segunda-feira, outubro 06, 2008

Se eu fosse economista...

não estaria a pensar no império persa.

domingo, outubro 05, 2008

Este país não precisa de heróis

e como não precisa, arrasa a memória daqueles que procuraram ser uma espécie de heróis, mesmo se por procuração viciada por outrem.
Uma guerra não é motivo de orgulho para ninguém, não o é para os vencidos, mas não o deve ser também para os vencedores. Sobretudo para estes. É um saber feito de cumprimento de ordens, penso eu, de sacrifício por uma ideia que muitas vezes lhes é tão estranha como a realidade contada por uma língua que não se conhece. É um sentido ultra construído do cumprimento de um dever. Mas um cumprimento de dever, assim mesmo. E isto é um feito.
Mas se uma guerra não deve orgulhar ninguém, e se os combatentes não são na era moderna senão uma espécie de heróis, pela debilidade dos princípios ou das intenções que mascaram esses princípios pelos quais são levados a combater, todos e todas os que nela combatem não devem deixar de ser honrados pelos seus concidadãos.
Os cemitérios por essas pequenas cidades e vilas fora tinham os seus talhões de combatentes resguardados em eira de terreno assinalado com símbolos que os irmanava a todos uma vez mais, formando uma companhia de homens da terra que tinham representado Portugal em conflitos que este achara por bem resolver com armas, e que ao morrerem, em combate, ou mais tarde já civis na vida do dia-a-dia, ali encontravam um espaço de reserva e de excepção, um sinal de memória e de apreço. Um sinal vão, e ainda que fútil, eu sei, se tivermos em conta final os séculos, mas um sinal ainda assim.
Mas agora que se embandeirou o espírito do lucro e da posse como forma suprema de representar e assim se entender a forma legítima do governo da coisa pública, esses espaços vão sendo abolidos em nome da democratização do espaço.
O que se perde socialmente com essa realidade não se ganha em consciência pacifista, ou em valores democráticos por se escolher subalternizar os defensores de práticas bélicas na resolução de conflitos, como forma de destacar outras formas da civilidade responder às agressões. Era bom era.
Não, é tudo feito em nome dos interesses imediatos da desocupação dos terrenos, da contenção dos custos de manutenção, da ligeireza no passar um pano sobre as tradições e os costumes que provaram ser úteis para uma identificação das pessoas com o seu passado, com os seus conterrâneos, e com uma sabedoria acrescida para enfrentarem os seus projectos de futuro. Senão somos só virados para o presente. Sacos de plástico vazios a esvoaçar no vento das circunstâncias familiares, sociais, económicas e políticas do presente.
Enfunamos, esvaziamos, serpenteamos, enrolamo-nos, subimos, pairamos, retesamos, caímos e encolhemos. E quando acabar o vento? Onde ficamos nós? Ao lado de quem? E com quem pelo nosso lado?

sexta-feira, outubro 03, 2008

O que pararece ser a União Europeia? O que é: sem federalismo e sem constituição, cada um salva-se como pode.

"Votre avis:
Face à la crise financière, l'Union européenne vous paraît-elle constituer plutôt…

1. un atout, qui permet d'affronter la crise à plusieurs
2 … ou pas un atout, chaque pays tire de son côté
3 Sans opinion"

Pergunta o Le Monde em inquérito on-line ao qual os franceses que participaram respondem:
2... ou pas un atout, chaque pays tire de son côté . 56.8 %

E a capa do jornal traz na capa a seguinte constatação "Chacun pour soi: les Européens se divisent sur la crise financière". O que me espanta então? Não é que haja 56,8% que percepcionam a Europa dividida (uma vez mais) em assuntos de interesse global, mas sim que haja quem continue a acrditar (39, 4% à hora em que li os resultados) na Europa.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Com um abraço

Agardeço profundamente a Paulo Carvalho do blog Arte do Perigo.

Raios de luz a cruzarem o meu céu de solilóquios.

Acerca da biografia de Arendt...talvez 1

Uma vez convivi com uma pessoa especialista em Relações Públicas. Ela dizia-me que não havia ninguém a quem não conseguisse sacar informações, e eu acreditava. Contava-me histórias de muita gente, sobretudo das pessoas do nosso meio de estudo, a academia. Eu passava demasiado tempo a ouvi-la, dividida entre o sentimento de náusea e de fascínio boçal. Mas ficava, e nem o "Ai que nojo que isto me mete!", me afastava liminarmente da sua presença. Eu gostava , apesar dos trejeitos como esboço de resistência.
Um dia, alguém que não gostava de mim resolveu subitamente explicar-me porque não gostava de mim, pois achou intrigante que aquilo que eu parecia ser não coincidir com o que ela julgava de certeza que eu era. E falou de mim como se falasse de uma pessoa que eu nunca tinha visto ou conhecido. Aquela pessoa que dizia ser eu, não o era de facto. Não por minha recusa psicológica na assunção das falhas de carácter apontadas, não, ora!, mas porque realmente aquela descrição de factos acerca da minha pessoa não correspondia à minha pessoa.
Vejamos, não era só uma questão de interpretação dos actos, porque aí ficar-se-ia no terreno pantanoso das múltiplas e possíveis versões dos acontecimentos, e isto é algo normal numa sociedade, são formas de convívio, nem ainda por reacção negativa à minha personalidade, porque isso, enfim, é uma questão decorrente da socialização. Mas não era isso, na realidade eram-me claramente imputadas acções que eu nunca realizara em tempo algum em estado de vigília.
Eu, ali, era outra pessoa, não simbolicamente, mas com um outro papel social de facto.
Indicaram-me a fonte e eu percebi que a mesma pessoa que dizia recolher a informação sobre outrem, afinal a estava a criar para a dar a um público ávido onde quer que ele houvesse, a mim, por exemplo, quando sobre os outros, e a alguns outros sobre mim.
Compreendi o poder que há em construir factos e personalidades no grupo social. E contra isso só há uma panaceia: alguém se dar ao trabalho de nos querer conhecer de facto, ainda que esse conhecimento não seja uma senha de entrada no círculo da amizade ou admiração mútua e eterna, mas de conhecimento o mais próximo da realidade possível, tão só, tanto, de resto...
..
Comecei as primeiras páginas da biografia de Arendt fascinada com a história do século XX que aquela mulher conseguiu incorporar no seu circulo existencial, e depois comecei a sentir aquela náusea já minha familiar: o livro desemboca na vontade de contar a vidinha da autora, aquela parte em que se fica no limiar do mexerico e da maledicência. E isso aí é responsabilidade de Laure Adler. Não estou a insinuar que ela tivesse criado os factos, mas que os iluminou excessivamente para a história de uma pensadora. Hei-de tentar explicar melhor isto.

quarta-feira, outubro 01, 2008

A universidade e o forte 5

Vamos então à história dos livros. Nas duas livrarias em que entrei na cidade de Natal os livros não têm o preço marcado. Na primeira, uma assistente leva e traz os livros de cada vez que queremos saber o preço do exemplar seleccionado, na segunda livraria percebi que nós mesmos temos a opção de podermos levar o livro ao sistema informático preparado para assinalar o preço. Questão de hábito. A mim tolhe-me.

No primeiro caso a empregada, simpática e disponível, resolveu pôr-se a uma distância confortável para poder assistir-me imediatamente. Ora para quem não está habituada a ter uma funcionária atrás de si, e para mais a pedir-lhe sistematicamente que leve e traga de volta livros dos quais queremos saber o preço, torna-se constrangedor. A partir de certa altura já tinha vergonha de lhe pedir que me elucidasse mais sobre os preços e dei por terminada a minha busca. Trouxe dois livros. Caros. Os livros no Brasil são mesmo caros. Fiquei a imaginar como é que as pessoas com os ordenados tão baixos conseguem comprar os livros a preços europeus! Sempre imaginei que aquele mercado gigantesco, com uma capacidade de tradução espectacular, conseguisse pôr no mercado livros mais acessíveis economicamente, mas qual o quê!

Bom, nessa altura um dos livros que adquiri foi a biografia de Arendt , escrita pela francesa Laure Adler. Comecei imediatamente a lê-lo, e nos dias brasileiros de sol, vento e água, Arendt na sua vida na Alemanha e nos Estados Unidos acompanhou-me.

Ir-me-ia arrepender de não ter comprado a edição em francês, mas mesmo se em francês penso que a perspectiva de Adler ir-me-ia sempre irritar. Passo a explicar a primeira afirmação.

A tradução aqui e ali dá conta do vocabulário coloquial brasileiro com as suas idiossincrasias, o que me burilou os nervos. O problema não está propriamente na tradução como acto, que na realidade respeitou o vocabulário comunicacional brasileiro, está é no facto de eu não conseguir imaginar Arendt a utilizar certo vocabulário do estilo "novela das nove". Não posso dar exemplos específicos porque não tenho o livro agora comigo, mas imaginamo-la a dizer por exemplo:"O cara quis me paquerar", ou coisa que o valha?


Não é tanto um preconceito contra a tradução brasileira em geral, mas contra o uso de um certo tipo de linguagem que é notoriamente cultural e remete para um registo que, aos ouvidos de um português, dos meus ouvidos pronto, denota um discurso pouco rigoroso e pouco fidedigno.
Na realidade, quando eu fiz a licenciatura éramos alertados para não comprarmos traduções brasileiras, não só porque era suposto lermos as obras na língua original, por questões hermenêuticas, mas também porque fomos ensinados a desconfiar da fiabilidade das traduções.
Hoje que o domínio de traduções em português do Brasil continua a expandir-se a uma grande velocidade, por contraponto à velocidade de caracol das nossas, e que os académicos e as universidades brasileiras ganham visibilidade e qualificação reconhecida globalmente, já não se anuncia da mesma forma esse aviso, mas permanece como um sinal de certo obstáculo cultural.
Há que não esquecer, como fez questão de lembrar o Prof. António Fidalgo da UBI, que só na cidade de São Paulo, por exemplo, há tantos investigadores em Cncias da Comunicação como em Portugal inteiro!! Mais gente, há muito mais tempo a trabalhar nesta área, e muito boa.


E depois também não gostei propriamente da biografia. Mas isso fica para amanhã.

segunda-feira, setembro 29, 2008

"Em essência nada distingue os extorsionistas profissionais dos bairros sociais das Quintas da Fonte dos oportunistas políticos que de suplicância em suplicância chegaram às Quintas do Lambert. São a mesma gente. Só moram em quintas diferentes. Por esse país fora."

Mário Crespo, Pactos de silêncio, in JN

sexta-feira, setembro 26, 2008

Hoje descobri este autor,William Isaac thomas, não conheço é os fundamentos da afirmação, mas...

que ela é deveras pertinente como objecto de análise (que o digam os relações públicas e os "spin doctors", lá isso é). E fascinante também.
Agora resta ainda saber quem são e como se caracterizam estes "men" aqui utilizado.


"It is not important whether or not the interpretation is correct--if men define situations as real, they are real in their consequences." - Thomas theorem

quinta-feira, setembro 25, 2008

É a política

Alguns analistas fazem coro com alguns políticos e dizem, como o presidente Lula da Silva, que é a hora da política (subentende-se sobre a economia). Ora como outros comentadores compreenderam, e com os quais eu partilho o seu ponto de vista, nunca deixou de ser a política sobre a economia, nunca. O que aconteceu foi uma política a favor de uma determinada economia. E quando hoje se ouve os discursos do Presidente Bush sobre o papel das nações na organização onde elas se encontram representadas como unidas, o que está em jogo não é uma nova visão política e económica, mas sim uma continuidade da mesma política, porque quando se ajuda a salvar interesses privados com dinheiro público, não se está só a pôr em prática o princípio de solidariedade social, no sentido em que a crise dos ricos será a tragédia dos pobres, mas a perpetuar a ideia de que a existir Estado, este deve estar ao serviço do interesse dos mais fortes, ou dos mais bem sucedidos em técnicas de negociação, que podem bem ser as que assentam na ideia que todas as pessoas da comunidade estão reféns do seu sucesso.
Ora a banca e as seguradoras que falharam (e eu própria como segurada da AIG filiada em Portugal tenho nesta interesses especiais) estão a ser de certa forma premiadas mesmo pelos seus erros de má gestão e de abuso de confiança dos dinheiros dos seus investidores, com recurso aos dinheiros públicos que estão a ser desviados de outras aplicações que poderiam até ser a médio-longo prazo, mais rentáveis: saúde, educação, justiça, infra-estruturas, etc. É claro que eu vejo que essa serve para atenuar ondas de choque mundiais, mas não deixa de ser a mesma mensagem política: não há interesses públicos que se sobrepunham aos interesses dos privados bem identificados, mesmo quando estes interesses afectaram os seus próprios recursos e lucros. A política é a mesma, e tanto os serve haver menos estado para lhes cobrar menos impostos e regular com frouxidão os seus negócios, como a presença de um Estado que no momento certo e conveniente os capitaliza. É o Estado oligárquico, disfarçado de social.

O que eu proponho: a responsabilização imediata dos envolvidos em cargos de decisões que conduziram os seus interesses, e o da sociedade, a este lugar; e a procura de novos teóricos económicos na defesa do Estado social, ainda que não tutelar, paternalista ou determinista.

terça-feira, setembro 23, 2008

A universidade e o forte 4

A universidade é a de Rio Grande do Norte. Uma universidade enorme, numa cidade de que fiquei a gostar. Os edifícios espalham-se pelo terreno em extensão. Edifícios utilitários a lembrarem-me um pouco a atmosfera arquitectónica de Berlim Leste antes da queda do muro, mais até do que a nossa arquitectura de Estado Novo. Mas só os edifícios são assim percepcionados, porque dentro deles faz-se luz e dá-se o constraste pela vivacidade de grupos de jovens faladores e animados, na sua grande maioria vestidos de forma muito prática sem grandes preocupações com as marcas da moda ou com o estilo.
Nada sei sobre as suas aulas. Estive de passagem por um congresso da Intercom. Ao almoço, na cantina geral, um reboliço pelas regras novas que toda a gente na fila explica pacientemente: entra-se com uma senha para um espaço central no átrio do edifício que fica numa zona mais elevada onde se encontram as mesas com a comida exposta, depois seleccionamo-la, "Vá, por favor, não fique meia-hora para se decidir", vamos pesá-la, e toca logo a procurar um lugar com o prato na mão em equilíbrio com os talheres.
À mesa, que escolhemos por ter o menor número de louça dos comensais anteriores e o menor número de migalhas na toalha, aliás cedida por gentileza por duas professoras que estavam a terminar o seu almoço, há-de vir um empregado perguntar o que queremos beber. Findo o prato principal o mesmo empregado virá propor-nos a sobremesa, e quando terminarmos iremos com o nosso papelinho a uma caixa registadora onde estará já a indicação do que consumimos, pela indicação do número. À saída entregamos a senha a outro empregado e terminámos o almoço.
Por todo o lado a festa do português, claro. É um orgulho imenso olhar todas aquelas caras jovens, desconhecidas, e até então inimaginadas, e ouvi-los falar português.
Por mim, não conheço melhor proposta para se entrar num país que não seja pela porta de uma escola. São gostos pela universalidade.

Entrei na livraria e comprei dois livros. Mas esta há-de ser outra história.

segunda-feira, setembro 22, 2008

O seu voto, não obrigada, em nome de...cidadania partidária.

José Pimentel Teixeira chamou-me a atenção para este assunto do qual eu andava completamente distraída: a alteração da lei eleitoral, desta feita para pôr fim aos votos dos emigrantes.
Numa Europa sem fronteiras à qual pertence Portugal, não há como pôr mais este travão à participação na política nacional dos cidadãos portugueses a trabalharem no exterior, é com certeza com boas intenções, é a mentalidade do poder português: a que se pode denominar de "a cerca" intelectual. Um filme que já vimos diversas vezes antes e que tem novo remake, desta feita com o partido socialista na cabeça de cartaz.
Viva a democracia participativa!

Uma conferência






organizada pela ADDHU .

sexta-feira, setembro 19, 2008

"epiniões" quem as não tem?

Texto curioso este sobre o fenómeno das "epiniões" - as opiniões divulgadas on-line por um conjunto alargado de pessoas que não são críticos profissioanais.
O trabalho A Comparative Study:Does the Word -of-mouth Communications and Opinion Leadership Model Fit Epinions on the Internet? de Yan Jin, Peter Bloch e Glen T. Cameron, procura identificar os dois tipos de "epiniões":1. As pagas e 2. As gratuítas.
Explora ainda os motivos que levam as pessoas a emitir opiniões na internet, sendo que uma das causas assenta na ideia de que os seres humanos têm uma tendência básica para prestar ajuda a outrem sobre matéria em que nos julguemos especialistas (John Shuler, Psychology of Cyberspace).
Veja-se como é que isto mina a teoria neo-conservadora centrada na ideia de auto-suficiência dos mais aptos. Claro que também não se escamoteia a hipótese de muitos dos supostos especialistas nada mais desejarem do que sentir a sensação de poder que consiste em dar opinião a outrem.
Esta linha de interpretação escapa às directivas da investigação clássica sobre a questão das influências, que, desde Lazarsfeld e Katz, assentam na aplicação de testes sociométricos e entrevistas, mais do que no escrutínio das intenções/motivações do sujeito que emite opinião. Penso eu que também estes autores não problematizaram a questão do "Speaker`s Corner ", que, nesta era digital ganha em quantidade, quer de participação quer de multiplicação de discursos que não são pedidos necessariamente por ninguém (ou serão, quando se faz uma busca por termo?).

segunda-feira, setembro 15, 2008

A Escola

Começou o novo ano escolar e o processo já assente de sujeitar os professores à função de terapeutas ocupacionais: acho que a isto chamaram ufanos os defensores deste Ministério, "A reforma da educação". Ninguém se apercebeu, ou quis aperceber-se, o que escondem as promessas tecnológicas (irrealizáveis no seu todo no quadro do orçamento de Estado para a educação, basta fazer as contas àquilo que se diz que há-de vir para a Escola), nem as amostras qualitativas da quantidade de alunos que os professores fizeram passar este ano, nem a sujeição científica às regras do compadrio da nova avaliação de professores.
O filósofo José Gil definiu bem a situação dos alunos portugueses, sobretudo o caos pedagógico que trouxe o vento das Novas Oportunidades, cujos programas têm uma linguagem esotérica: trata-se da atribuição legal de um diploma assente em bases de uma fragilidade académica que deixa todos os professores estupefactos pela inconsistência. Mas, como dizem os artistas, "The show must go on".

domingo, setembro 14, 2008

Ligações

Já saiu o nº 2 da revista "Sem correntes" editada por João Ferreira Dias, uma revista digital que toma por tema a lusofonia e onde tenho o gosto de escrevinhar, desta feita sobre as questões de insegurança social e pessoal.


No blogue A la Gauche, por convite de João Ferreira Dias, tenho deixado correr o pensamento sobre essa questão de "ser de esquerda". Como não sei bem o que significa essa pertença, tenho-me desdobrado na resposta à questão. Tenho um gosto imenso com o tema e com o meu parceiro de escrita.

sábado, setembro 13, 2008

A coruja nordestina


Obsidiou-me, mas não sei se voa ao entardecer. Não me diz, a malandra.


A obra é de Ana Selma.

O bode expiatório

Os Estados Unidos são a melhor salvaguarda discursiva de todas as figuras autoritárias no mundo, porque permitem que aqueles os dêem como a causa de todos os males que cai sobre o seu próprio povo. Assim, pode-se desgovernar um povo em nome do governo dos Estados Unidos.
Confesso que ser bode expiatório num mundo governado por pessoas como Chávez deve ser uma honra para os americanos, ainda que seja uma desgraça para os povos sob o jugo. Mas se for a votos, diz-me amiga Venezuelana, Chávez ainda ganha com uma margem parecida à da MPLA em Angola.
A democracia é linda. Disso não podemos nunca duvidar, sobretudo quando é difícil.

A universidade e o forte 3

Ana Selma é uma artista plástica de Natal que criou entre outras obras, um bicho , "a coruja", sendo que uma das quais me ocupou a mente durante um dia inteiro e da qual eu sou agora uma feliz proprietária.

-Ana, vocês têm uma cidade sui generis. Mistura de cidade americana com apontamentos europeus de influência arquitectónica portuguesa, visível sobretudo nos edifícios públicos.
- É. Nos últimos anos tem muito português vindo para cá e comprando casa. Dizem-me que se não fossem eles a recuperar os edifícios que eles estavam por aí ao abandono; eu pergunto-lhes então porque razão eles têm tantos edifícios abandonados no seu próprio país!

quarta-feira, setembro 10, 2008

A universidade e o forte 2

- Sr. Milton, vejo muitos e grandes cartazes a anunciarem que o governo central, o governo do estado ou a prefeitura está presente numa ou noutra zona da cidade.
-Pois há, agora que há eleições puseram cartazes por todo o lado.
-E eles fazem de facto alguma coisa?
- Que nada, é só promessa e anúncio bobo.
- Mas eu vi um cartaz desses ao lado de um terreno onde estavam de facto aí uns duzentos homens a construirem uma escola anunciada.
- Não, o que você viu foram homens a começarem a construir algo que logo depois das eleições vai ser abandonado. É só promessa mesmo de obra, sabe, não é obra não.



Conversa com motorista nodestino num destes últimos dias.

terça-feira, setembro 09, 2008

A universidade e o forte 1

- Diga-me, Sr. Francisco , o que representam as bandeirinhas à frente das casas?
- Então..., vermelha é do governo e amarela é da oposição.
-E a verde?
- Ah, essa é do povo mesmo.
- E a azul?
- Não tem.
-Não?! Mas eu já vi. E o que é isso de a verde representar o povo?

- !!
Olhe, as bandeiras estão lá para dizerem aos candidatos que as pessoas estão vendendo o espaço de mostrar bandeirinha.
-Ai é?! Mostra-se a bandeirinha a troco de dinheiro?



Uma conversa tida com um motorista brasileiro nordestino por um destes dias passados.