sexta-feira, janeiro 09, 2009
Li por curiosidade o texto A historiografia sociológica de António Sérgio, lá disponível.
Podemos não concordar com a sua visão, mas ele sim, já em 1915, tinha um plano de formação das pessoas através da educação. Não era um gestor de empresas da área educativa, como é esta administração, que tem o vergonhoso aval da Assembleia da República.
«O primeiro passo seria
conhecer as necessidades do País e elaborar o seu
pensamento, para depois lho restituir já completo,
coordenado e nítido, de maneira que a Nação
encontrasse a expressão consciente do seu próprio
espírito, e nesta revista uma espécie de guia que ela a si
mesma se ditasse, depois de haver sondado e esclarecido
as suas necessidades e aspirações.»
in "Pela Grei" (Lisboa, 1918-1919)
Uma guerra é uma guerra, não tem a ver com sensibilidade, mas com falta de inteligência.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Uma boa notícia que me tenho esquecido de anotar aqui.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Um "Moomin" também para Portugal: votos de ano bom

Se perguntarmos sobre os currículos...
A democracia e as TIC - nova visão da relação entre comunicação e política.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
segunda-feira, dezembro 29, 2008
Poder fraco
Síntese: não façam perguntas soldados e agentes, não façam, e logo vêm se as crenças pelas quais combatem correspondem às crenças de quem dá vos dá as ordens. Confiem, entreguem-se sem pensar a causas ditas públicas, e depois vejam onde ficam na rede de interesses privados.
Conflito político
Humanidade 2
sexta-feira, dezembro 26, 2008
A humanidade 1
Quantas perguntas ditas essenciais terão feito na vida? Acaso alguma retórica? O acto de questionar seria usado de outra forma a não ser para demandar pela vida comum? Onde deixaste a enxada? Viste a peneira? Já deste água aos animais? Diz-me cá então, e a moça do Pocinho por quem o rapaz se embeiçou? Brinco eu a Júlio Dinis. Como se soubesse.
Ora onde está a história destes expostos? Escreveu-se sobre homens pobres que nunca foram meninos com Alves Redol, que li eu no liceu (sobre as mulheres que nunca foram meninas também não conheço história em Portugal), certo, não foram meninos mas tinham ainda a quem chamar de mãe ou de pai, enfim, para pouca coisa mais serviriam para além de darem a saber o lugar dos filhos numa hierarquia de seres, mas, e os expostos de Portugal? Não faz o autor história comparativa, daí não saber como interpretar esta realidade por contraste com outros países, mas como iludir esta questão civilizacional que há não tanto tempo assim na história afectava o centro do então nosso imenso império?
Que espiritualidade cabe dentro do tempo comum, que é este da nossa história social?
domingo, dezembro 21, 2008
Vai daí...
sábado, dezembro 20, 2008
"ofende a consciência"/ "A paz começa com um sorriso"
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Vil Ministério da Educação
quarta-feira, dezembro 17, 2008
E se Obama fosse africano? Pois é, a verdade dói, para os que se iludem.
E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente.Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente “descobriram” que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado ‘ilegalmente”. Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato.Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um “não autêntico africano”. O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos “outros”, dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso “irmão” teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada “pureza africana”. Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos.Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores."
terça-feira, dezembro 16, 2008
Os direitos humanos
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Ressonância do discurso de Manuel Alegre
sábado, dezembro 13, 2008
Não a uma maioria absoluta ou como a inteligência do indivíduo
E por falar em governantes que se entendem iluminados, vou deixar aqui alguns excertos de textos sobre a política da actual "Educação" a que dou o meu total acordo.
in Almocreve das Petas
EDUCAÇÃO: dias amargos, gente inútil (I Parte)
in A Educação do meu umbigo
Um pouco mais de rigor, a ler todo, aqui
A Mistificação Dos Rácios
Para os mais distraídos, a OCDE não recolhe dados de forma independente, apenas faz a compilação dos dados oficiais de cada país e compara-os, sendo que nem sempre as metodologias e contextos são comparáveis.
Mas mesmo que o sejam eu gostaria de deixar aqui uma pequena posta para explicar, por exemplo, porque o rácio alunos/professor é mais favorável entre nós na aparência do que em outros países.
O método usado é básico: divide-se o número de alunos pelo número de professores e já está. Temos um rácio. Vê-se que é operação sofisticada.
Mas o que é que isto não explica?
Não explica que em Portugal são os professores que desempenham muitas funções que em outros países estão atribuídas a outro pessoal qualificado, como assistentes sociais, psicólogos, terapeutas, etc."
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Technology
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Alguém o ouve? "Portugal corre risco de instabilidade social"
Medina Correia, ontem, aqui.
Espero que alguém com o poder de mudar os partidos se preocupe de facto com a tensão social que, eu sei, está instalada: e isto com um endividamento de 2 milhões de euros por hora!
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Os direitos humanos...
Uma democracia medíocre é aquela onde não há paridade, onde não há equidade social, onde não participação cívica e produtividade pessoal e colectiva que eleve o estatuto social do país, onde não há mobilidade social. Desta democracia desespera-se e desrespeita-se.
Este governo português, onde para mal da minha capacidade de decidir e escolher, ou para mal da oferta eleitoral presente que me sugira algo, eu votei, experimenta, na pessoa do primeiro-ministro, o gosto da contenda política, não para negociar racionalmente, mas para atiçar os ânimos, fazer explodir as emoções. O primeiro-ministro parece aquele adolescente mimado e parvalhão que de forma atoleimada mandava bocas aos colegas e aos professores, esticando a corda da sua imaturidade cívica e comportamental, até à inoportunidade, e que todos conhecemos de certa forma no liceu.
terça-feira, dezembro 09, 2008
Os deputados, os pobrezinhos, foram à procura de soluções para os problemas nacionais
Depois leio também sobre os acontecimentos na Grécia e os conflitos sociais declarados que por lá vão, e só espero sinceramente que os políticos portugueses tenham a certeza absoluta que o povo português é sereno, porque com eles não se pode ter grandes expectativas para resolver conflitos.
Ressalve-se o que há para salvaguardar:
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Raiva, caos, e o Natal a pôr-nos no caminho certo. Para crentes no Pai Natal.
"Denny Crane: So, let me understand what we have here. I have an eighty percent chance of getting Alzheimer’s in six years?
Dr. Frank Wessmer: Yes. Alan and Denny let this sink in. If it’s any consolation at all, you’re seventy-five. You drink. You smoke. You probably won’t live that long."
E antes, não podíamos deixar de sublinhar esta ideia de Alan Shore:
"Alan, Clarence, Melvin and Noris are still in the CP&S conference room.
Attorney Melvin Palmer: My point is you can blame us all you want my friend. But nobody saw this coming. Even Alan Greenspan was saying there were no bubbles in the housing market.
Alan Shore: Is Alan Greenspan your good buddy too? I hear he can be quite the hoot.
Attorney Melvin Palmer: Al, I really don’t need you to make fun of me.
Alan Shore: No! You don’t.
Attorney Melvin Palmer: The simple fact is this was a negotiable contract. He’s a lawyer.
Alan Shore: Those are two facts actually.
Attorney Melvin Palmer: What happened to the sub-prime was unforeseeable. What happened to the housing market was unforeseeable.
Alan Shore: When do we get to the win-win part of this meeting?
Attorney Melvin Palmer: This man was never lied to. He made a deal. Now he doesn’t like it because it turned out to be a bad deal. So what? He just stops making his payments? It seems to me he deserves to lose the house. You think you can sue and win, Al, even though he flat out breached a contract? I’m asking myself, “What kind of a lawyer would think that?” That’s what I ask. But then I remember, you’re not so much a lawyer as you are a gigantic hoot. Am I right?
Until, of course, people start shooting the suits. I may not know much about law but even a gigantic hoot like me knows cases always come down to emotion. Who do you think the jury’s heart will go out to on this one? I’ve got a man who’s lost his home and his entire life’s savings. You’ve got a bank.
domingo, dezembro 07, 2008
Já esta notícia ...
ora ainda há notícias
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Ah... afinal a mudança é necessária!
Continuem a explicar, insistam.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Sabendo isto...
quarta-feira, dezembro 03, 2008
A greve, a lei e os aprendizes em engenharia social
Críton
Deve praticá-la."
Platão, Críton, Coimbra, INIC, 1984, secção 50, p. 80.
E pode haver justiça numa lei que tem contra si todos os os sujeitos a quem ela se dirige? e não serão mais defensores da justiça os que contra essa lei se revoltam?
quinta-feira, novembro 27, 2008
Os inimigos da democracia
Bombaim, 26 de Novembro de 2008.
Não consola sabermos que há uma longa história deste tipo de acções, muito menos nos consola a dificuldade em encontrar soluções que impeça o grau absurdo de violência física.
quarta-feira, novembro 26, 2008
Isto no caso de termos dúvidas...
terça-feira, novembro 25, 2008
http://www.peteyandpetunia.com/VoteHere/VoteHere.htm
E depois da campanha:
Adriano Moreira, A espera no DN
segunda-feira, novembro 24, 2008
Se o princípe não sabe, agora imaginemo-nos a nós...
Pois não sabemos, mas ao contrário do mito a desgraça que não se vê ou de que não se fala não deixa de ocorrer. O silêncio nem sempre é a história de um povo feliz.
sábado, novembro 22, 2008
"O sol é novo cada dia", Heraclito

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Obama escolheu Hillary para Secretária de Estado. Eu agora ando com imensa vontade de ler o livro Team of rivals. A mim essa escolha também me parece mais de génio político do que de asno.
..
Há poucos dias anunciava-se que Portugal tinha o pior acesso aos cuidados de saúde dos quinze países europeus estudados, e que esse facto acentuara-se nos últimos anos; então não é que o Senhor Sócrates hoje vem dizer aqui à nossa aldeia que se quer global que os "portugueses começam a sentir bons resultados da reforma do serviço Nacional de Saúde"?
sexta-feira, novembro 21, 2008
As deficiências de uma democracia representativa, e a ideia de democracia participativa
Rosseau, Contrato social, livro II, cap. I
quarta-feira, novembro 19, 2008
Os deslizes linguísticos e a falta de crença democrática profunda
terça-feira, novembro 18, 2008
A arte da desobediência civil
segunda-feira, novembro 17, 2008
domingo, novembro 16, 2008
Eu gosto tanto de ir a manifestações...
Alberto Gonçalves explica o fenómeno no DN : "O aparente paradoxo explica-se. Se o povo percebe que o Governo roça o embaraço, supõe igualmente que não arranja melhor e, sobretudo, que não merece melhor. No fundo, e Deus sabe a que fundo desceremos, o Executivo do eng. Sócrates e as massas estabeleceram um acordo tácito e ideal, em que, para efeitos de alívio geral, o primeiro finge mandar e as segundas fingem insubordinar-se. De caminho, o país finge que existe, exercício que também não chega a convencer mas que decerto também consola."
Eu, ingénua, procuro continuar a acreditar nas palavras de Patrick Champagne que me diz que as sondagens não passam de mais uma fórmula encontrada para fazer impor uma ideia de "opinião" pública" e não um meio de expressão dessa opinião pública.
sexta-feira, novembro 14, 2008
Ainda sobre a avaliação de professores 2
5. E porque não o conseguiu?
Porque a quantidade de reformas foram todas mal geridas desde o início.
Ora o que temos? Um maior número de inscritos para terminarem os níveis de escolaridade obrigatória. É verdade. Mas também o estão a fazer com currículos, formas de avaliação e em tempos lectivos que não correspondem a nada do que até agora se admitiu ser o ensino (melhoramento das competências cognitivas, meio de aquisição de informação e de raciocínio, aprendizagem de aplicação dos saberes). Inverteu-se a prova: agora é o aluno que diz à escola como e em que condições deve ser avaliado e obter o seu diploma. A degradação da imagem do ensino público tem caído a pique.
A situação é muito mais grave do que a maioria das pessoas se consegue aperceber. E aqueles alunos que ainda têm expectativas de mudar de vida tendo por base a educação, hão-de aperceber-se que as actuais formas de ensino também não irão satisfazer (depressa se apercebem que o seu certificado não lhes serve para grande coisa para além do título).
6. O que devia ter sido feito?
Ter-se dividido o ensino em ramos distintos (e com escolas e cursos distintos e bem estruturados, com opções variáveis) entre técnico-profissionais, o ensino geral clássico e cursos para adultos que só querem uma formação em certas áreas da sua vida pessoal e profissional. A selecção far-se-ia logo no sexto ano de escolaridade, ou por opção do aluno por uma ou outra das vias. Em nenhuma dessas vias se devia premiar o facilitismo nas aprendizagens, nem dar a ideia de que "Basta ir à maioria das aulas e no fim tens o certificado", como eu já ouvi dizer.
7. Que tipo de avaliação dos professores seria a correcta?
a) Aquela que se prendesse com a sua formação científica contínua (só aprendendo mais se pode ensinar melhor), o que implicaria a realização de cursos específicos ou frequência de disciplinas de cursos de pós-graduações na sua área de interesse/formação nas universidades. Avaliados e creditados por estas. Um sistema de créditos que seria gerido e utilizado pelo professor sempre que fosse necessário fazer prova da sua formação para subir de escalão.
b) Análise formativa da sua competência pedagógica (avaliada por um formador especializado na área) avaliada com uma única aula assistida no período de passagem de cada escalão.
c) Avaliação pelo Conselho executivo da Escola quanto à pontualidade e assiduidade no que às suas tarefas diz respeito.
d) Casos de manifesto incumprimento dos deveres por parte do professor deveriam ter uma resposta imediata ao nível das sanções que qualquer trabalhador está sujeito e estão previstas no Código de trabalho.
8. O que se deve evitar?
Utilizar uma comunicação estratégica contra os professores. Pois não só se desprestigia quem a enuncia, como desorganiza toda uma estrutura social ainda assente na importância de um professor na vida comunitária: depois venham dizer que os alunos andam a ser instrumentalizados pelos professores e não estão a agir exclusivamente, e de forma mentecapta é certo, através das suas acções pouco dignas com o mesmo tipo de violênciaque este governo utiliza verbalmente contra os seus professores.
quarta-feira, novembro 12, 2008
Só nos faltava...
Noutra esfera diferente da realidade, a Associação de Professores de Filosofia recoloca essas e outras questões acerca dos "chefes momentâneos" ao nível do seu muito sofrível significado, e propõe-nos que vejamos o seguinte vídeo onde podemos descansar a mente: "Nós estamos aqui: o pálido ponto azul".
Não parece o futuro presidente americano a falar, o Sr. Sagan? Não é tão necessário ouvir?

