
segunda-feira, novembro 17, 2008
domingo, novembro 16, 2008
Eu gosto tanto de ir a manifestações...
Alberto Gonçalves explica o fenómeno no DN : "O aparente paradoxo explica-se. Se o povo percebe que o Governo roça o embaraço, supõe igualmente que não arranja melhor e, sobretudo, que não merece melhor. No fundo, e Deus sabe a que fundo desceremos, o Executivo do eng. Sócrates e as massas estabeleceram um acordo tácito e ideal, em que, para efeitos de alívio geral, o primeiro finge mandar e as segundas fingem insubordinar-se. De caminho, o país finge que existe, exercício que também não chega a convencer mas que decerto também consola."
Eu, ingénua, procuro continuar a acreditar nas palavras de Patrick Champagne que me diz que as sondagens não passam de mais uma fórmula encontrada para fazer impor uma ideia de "opinião" pública" e não um meio de expressão dessa opinião pública.
sexta-feira, novembro 14, 2008
Ainda sobre a avaliação de professores 2
5. E porque não o conseguiu?
Porque a quantidade de reformas foram todas mal geridas desde o início.
Ora o que temos? Um maior número de inscritos para terminarem os níveis de escolaridade obrigatória. É verdade. Mas também o estão a fazer com currículos, formas de avaliação e em tempos lectivos que não correspondem a nada do que até agora se admitiu ser o ensino (melhoramento das competências cognitivas, meio de aquisição de informação e de raciocínio, aprendizagem de aplicação dos saberes). Inverteu-se a prova: agora é o aluno que diz à escola como e em que condições deve ser avaliado e obter o seu diploma. A degradação da imagem do ensino público tem caído a pique.
A situação é muito mais grave do que a maioria das pessoas se consegue aperceber. E aqueles alunos que ainda têm expectativas de mudar de vida tendo por base a educação, hão-de aperceber-se que as actuais formas de ensino também não irão satisfazer (depressa se apercebem que o seu certificado não lhes serve para grande coisa para além do título).
6. O que devia ter sido feito?
Ter-se dividido o ensino em ramos distintos (e com escolas e cursos distintos e bem estruturados, com opções variáveis) entre técnico-profissionais, o ensino geral clássico e cursos para adultos que só querem uma formação em certas áreas da sua vida pessoal e profissional. A selecção far-se-ia logo no sexto ano de escolaridade, ou por opção do aluno por uma ou outra das vias. Em nenhuma dessas vias se devia premiar o facilitismo nas aprendizagens, nem dar a ideia de que "Basta ir à maioria das aulas e no fim tens o certificado", como eu já ouvi dizer.
7. Que tipo de avaliação dos professores seria a correcta?
a) Aquela que se prendesse com a sua formação científica contínua (só aprendendo mais se pode ensinar melhor), o que implicaria a realização de cursos específicos ou frequência de disciplinas de cursos de pós-graduações na sua área de interesse/formação nas universidades. Avaliados e creditados por estas. Um sistema de créditos que seria gerido e utilizado pelo professor sempre que fosse necessário fazer prova da sua formação para subir de escalão.
b) Análise formativa da sua competência pedagógica (avaliada por um formador especializado na área) avaliada com uma única aula assistida no período de passagem de cada escalão.
c) Avaliação pelo Conselho executivo da Escola quanto à pontualidade e assiduidade no que às suas tarefas diz respeito.
d) Casos de manifesto incumprimento dos deveres por parte do professor deveriam ter uma resposta imediata ao nível das sanções que qualquer trabalhador está sujeito e estão previstas no Código de trabalho.
8. O que se deve evitar?
Utilizar uma comunicação estratégica contra os professores. Pois não só se desprestigia quem a enuncia, como desorganiza toda uma estrutura social ainda assente na importância de um professor na vida comunitária: depois venham dizer que os alunos andam a ser instrumentalizados pelos professores e não estão a agir exclusivamente, e de forma mentecapta é certo, através das suas acções pouco dignas com o mesmo tipo de violênciaque este governo utiliza verbalmente contra os seus professores.
quarta-feira, novembro 12, 2008
Só nos faltava...
Noutra esfera diferente da realidade, a Associação de Professores de Filosofia recoloca essas e outras questões acerca dos "chefes momentâneos" ao nível do seu muito sofrível significado, e propõe-nos que vejamos o seguinte vídeo onde podemos descansar a mente: "Nós estamos aqui: o pálido ponto azul".
Não parece o futuro presidente americano a falar, o Sr. Sagan? Não é tão necessário ouvir?
O que alguns amigos que não são professores me perguntam sobre a avaliação dos professores...1
R. Como não foram avaliados?!
terça-feira, novembro 11, 2008
Esta é a alegria desta terra...
Um homem que enquanto Presidente de um município introduziu reformas que conduziram imediatamente à melhoria das condições de vida do operariado em geral e sobre os trabalhadores municipais em particular, fazendo aprovar leis do trabalho em tudo inovadoras à época a qual se pautava por valores de defesa de um liberalismo económico selvagem, em Portugal e no mundo: introduziu o dia de 8 horas de trabalho, o descanso semanal de um dia, ao Domingo, a proibição do trabalho infantil, etc. É dele também a iniciativa da construção do bairro de operários em Coimbra que oferecesse condições dignas de vida, entre outras obras de interesse geral. Tudo isto a par de uma obra académica na área jurídica de grande interesse para Portugal.
No seguimento das teorias de Eduard Bernstein, o teórico alemão que defendia um socialismo não revolucionário que evoluísse para uma teoria social democrática, o nosso Barroco e Sousa defendia também que "O município constitui a maior alavanca para o desenvolvimento constitucional", naquilo que iria ser o prenúncio de uma política descentralizada do poder, mais próximo das necessidades e interesses das comunidades.
sexta-feira, novembro 07, 2008
Em nome da democracia
Fernanda Câncio, "Caso Perdido" in DN
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Já ontem o jornalista Ricardo Costa na SIC Notícias explicou detalhadamente este princípio elementar para qualquer democracia: um representante do povo (leia-se deputado) só pode ver o seu mandato suspenso por decisão judicial e não política, só pode ser sujeito a um processo judicial e não pode ser impedido de entrar no orgão de soberania onde exerce as suas funções de representante por motivo nenhum de ordem política ou de regulamento da instituição. A bondade do princípio é evidente para qualquer pessoa democrática: ao começarmos a definir o que é bom ou mal passível de ser feito por um deputado em funções, estamos a abrir a porta para a aleatoriedade da definição do que é bom ou mal em nome de interesses de uma maioria que, amanhã, não saberemos qual é, e qual o uso que desses conceitos quererá fazer para restringir a liberdade de pensamento e acção de um deputado. Este é eleito pelo povo e não pelos partidos ou seus dirigentes.
quinta-feira, novembro 06, 2008
Maioria absoluta? Só para quem não tiver memória.
Há uma lição sócio-política que todos os professores deste país já sabem de cor e salteado: maioria absoluta em Portugal é sinónimo de exercício de um espírito antidemocrático.
Dear Mr. President: "Save Darfur" não brinca em serviço
Now it's time for action.
Be a voice for Darfur. Send a message today "
A associação Save Darfur, perfeita na sua acção e empenhamento, começa já a mandar um postal ao novo presidente dos Estados Unidos, a lembrá-lo das suas promessas para a resolução do problema no Drafur:
"Be a Voice for Darfur
President-elect Barack Obama has pledged "unstinting resolve" in pursuing an end to the Darfur genocide.
Be a voice for Darfur. Join one million people declaring with one voice: Obama must make Darfur a Day One priority.
Sign the postcard now urging our next president to keep his pledge—and take decisive action to help end the genocide.
Dear Mr. President,
Darfur. I urge you to keep that promise by making Darfur a priority
from day one of your term to achieve: ** Protection of civilians from
violence, starvation and disease ** Sustainable peace for all Sudan **
Justice for victims and accountability for perpetrators.
Sincerely,"
quarta-feira, novembro 05, 2008
O senhor presidente
Os discursos de Obama são de grande beleza formal (daí a sua musicalidade), mas eu, sem paixão, vendo de longe, espero para ver os resultados que ele conseguirá apresentar neste ano tão difícil. Esperando que ele possa fazer-nos acreditar quando tiver que tomar decisões a sério.
Por cá, o governo procura continuar a descredibilizar os seus críticos, onde quer que eles surjam com um discurso opositor. Muito gostava eu de saber quem libertou as últimas informações sobre Cadilhe para os jornais. Tanto envenenam as fontes que um dia hão-de provar dessa água.
É uma pecha comum da nossa governamentalidade : ao invés de ter um discurso pela diferença e por acreditar em si, faz um discurso continuamente contra o "outro".
terça-feira, novembro 04, 2008
Será que era um problema económico a necessitar de solução política, ou era uma solução económica que dispensava a intromissão política?
Espero vir a saber se Miguel Cadilhe tem ou não razão para falar em nacionalização desproporcionada, para compreender melhor se o governo português toma decisões de nacionalizar empresas em nome de estratégias políticas.
"Quem se mete com a gente leva"
Ameaças e coação entram directamente na classe dos crimes semipúblicos que o Estado acompanha mediante denúncia dos visados. Se muito graves, e pessoalmente acho que estes foram, podem mesmo ser crimes públicos, nos quais o Estado litigará por si contra suspeitos de autoria e instigadores.
Talvez fosse saudável num Estado de Direito Democrático mostrar que o ambiente de criminalidade estilo Al Capone, que a procuradora Cândida Almeida, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, tão bem denunciou como estando a querer instalar-se em Portugal, não é tolerado. Que não pode haver lodos nos cais de Portugal por muito poderosos que sejam política e financeiramente os grupos económicos. Que as ameaças de que quem se mete com "a gente" de Jorge Coelho leva não são toleradas. Um pormenor mais. A história de Elia Kazan sobre as máfias nos cais de Nova Iorque nos anos 50 era baseada em factos verídicos."
segunda-feira, novembro 03, 2008
A nacionalização anunciada ao Domingo
sexta-feira, outubro 31, 2008
A hipocrisia que move a política internacional, e a nacional
"É como se estas mulheres nunca tivessem existido."
VISTO DO DEUTERONÓMIO
«Aconteceu um destes dias. "Os extremistas islâmicos da Somália executaram uma jovem de 23 anos, por lapidação. A mulher foi acusada por adultério na localidade Kismayu, no Sul do país." A mulher não tem nome, quem a matou também não, a história tem dez linhas. Não há imagens nem entrevistas, nada daquilo que faz "o interesse humano". Não é pois uma grande notícia, morrer à pedrada. Pedra após pedra da mão de gente que ainda ontem talvez nos dissesse olá, que ainda ontem era um vizinho ou um primo ou um irmão, que ainda ontem julgávamos amigo. Mas morremos ali, cercados como por lobos, golpe após golpe. Nenhum profeta para entrar no círculo e suster o massacre com uma parábola, nenhum sinal divino, nenhum raio a fulminar os monstros. E depois nenhum julgamento, nenhum castigo.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Como mãe também me pergunto isto mesmo:
No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na televisão aanunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o portátil Magalhães..
No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita, no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros 'Magalhães' na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente uma explicação respeitante aos escalões doIRS e ao custo dos portáteis.
No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais papéis, traz um 'Magalhães' debaixo do braço.
Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.
Movimento mobilização e unidade dos professores
Acerca da biografia de Arendt... 3
Desde aquele confrangedor triângulo amoroso com Heidegger e a mulher deste, que Hannah arrasta atrás de si toda uma vida, ao ponto de nos embaraçar a nós leitores pela sua disponibilidade para ser utilizada como interlocutora, confidente, apoiante e procuradora/editora durante o tempo e nas condições rigorosamente impostas por Heidegger, sendo que nunca parece claro o seu corte emocional com o seu antigo mestre e amante, e ainda que em nome de uma profunda afinidade pela natureza do pensamento filosófico, até àqueles maridos e amantes que proclamam ser seus mentores e se sentem aliás mesmo autores de alguns dos seus pensamentos, achando-se frequentemente superiores a ela em termos intelectuais, Harendt parece querer deixar-se ver como uma senhorita sem querer consciencializar a ideia da sua real influência para a história do pensamento. Deverá ser difícil tendo um marido que se acha um ser muito especial e que lhe diz, meio a sério meio a brincar, que ela devia era estar a secretariar a sua fenomenal obra por escrever (e assim ficou, pois)!
Penso em John Stuart Mill e na sua esposa Harriet Taylor, na confirmação por parte dele da importância da sua mulher na obra, escrita para reflectir precisamente o pensamento comum. Penso nele como poderia pensar noutros autores que fazem relato semelhante, mas Arendt, como muitas outras mulheres de então e...não só, parece-me em luta com a ideia de si própria enquanto mulher, no grupo, no casamento e na sociedade.
Diz ela: "Os homens têm sempre esta vontade enorme de exercer uma influência, mas, de certa maneira, vejo isso de fora." É que isso era verdade, pois ela tinha sido bem ensinada a senti-lo desde a sua entrada na universidade, e lá em casa haveria quem lho recordasse igualmente, no caso de ter alguma ilusão a esse respeito. Ela foi a amante de Heidegger, escolhida também pela sua inteligência para o interpretar, para seguir, divulgar e proteger a obra do professor, não foi escolhida como criadora de uma futura obra prima.
A questão da influência só era masculina porque não se lhes afigurava a importância, ou a necessidade, de aceitarem a influência das mulheres. À maioria dos académicos, pelo menos. Vamos pensar que hoje as coisas são diferentes nas academias (então não são!).
segunda-feira, outubro 27, 2008
"O poder de nos dominarmos a nós mesmos"
domingo, outubro 26, 2008
O príncipe feliz
Ao "príncipe" de Maquivel eu respondo com o "príncipe feliz" de Wilde.
Ai é um ensaio político contra uma pequena narrativa ficcionada? Dizem. Ficção por ficção eu escolho a segunda. Em paz. Mas também reconheço ameaças, e também sei como anulá-las sem desfalecer.
Lá precisei eu de escrever isto. Será um incitamento ou um testemunho?
sexta-feira, outubro 24, 2008
Quando o emprego sobe em Espanha...
E penso, onde vai agora aquela gente encontrar um trabalho para se sustentar?
Depois leio o seguinte:
Portugal está em risco de ser ultrapassado pela Ucrânia no ranking da UEFA mas, ao menos, continuamos no topo, logo abaixo do México e da Turquia, do ranking dos países com maiores desigualdades sociais. Segundo a OCDE, se houve em Portugal uma melhoria da distribuição de rendimentos entre os anos 70 e 80 (o período "gonçalvista", origem, como se sabe, de todos os nossos males), a partir daí, durante 30 anos de governos de partidos com "socialista" e "social" no nome, nunca mais pararam de crescer as desigualdades, com os ricos sempre mais ricos e os pobres sempre mais pobres.
Hoje até famílias das classes médias pedem, em número cada vez maior, ajuda ao Banco Alimentar contra a Fome. Mas nem tudo são más notícias: se os portugueses (os que têm trabalho) ganham pouco mais de metade (55%) do que se ganha na zona euro, os nossos gestores recebem, em média, mais 32,1% que os americanos, mais 22,5% que os franceses, mais 53,5% que os finlandeses e mais 56,5% que os suecos. Portanto, como Cesariny diria (cito de cor), "se há gente com fome,/ assim como assim ainda há muita gente que come".
