domingo, janeiro 27, 2008

As reformas sociais ideais existem

É claro que existem as reformas ideais, são aquelas que cumprem pelo menos uma das três condições aquando do seu exercício: 1. A maioria dos governados, e os que por ela são directamente afectados, acredita nessa reforma ; 2. A maioria dos governados, e os que directamente por ela são afectados, percepciona a utilidade da reforma; 3. A maioria dos governados, e os que por ela são directamente afectados, aceita essa reforma como algo desejável ou necessário. A história fala-nos de reformas assim em democracia, dão é muito trabalho aos políticos que as promovem e divulgam, ou necessitam de muita mais inteligência do que aquela que uma agência de comunicação consegue fazer vender, tal como aquela que ensinou a este governo: as reformas passam se puserem as classes profissionais todas umas contra as outras e a população toda contra a função pública.
Não foi trigo limpo aquela solução, pese embora durante um tempo tivesse funcionado quase perfeitamente. Agora que a população reage a este tipo de discurso, que o estratagema perdeu credibilidade ou utilidade, movimentam-se as mesmas forças. Como? Demonstrando os seus argumentos? Fazendo fé nas suas decisões através de uma atitude democrática do entendimento da opinião pública (que o fenómeno existe apesar de não estar completamente determinado)? Não, que isso implica que se queira realmente ouvir as posições que da nossa diferem. E mais, que respeitemos as pessoas que não concordam connosco. É muito melhor pois colocarmo-nos numa posição de iluminados que estão em marcha e trazem nas mãos um facho de luz à néscia população que se inquieta e tem a ousadia de, em democracia, protestar.
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Depois há as outras reformas, as que são impostas a golpes de soberba ou de falsa consciência sobre a necessidade, defensibilidade ou crença colectiva na reforma. A história também nos dá a conhecer muitas destas. São reformas com prazo de validade, e Portugal tem compêndios delas para mostrar a quem quiser. E de certa forma ainda bem, porque em democracia tudo tem um benéfico prazo de validade quanto às ideias que contra ela concorrem tanto quanto os ministros que dela fazem uso para impor as suas agendas pessoais.
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Utilizar uma linguagem "comicieira" para criticar uma linguagem dita "comicieira", não vejo onde esteja a justeza do apontamento dito crítico. Se as pessoas enunciassem a razoabilidade das medidas em situação, e não no papel, que as reformas aportam à sociedade, se conseguissem convencer pela argumentação, talvez alguma posição pessoal ou pública mudasse, assim através de relatos sentimentais de uma defesa do governo ou, mesmo que de um ataque ao governo fosse, ficasse com a sensação de se estar a fazer um frete a uma posição ideológica assente na adesão emocional de uma ideia de reforma deste governo pela ideia de reforma deste governo. Coisa pouca como argumento.

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