quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A avaliação dos professores

No blog Ramiro Marques faz-se um acompanhamento das políticas de educação deste país, vale a pena ficarmos todos a saber o que aí vem, não só para os professores, mas para a sociedade.

"(...) No início, fui um entusiasta da avaliação de desempenho dos professores pois considerava que manter o status quo era injusto para os professores mais dedicados e competentes. Nessa altura, eu encarava a avaliação dos professores como um factor de diferenciação que pudesse premiar os melhores e incentivar os menos competentes a melhorarem o seu desempenho. Fiz algumas reuniões de trabalho com a equipa técnica do ME e logo me apercebi de que a Ministra da Educação estava a engendrar um processo altamente burocrático, subjectivo, injusto e complexo de avaliação do desempenho que tinha como principal objectivo domesticar a classe e forçar a estagnação profissional de dois terços dos docentes. Ao fim de duas reuniões, abandonei o grupo de trabalho porque antecipava o desastre que estava a ser criado. Nas reuniões que eu tive com a equipa técnica do ME, defendi a criação de fichas simples, com itens objectivos, sem a obrigatoriedade da assistência a aulas, a não ser para os casos de professores com risco de terem um Irregular ou um Regular, e com um espaçamento de três anos entre cada avaliação. Hoje, passados três anos, considero que se perdeu uma oportunidade de ouro para criar uma avaliação de desempemho dos professores realmente objectiva, justa, simples e equilibrada. Em vez disso, criou-se um monstro que vai consumir milhões de horas de trabalho nas escolas e infernizar a vida de muitos professores, roubando-lhes a motivação e a energia para a relação pedagógica e a preparação das aulas."

2 comentários:

NancyB disse...

E a minha grande pena é q as pessoas lúcidas desistam de lutar.

ism disse...

Ou que não saibam bem defender os valores do sistema de educação.

Como é possível, por exemplo, que a Antena 1, tenha embarcado na defesa do programa Novas Oportunidades (que como ideia é excelente, aliás uma ideia importada na sua forma e na sua denominação a partir da Inglaterra), valendo-se da óbvia felicidade e bem-estar de quem está a receber diplomas de forma facilitada, sem procurar nunca saber a que real saber/conhecimento adquirido correspondem esses diplomas?

Daqui a dez anos, quando os números de pessoas com frequência ao nível do secundário estever finalmente ao nível dos restantes países da Europa, vamos ver a que tipo de trabalho e de valor cintífico/profissional isso realmente corresponde.Que mudança de valores isso aportou numa sociedade que vê como no ensino tudo é possível, até obter diplomas que levariam anos de estudo em poucos meses.
isabel