terça-feira, junho 03, 2008
"Elogio ao amor"
domingo, junho 01, 2008
E a guerra dos pavilhões Leya pariu... uma ideia quadrada.
Não tomei partido na questão que opunha a Leya à APEL aqui há umas semanas. Pensei esperar, ver, para depois tomar a minha decisão. Pois se o editor não estava a cometer nenhuma ilegalidade, então só podia restar um juízo estético, já que fazer daquilo um caso político de conflito entre a esquerda e a direita é carregar de naftalina o discurso.
Hoje, dia mundial da criança, bom pretexto para ir à feira. Entremos pois na área da Leya. Como? É isto?! Foi por isto?!
Fiquei com uma pena dos diabos pelos livros expostos, e pelo nome das editoras que reconheço de sempre e que ali se anulavam entre si de tanto as querem a fazer forçada combinação.
Eu comprei a biografia literária de O`Oneill, editado pela D. Quixote, num dos feios caixotes. Talvez seja só isso que conte para o vendedor. Ou talvez não. Para mim, consumidora, decididamente, não.
sexta-feira, maio 30, 2008
quinta-feira, maio 29, 2008
propaganda política, diz ele
comunicação política
Han Woo Park, Mike Thelwall and Randolph Kluver da YeungNam University, University of Wolverhampton; Nanyang Technological University e também a este, mais generalista, The Internet Effect on News.
Pacheco Pereira no seu artigo desta semana da revista Sábado chama também a atenção, numa atitude que já lhe é conhecida, para os efeitos perniciosos do cruzamento entre a actividade do jornalista e a sua exposição pessoal em blogues, numa encruzilhada de interesses que deixam aquém a mera consideração da qualidade do trabalho prestado. O poder da Web na nossa maneira ainda caseira de a investigar.
Às vezes é verdade que aquilo que arde também cura
Vem esta conversa a propósito de uma informação que me fez passar num instante da atenção distraída que estava a dedicar uma noite destas ao programa do último Daily Show de Jon Stuart exibido na televisão portuguesa, a um pico de atenção. Brincava-se com as notícias e as imagens recolhidas aquando das reacções à passagem da tocha olímpica em França por parte dos defensores dos direitos do povo tibetano, sobretudo ironizava-se com o facto do atleta ter entrado dentro de um autocarro rodeado de seguranças e com a dita tocha… apagada!
Ora eu, que tomei o símbolo pelo seu valor clássico e assumi, erradamente, a marcha por estafetas do transporte da tocha como algo que o comité olímpico contemporâneo teria recuperado da tradição, fiquei em desequilíbrio argumentativo. Afinal tinha invectivado as resistências tibetanas por escolherem reagir contra um símbolo de pacificação entre os povos, quando este era uma invenção moderna de um propagandista mor da ideologia nazi. Realmente a estética pensada por Carl Diem, fiquei agora a saber, servia propósitos de divulgação do ideário estético e ideológico totalitário. Espavento!
Depois pensei que sendo certo que a origem histórica da cerimónia do transporte da tocha não é politica e eticamente correcta, também não deixou de se transformar num símbolo ético universal. Quer-me parecer que é como se a chama pudesse soerguer-se dos interesses privados de um regime e estabelecer uma ideia para além das intenções propagandísticas iniciais desse mesmo terrível estado, um pouco à semelhança daquela inesperada amizade entre iguais que se respeitam para além dos interesses políticos, como a ligação de Owens e Long. E essa transcendência das circunstâncias fá-lo, ao símbolo, uma representação da humanidade, e reitero o que escrevi antes: pode servir de bandeira a questionáveis conveniências ideológicas, mas também as supera, e na conta final parece-me que qualquer resistência social contra ditaduras ou governos autoritários ganha mais em deixar acesa aquela chama.
Mal explicada a analogia, mas avanço para ela: para mim é como a questão de não querendo verdadeiramente importar-me com a sobrevivência dos actuais partidos políticos portugueses, estando pouco interessada em quem vai ganhar as próximas eleições, e destacando apenas nos partidos, com consideração, as pessoas ou as ideias que avalio como excelentes no meu quadro interpretativo desta experiência que é a minha vida em sociedade, não poder deixar de os pensar como instrumentos que numa democracia são mais um factor de organização e de serviço à pátria do que meios para a auto-satisfação de egos. Enfim.
quarta-feira, maio 28, 2008
As razões são várias, mas a mais decisiva é que a subida vertiginosa dos preços do petróleo e a ascensão de milhões de cidadãos dos países emergentes a níveis de vida que nunca tiveram antes está a produzir uma enorme transferência planetária de riqueza, estimada anualmente em três biliões de dólares, da Europa e Estados Unidos para a Ásia, África e América Latina.
As consequências também serão várias - e todas elas potencialmente explosivas, porque a fome, a sede e a miséria não são boas conselheiras. A primeira é que a possibilidade de violentas convulsões sociais, com impactos fortíssimos a nível político e mesmo riscos para os sistemas democráticos é fortíssima. A segunda é que, à luz da História, situações destas acabam por resolver-se através de conflitos bélicos mundiais, que dizimam milhões de pessoas e reequilibram as condições de vida no planeta. 210 anos depois, Thomas Malthus volta a estar na moda." in Expresso, p. 5.
domingo, maio 25, 2008
Churchill:uma leitura 6
quinta-feira, maio 22, 2008
Pode-se mentir para provocar uma intervenção militar que reequilibre as forças em conflito?
Pode-se divulgar impunemente imagens de pessoas a correrem atrás de um camião de uma ONG que clandestinamente põe os seus voluntários a atirarem comida enquanto prosseguem em grande velocidade com vista a provocar uma reacção emocional nas populações mundiais a favor de uma intervenção?
quarta-feira, maio 21, 2008
sexta-feira, maio 16, 2008
quinta-feira, maio 15, 2008
"cartas a uma ditadura"
Não temos a certeza que sejam atavismos sociais pela sua parte ou antes uma defesa pessoal, caminhando para os lugares de conforto que conheciam e onde ideias grandiosas as embalavam, mesmo se ideias pseudo grandiosas. Repare-se como há uma senhora que revela a sua vontade de sempre ter crido que estava destinada a fazer algo pela pátria; como essa concepção é fecunda para o seu imaginário político.
A democracia portuguesa envergonhou-se desse sentimento (a bandeira, entendida como apelo emocional e identificativo de um desejo e de uma comunhão nacional à volta desse desejo, só vai aparecer nas janelas décadas depois e por razões de futebol), a sociedade civil deixou aos militares a defesa desses valores e envergonhou-se de falar na pátria. Escondeu esses sentimentos. Ora quem vinha fortemente marcada por esses valores, ou por essa linguagem, não encontrou lugar depois, nem se deixou seduzir pela nova linguagem e o que ela antevia de realidade criativa na sociedade. E devia ter-se pensado na socialização dos que tinham vindo com fortes estruturas mentais enquadradas pelo antigo regime, devia ter havido um cuidado maior em explicar a revolução e os seus valores civilizacionais aos que a temiam ou aos que estavam enquadrados por uma linguagem e por uma acção que lhes dava uma espécie de segurança, aos que a desconheciam, enfim.
Atente-se no cuidado com a iconografia que o anterior regime tinha, não falo de propaganda coadjuvada por censura, mecanismo forte de condicionamento mental, mas na própria ideia cénica à volta do ditador. Aquela cena de Salazar a despedir-se das suas pupilas no meio de um campo de milho(?), afastando-se depois pelo meio de um caminho rural com o seu chapéu de chuva aberto a protegê-lo do sol, filmado ao longe e de costas, é uma imagem fortemente cinematográfica. É uma projecção de ideia de homem que toca o imaginário (e deve ter sido isso que a realizadora nela viu, ao mantê-la como registo no seu próprio documentário).
Foi pena não se ter falado com aquelas outras mulheres que aproveitaram para escrever mais sobre elas do que sobre a sua adesão à causa. Impressiona a carta da mulher que se oferece como em sacrifício ao Deus cristão pela vontade de ter um filho. Sobreviveu à gravidez de risco? Encontrou o sentido da sua vida na vida do/a seu filho(a)?
Excepto a senhora com que termina o programa, a trabalhadora que se descreve como vencedora na vida, estando bem sintonizada com a realidade presente, todas as outras mulheres vivem ainda como que encapsuladas, em gestos recatados (é comovente ver a senhora que puxa o seu vestidinho para cobrir os joelhos, é aflitivo ver aquela outra que cicia, meio temerosa, contida nos gestos). Há depois a bela senhora que observa o mundo do seu magnífico edifício solarengo e que sonha ainda com uma entrega heróica da sua pessoa a uma ideia de grandeza pátria, sem se decidir a agir nas formas que o mundo hoje lhe dá. Cheia de reticências dentro de si. Como se eternamente ficasse em suspiro. Ou aquela, a mais idosa, que não tem complacência para a nossa época e com energia a nega, ressentida.
É um documentário bem enquadrado historicamente, de grande simpatia pessoal para com estas mulheres, ainda que se procure compreender com algum distanciamento teórico o que viam elas num homem e numa causa que tanto contribuiu para a subalternização do poder político do papel da mulher e para a paralisação de um país.
A evocação das energias de uma nação é uma das qualidades que qualquer discursos democrático terá que contemplar, para que a democracia não seja apenas uma forma de governo, um mal menor na história do poder, mas antes uma forma vivificadora da existência do indivíduo no mundo enquanto cidadão. Se a democracia não dá por si só a felicidade a ninguém na sua vida íntima, terá que lhe dar a base suficiente para ser reconhecida como a única forma verdadeiramente defensável e pela qual vale a pena imaginar mundos e vidas públicas.
--
quarta-feira, maio 14, 2008
"Sem Correntes"
terça-feira, maio 13, 2008
A natureza do mal natural
O Prof.. A. Moreira está a escrever sobre o Iraque, eu estou a pensar na antiga Birmânia.
segunda-feira, maio 12, 2008
O que estamos dispostos a fazer por aquilo em que acreditamos?
..
domingo, maio 11, 2008
A mensagem no exterior, quem a controla?
Quem ouve os senhores deputados? "Quem me leva os meus fantasmas?"
sexta-feira, maio 09, 2008
Churchill: uma leitura 5
Só conheço um discurso na íntegra de Churchill. Aquele que Leopoldino Serrão seleccionou para o livro Grandes Discursos Políticos, vol. 1, publicados pela editora Ausência. De resto falo da sua competência discursiva por ouvir dizer, mais do que por meu saber. Por ouvir dizer quem o admira e o comenta, e por ler o que os seus pares pensavam então das suas intervenções e sobre as reacções registadas da população aos seus discursos.
Um discurso pode transcender o momento histórico em que é escrito e para o que é escrito, sobretudo o poético, muitas vezes também o filosófico, mas não é uma tarefa acessível a todos os autores, nem a todos os géneros literários. Os textos têm uma data, falam uma linguagem que tem lastro cultural e social, falam entrincheirados na formação do seu autor, nos seus conhecimentos, no seu registo de memória, na sua capacidade de intuir ou de imaginar, de representar a sua experiência no mundo.
Textos poéticos, textos analíticos ou conceptuais, textos de aforismos, mais facilmente podem interceptar os tempos e convocar os leitores do futuro.
O discurso de Churchill que eu conheço intitula-se A frente de Guerra contra os “Filhos do Sol Nascente” e foi pronunciado perante os membros do Congresso dos Estados Unidos em 1943. Não é um texto que convoque o futuro. Não no meu entendimento. É um bom texto histórico e biográfico. Não é um discurso imortal.
É um discurso de reconhecimento e de regozijo pela associação entre as duas nações em guerra, mas também claramente um texto em que se dá a entender firmemente quais são as ideias estratégicas a que a Grã-Bretanha quereria dar continuidade no mundo. Reparei como Churchill teve que reforçar várias vezes a ideia de que o esforço de guerra estava a ser suportado igualmente com grandes custos para a Grã-Bretanha e seus aliados, tanto quanto pelos Estados Unidos, listando o número de mortos e feridos em combate, tanto quanto os meios de luta e os meios logísticos envolvidos. Não devia ser essa a percepção da opinião pública americana e Churchill veio relembrar que o esforço de guerra do império inglês começara antes e continuava inexorável a par dos Estados Unidos. Este com a maioria das suas forças concentradas então, em 1943, na frente do Pacífico, aquela com responsabilidades de conduzir a guerra no Atlântico e no Mediterrâneo.
Numa linguagem aqui e ali alavancada em frases emotivas a apelarem ao sentimento de heroicidade, a “voz do sangue”, que permitiam dizer-se e sentir-se com convicção que “Travaremos esta guerra com gosto enquanto os nossos corpos respirarem, enquanto correr sangue nas nossas veias”, p. 174.
Com uma mão a agradecer e com a outra a instigar a América a seguir um rumo no qual os interesses nacionais da Grã-Bretanha não ficassem diluídos na grandeza do envolvimento americano na guerra, sendo que isso teria que ser feito com interlocutores convencidos da fidelidade aos princípios comuns que os reunira na luta e convencidos da necessidade de combinarem execuções, fazendo-se apelo à urgência de realização de reuniões constantes entre os Estados Maiores e os chefes de executivos das duas nações.
Reparo também como Churchill cuida de elucidar a importância do papel das forças russas em terra no desenrolar da guerra. E noto igualmente como os princípios que levavam uns e outros a combater eram tão distintos entre si, mas permitia-lhes uma união contra o inimigo comum: Hitler. Engraçado que na Europa o inimigo tenha um nome, e na Ásia seja todo um país identificado como inimigo. A proximidade entre os povos europeus a ditar a reserva emocional de tomar o todo alemão pela sua parte, algo que a distância, e provavelmente o respeito pelo sentimento dos americanos em face do que sentiram como grave agressão japonesa aos interesses americanos, deve ter elidido no tratamento do caso japonês.
O “dever para com o futuro do Mundo e o destino do Homem”. Mas quem defina esse futuro? Nas Nações Unidas, organização recém-criada? Qual seria a voz a delinear esse futuro? A América, a Grã-Bretanha, a Rússia, a China? Quais eram os princípios universais e sob que fundamento se poderia erigir como normativos para a humanidade? Churchill falava a partir da sua história, da sua tradição, e como convencer os outros povos a viverem sob ditaduras do valor desses valores?
O tom, a que infelizmente o registo escrito não nos deixa aceder, terá todo o seu efeito de persuasor. Porque pode ser dita a seguinte frase de múltiplas formas (da forma mais convencional, mais protocolar, mais conformista, mais enganosa, mais aduladora ou mais convincente): “penso que não teríeis podido escolher outro homem melhor do que o general Eisenhower, para manter o bom entendimento entre as suas três grandes forças heterogéneas (…)” p.185. Qual seria o sentimento a pontuar esta frase?
Aceito a originalidade e a grandiloquência do sentimento que instruiu algumas das frases que são incitadoras à emoção. Este sim um elemento comunicacional transversal aos discursos políticos de apelo e de crença nos efeitos do discurso sobre o estado de ânimo, se ditos por quem seja de autoridade reconhecida.
quinta-feira, maio 08, 2008
quarta-feira, maio 07, 2008
Churchill: uma leitura 4
A democracia como forma de governo obriga a uma aprendizagem do discurso e da elocução. Os gregos, que criaram essa forma de governo, sabiam-no muito bem, e o combate ideológico pela conquista do espírito do discurso entre sofistas e filósofos está aí para provar a importância da arte de discursar em público. A posse do método mais útil ou mais verdadeiro, a luta pela imposição de uma determinada forma de entender a realidade e de actuar sobre ela, a procura de influenciar e de tomar sob sua orientação as jovens personalidades que interiorizassem técnicas e matérias úteis ao seu desempenho como sujeitos capazes de dirigir os assuntos públicos.
A universidade portuguesa, a das humanidades e das ciências sociais, demitiu-se desta querela, e na prática não contribui para a divulgação, execução e reconhecimento do papel fundamental desse exercício de aprendizagem discursiva, dessa demanda pela boa prática quanto à forma e quanto ao conteúdo de um discurso.
terça-feira, maio 06, 2008
Churchill: uma leitura 3
A biografia de Churchill segundo G. Martin não é um livro de valoração ou de qualificação da personalidade escolhida. É um livro essencialmente descritivo e o autor procura manter-se fiel aos factos não intervindo numa via mais psicológica de interpretação do carácter. Ele espelha as valorações que dessa personalidade foram sendo feitas ao longo do tempo, compilando sequencialmente diferentes ou múltiplas perspectivas sobre o sujeito, mas não faz investimentos numa literatura de justificação ou explicação das acções ou da psicologia da pessoa retratada. Em obras biográficas que haja necessidade de justificação pela escolha que o autor faz de uma personalidade mais controversa (Hitler, Mao, Estaline ou mesmo Lenine), nota-se uma maior necessidade de compreender, e de ajuizar sobre essa compreensão, o objecto de trabalho, e isso explorando a sua formação pessoal, os seus contactos, a sua personalidade, investigando o que teria levado a uma ou outra decisão. Na biografia de Churchill segundo Martin não há explicação de causas, há um constatar de episódios que são deixados ao leitor ajuizar do seu interesse ou na sua influência sobre a construção de uma pessoa.
Por um lado é um acto de discernimento e respeito para com os leitores, por outro um distanciamento acordado com um homem que tanto escrevera sobre a sua época e sobre o seu lugar nessa história. É um álbum de acontecimentos e de testemunhos.
Não é um livro fascinado, positiva ou negativamente, com o seu biografado. É um livro sóbrio e que sistematiza com rigor uma vida.
As secretárias de Churchill (chegou a ter temporadas em que se fazia acompanhar de sete secretárias, mais de um ou dois assistentes literários!) descrevem momentos de grande gratificação profissional, pelo labor intelectual de Churchill, pela sua capacidade de trabalho, pela intensidade da sua inteligência.
As filhas acompanham-no em muitas das suas viagens e encontros políticos, escrevem-lhe a dar a sua opinião, mas nenhuma parece ganhar estatuto de interlocutora. Verdade seja dita que isso também não acontece com o seu filho rapaz, apesar de este ter durante um período da sua vida ter conseguido ser eleito como deputado.
segunda-feira, maio 05, 2008
Churchill: uma leitura 2
domingo, maio 04, 2008
Um dia quando a democracia deixar de ser um lamento e passar a ser uma tradição de cada um...
No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top" (ver gráfico).
quarta-feira, abril 30, 2008
Churchill: uma leitura 1
Penso em Salazar e na sua atrofiante filosofia política e penso-o no lugar errado, com o discurso errado para a história, e lamento que alguém que igualmente defendia o seu país e o seu império, não conseguisse nunca fazer coincidir essa defesa com as ideias que verdadeiramente interessavam à comunidade do futuro e que iriam afirmar-se como as únicas admissíveis, ainda que por aprofundar, na longa história do governo das sociedades no mundo: a democracia, a independência dos povos colonizados, a liberdade com princípio regulador da ordem pública.
Que pena esse raio de influência não ter produzido um outro pensamento e uma outra acção para o governo de Portugal. Que pena continuarmos sem saber conciliar e equilibrar o orgulho interno e a vontade de pertencer de facto a uma comunidade internacional. Que raio de perda de nós.
Saudável paródia à italiana
E no fim ri-me com a ideia da Itália como condimento à suspeita sensaborona Europa.
Qual seria por exemplo a conclusão portuguesa para um filme que podia aqui e ali assemelhar-se aquele? Teríamos noção da nossa diferença como essencial para criar diversidade e harmonia final no espaço europeu, ou ficaríamos a bater com a mão no peito e a enrolar o tapete do chão da sala da Europa com o sapatito?
terça-feira, abril 29, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
quinta-feira, abril 24, 2008
O novo código do trabalho e aquilo que nem a direita nem a esquerda sabem pensar: frustração de expectativas ou má criação de expectativas
Auto-estima= sucesso
_______
Pretensões
A equação de James (William James) como qualquer subida nos nossos níveis de expectativa gera uma subida no perigo de humilhação. O que nós entendemos ser normal é crítico na determinação das nossas hipóteses de sermos felizes. (...)
O preço que pagamos por esperarmos ser tantas coisas mais do que os nossos antepassados é a eterna angústia de estarmos sempre muito aquém de tudo o que podámos ser." , Status- Ansiedade, p. 62 e 69
Ontem um colega meu, professor de matemática e pai de duas filhas ainda pequenas, disse-me que ponderava sair do país com a família. Durante um segundo paralisei. Depois relatei-lhe parte do assunto do artigo de Gonçalo M. Tavares publicado na Visão, p.20: "Quantas pessoas saem por dia do país? Pensemos na saída de quatrocentas mil pessoas em 2007 (há quem diga que os números são bem maiores, outros dirão que são menores, infelizmente não há números exactos). Um ano tem 365 dias. Isto significa que saíram do país (supondo o tal número) mais de 100 pessoas por dia."
E perguntei-lhe: - Porquê tu? Um professor do quadro, com carreira estável, excelente professor?
Contou-me que pensava muito na história que ouviu sobre uma experiência feita com ratos: se submetidos a choque eléctricos constantes e aleatórios, os bichos, na ausência de padrão ou de uma resposta que respeite os seus comportamentos e reoriente os estímulos , preferem deixar-se morrer. Associou as políticas deste governo a essa experiência de estímulos múltiplos, aleatórios e indiferenciados aos comportamentos. A confusão que está a criar em todas as áreas de intervenção, tem tendência para levar à paralisia por saturação do indivíduo ou do grupo na compreensão e capacidade de dar resposta. A ida para fora do país, ou do sistema activo, pelos que podem, é assunto grave, tanto quanto o do défice, tanto quanto o conformismo que se quer induzir nas reacções.
Não há um princípio para esta sociedade, um pensamento que reúna todos sobre a ideia de vida contemporânea, de reflexão sobre os modos de existir, há um sentir do apertar do cerco às expectativas que legitima ou ilegitimamente foram sendo criadas pelo próprio modelo de económico-social escolhido para ser o nosso.
Também me parece que esta questão da ansiedade individual não poderá ser curada com métodos políticos, é uma questão da pessoa, mas a ansiedade geral das sociedades, essa sim, só pode ser suprimida pela boa política.
E o facto de sentirmos que nem na Presidência da República temos assegurado um padrão de comportamento exemplar e coerente em todas as situações e contra os discursos ou as acções atentárias da ideia de Portugal como um Estado de Direito e secularmente civilizado, não ajuda em nada ao sentimento de arbitrariedade do sentido existencial que estamos a sentir.
quarta-feira, abril 23, 2008
E porque hoje é dia do livro
O Recruta - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D491635__q20__q30__q41__q5.htm
Para além dos Bosques Profundos – Crónicas do Abismo - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D491632__q20__q30__q41__q5.htm
Filha da Minha Melhor Amiga (A) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D484103__q20__q30__q41__q5.htm
D. Sebastião e o Vidente - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483879__q20__q30__q41__q5.htm
Conspiração Sistina, (A) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483421__q20__q30__q41__q5.htm
Último Negreiro, (O) - http://html.bertrand.dalera.com/livro_pc__q1livro_--_3D483416__q20__q30__q41__q5.htm
..
Também em matéria de livros, Daya Thussu fez-me chegar a informação de que publicou o livro News as Entertainment, que eu ainda não li, mas que entendo aqui referir.
De resto, releio o capítulo sobre os Sofistas e a educação grega, da portentosa obra Paideia, e aprofundo leituras sobre teoria das influências/decisões. Um gosto de leituras.
As (des) ilusões
terça-feira, abril 22, 2008
Autoridade sem ismo
Eu penso que os media portugueses fizeram muito bem em insistir e dar eco às vozes negativas que denunciaram a estratégia de Rui Gomes da Silva, mas não deixo de me perguntar até que ponto o mesmo caso, com outra figura, noutra profissão, teria exactamente a mesma unanimidade opinativa apesar de toda a razão civilizacional e profissional que lhe assistisse. Isto é, até que ponto estes casos com jornalistas não se tratam de toques a rebate corporativos como esses mesmos jornalistas gostam de adjectivar todas as outras classes sociais quando estas se reúnem para defender os seus membros de ataques infundados, mal explicados e ainda menos justificados numa sociedade democrática. Foi um pensamento que me ocorreu.
Manuela Ferreira Leite mostrou-se, ali, com um discurso distendido sobre a importância da crítica em democracia e sobre a inevitabilidade de ela ocorrer sistematicamente na análise que se faz de qualquer líder. Pergunto-me quando é que passará a mostrar sinais de inapaciência e de saturação para com os críticos que não tardarão a fazer ouvir a sua voz, e quando começará a pensar que discussão e apresentação de provas e de factos perante o público é sinónimo de ingovernabilidade.
É o problema da maior parte dos políticos portugueses e de quem os defende, sejam de que partido for, a saber, a sua deficiente preparação para o exercício, muitas vezes psicologicamente frustrante no que toca a recompensas imediatas ou pondo em causa uma ideia cheia de si, da democracia. O que me parece é que gostam de vestir a roupa de políticos rigorosos a esconder os reais trejeitos de autoritarismo que os fascina no exercício do poder. Como se não houvesse autoridade sem esses rituais exarcerbados do indivíduo sobranceiro.
Não compreendo que em democracia se defenda a atitude política de ministros tais como Maria de Lurdes Rodrigues e de Correia de Campos, ou mesmo de José Sócrates. Não entendo a defesa que fazem das suas políticas como se estivessem em guerra com um inimigo.
Há quem defenda que são eles os políticos rigorosos, os que não têm medo das reacções de classe, os que são reformadores por excelência, e eu vejo ministros que pactuaram com discursos de fragmentação da identidade das classes profissionais e da opinião pública a que se dirigiam, que manipularam dados e informações, que retocaram a política ao gosto da sua ideia mal explicada e que levanta dúvidas quanto à sua legitimidade, de engenharia social, sem atenderem nas razões dos que se lhes opõem, sem desfazerem o rito de desdém que se lhes cozeu à cara, sem descerem do seu lugar de programadores e se tornarem governantes numa República de direito. Se políticos como eles vierem a ter medo de assumirem cargos por causa de se incomodarem com a reacção pública, então mais vale que fiquem no aconchego dos seus gabinetes privados, não acho que o país democrático fique a precisar deles para nada.
Nota: Por que razão não se insiste mais na notícia de que os jovens portugueses no período dos 25-35 anos são dos mais bem qualificados da Europa? O que aliás faz pensar como é dúbia a relação Formação=qualificação=emprego =economia vitalizada.
Porque razão a senhora Ministra da Educação nos diz que este governo não navega à procura do facilitismo, quando entrega os certificados aos cursos EFA? Quererá enganar a quem? Com o devido respeito por todos os adultos que procuram desse meio certificar os conhecimentos profissionais (e não académicos) que adquiriram ao longo da vida.
Porque razão nos diz a mesma governante que temos dos melhores alunos da Europa no sétimo ano de escolaridade, juntamente com a maior taxa de reprovações? Será que é um defeito dos professores que os reprovam de acordo com critérios claros e estabelecidos pelos Ministério, ou é um defeito de um sistema de educação unificado? E quanto às reprovações no segundo ano do ensino básico por os alunos não terem adquirido as competências básicas de leitura... saberá a senhora ministra que essas competências continuam a não estar adquiridas mesmo que eles passem e comecem a encher os cursos CEF como acontece agora, quando querem alcançar certificados do 9 e 12 ano? Já nem falo sobre o que disse da avaliação dos professores no passado.
