pequena criminalidade a preparar-se para quando for "grande", então...todos os que para isso contribuíram estarão no sistema particular a usufruírem das mordomias, e a porem a mão no peito contristados com a ideia de que tentaram, quando eram "puros" e "idealistas", fazer uma sociedade com educação geral e gratuita e só não o conseguiram em nome da natureza de um povo dito resistente à civilização.
Desgraçadamente não conhecem os valores do cumprimento de regras sociais, da diferenciação do ensino em idade adequada, em ensino técnico-profissional e liceal, desde que ambos ofereçam excelentes meios para formar os seus alunos, mas com rigorosas possibilidades, claras e insofismáveis, de gratificar os que nele se esforçarem a empenharem, e penalizar com trabalho comunitário todos aqueles que desbaratarem a aplicação de recursos nacionais nas suas pessoas.
terça-feira, abril 15, 2008
Onde fica a direita e a esquerda neste retrato?
Mas ontem confesso que abri um grande sorriso quando li o seguinte:"Lisboa - Foi hoje finalizado na sede das Nações Unidas em Genebra um novo tratado de direitos humanos que passará a permitir aos cidadãos de todo o mundo apresentarem queixas à ONU em casos de alegadas violações dos seus direitos económicos, sociais e culturais.
Este Protocolo, elaborado no âmbito de um Grupo de Trabalho presidido pela jurista portuguesa Catarina de Albuquerque, foi objecto de um processo de negociações - iniciadas em Fevereiro de 2004 e que envolveram todos os Estados-Membros da ONU, bem como várias agências do sistema das NU (como a UNESCO ou a OIT) e centenas de organizações não-governamentais. " in jornaldigital.
E porquê o grande sorriso? É porque se vão reconhecendo finalmente, junto da ONU, e admitindo-se a legítima contra-argumentação, sem pôr em causa a aplicação desses princípios de forma universalizável, que a defesa dos valores económicos , sociais e culturais, sejam não só uma matéria de labuta partidário-ideológica, mas sejam reconhecidamente aceites ao mesmo nível de defesa tanto quanto os valores políticos que fundamentam uma democracia. É que agora caberá às ideologias, aos partidos e governantes discutirem os meios de consagrarem estes direitos, tanto quanto lhes coube, e continua a ser a sua função, o de consagrarem os direitos civis e políticos.
Será que é um arruamento mais a confluir para uma ideia de criação de estado transnacional, ou é um reservatório moral da vida pública?
Ainda bem que Portugal reconhece o mérito deste Protocolo, pelo menos enquanto tudo não passar de retórica e não houver que fazer aplicar políticas efectivas nessa área, ou desembolsar o dinheiro que irá gerir essa boas aplicações.
domingo, abril 13, 2008
Estados nacionais: sim, porquê?
4) Alguém nos saberá explicar de onde surgiu essa ideia peregrina de se colocar à discussão mais um escalão no topo da carreira? Nunca nos movemos por questões reivindicativas de cariz remuneratório mas sim por questões de fundamentos de princípios e de valores!"
sábado, abril 12, 2008
sexta-feira, abril 11, 2008
"Há sempre um amanhã". De facto, mas... isso é suficiente para explicar os erros que se cometam no presente? Não me parece. 1
Mas eis o olhar a brilhar de inteligência e de entusiasmo do pequeno, as perguntas e as dúvidas de alunos que através de mim buscam algumas respostas, e há milhares de folhas que em poucos dias cobrem os velhos ramos que se estendem no espaço. E sabemos que é tempo de continuar ou de regressar à “tal” posição original, de defender sem enfraquecer os valores da liberdade, da igualdade de oportunidades e da diferença como equidade, como demandou Rawls pela sociedade justa, ou da procura de argumentos válidos universalmente em exercício de trabalho em comunidade assente em critérios reguladores comunicacionais, como diria o bem amado Apel, seguido por Habermas. E então não se deixa de acreditar, pois nem a violência, a doença, a velhice ou a morte, é o fim, nem a mentira, a maldade ou manipulação dos corpos e da mente, o há-de ser.
Naquele tempo, a futura sinóloga e escritora emprestava-me os seus livros. Ler Pearl Buck então foi conhecer uma escrita ao rés da terra, sobretudo da terra chinesa, mas não só.
Recordo o livro “Há sempre um amanhã”, passado na América. As pessoas e as suas lutas contra os grilhões.
quinta-feira, abril 10, 2008
A cidade e o mundo
quarta-feira, abril 09, 2008
Descobri em Jakob Von Guten um possível irmão mais novo da personagem Ulrich em O homem sem qualidades de Robert Musil, e o irmão um pouco mais velho da personagem Törless do livro O jovem Törless do mesmo autor, sendo que muitas passagens descritivas que remetiam para descrições de pesadelos ou de perturbações nos estados de ânimo me parecem ter tido eco naquela torrente de imagens/sensações captadas aquando da passagem da personagem Virgílio no livro A morte de Virgílio de Hermann Broch, em que Virgílio, já doente, deitado na sua liteira*, é submetido a um processo de iniciação à influência das massas, no percurso que o levou, desvalido e exposto, pelas ruelas estreitas da cidade portuária de Brindisi onde o seu návio fundeara.
Imagino estes autores juntos, naquilo que já era um tempo sombrio, usando livremente o título de Annah Arendt. Mas é engraçado, à falta de outra palavra, como o refazer ou o reconstituir de uma memória é incomensuravelmente mais difícil do que as sensações que nos colhem no presente.
“-Espelho, espelho meu, onde houve tempo histórico mais sombrio que o meu?”
Como é que dizia Júlia ao despedir-se de Charles em Recordar o passado em Brideshead e citando algo do Livro de Eclesiastes? Ah, sim...
“Vaidade, vaidade, tudo é vaidade”
Hoje é um bom dia para revisitar o documentário sobre “Recordar o passado em Brideshead”, de facto.
*Por lapso escrevi ontem "leitora" ao invés de liteira. Tão engraçado... O lapso quero eu dizer.
terça-feira, abril 08, 2008
Quem brinca com o fogo?
segunda-feira, abril 07, 2008
"Notícias de uma morte não noticiada"
sexta-feira, abril 04, 2008
Política de identidade: paradoxo
Seja como for é um número bastante aproximado. Um número que nos faz pensar, não exclusivamente pela sua grandeza presente, mas pelo facto de só neste século se ter conseguido triplicar o número de habitantes no mundo, o que nos faz imaginar na hipótese de dentro um século, seguindo este aumento exponencial, estarmos com um número de habitantes verdadeiramente surpreendente, e alarmante, tendo em linha de conta os recursos disponíveis e o tipo de economia predadora como é a economia baseada no consumo individual das sociedades desenvolvidas.
É por isto que me rio sempre que se fala em problemas de natalidade em Portugal, ou na Europa. Com milhares de seres humanos em situação de pobreza extrema, com milhares de seres humanos com fome, e nós impedimo-nos de pensar numa política de imigração com efeitos reais sobre a taxa de natalidade, ou numa política de adopção verdadeiramente preocupada com crianças e pais adoptantes. É claro que poderemos pensar onde fica a questão da identidade portuguesa se houver um aumento exponencial de indivíduos cuja cultura e tradição seja de tal forma diferente que colidam com a dos nossos valores. Mas primeiro era preciso que eu acreditasse que Portugal tinha valores distintivos dos de qualquer outro povo, ainda que não almeje valores adversários aos dos princípios que regulam os direitos humanos, ou geradores de conflito, que necessitassem de ser defendidos, e em segundo lugar, era preciso que eu acreditasse que havendo esses valores eles estariam em perigo pela vinda de seres socializados de forma distinta e por isso se mantivessem estranhos aos mesmos. È claro que o radicalismo ideológico pode fazer sobraçar uma cultura, mas não uma cultura que se reconheça e que queira ser reconhecida utilizando todos os mecanismos de um Estado de Direito para se defender.
Assim, a circulação de indivíduos no mundo, não deve ser entendida como um negócio de corpos, mas como um contrato de crenças passíveis de serem partilhadas ou pelo menos reconhecidas e respeitadas. A vinda de imigrantes para as nações faz-se em nome da vontade de ganhar dinheiro e ter uma vida materialmente mais desafogada para si e seus descendentes, mas também em nome dos valores que essa terra, passando a ser sua, vai ter que exigir como contrapartida. Não me interessa se as pessoas são verdes e azuis, interesse-me saber se se reconhecem em Portugal e no mundo como portugueses. Mas que valores são os de Portugal? São os dos países ocidentais por mimetismo, por vontade assumida ou inércia cívica, ou temos algo distintivo na nossa sociedade que nos faça singulares e que nos dê orgulhe transmitir a todos os indivíduos em processo de cultivação/socialização?
A identidade está nos livros de história e nas artes? Está na língua? Nas formas de manifestação e convívio populares? Onde? E o que estamos a fazer, no caso de sabermos identificá-la, para a divulgar e conluiar as pessoas à sua volta de forma emocional e intelectual?
Pelo que observo nas festividades institucionais deste país, parece-me haver ideia de colagem da identidade portuguesa à imagem do navegador renascentista que quebrou com o paradigma antigo de pensar o mundo, não sei se por interiorização de um movimento social anímico da nossa consciência pública se por influencia estratégica da propaganda do estado Novo.
Por estes dias a França também anda a discutir a sua identidade. Parte dela acha que está a perder a sua liberdade de decisão internacional ao fazer adesão à OTAN. Cabe saber se é a França que perde ou a OTAN que ganha.
