Se me perguntar a mim mesma se acho que os ricos devem ajudar os pobres, eu respondo que os ricos não devem explorar os pobres. É uma atitude diferente, totalmente diferente.
A história dos sapatos de pele de porco.
Um tio, que não era meu mas podia bem sê-lo, sentou-se a meu lado. Contou-me histórias do Sul, de durante a guerra. A minha ascendência é beirã e do oeste ribatejano, tenho uma memória familiar diferente, porque diferente é a distribuição das terras nestas regiões. A pobreza não era tão avassaladoramente pobre como terá sido mais a sul, de cidadãos sem terras para subsistência, porque região de grandes concentrações de propriedades. O tio contou-me então que calçou os primeiros sapatos aos catorze anos, eram uns soberbos sapatos feitos pelo irmão, já mestre sapateiro, que tinha pedido uns restos de pele de porco para lhos confeccionar. Catita, só os tirava dos pés para dormir…o pior era no Verão, confidenciou-me, é que não havia nem cão nem gato lá na cidade que não lhe andasse ao encalço dos pés. O que nos rimos com a fantástica história. E desta vez nem sequer vou acrescentar nenhuma moral.





