quinta-feira, novembro 29, 2007

Ainda sobre os líderes europeus...e a sua cobardia política.

Na sequência do que anteriormente escrevi sobre a Europa e a China (desta feita é o duo português Barroso/Sócrates a entrarem para o compêndio de líderes euopeus inconscientes e temerosos), continuo a citar Delpech: "(...) Jacques Chirac decretou, perante a surpresa total, que Taiwan, o único espaço chinês que vive mais ou menos sob um regime democrático, não tinha de modo algum o direito de realizar, no seu território povoado por 22 milhões de habitantes, um referendo." Não é assim que nos fazemos respeitar."p.215
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A fórmula:"não podemos tratar a China como o Zimbabwe", que foi muito utilizada, não quer dizer estritamente nada, porque, no caso vertente, a diferença entre a China e o Zimbabwe é que este último não ameaça os seus vizinhos e, sobretudo, não tem qualquer hipótese de desencadear uma guerra mundial. Poderíamos deduzir daí que é necessário ser muito mais vigilante em relação à China."p.212.
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"O que separa mais profundamente a China de Taiwan é a política. Mas por vezes temos a sensação, aqui tal como na Ucránia, de que a França teme mais as democracias do que as apoia , e que a "boa escolha" é finalmente a dos países autoritários, quer se trate da Rússia quer da China." p.208
Eu diria que não é só a França que teme mais as democracias, mas toda a Europa teme mais as democracias, senão veja-se a dupla Barroso/Sócrates.
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"O acordo de defesa entre Taiwan e os Estados Unidos transformaria a confrontação entre as duas Chinas num conflito mundial com, desde o início das hostelidades, a consciência de uma parte e de outra de que os dois campos são detentores da arma atómica". p.202
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E finalmente, em memória das vítimas chinesas, a Europa, não só a França, devia pressionar o governo chinês a reconhecer os milhões de mortos que a política de Mao e dos seus seguidores tem feito até hoje.

2 comentários:

AG disse...

Se a política fosse o discurso directo dava-lhe completa razão. Como ela é uma conjugação de conveniências e um acerto de agendas torna-se difícil. Porque entramos com o rateio do que há a perder e aí os líderes mordem a língua ou olham para o lado. Sakorzy quanto à Birmânia; Sócrates quanto a Angola ou Moçambique; China quanto ao Sudão e por aí fora; Barroso ou Merkel quanto à Rússia. Esqueci-me de alguém?

ism disse...

Muito obrigada por me ler. É uma honra.
A conjugação de conveniências é uma explicação, talvez a mais racional, mas há também que pensar na conjugação de princípios, porque estes, mesmo sendo históricos, são menos contingentes e não dependem tanto das personalidades dos envolvidos nas soluções políticas.


isabel