quarta-feira, outubro 22, 2008
Sobre a Ossétia do Sul...
terça-feira, outubro 21, 2008
Não me querem lá ver...
segunda-feira, outubro 20, 2008
Algo que os parlamentares portugueses deixaram de saber fazer:
democrático se instala el juego retórico del verbo como persuasión,
comienza a operarse “el paso de los espacios prepolíticos a aquellos
políticos”, y ello supone “la transmutación de la violencia en palabra,
de la palabra en discurso, del discurso en deliberación, de la deliberación
en consensos, de los consensos en normas justas y eficaces” (Pino,
2004, p. 124). En consecuencia, se abandona paulatinamente toda práctica
de exterminio del otro (lo que puede ir de un simple insulto al uso
de las armas), y en su lugar aparece la práctica dialógica y polifónica
del verbo, la asunción conjunta de desacuerdos en voces acordadas
que, como en el caso de una sinfonía, logran construir desde su particular
distinción el producto final armonizado."
"El discurso alcanza su máxima expresión de ardid suasivo cuando construye
la siguiente falacia: “He preguntado. Ustedes me han dado sus
respuestas. Ustedes son parte del pueblo, y sus respuestas son las respuestas
del pueblo alemán” (Goebbels, 2004). Esta falacia se conoce
como falacia ad populum, y es pretender, en este caso, que la decisión
de apenas quince mil alemanes pudiera ser vinculante y extensiva al
resto de la nación. Más adelante presenta un entimema truncado: “Yo
me paro ante ustedes no sólo como el vocero del gobierno, sino como
el vocero del pueblo” (Goebbels, 2004), y como la voz del pueblo es la
voz de Dios, Goebbels es la voz de Dios."
Retórica, democracia, demagogia y
autoritarismo
Jerónimo Alayón Gómez*
"Buraco 9"
Obviamente que é uma ideia errada que o golfe seja para gente rica, o golfe é para quem gosta de desportos praticados ao ar livre, e se há campos de golfe que são estupidamente caros e esses sim são para gente com posses, também os há acessíveis e muito bonitos. Na verdade devia haver em Portugal campos públicos, algo que nos países onde a modalidade é mais praticada existe, claro. Mas adiante.
A verdade é que é típico de certas pessoas comportarem-se como reizinhos do regime absolutista, pois eu recordo-me como o ministro da justiça Laborinho Lúcio, em funções, e acabado de sair de uma conferência da Gulbenkian, permitiu que o seu motorista praticasse uma manobra ilegal, e perigosa, a meio da AV. da Berna. Só com estupor os podemos ver a ter semelhantes atitudes de imaturidade cívica.
E não é que o dia estava lindo, a competição foi renhida, e o campo cheio de gente simpática e feliz que aplaudiu com entusiasmo a vitória do espanhol, como se fora um português a ganhar? Lindo.
O poeta
terça-feira, outubro 14, 2008
Mil poemas para um querido poeta. Mil poemas.
E contra as palavras que remendam a realidade do nosso orçamento baseadas na ausência de efectivas leis do arrendamento justas, empréstimos bancários com critérios, de fiscalizada utilização do dinheiro público , moralização do papel da função pública dos servidores do Estado, boa credibilidade e eficiência da autoridade judicial, entre outras coisas, só estas palavras:
Escrevo-te com o fogo e a água
Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado, um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
António Ramos Rosa, Volante Verde - 1986 in Antologia Poética, Selecção de Ana Paula Coutinho Mendes
Poderá ser a isto que Nietszhe chamou de eterno retorno, não só para descrever uma teoria sobre o que aconteceu voltar a acontecer uma vez mais, mas uma que nos explique porque conseguimos tão bem suportar a realidade, pois entre o insustentável e do qual temos aversão, e o sustentável e desejável, há efectivamente um movimento de eterno retorno, numa tensão harmoniosa que nos permite de facto continuar aqui e continuar a acreditar.
Isto, aquilo e aqueloutro , com atenção e um "arrepio na espinha"
domingo, outubro 12, 2008
sexta-feira, outubro 10, 2008
Santos ao pé da porta também fazem milagres
quinta-feira, outubro 09, 2008
Desviamos os olhos um segundo e...
Na crise económica, ou política, como podemos não desviar os olhos, nós que não sabemos olhar sequer para o que vemos? Sabemos nos entanto que os economistas que temos e os políticos que temos, os que ouvimos pelo menos, não estão a dizer nada que seja confiável, que seja uma linguagem nova, que invente uma solução, ou que exceda uma resolução que não passe pela do tempo que há-de correr. Porquê esperar na resolução que há-de vir com os outros? Deve ser o síndrome da princesa indefesa e aprisionada na torre à espera do seu princípe, alimentado por séculos de governos políticos que premeiam a menorização das gentes.
quarta-feira, outubro 08, 2008
terça-feira, outubro 07, 2008
"Adjectivar a economia com (nova) política"
segunda-feira, outubro 06, 2008
domingo, outubro 05, 2008
Este país não precisa de heróis
sexta-feira, outubro 03, 2008
O que pararece ser a União Europeia? O que é: sem federalismo e sem constituição, cada um salva-se como pode.
Face à la crise financière, l'Union européenne vous paraît-elle constituer plutôt…
1. un atout, qui permet d'affronter la crise à plusieurs
2 … ou pas un atout, chaque pays tire de son côté
3 Sans opinion"
Pergunta o Le Monde em inquérito on-line ao qual os franceses que participaram respondem:
2... ou pas un atout, chaque pays tire de son côté . 56.8 %
E a capa do jornal traz na capa a seguinte constatação "Chacun pour soi: les Européens se divisent sur la crise financière". O que me espanta então? Não é que haja 56,8% que percepcionam a Europa dividida (uma vez mais) em assuntos de interesse global, mas sim que haja quem continue a acrditar (39, 4% à hora em que li os resultados) na Europa.
quinta-feira, outubro 02, 2008
Com um abraço
Raios de luz a cruzarem o meu céu de solilóquios.
Acerca da biografia de Arendt...talvez 1
quarta-feira, outubro 01, 2008
A universidade e o forte 5
No primeiro caso a empregada, simpática e disponível, resolveu pôr-se a uma distância confortável para poder assistir-me imediatamente. Ora para quem não está habituada a ter uma funcionária atrás de si, e para mais a pedir-lhe sistematicamente que leve e traga de volta livros dos quais queremos saber o preço, torna-se constrangedor. A partir de certa altura já tinha vergonha de lhe pedir que me elucidasse mais sobre os preços e dei por terminada a minha busca. Trouxe dois livros. Caros. Os livros no Brasil são mesmo caros. Fiquei a imaginar como é que as pessoas com os ordenados tão baixos conseguem comprar os livros a preços europeus! Sempre imaginei que aquele mercado gigantesco, com uma capacidade de tradução espectacular, conseguisse pôr no mercado livros mais acessíveis economicamente, mas qual o quê!
Bom, nessa altura um dos livros que adquiri foi a biografia de Arendt , escrita pela francesa Laure Adler. Comecei imediatamente a lê-lo, e nos dias brasileiros de sol, vento e água, Arendt na sua vida na Alemanha e nos Estados Unidos acompanhou-me.
Ir-me-ia arrepender de não ter comprado a edição em francês, mas mesmo se em francês penso que a perspectiva de Adler ir-me-ia sempre irritar. Passo a explicar a primeira afirmação.
A tradução aqui e ali dá conta do vocabulário coloquial brasileiro com as suas idiossincrasias, o que me burilou os nervos. O problema não está propriamente na tradução como acto, que na realidade respeitou o vocabulário comunicacional brasileiro, está é no facto de eu não conseguir imaginar Arendt a utilizar certo vocabulário do estilo "novela das nove". Não posso dar exemplos específicos porque não tenho o livro agora comigo, mas imaginamo-la a dizer por exemplo:"O cara quis me paquerar", ou coisa que o valha?
E depois também não gostei propriamente da biografia. Mas isso fica para amanhã.
segunda-feira, setembro 29, 2008
Mário Crespo, Pactos de silêncio, in JN
sexta-feira, setembro 26, 2008
Hoje descobri este autor,William Isaac thomas, não conheço é os fundamentos da afirmação, mas...
Agora resta ainda saber quem são e como se caracterizam estes "men" aqui utilizado.
"It is not important whether or not the interpretation is correct--if men define situations as real, they are real in their consequences." - Thomas theorem
quinta-feira, setembro 25, 2008
É a política
terça-feira, setembro 23, 2008
A universidade e o forte 4
Entrei na livraria e comprei dois livros. Mas esta há-de ser outra história.
segunda-feira, setembro 22, 2008
O seu voto, não obrigada, em nome de...cidadania partidária.
sexta-feira, setembro 19, 2008
"epiniões" quem as não tem?
segunda-feira, setembro 15, 2008
A Escola
domingo, setembro 14, 2008
Ligações
sábado, setembro 13, 2008
O bode expiatório
Confesso que ser bode expiatório num mundo governado por pessoas como Chávez deve ser uma honra para os americanos, ainda que seja uma desgraça para os povos sob o jugo. Mas se for a votos, diz-me amiga Venezuelana, Chávez ainda ganha com uma margem parecida à da MPLA em Angola.
A democracia é linda. Disso não podemos nunca duvidar, sobretudo quando é difícil.
A universidade e o forte 3
-Ana, vocês têm uma cidade sui generis. Mistura de cidade americana com apontamentos europeus de influência arquitectónica portuguesa, visível sobretudo nos edifícios públicos.
- É. Nos últimos anos tem muito português vindo para cá e comprando casa. Dizem-me que se não fossem eles a recuperar os edifícios que eles estavam por aí ao abandono; eu pergunto-lhes então porque razão eles têm tantos edifícios abandonados no seu próprio país!
quarta-feira, setembro 10, 2008
A universidade e o forte 2
-Pois há, agora que há eleições puseram cartazes por todo o lado.
-E eles fazem de facto alguma coisa?
- Que nada, é só promessa e anúncio bobo.
- Mas eu vi um cartaz desses ao lado de um terreno onde estavam de facto aí uns duzentos homens a construirem uma escola anunciada.
- Não, o que você viu foram homens a começarem a construir algo que logo depois das eleições vai ser abandonado. É só promessa mesmo de obra, sabe, não é obra não.
Conversa com motorista nodestino num destes últimos dias.
terça-feira, setembro 09, 2008
A universidade e o forte 1
- Então..., vermelha é do governo e amarela é da oposição.
-E a verde?
- Ah, essa é do povo mesmo.
- E a azul?
- Não tem.
-Não?! Mas eu já vi. E o que é isso de a verde representar o povo?
- !!
Olhe, as bandeiras estão lá para dizerem aos candidatos que as pessoas estão vendendo o espaço de mostrar bandeirinha.
-Ai é?! Mostra-se a bandeirinha a troco de dinheiro?
Uma conversa tida com um motorista brasileiro nordestino por um destes dias passados.
sábado, agosto 30, 2008
A ferida 4
A maldade dos outros colegas, que Törless considera bestial, sem finalidade a não ser a da utilização bruta do poder sobre uma vítima, responsável pelos seus actos, mas vítima acima de tudo da exibição arrogante da posse do seu destino por outrem, pelo concerto da sua existência num espaço social definido por hierarquias das quais ele era um peão moral (o crime cometido por um desafortunado na classe social não seria entendido da mesma maneira se ele fosse um herdeiro de uma família poderosa), não é inferior à violência de Törless. Ele pensa que sim, porque aquilo que sente, e o que experimenta, convoca-o perante si próprio de uma forma perturbadoramente nova, e temível pelo que abre de hipóteses sobre as hipóteses, sem redenção, de vidas sujeitas às mais ocultas e desonradas paixões, à luz dos princípios de uma vida moral e virtuosa. Não deixa de ser igualmente culpado. A aprendizagem da descida ao inferno não justifica que para isso se arraste alguém connosco, para nos servir de senha de entrada nesse universo.
Portugal, parece-me, anda a fazer consigo próprio demasiadas experiências de obscuridade, e não se vislumbra nenhuma lanterna que alumie duas vezes, para assinalar a porta de saída.
quarta-feira, agosto 27, 2008
A ferida 3
O que poderei dizer além do discurso de cartilha e que assenta na defesa dos princípios das regras da Carta das Nações Unidas? Só posso repetir o mesmo de cada vez que surgem conflitos, pois não conheço outra forma de unificar a acção mundial em prol de atitudes de não agressão.
Na realidade, a permissividade relativamente ao mau uso que se faz desses princípios deixa-nos mais desamparados perante a adversidade sob a forma de interesses nacionais em expansão. Isto diz respeito a qualquer nação com instintos imperiais, e a Rússia tem uma longa história de interesses a defender, e de vontade de mostrar a força da sua nação. Pessoa conhecida contava-me como em conversas com um cônsul russo numa nação estrangeira se apercebeu dos ânimos nacionalistas exacerbados, e de um discurso ultranacionalista a varrer a nação, com os mais jovens a integrarem o processo. Vontade que o seu nome conte no mundo, sob qualquer pretexto.
O pupilo Törless recusa-se a compreender o sentimento da condescendência para com as faltas morais. Ele intuiu que a permanência de um acto que constitua matéria de punição no círculo habitual da vida, como se fora uma faceta mais da existência, abria a porta não para a excepção do acto em si, mas para a manipulação da vida como ela era dita dever ser. E a passagem entre o "mundo claro" do quotidiano e esse mundo "obscuro, ardente, de paixões, despido, aniquilador." era do mais fino papel de arroz, e coexistia como possibilidade sempre presente em cada acontecimento. p. 92
terça-feira, agosto 26, 2008
A ferida 2
domingo, agosto 24, 2008
A ferida 1
segunda-feira, agosto 18, 2008
Ideias cata-vento procuram ponto fixo 2
domingo, agosto 17, 2008
Ideias cata-vento procuram ponto fixo 1
segunda-feira, agosto 11, 2008
convenção
Naquele tempo tínhamos que ler o Vol de nuit de Saint-Exupéry em francês. Eu lia o livro como que tem uma dor de dentes mansa que mói mais do que dói. Um dia, no intervalo das aulas alguém do liceu me passou para as mãos a tradução do livro em português. Lia as sensações do piloto sobre uma fuselagem tremente e o meu cérebro tremente de prazer pelo ganho de sentido.
sábado, julho 19, 2008
quinta-feira, julho 17, 2008
Sim, sim, sim, não , não, não
quarta-feira, julho 16, 2008
É óbvio que cabe a um político estar atento à realidade e esta chega a maior parte das vezes através dos media, uma realidade que já é em deferido, mas que de certa forma colmata a nossa falta no que a um dom de ubiquidade diz respeito. É óbvio que cabe a um político transmitir a sua mensagem e isso faz-se através dos meios disponíveis, hiperfigurados nos media. Mas, se cada um fizesse bem o seu trabalho não me pareceria haver tanto solavanco conversacional, mediático e político. É como se um fosse a Nêmesis do outro, ou, menos trágico, a memória um do outro. Ora, esse movimento é desconcertante no que ao estabelecimento de modelos de pensamento e de acção diz respeito: demasiada informação para ser compreendida, demasiada cedência ao tempo descontínuo das notícias, demasiada similitude do discurso político ao discurso que cabe num título de jornal.
terça-feira, julho 15, 2008
Porém, reconhecer que se pratica o mal, e prová-lo, é algo que ajuda muito.
segunda-feira, julho 14, 2008
E se para além das penalizações criminais e jurídicas só nos restar como armas os modelos de cultura que reprovam essas ignomínias, o que fazer quando os próprios líderes dessas comunidades põem em causa o trabalho de décadas na construção de atitudes que se baseiem na frágil fundamentação da universal rejeição da exploração da pessoa pela pessoa, e, ainda mais grave, da exploração de uma criança por um adulto?
Se as ideias que defendem a reprovação social da escravatura forem postas a par de outras, enquanto conceitos negociáveis, com as quais certos dirigentes jogam de acordo com as circunstâncias e os interesses do momento, então a confusão e a vacuidade passam entre si, como se por osmose.
Como construir instituições contra os líderes de sociedades as quais já atingiram elas próprias um nível moral superior aos daqueles e que lhes custou décadas de aprendizagem pelo sofrimento?
Hoje nasceu o belo e amável Gonçalo, em Portugal. Sorte a nossa, sorte a dele.



